Frozen Heart

16 Frozen Heart - Capítulo 16


Notas iniciais
Oi, voltei :D
Vamos que vamos minha gente, em direção ao final da história ♥

Robin sentia-se sonolenta, mas Chopper estava ao seu lado, segurando sua mão, incentivando-a não dormir. Ele contava uma de suas histórias na ilha onde passou dois anos. E ainda que ela sentisse um desejo incontrolável de fechar os olhos, a agitação ao seu redor não permitida dormir.

Rider, deitado na cama ao seu lado, sorria em sua direção. Ele estava com um tubo conectado em seu braço, onde o sangue circulava. Eles eram compatíveis, possuíam o mesmo tipo sanguíneo. Quando soube, Robin sentiu o vazio do seu peito ser preenchido. Ela não estava sozinha no mundo. Digo, havia outra pessoa como ela no mundo, com seu sangue. E mesmo que seus olhos estivessem preguiçosos e seu corpo amolecido, Robin queria se mover e estender a mão, para alcançar a dele. Mas não pode.

Ela também podia ouvir o som do oceano. Estavam dentro do submarino, mais precisamente na sala de cirurgia. Trafalgar Law estava ao lado de Rider, segurando uma seringa. Robin ainda era embalada pela história de Chopper, mas no minuto seguinte, quando o peso de suas pálpebras cederam, ela não viu mais nada.

Mas ainda podia ouvir.

O leve tum tum e tip tip das máquinas.

No entanto, o processo delicado da cirurgia não permitia que ela ouvisse Law ou Chopper, silenciosos e concentrados.

E depois de tanto relutar, Nico Robin finalmente relaxou e sua mente criou asas. Sua vida estava nas mãos de pessoas, não apenas competentes, mas também confiáveis.

Seus sonhos eram abstratos e com poucas cores. Ela viajava por painéis em preto e branco. Escorregava por telas cinzas e caía num chão de terra escura. Sozinha naquele cenário frio, ela sentia a esperança esvair de seu corpo. E foi pouco a pouco que seus sonhos foram tomados por cores e cenários diversos. Sendo preenchido por pessoas e acontecimentos importantes.

Aquele cenário se encaixava melhor em sua nova vida, e isso a fazia mais feliz.

Agora, duas pessoas invadiam seus sonhos e conquistavam um espaço entre seus companheiros. Duas pessoas que entraram em sua vida, para completar aquela tela aquarelada e colorida.

***

Robin despertou com o barulho de pássaros e as ondas do mar quebrando na rocha. Era uma sensação de paz que sentia. Ela abriu os olhos, verificando que nos pés da cama estava Chopper, encolhido e dormindo. Ao lado, Law estava sentado em uma cadeira, também dormia.

Ela levou a mão direita até o peito esquerdo, sentindo as batidas, sorriu boba e aliviada. Mas ainda estava com algumas bandagens e o soro, que pingava lentamente.

Como não havia para onde ir, ou porque levantar, ela permaneceu na mesma posição, admirando a paisagem do lado de fora da janela. Estava um céu sem nuvens, o sol parecia brilhar. Ela pensou em Nami, e em como ela deveria estar aproveitando aquele sol. Depois pensou em Sanji, preparando um suco delicioso. Em seguida pensou no capitão e Usopp, com certeza aprontavam alguma. Franky e suas invenções. Brook bebendo seu chá e... Zoro.

Robin suspirou, pensar em Zoro sempre a fazia perder mais tempo do que queria.

Naquele momento, Robin sentiu falta de seus companheiros, desejando vê-los em breve. Olhou para Chopper, imaginando que ele também sentia muita falta do bando. Com certeza eles retornariam em breve.

No minuto seguinte, Robin observou Trafalgar Law. Ele vestia apenas a calça jeans e camisa preta com as mangas dobradas. Sem o chapéu para esconder seus cabelos revoltos. Ela sorriu.

***

Naquele mesmo dia, à noite, Robin ficou a par de todo o processo da cirurgia. A julgar pela felicidade estampada no rosto de Chopper, tudo estava bem caminhado. Agora, deveriam focar em sua recuperação. E uma semana era o prazo para permanecerem na ilha.

