Frozen Heart

13 Frozen Heart - Capítulo 13


Notas iniciais
Oi? Muito tempo de espera? Não sei. :D

Nos últimos três dias de viagem, Chopper esteve estudando no laboratório do submarino. Law ocupou-se na maior parte do tempo cuidando para que não fossem vistos ou captados nos radares da marinha. Ele era um excelente capitão, como Shachi dizia incansavelmente. Chopper não duvidava disso.

Robin também não duvidava. No entanto, passou mais tempo dentro do quarto, as vezes sua presença era solicitada no laboratório, mas Robin não passava mais do que dez minutos lá. Os estudo de Chopper não pareciam ter solucionado o mistério de sua doença. O que a desanimou um pouco. Mas ele parecia extremamente interessado em todos aqueles tubos de ensaio.

A arqueóloga não quis incomodar todos com aquela enxaqueca que sentia nas últimas horas. Acreditava ser um reflexo da pressão obtida pela água. A semana inteira embaixo do mar naquele submarino deveria ser o responsável. Já estivera em situações muito complicadas, porém nenhuma delas deixou a morena tanto tempo enclausurada.

Afinal, a água do mar era seu inimigo natural. Pensava em como Law se acostumou com esse submarino, ele deveria confiar em seus equipamentos para se arriscar embaixo da água.

Como se visitar a ilha dos Tritões não tivesse sido tão perigoso, como aquela viagem.

Inquieta e sem nada para fazer, Robin leu pela milésima vez o livro que Trafalgal lhe dera. Um verdadeiro tesouro em suas mãos. Era a única recordação concreta de sua ilha natal. Robin não tinha ideia de como ele adquirira aquele exemplar e o mais importante, quem o escrevera. As informações contidas no livro eram completamente específicas e provavelmente escritas por alguém que conhecia muito bem a ilha e o povo que nela habitava. O estranho era que a narrativa dava a entender que a pessoa não viveu ali sua vida toda. Como se estivesse de passagem. Só que não havia pistas de quem poderia ser, senão a data de impressão. Era um livro com mais de trinta anos. Não fazia parte da biblioteca de Ohara, ou Robin iria se recordar. O livro também poderia ser mais velho. Pode ter demorado alguns anos desde que foi escrito para ser impresso como livro. Um diário de viagem seria a resposta.

Ela escreveu em um papel algumas hipóteses de quem poderia ser aquela pessoa misteriosa. E a cada novo pensamento, a arqueóloga se via em um labirinto sem respostas. Havia um buraco na história, um quebra cabeça.

Um homem, entre cinquenta ou sessenta anos na atualidade. Provavelmente vivo e conhecedor de muitos assuntos. Viajante. Estudioso. Pouco provável um marinheiro ou pirata.

O apito soou. Era hora do jantar. Mesmo sem fome Robin decidiu se juntar aos demais. Law não estava na cozinha, Shachi disse que levou o jantar do capitão em sua sala. Robin acabou comendo um pouco e a enxaqueca diminuiu. Ela retornou para o quarto, estava pensando em tomar um banho e dormir. Mas ao entrar no quarto, encontrou Trafalgar sentado na cadeira, com o livro de Ohara nas mãos.

– Algum problema? – ela perguntou, sentia-se um pouco melhor depois do jantar. Mas ainda desejava dormir um pouco para evitar que a dor voltasse.

– Chegaremos a Ilha Flor de Lótus pela manhã. – ele fechou o livro, deixando-o sobre a mesa. – Jean Bart e Shachi irão cuidar do submarino. Enquanto Chopper vai explorar a ilha. Eu tracei uma rota no mapa da ilha onde ele pode encontrar algumas plantas importantes que iremos precisar. Depois disso irá nos encontrar.

– E nós iremos encontrar essa pessoa que diz ser capaz de me ajudar?

– Sim, isso mesmo.

Robin sentou na cama, ela possuía muitas perguntas, mas sabia que as respostas logo chegariam. Embora Law pudesse adiantar algumas informações. Por exemplo, sua doença. Havia uma certeza absoluta de que ele sabia o que era, mas não queria falar. E será que essa omissão poderia causar algum efeito colateral?

– Ele sabe que estamos a caminho?

– Sim, sabe. Eu enviei uma mensagem codificada. Mas não entrei em detalhes.

– Posso saber um pouco mais sobre essa pessoa misteriosa?

