Frozen Heart

14 Frozen Heart - Capítulo 14


Notas iniciais
Eu sempre imaginei como seria o pai da Robin. Espero que seja convincente hahaha

Na varanda da casa, um homem alto aguardava seus convidados. Os cabelos negros e compridos estavam presos em um amarrado desajeitado. A barba por fazer era branca e rala. Apesar de sua aparência física ser de um jovem adulto, Nico Robin sabia que para ele ser o jornalista Kriger Rider, deveria ter no mínimo sessenta anos

Conforme aproximava-se da casa, Robin sentia as pernas bambearem. Seu coração apertado dentro do peito, a respiração acelerada e sua cabeça estava um turbilhão.

Durante toda sua vida acreditou que seu pai fora assassinado em uma viagem junto com outros arqueólogos de Ohara, antes mesmo dela nascer. Cada vez que ouvia aquela história, alguns detalhes eram acrescentados, outros esquecidos. Por isso Robin decidiu acreditar na versão que era mais convincente.

Ao seu lado estava Law. Ela sentiu a mão do capitão pousar em suas costas levemente, num incentivo para que continuasse andando.
Os passos eram duros e difíceis. Seu corpo estava anestesiado pelas palavras anteriores daquele homem.

“Traga minha filha para dentro. Temos muito o que conversar e pouco tempo.”

Seria aquela uma brincadeira de mal gosto?

Afinal, o que ganhariam os dois, Law e Kriger, pregando uma peça nada engraçada?

Mas assim que finalmente avançou em passos ansiosos, Robin alcançou a varanda e de frente para o homem que lhe chamava de filha, ela teve a certeza de que ali não havia nenhuma brincadeira de mal gosto sendo pregada.

Como em sua vida nunca imaginou que tal situação poderia acontecer, Robin não sabia o que fazer, senão o que fazia de melhor: Estudar a disposição dos acontecimentos. Analisar a figura masculina a sua frente.

Infelizmente ela não conseguia sentir nada além de confusão e dúvidas. Perguntas sem respostas e um medo crescente das respostas.

O primeiro passo foi dado por Law, que encontrou no silêncio de ambos uma maneira de apresentá-los.

– Nico Robin, este é Kriger Rider. O jornalista dado como morto pela marinha. Mas como pode ver ele está bem vivo. – Trafalgar sentiu o ar pesado naquela varanda. – Sim, é claro. Ele é também seu pai.

Law recebeu um sorriso de Rider, já de Robin ele recebeu um olhar que mais assemelhava com um pedido para ficar calado.

– Veja só. Eu não sei se já te disseram isso, mas você é muito parecida com sua mãe.

O coração de Robin sambada dentro do peito. As últimas lembranças da mãe eram dolorosas e bonitas ao mesmo tempo. Um desejo escondido da arqueóloga, era poder conhecer mais da história de Nico Olvia. Seus sonhos, sua vida, o passado. As informações foram todas destruídas no dia em que Ohara foi atacada e removida do mapa. Não havia uma pessoa viva que pudesse lhe contar as histórias de sua mãe. Pelo menos não ate agora.

– Conte-me o que sabe sobre ela. – Disse num tom exigente. – Não esconda nenhuma informação, eu quero saber tudo sobre minha mãe. – Robin suplicou.

– É claro que eu vou contar.

Rider abriu a porta da casa e os convidou a entrar. Antes de dar um passo a frente, Robin virou-se para Law, dizendo um obrigada solto no ar. Eles entraram.

A casa era modesta mas funcional. O primeiro comodo era a sala, com sofás, um rádio e o que era parede estava escondido por prateleiras repletas de livros. Uma porta dava para a cozinha, de onde vinha um cheiro saboroso de café. A outra porta deveria ser o quarto, mas a atenção de Nico Robin estava no homem que dizia ser o seu pai. Ela ainda não estava pronta para proferir essa palavra em voz alta.

Mas se repetia em sua cabeça como um mantra.

Rider voltou da cozinha com uma bandeja. Deixou-a sobre a mesa de centro, após empurrar alguns papéis que estavam jogados ali. Um deles era bem conhecido de Robin. Seu cartaz de procurado da marinha.

– Eu não sei se gosta com açúcar.

– Sem açúcar. – ela disse calmamente, aceitando a xícara de café. Por fora estava paciente, mas por dentro suas entranhas se contorciam esperando pela história ser contada.

– Para você um pouco de licor. – Rider entregou o cálice para Trafalgar. Enquanto o capitão experimentava a bebida, ele notou um olhar novo de Robin. – E eu fico no café mesmo.

– Está muito bom o licor. – Law agradeceu, enquanto era fuzilado pelos olhos da arqueóloga. Ele compreendeu que ela aguardava alguma explicação de toda aquela situação.

– A produção esse ano me deixou contente. – Rider sorriu, e depois o sorriso morreu quando notou o olhar sério da filha. – Mas vamos falar disso uma outra hora. – ele virou-se para Robin e com um sorriso saudosista continuou. – Nossa, eu já disse que você é parecida com sua mãe?

– Sim, já disse. – Ela foi seca na resposta, mas mais porque estava ansiosa.