Law sentou-se ao seu lado, com uma bandeja de prata e alguns utensílios especiais para trocar o curativo. Foi quando ela viu a cicatriz em seu e peito. Aquilo não a incomodou, como mulher. Afinal, era uma cicatriz que simbolizava sua nova vida.

– Eu posso removê-la se quiser. Podemos fazer uma cirurgia plástica. – Trafalgar comentou, enquanto terminava seu trabalho e cobria o corpo de Robin com um lençol.

– Não precisa. – Ela sorriu, sentindo-se sonolenta, era natural pelos remédios que estava tomando. – Obrigada.

– Você não precisa.

– Sim, eu preciso. Você me trouxe até ele e cuidou de mim. – Robin ainda tinha força suficiente para segurar as mãos de Law.

– Fiz aquilo que deveria fazer. – ele levantou. – Mais tarde Chopper vai fazer o novo curativo. – Law parecia apressado e desesperado para sair do quarto. Provavelmente ninguém o interpretaria daquela forma, já que ele parecia tranquilo. No entanto, Robin podia ver seus olhos ansiosos.

– Entendo. – Ela fechou os olhos. – Afinal, em breve retornaremos às nossas vidas normais e então... seremos novamente inimigos.

Ele nada disse, apenas seguiu para fora do quarto, fechado a porta.

Nico Robin suspirou. Ela preferiu não pensar naquele sentimento, não agora que precisava cuidar de seu corpo e sua saúde.

Pela noite, recebeu a visita do pai, ainda era difícil chamá-lo assim, não sabia se poderia fazê-lo algum dia, mas estava contente com sua companhia. Principalmente porque ele contava histórias de sua mãe e como elas eram parecidas.

Ambos compartilharam um silêncio carregado de saudades. Robin, que sequer havia tido tempo suficiente para criar um conjunto de lembranças, sentia feliz por poder usar das lembranças e histórias que seu pai lhe contava, para pensar em Olvia.

Como prometido, Chopper veio pela noite para ajudá-la no banho e trocar o curativo. A rena notou que Robin estava mais quieta do que o normal, por isso tentou animá-la lembrando de seus companheiro.

– Oh! Eu falei com Nami hoje de manhã. Todos estão bem e sentindo sua falta.

– Eu também sinto. – Ela selou a conversa com um sorriso pequeno.

A semana passou mais rápido do que se imaginou. Robin já estava muito bem disposta e podia caminhar sozinha pelos campos floridos. Recebeu uma muda da rosa de Ohara, para plantar no barco, e Rider estava super ansioso para um dia conhecer o navio do bando do Chapéu de Palha. Para ver com seus próprios olhos o tal navio com gramados, árvores e plantações de laranjas. Além, é claro, do pequeno jardim de sua filha.

Mas esse não era o momento para visitas. Deveriam planejar a saída da ilha. Havia uma movimentação suspeita da marinha nas ilhas ao redor, o arquipélago estava sendo vigiado, por isso um submarino era extremamente importante em um momento como aquele. Embora houvessem aparelhos especiais para detectar qualquer coisa embaixo da água.

E por isso Rider iria ajudá-lo, usando a si mesmo como isca, para atrair a atenção da marinha, assim eles poderiam partir.

– Quando poderemos nos ver novamente? – Robin perguntou para o pai, que acariciou os longos cabelos negros de sua filha.

– Em breve, minha doce menina. – Era enraçado dizer, e também ouvir aquilo. Robin sorriu, abraçando-o finalmente. Rider a segurou com carinho em seus braços, pedindo em seguida para que Law cuidasse muito bem dela.

– Eu vou. – Law respondeu sério. – Vamos agora, está na hora.

Eles deixaram a ilha Flor de Lótus, e Robin sequer poderia olhar para trás, para uma última despedida silenciosa. Mas ela tinha certeza de que aquela não seria a última vez que veria os campos floridos de Ohara, reconstruídos em uma outra ilha.

Notas finais
Até o próximo, beijos.