Frozen Heart
10 Frozen Heart - Capítulo 10
Notas iniciais
Boa leitura ♥
Robin despertou ao ouvir o barulho de um grupo de baleias azuis. Ela sentou-se na cama e com cuidado, se levantou, caminhando até a janela arredonda de vidro. As baleias nadavam graciosamente no fundo do mar. Havia também outros animais marinhos por ali e Robin recordou-se com saudade da Ilha dos Tritões.
O barulho das baleias azuis foi se afastando até que o som ficasse apenas por um fio. Robin virou-se e olhou para a cama, considerando poder voltar a dormir, mas ela já estava tão cansada de ficar deitada. Precisava e sentia-se disposta a dar ao seu corpo um pouco de exercício físico. Caminhar não parecia tão ruim.
Ela viu Chopper dormindo em um colchonete do outro lado de sua cama. Andou na ponta dos pés tal como uma bailarina e cobriu o médico com um cobertor. Mesmo que seu corpo peludo fosse o suficiente para mantê-lo aquecido, quando Robin o cobriu, Chopper pareceu relaxar e sorrir.
Aproveitou também para se familiarizar mais com aquele quarto. Ela passou os dedos sobre os livros empilhados em cima da mesa próximo ao armário, que ao abrir, encontrou uma bolsa com seus pertences. Agradeceu mentalmente a Nami por tê-la arrumado. Pois de fato, somente a ruiva teria a capacidade de fazê-lo corretamente.
Nico Robin também aproveitou para tomar um banho. O banheiro do quarto possuía uma pequena banheira, mas confortável. Enquanto a água enchia a banheira. Ela se despiu e encontrou no móvel da pia um cesto com alguns aromatizantes, sabonete e produtos para higiene. Robin pegou o pequeno frasco com líquido rosado e espalhou na água, criando bolhas. Logo em seguida, mergulhou o corpo na água quentinha e ficou ali, aproveitando a sensação gostosa de estar no fundo do mar. Os barulhos do oceano e seus animais. Dos motores e engrenagens do submarino e um pequeno, quase imperceptível barulho repetitivo que ela imaginou ser algum equipamento eletrônico que fazia um bip bip.
Não saberia dizer quanto tempo o banho durou. Mas foi o suficiente para sentir como se acabara de despertar de uma longa noite cansativa. Ela vestiu um short, camisa e botas. Não estava frio nos corredores, não como quando o bando afundou metros e metros no fundo do mar. Robin sentiu que o calor vinha pelo chão. Deveria ter um dispositivo que aquecesse o submarino para que os tripulantes não congelassem de frio.
Ela ainda podia ouvir o barulho das engrenagens, um leve tic tac e bip bip.
Caminhou por um corredor estreito e viu uma das portas abertas, entrou na cabine. Não havia ninguém lá dentro. Somente aparelhos eletrônicos e uma parede repleta de livros. Robin pegou um, cujo título era: Albacora.
Dentro, havia diversas imagens de submarinos e especificações de propulsão, velocidade, boca, comprimento, autonomia, profundidade, entre outras. Os demais livros também eram técnicos. Assim como tudo que estava ali, ferramentas, materiais e objetos de função mecânica.
Robin saiu da cabine. O corredor fazia uma curva a direita e ia na direção de uma outra porta. Essa era maior, feita de ferro com uma pequena janela redonda na parte superior. Antes de abrir a porta, ela verificou o que tinha lá dentro. Ficou satisfeita por ver que era a cozinha.
Também estava vazia e por isso entrou sem problemas. Mexeu nas portas dos armários, encontrando o que desejava. Café.
Deixou a água ferver e preparou o café, adicionou um cubo de açúcar e sentou-se no banco alto, de frente a uma bancada também de ferro. Ela bebeu o café, ao som do barulhinho das engrenagens. Era tranquilizador.
– Vejo que já esta se sentindo em casa.
Robin não se moveu, ela sabia muito bem de quem era aquela voz. Apenas assoprou o café, bebendo-o em seguida.
– Eu precisava sair do quarto. Sinto muito se estou sendo um pouco intrometida.
– Fique a vontade em se intrometer no meu submarino. – Law deu a volta na bancada, parando de frente a morena. Ele a olhou atentamente e Robin notou que iria dizer alguma coisa.
– Algo o incomoda?
– Na verdade... não. Mas eu preciso informar que não poderá beber café nas próximas horas. Preciso que fique de jejum.
– Oh! – Robin deixou a xícara sobre a bancada. – Deveria ter orientado sobre isso antes.
– Não se preocupe. – Ele pegou a xícara e os outros utensílios sujos colocando-os dentro de uma máquina, fechando a porta e acionando um botão para a lavagem iniciar. – Ainda falta algumas horas para o sol nascer. E somente depois iremos começar os exames.
– Aqui não me dei conta de que ainda era madrugada.
– É verdade. Algumas vezes ficamos dias submersos e acabamos sem ter noção do tempo.
Enquanto Law retirava os utensílios limpos da máquina, Robin aproveitou para examiná-lo. O cabelo despenteado, a camisa preta de manga longa com a gola sem elasticidade, deixava a vista seu pescoço, e era possível ver um princípio de tatuagem ali. Ele vestia calça jeans e estava descalço.
Law dava algumas descrições dos exames que Robin faria, incluindo uma corrida na esteira ergométrica, para verificar os batimentos cardíacos.
– Não me parecem perigosos os exames. Por que tanto cuidado e os remédios que tomei antes de dormir?
– Simples. – Law serviu-a com uma taça de frutas bem cortadas. – Você é uma usuária, seu corpo sofreu uma mutação quando comeu a Hana Hana no Mi. Acredito que tenha feito isso ainda jovem, já que... bem, já que é procurada desde muito jovem.