– Vejo que herdou também outros traços. – Ele se levantou e então foi atá uma das prateleiras. Tirou de lá uma pasta de couro preto que assemelhava-se com um álbuns de fotografias. E era. No entanto as fotografias eram recortes de jornais, lembretes escritos, e uma variedade de pequenos objetos.

Robin recebeu a pasta e a abriu. Seus dedos tremiam.

Uma fotografia então deixou-a sem palavras. Ela Olvia, ainda bem jovem. Com longos cabelos brancos e soltos. Estava na praia, olhando o mar.

– Ah! Essa foto estava aí? – Rider sentou-se no outro sofá. Law estava ao lado de Robin. Ele não queria demonstrar a preocupação que sentia no momento, mas achou prudente continuar ali ao lado dela caso alguma emoção mais forte a abalasse.

– Ela parecia feliz. – comentou a arqueóloga.

– Sim. Ela foi muito feliz. Apesar da briga que tivemos cinco minutos depois que nos conhecemos. Mas não importa.

– Importa para mim. – Robin guardou a fotografia e continuou foleando os recortes de jornais. Muitas matérias, coisas sem muita importância para olhos não treinados, porém Robin podia compreende que até mesmo a matéria mais sem importante possuía um significado. – Eu não tenho nada dela. Senão suas últimas palavras, e um abraço. Mas me conte como você a conheceu. Como chegou a Ohara?

– Eu estava como convidado em uma expedição da marinha. Uma missão para catalogar novas plantas. Eu era o fotógrafo da expedição. Ohara foi a décima ilha que visitamos. Eu conheci sua mãe um dia depois de chegar a ilha. Estava na biblioteca pesquisando quando ela apareceu carregando uma pilha de livros. – ele riu, sua expressão era carinhosa pelas lembranças. – Ela espalhou todos os livros na mesa. Depois buscou mais alguns, incluindo o que eu estava a procura. Brigamos pelo livro por alguns minutos e depois decidimos dividir. No final do dia estávamos dividindo um café. No final da semana dividíamos mais que isso. Desculpe...

– Não, não. Continue.

– Tudo bem. – Rider relaxou no sofá. – Sua mãe era doce e gentil. Ela gostava de flores, então eu sempre levava uma rosa em nossos encontros. Depois descobri que suas flores favoritas eram Lírios. Ela também gostava de doces. Possuía uma caixa embaixo da cama cheia de chocolates, balinhas e dangos. Era ma mulher inteligente e forte.

Robin estava atenta a história. Quando o pai levantou-se para buscar algo no quarto, ela sentiu a mão de Law acariciar seu ombro.

– Você está bem? – Perguntou baixinho.

– Sim. Só que tudo isso é muito para assimilar. Essa mulher a quem ele retrata, não parece nada da mulher que me falavam.

Kriger Rider retornou a sala com uma pequena caixa em mãos. Ele entregou para Robin, que abriu a tampa com cuidado. Havia algumas cartas e uma caixinha de madeira lá dentro.

– Essas cartas foram escritas por sua mãe. Logo após eu ir embora. – Ele pegou uma das cartas e abriu. – Nós nos comunicávamos por carta pois era mais seguro. Escrevíamos em código. Veja aqui, eu era a Vovó Janet e ela era a neta Thalia.

– Porque você a abandonou? – Robin perguntou, enquanto lia um trecho da carta. Dizia que a Vovó Janet estava com saudades da neta Thalia.

– Eu não abandonei.

– Então o que houve?

– Quando a expedição chegou ao fim. Eu decidi ficar. Mas fui impedido por um dos capitães. Então prometi que iria retornar. Após cinco anos eu voltei. Mas eram épocas difíceis, eu estava sendo acusado de traição por ter escrito algumas matérias para o jornal sobre a marinha. Foi quando ela engravidou. Eu queria fugir, para vivermos em segurança. Mas Olvia não quis abandonar a ilha e seu trabalho como arqueóloga. Ela dizia que uma filha de Ohara, deveria nascer em Ohara. Sua mãe sempre soube que você era uma menina, antes mesmo de nascer.

– Foi nessa época que você escreveu isso aqui? – Robin pegou de dentro da bolsa o livro que Law lhe dera. – Esse livro. Você quem escreveu?

– Oh! Que surpresa. Eu o dei para Trafalgar quando ele era bem novo.

– Sim, foi. – Law concordou.

– Escrevi esse livro quando fui obrigado a deixar Ohara. Sua mãe grávida e a marinha no meu pé, eu não queria que eles as usassem como chantagem. Decidi voltar quando tudo estivesse mais tranquilo. Foi aí que me capturaram e eu fiquei preso por um ano. Eles confiscaram tudo o que eu possuía. Inclusive as fotografias de sua mãe e Ohara, mas para não ser acusado, eu os atirei no mar, dentro de uma mala. Não possuo nenhuma recordação daquela época, senão isso aqui.

Rider pegou a pequena caixa de madeira. Era um par de alianças dourada: – Eu iria voltar e pedir sua mãe em casamento. Mas decidi me afastar para proteger vocês duas.

Nico Robin pegou a aliança menor e colocou no dedo, sentindo uma emoção grande tomar conta de seu coração. Usar algo que fora de sua mãe, sempre foi um sonho.

Notas finais
♥ e aí? O pai dela foi aprovado?