Frozen Heart

17 Frozen Heart - Capítulo 17


Notas iniciais
Recapitulando o capítulo 16. A cirurgia de Robin foi um sucesso, e sua recuperação também. Eles deixaram a Ilha Flor de Lótus, com a ajuda do Pai de Robin. Estão se dirigindo agora para o encontro com os Chapéus de Palha. Boa leitura.

Foi como um sonho, ou melhor, como uma viagem longa que parecia um sonho. Robin sentia-se bem. Seu coração batia como nunca em seu peito. Ela foi examinada por Chopper, que a acompanhava sem desgrudar um só minuto da arqueóloga.

Deixar a Ilha Flor de Lótus foi mais simples do que poderia ser. O que deixou a atenção de Law redobrada. Ele aguardava uma frota da marinha bem acima de suas cabeças, o submarino estava pronto para uma batalha, caso fosse necessário. Mas não foi. O capitão andava de um lado para o outro na cabine, segurando uma bolinha macia, que servia para massagear e relaxar. Era óbvio que o resultado era totalmente o contrário.

Trafalgar Law sentou-se em sua cadeira de comandante e observou os monitores. Nos painéis, havia uma quantidade grande de navios da marinha identificados com a cor verde. O submarino piscava na tela em cor branca. As coordenadas em que se encontrariam com o Bando do Chapéu de Palha, estava em outro monitor. O tempo estimado para o encontro era de 48 horas.

Em dois dias estaria tudo terminado. Law pensou na frase, sentindo um leve pesar.

Dois dias para que as coisas retornassem ao que era antes. Mas porque aquela situação não o animava? Seu trabalho havia sido exemplar. A cirurgia foi um sucesso e Robin se recuperava muito bem. Chopper era um grande médico e sabia que Luffy estava cuidando muito bem de seus companheiros.

Tudo estava indo bem. Não, nem tudo.

Dessa vez, o coração que doía, era o do Capitão dos Heart Pirates.

***

— Como eu já disse, estou me sentindo muito bem. — Robin tranquilizou Chopper com um sorriso gentil e passou a mão em sua cabeça, fazendo um carinho como agradecimento. — Acho que já posso deixar a cabine e caminhar um pouco pelo submarino. Já deixamos o arquipélago da Marinha, não é?

— Sim, deixamos, mas, mesmo assim, acho melhor você descansar mais um pouco.

Robin suspirou. Ela não queria deixar Chopper alarmado ou ir contra suas recomendações médicas, por isso decidiu sentar-se na cama e ler um livro, embora já tivesse lido todos os livros que estava em seu alcance.

— Vou ver como estão as coisas e depois ajudar a preparar uma refeição especial para você. Já, já volto. — Chopper fechou a porta do quarto e Robin esperou mais alguns minutos, até que ele pudesse estar longe o suficiente para que ela pudesse deixar a cabine, sem ser pega de surpresa pelo médico.

O submarino estava tranquilo, com todos aqueles barulhinhos que o próprio produzia conforme tomava seu curso. A cada minuto que passava, Robin sabia que estava a caminho de casa. Seu bando a aguardava ansiosamente, assim como ela se sentia ansiosa. Embora sua ansiedade estivesse também presa aquele submarino. Poderia dar um nome diferente aquela sensação que tomava seu corpo. Mas a arqueóloga preferia não pensar em um título para definir o que sentia.

Ela chegou até a cabine de comando do submarino. Estava quase vazia, se não fosse pelo capitão sentado na cadeira de comando. O lugar era preenchido por um leve bip bip vindo direto dos painéis de controle e monitores.

Robin analisou os painéis, compreendendo que tudo parecia tranquilo e não havia nada num raio de muitos quilômetros ao redor do submarino. Significando que eles estavam protegidos.

A presença de Robin foi notada imediatamente, mas Law virou sua cadeira apenas alguns minutos depois.