– Sua fonte de informação está um pouco equivocada. – Ela experimentou o melão e depois pegou uma uva verde. – Mas qual a relevância dos acontecimentos passados que me trouxeram aqui?
– Eu venho estudando há alguns anos os usuários. Claro que é um pouco difícil, já que a maioria esta entre piratas e marinheiros e poucos não confiariam suas vidas a minha pesquisa.
– Poucos? – ela arqueou a sobrancelha, movendo a cabeça ligeiramente para o lado.
– É, a quem eu quero enganar. – Law secou as mãos em um pano, e apoiou os cotovelos sobre a bancada, olhando nos olhos de Robin. Estavam a uma leve distancia, que era possível sentir o cheiro de banho impregnado na pele dela. O aroma de morango do sais de banho. – Minha pesquisa está fadada ao esquecimento. O que posso fazer, senão me conformar.
Robin sorriu ligeiramente.
– Dramático, para não dizer astuto.
– Compaixão e solidariedade não lhe diz nada?
– Não muito, mas eu fiquei um pouco interessada nessa pesquisa. – Ela afastou-se um pouco, cortando o contato visual. Sentiu as maçãs do rosto corarem ao ouvir os batimentos cardíacos do capitão a sua frente. – Quantos já foram?
– Pouco mais de doze. – ele também assumiu uma nova postura e deixou o balcão, fazendo o caminho para fora da cozinha, atento se Robin o acompanhava. – Incluindo seu capitão.
– Luffy? – ela o seguia pelos corredores estreitos do submarino. – Ele não me parece o tipo de pessoa que responde a algum tipo de questionário de pesquisa.
– Não, não. Ele estava inconsciente quando o fiz.
Robin travou imediatamente, aguardando uma explicação lógica de Trafalgar. Ele notou a rigidez em seu maxilar e suspirou, achando que estava começando da maneira errada.
Eles caminharam mais alguns metros em silêncio. Ou melhor, ao som do bip bip e trec trec que aumentava o volume e compasso a cada momento. Ao abrir a porta de uma nova cabine, Law ofereceu a Robin sua mão para ajudá-la a descer alguns lances de escada. Ela não aceitou a ajuda, segurando-se nas barras de ferro do corrimão.
Eles desceram e naquele momento a casa de máquinas do submarino encheu os olhos da arqueóloga. Ela caminhou por entre as máquinas que moviam-se quase que magicamente, se não soubesse que cada movimento era calculado e estratégico. O barulho era quase ensurdecedor também. Dois braços foram criados em seus ombros e nos de Law, tampando os ouvidos de ambos
Ele olhou para trás e disse um obrigado Robin-ya, apenas movendo os lábios, já que não era possível ouvir algo ali.
Passaram pela casa de máquinas e uma nova porta surgiu. Trafalgar abriu e sem ser cavalheiro, entrou primeiro. Robin não se importou com aquilo, entrando logo em seguida. Ao fechar a porta, o silêncio se fez presente. Era incrível que não se ouvia nem um bip bip lá de fora. Ou sequer o barulho da água do oceano.
Robin encontrou ali uma sala de estudos. Livros, papéis, tinteiros espalhados pela mesa. Um divã verde escuro de forro macio, parecia ser um lugar confortável para cochilar quando necessário.
E na desordem ela se encontrou. Pegou um livro sobre botânica e depois encontrou um sobre o deserto de Alabasta. Mas o que deixou Robin mais curiosa foi um exemplar de um raro livro que falava sobre sua ilha. Ela o pegou e abriu na pagina marcada, onde falava sobre a rosa de Ohara, a mesma que encontrara na ilha de Dressrosa.
– Como conseguiu este livro?
– Alguém me deu quando eu ainda era muito pequeno. – Law sentou na poltrona atrás da mesa. – Eu queria te mostrar esse livro, por isso a trouxe aqui. Você já o leu?
– Não. Eu nunca o vi na biblioteca de Ohara.
– Então minhas suspeitas estão certas. Eu acredito que esse livro tenha sido escrito depois de sua ilha ser dizimada. Já que ele não possui uma data de impressão.
Robin o olhou desacreditada.
– E quem o escreveria se todos foram mortos.
– Não todos. – ele esticou a mão em direção ao livro. Robin o entregou. – Você viveu.
– Mas eu não escrevi um livro.
– Sim. Tem razão. – ele deu um sorriso e abriu o livro na pagina em que desejava. Apontou o dedo para o parágrafo que Robin poderia ler. Ela sobrepôs o corpo por cima da mesa e leu em voz alta.
– Somente um dos filhos de Ohara sabe como cultivá-la corretamente. – Robin leu mais uma vez o trecho, até que sua mente girou e ela caísse em si. Levou as mãos a boca e depois tomou os livros das mãos de Law. – Somente um filho dos Ohara... Oh! Eu não... como? – Ela sentiu as batidas do coração acelerar e uma dor febril tomar seu corpo todo.
Trafalgar levantou-se da poltrona e a segurou antes que ela caísse no chão.
O livro caiu com as páginas das fotografias dos campos de Rosas de Ohara. Rosas essas que eram plantadas por alguém. Ele desviou o olhar do livro e encarou Robin, tomando seu pulso e medindo sua pressão. A deitou no divã e aguardou que ela voltasse a si.
E da próxima vez, iria ter cautela antes de revelar algo muito sério para a arqueóloga. Pelo menos até eles resolverem aquele problema em seu coração.
Notas finais
Bem, eu ainda não o escrevi e não sei se vai sair tão cedo :X
Beijos
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