Law levantou-se e caminhou pelo quarto. Robin o acompanhou com os olhos. Ele vestia uma calça jeans rasgada nos joelhos e botas. Camisa preta estampada no peito o símbolo de seu bando. O cabelo amassado denunciava uma falta de cuidado pessoal temporário, já que naquela semana era possível que ele tenha penteado os cabelos algumas vezes que notou. Olheiras visíveis acusavam uma noite mal dormida.

– Eu era pequeno quando o conheci em minha ilha natal. Ele era um viajante que contava muitas histórias. Após anos nos reencontramos novamente.

– Mas o que ele faz? Qual seu nome?

– Ele é um jornalista. – A resposta pegou Robin de surpresa. Como um jornalista poderia ajudá-la com sua doença? – Seu nome é Kriger.

Aquele nome trouxe uma lembrança do passado da morena.

– Kriger Rider, o jornalista desaparecido. – não esperava que fosse a mesma pessoa porque soube que o jornalista foi dado como morto há oito anos atrás. – Ele escrevia artigos contra a marinha, sobre os revolucionários, pirataria. Mas não se mostrava de que lado estava. Apenas contava as histórias. Ninguém sabe quem lhe fornecia as informações. Foi considerado um traidor.

– Isso mesmo.

– Como é possível? – ela também se levantou, a dor de cabeça retornava e de repente sentiu o ar faltar. – Eu o conheci. Quero dizer... uma vez. Eu estava com quinze anos, havia acabado de escapar de uma emboscada, se não fosse por ele teria sido capturada.

– Ele te salvou. – Law não parecia surpreso.

– Sim. Me escondeu embaixo da mesa onde estava autografando livros. Foi tudo muito rápido, não tivemos tempo para conversar. Eu sabia que ele estaria ali, por isso fui encontrá-lo. Mas não achei que a marinha estivesse em maior número, mas também havia piratas e caçadores de recompensa. Ele era um alvo muito valioso.

– O que você queria falar com ele? – O capitão notou o suor escorrer da testa de Robin, ele avançou alguns passos, tirando do bolso de sua calça um lenço. Limpou a testa de Robin, medindo sua temperatura com a palma da mão. Estava febril.

– Em um de seus artigos ele falou sobre Ohara. Dizia que foi a maior surpresa de sua vida quando visitou a ilha. – Robin encolheu os ombros. Sentiu calafrios. Imediatamente Law ajudou-a deitar na cama, tirou as sandálias que ela calçava e puxou o lençol. – Ele conheceu Ohara. Esteve lá.

– Sim, sim. – Law segurava a cabeça de Robin, enquanto secava o suor de sua testa. – Fique assim. Eu vou trazer algo para você beber.

– Não, eu não quero beber nada. – ela tossiu, sentindo a garganta seca. Estava trêmula. Encolheu o corpo na cama segurando a mão que lhe era estendida.

– Você precisa de um banho para baixar a temperatura. – Law a pegou no colo, levando para o banheiro. Entrou na banheira junto com ela, segurando-a firme de pé, e então ligou o chuveiro sem acionar o aquecedor. A água fria caiu sobre suas cabeças. Robin apertou as mãos sobre os ombros de Trafalgar, equilibrando-se dentro da banheira escorregadia.

Law removeu os cabelos molhados que caíam sobre o rosto dela, acariciando a pele febril, ainda com o outro braço em volta de sua cintura. Em pouco tempo ambos estavam encharcados. A água fria ainda caía como chuva sobre suas cabeças. O vestido que ela usava colou no corpo como uma segunda pele, talvez, se o tom de sua pele fosse verde claro.

– Foi ele, não foi? – Robin balbuciou, com seus braços agora em volta do pescoço dele. Ela podia sentir seu coração acelerado e o corpo quente absorvendo aquela água fria. – Foi ele que escreveu o livro.

– Sim. – Não havia porque mentir. Law apenas quis protegê-la da emoção que sentiria ao descobrir a verdade e isso fazer mal. – É ele.

Robin sorriu, fechando seus olhos. O coração acelerado e o corpo anestesiado.

– Tenho tanto a perguntar.

– Tudo em seu tempo.

– Essa dor que sinto, ela vai me matar? – ela perguntou, com uma voz fina e afetada pela busca de ar.

– Eu não vou permitir que isso aconteça. – Law permitiu-se um contato mais intimo, acariciando o rosto dela. Compartilhando a água fria que vinha do chuveiro.

– Eu menti. – Robin riu baixinho.

– Não precisa me falar nada.