— É um pouco cedo para sair da cama. Como está se sentindo? — o capitão perguntou, com uma preocupação séria estampada em seu rosto. Os olhos de Law pareciam caídos e com olheiras, sua palidez era nítida, assim como os cabelos desgrenhados e bagunçados. Robin deu alguns passos, acomodando-se ao lado de sua cadeira.

— Estou me sentindo bem. Agradeço a preocupação, mas estou realmente bem.

Trafalgar direcionou seu olhar para os monitores.

— Estamos passando por uma corrente marítima nesse momento, pode ser que você se sinta um pouco nauseada.

— Posso sentir. — Robin respondeu tranquilamente. — Não me incomodo com isso. Estava com saudades do balanço do mar.

Law se levantou e caminhou até os monitores.

— Aqui estão os Chapéus de Palha. — ele apontou com o dedo em um monitor — Encontraremos eles em dois dias. Já os alertei sobre possíveis atrasos, mas, acredito que nada dará errado. A única coisa que me preocupava era a Marinha e... — ele virou-se para Robin — E caso você não se sentisse bem.

— Então, se esses eram apenas os motivos para um possível atraso, eu imagino que chegaremos no previsto. Eu... — Robin moveu os lábios, mas não sorriu, ou sequer completou a frase. Ela decidiu retornar para o quarto, pois não queria que Chopper a encontrasse fora da cama.

Law confirmou apenas com um movimento de cabeça.

***

Era noite e tudo estava tranquilo no mar. Law ainda estava na cabine de comando e foi substituído por um de seus companheiros, que alegou que o capitão precisava de um descaso, após passar horas diante daqueles monitores.

Ele foi direto para a própria cabine, onde tomou um banho e depois tentou relaxar o corpo em sua cama. Olhando para o teto de metal, Law não conseguia dormir. Seus olhos apenas não fechavam. E quando fechava, a imagem de uma única pessoa vinha em sua cabeça.

O capitão bufou, sentando-se na cama e esfregando as mãos no rosto. Ele estava sem camisa, mas, ainda, assim sentia calor. O sistema de refrigeração estava programado para manter uma temperatura agradável, como se estivessem em uma ilha, já que no fundo do mar, o frio era constante.

Law foi até o banheiro e lavou o rosto, ele se olhou no espelho, sua aparência não parecia das melhores. Mas ele não estava preocupado com o exterior. Precisava mesmo é de um bom tranquilizante na parte interior. Retornou ao quarto, fechando a porta do banheiro, sendo surpreendido pela visita que estava parada diante de sua mesa de trabalho.

— O que faz aqui? — ele perguntou, passando a mão na cabeça. — Tá uma bagunça essa mesa. Deixe-me tirar essas coisas daqui. — Law tirou alguns papéis amassados e fechou os livros abertos sobre a mesa.

Robin deixou escapar um sorrisinho, observando atentamente algumas anotações espalhadas pela mesa que continha seu nome.

— Não queria ser intrometida, mas estava procurando algo novo para ler. A porta estava aberta e eu entrei, desculpe.

— Tudo bem — ele organizou tudo rapidamente — pode levar os livros que gostar, eu lhe darei de presente.

— Você já leu todos eles?

— Sim, sem dúvida. — Trafalgar notou que vestia apenas uma calça e procurou pela camisa na cabine. — Aconteceu alguma coisa? Você está se sentindo bem, já é tarde. Deveria estar dormindo.

— Estou um pouco ansiosa com a viagem de volta. Está tudo indo tão bem que parece... estranho.

— Concordo, mas não se preocupe, estamos no curso e logo chegaremos. — ele vestiu a camisa amassada.

Robin fez uma pequena pilha de seis livros. Law percebeu que ela não parecia muito ligada no que estava fazendo. Isso porque ela pegou os livros que ele usava para consultas com procedimentos médicos, e não poderia deixar que ela os levasse. Não por maldade, é claro.

— Eu vou precisar desse livros. — ele finalmente falou.

