Frozen Hearts
5 Conceal, Don't feel
Notas iniciais
"Elsa: Don't let them in, don't let them see
Be the good girl you always have to be
Conceal, don't feel, put on a show
Make one wrong move and everyone will know
Elsa: But it's only for today
Anna: It's only for today
Elsa and Anna: It's agony to wait..."

Existem dias que mudam a sua vida. Um segundo antes, você estava lá, fazendo o que sempre faz, vivendo da mesma maneira de sempre, quando de repente, algo acontece e muda tudo. Uma minúscula gota de chuva pode causar ondas infinitas num lago parado. Um sopro de vento pode criar uma avalanche. Da mesma forma, coisas aparentemente sem importância como gestos, olhares e palavras podem ser capazes de transformarem a sua vida pra sempre.
Quando eu estava provando o meu vestido de casamento, no segundo em que os olhos da Elsa pousaram nos meus, eu me senti transportada para outro lugar e esqueci completamente da realidade. Da nossa realidade. Mas ela não esqueceu de mim, e cruelmente, bem naquela hora, me fez ter um vislumbre do Kristoff vestido de noivo, dali a alguns dias, me esperando.
Meu Deus, eu ia me casar. Havia encontrado o vestido perfeito,mas alguma coisa parecia estar faltando e nos separando dos votos de amor eterno, até que a morte nos separe. Eterno era tempo demais. E, de repente, aqueles poucos dias que faltavam para a cerimônia pareceram próximos demais, mais do que eu gostaria que estivessem.
–
Tudo parecia estar dando errado ao mesmo tempo na decoração do casamento! As fitas escolhidas para decorar o salão inferior até o jardim não combinavam com as flores do meu buquê, havia uma infiltração severa em diversos cômodos do castelo, o Sven não parecia aceitar ordens para levar as alianças até o altar (exigência do Kristoff), e até problemas com as esculturas de gelo pareciam ter ocorrido, pelo que ouvi falar. Era um desastre. Se eu fosse supersticiosa, acreditaria que isso era um sinal do destino para que eu não me casasse. Era a única explicação possível!
Depois de passar a tarde inteira tentando consertar as coisas com a ajuda dos criados, que me olhavam com expressões de piedade a cada minuto, finalmente me dei por vencida e fui em busca de um prato quente de comida e da minha cama. Gostaria de apagar esse dia da minha existência. Estava justamente pensando nisso, quando ouvi os primeiros gritos.
Pulei da cama na mesma hora. Devia ser mais um pesadelo terrível assombrando o sono da Elsa. Mas dessa vez, eu estava preparada. Havia dado um jeito de pedir gentilmente à sua criada a chave do quarto, alegando que a rainha era sonâmbula e poderia se meter em apuros se não tivesse supervisão. A criada, que praticamente nos
viu crescer, fez uma cara estranhíssima e começou a dar risadinhas esquisitas, enquanto me passava a tal chave.
Para não perder tempo, agarrei o Mr. Jones pelo braço e corri pelo corredor até a porta, mas confesso que a expressão de surpresa da Elsa quase me fez voltar atrás.
Será que ela não me queria aqui? Estaria eu cruzando alguma linha invisível, talvez? Mas depois de ver o seu sorriso de canto de boca, aquele que ela acha que ninguém
consegue enxergar, me senti no lugar certo.
Deitei ao seu lado na imensa cama de dossel que ocupava boa parte do quarto e tive a sensação de estar confortável e nervosa ao mesmo tempo. Aquela sessão de cócegas deve ter parecido coisa de criança, mas foi só a minha tentativa de quebrar o gelo entre nós. Estávamos agora tão perto uma da outra que eu quase não conseguia
respirar. Achava que as batidas do meu coração poderiam ser ouvidas a quilômetros e quilômetros de distância dali. E Elsa parecia tão... Tão perfeita e ao mesmo tempo tão real. E linda, com seus cabelos claros presos em tranças, deixando o pescoço e a nuca expostos. Sua pele alva parecia implorar pelo meu toque.
Quase podia ouvi-la suspirando e respirando fundo, quando meus dedos percorressem as suas costas inteiras, até onde o decote da camisola chegava. O tecido branco era tão fino que eu conseguia ver cada curva do seu corpo, mesmo na penumbra. Como seria então vê-la se arrepiar quando eu cravasse as minhas unhas naquelas costas e provasse o sabor dos seus lábios com a ponta da minha língua? Meu Deus, eu estava suando tanto dentro do pijama, que mais cedo ou mais tarde, não conseguiria mais me conter.
Resolvi fechar os olhos e me obrigar a dormir, mas pude ouvi-la suspirando com tristeza. Tentei falar que não havia mais motivo para ter medo, porque eu estava bem aqui, mas acabei me entregando ao cansaço do dia. Queria mostrar que ela não estava mais sozinha. Não precisava mais ficar. Nunca mais.
–
Me espreguicei devagar naquela manhã, com um sorriso largo estampado no rosto. Estava com aquela sensação de ter tido um sonho muito bom, daqueles que nos deixa felizes sem motivo, pois não conseguimos lembrar exatamente os detalhes do que imaginamos durante o sonho.
Mas ao virar-me para o lado direito e ver alguns fios loiros espalhados pelo travesseiro, de repente, tudo veio à tona de uma vez. Eu havia sonhado com o dia do meu casamento, logo após a cerimônia, com todo o reino de Arendelle me desejando felicidades, enquanto eu segurava a mão da pessoa com quem eu haveria de dividir a eternidade. Me sentia completa, realizada... Feliz. Como se toda a minha vida houvesse convergido para aquele momento. Sorrindo, soltei meus dedos dos seus apenas para levantar seu véu e admirar o rosto que fazia o meu coração acelerar dentro do peito. Olhos azuis me fitavam, da maneira mais apaixonada que se pode olhar pra alguém, parecendo tão felizes quanto os meus. Me aproximei e levantei seu queixo, trazendo seus lábios para onde eles pertenciam: junto aos meus.
Provavelmente devo ter repetido seu nome em voz alta uma, cinco, mil vezes, naquela madrugada:
Elsa...
Elsa...
Elsa.
Ok, eu estava oficialmente e inegavelmente presa em uma imensa enrascada. Precisava ver o meu noivo o mais rápido possível.
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