— Oh! Sim, é claro. — ela afastou os livros na mesa. Ambos em um silêncio constrangedor. O silêncio não durou mais do que um minuto, talvez menos. — Eu não vim pelos livros.

— Acho que notei isso.

Robin ficou de costas para a mesa, apoiando-se com as duas mãos sobre ela.

— Tudo o que aconteceu nos últimos dias foram demais para mim. Eu não esperava conhecer meu pai, minha mãe… e até a mim mesma. — Robin falou, fitando o chão, mas, logo em seguida, ela encarou Law. — Eu não estava pronta para tudo isso.

— Como poderia estar? Tudo foi tirado de você covardemente. — Law permaneceu parado, como se o seu corpo estivesse congelado no lugar.

— Você fez tanto por mim, que eu não sei como poder retribuir.

Ele se sentiu obrigado a movimentar o corpo, ou se tornaria uma estátua de gelo.

Trafalgar fez o que sua cabeça ordenou, entretanto, não havia muito espaço para se mexer dentro da cabine. E o que ele fez, foi aproximar-se de Robin. A ideia parecia boa, somente em alguma ilusão criada por sua mente.

— Eu não sei como será daqui para frente. — Robin falou baixinho, mexendo nos papéis sobre a mesa, sem encarar Law. — Gostaria de conhecer mais meu pai. Quem sabe futuramente eu não retorne à ilha. Você pretende retornar?

— É possível. — Trafalgar diminuiu mais a distância entre os dois, levando sua mão aos cabelos de Robin, que caíam sobre seus ombros. Ele escorregou a mão pelo braço dela, alcançando a mão, sentindo a quentura de sua pele.

Robin ainda olhava para as anotações de Law, em cima da mesa. Algo lhe chamou a atenção, fazendo Trafalgar afastar-se dela.

— O que é isso? — ela pegou o papel e leu o conteúdo, mas não estava completo. Robin mostrou a folha para o capitão.

— É um estudo sobre a fertilidade dos usuários. Eu não terminei esse estudo. É só um esboço, precisa de mais informações e outros usuários que eu possa avaliar. — ele pegou a folha das mãos de Robin e guardou em uma pasta, junto com outros materiais.

— Esse em especial é sobre mim. O que você descobriu? Acho que tenho o direito de saber.

— Tem razão. — Trafalgar passou a mão nos próprios cabelos, pensando na melhor maneira de falar. — Como não existe nenhum registro anterior, antes de você comer a Hana Hana no Mi, não tenho como ter certeza se esses dados é devido ao fruto ingerido, ou não. A avaliação diz que sua fertilidade é muito abaixo do normal para uma mulher de sua idade. Existe uma disfunção na ovulação, isso significa que as chances de ter filhos são muito baixas.

— Entendo.

Law esperava uma reação mais expressiva da parte dela. Uma revelação como essa geralmente abalava as mulheres, ou era isso que ele esperava.

— Não chega a ser impossível. Precisaria de um estudo mais avançado...

— Tudo bem, Law. Está tudo bem. — Robin tocou o ombro dele. — Eu nunca pensei nesse assunto antes. Ainda que... um navio pirata não seja lugar para uma criança. Talvez seja hora de ir para a cama.

Law se arrependeu de tê-la deixado partir em silêncio. Como não conseguiria dormir, decidiu ir até a cabine de comando. Mais um dia, apenas algumas horas. E tudo voltaria ao normal.

Aquela palavra nunca pareceu mais desagradável de ser pronunciada.

Notas finais
Demorei? hehe eu sei que sim. Mas sabem... é bom dar um tempo, eu estava super atarefada e com a cabeça ligada no 220. Precisei descansar. Agora eu retornei alegre e cheia de vontade de escrever novamente. Odeio escrever por obrigação, isso tira toda a emoção. Até editei o gênero e a classificação. Pq eu escrevi umas coisas aqui muito inapropriadas :x Até logo mais. Beijos.