– Disse que eu não podia. Não é verdade. – Robin sentia-se flutuar no ar. O peso de seu corpo se foi. Sua consciência começava escapar por entre seus dedos. – A verdade é que eu tenho medo.

Ela segurou o rosto de Law com as duas mãos, trazendo-o para mais perto do seu.

– Não é certo. – Trafalgar segurou as mãos dela. – Você está alucinando. E não é assim que eu quero.

Robin jogou a cabeça para trás, deixando a água lavar seu rosto. Se ela estava alucinando, como poderia ter tanta certeza daquele sentimento?

– Dizem que eu sou um demônio. – ela apertou os lábios num sorriso fino. – Eu devo ser mesmo um.

– Não, você não é. – Law conseguiu fechar o registro do chuveiro, cessando a água. Robin tombou a cabeça para o lado, seu corpo em estado letárgico, mas a mente trabalhava a mil. – Precisa tirar essa roupa molhada e se secar. Ou não adiantará nada o banho para a febre baixar. Pode piorar.

O capitão saiu da banheira e com cuidado tirou Robin também. Pegou a toalha e secou o rosto dela, apalpando o pano em seu cabelo. De nada adiantaria se continuasse vestida. Robin então puxou a ponta do vestido para cima, tirando-o completamente, deixando cair no chão.

Trafalgar precisou prender a respiração por alguns segundos, até enrolar a toalha no corpo da arqueóloga. Levou-a de volta para a cama, onde a cobriu com o lençol. Passando a mãos em seus cabelos ainda molhados.

– Talvez, depois que tudo isso passar. – Robin disse baixinho enquanto Law estava sentado na cadeira ao lado de sua cama. – Eu não sentirei mais medo.

Ela fechou os olhos, não suportando mais o desejo incontrolável de permanecê-los fechados. Law passou a noite inteira ao lado daquela cama. Saboreando o gosto doce que as palavras de Robin possuíam.

Amanheceu. Antes que Robin despertasse, Law mediu sua temperatura. Na verdade a febre havia sumido no início da madrugada, mas ele ficou ali para ter certeza de que nada aconteceria. Deixou o quarto quando Chopper chegou. O pequeno ficou apavorado quando Law reportou sobre o mal estar de Nico Robin, ele queria poder ajudar, mas ficou toda a noite no laboratório estudando. Ficou feliz que o capitão estava ali ao lado da cama dela a noite toda para ajudar.

Chopper o achava muito atencioso.

Quando acordou, Robin não contava com uma leve falta de memórias. Mas sentia-se bem cuidada. As lembranças vieram no banho. E se não fosse quem ela é, provavelmente ficaria vermelha de vergonha.

– Eu já estou pronto. – Disse Chopper, com uma mochila nas costas. Animado para deixar o submarino. – Nos encontraremos mais tarde.

Robin concordou, também estava pronta. Após o banho, vestiu algo confortável e leve para uma caminhada na ilha. Também carregava uma bolsa e um chapéu.

Law abriu o compartimento de saída e Chopper foi primeiro.

– Tem certeza que deseja sair? – Law havia sugerido que Robin ficasse descansando mais um pouco. Mas ele sabia qual seria a resposta. Ela subiu as escadas e saiu.

A ilha possuía um clima neutro. Nem muito quente, nem muito frio. A brisa que vinha do mar era fantástico, ou a falta de senti-la que deixava tudo melhor? Robin adorou por os pés no chão. Era uma sensação maravilhosa navegar, mas nada melhor do que terra firme.

Como combinado, eles visitaram a ilha antes de ir encontrar-se com Kriger Rider. O lugar não era muito movimentado, mas havia uma boa feira de artesanatos que Nami adoraria e a culinária que Sanji iria degustar. Lojas diversas e um campo de flores. Eles atravessaram o campo, e lá no final encontraram uma casa modesta, com cercas brancas ao redor. Havia uma chaminé com fumaça saindo e uma cadeira de balanço na varanda. Robin ainda vigiava as flores, quando uma roseira em especial chamou-lhe a atenção.

Ela se virou e caminhou na direção da roseira. Haviam pouquíssimas rosas plantadas ali, e todas eram perfeitamente iguais. Sem espinhos, possuía uma mistura de cores, amarelo, branco e rosa.

Recordou-se da floricultura em Dressrosa, a boneca queria vender por um preço altíssimo porque segundo ela: florescem tão pouco, geralmente morrem quando são colhidas.

– Vejo que encontrou enfim o caminho de casa. – Um homem estava parado na varanda. Robin olhou para Law e depois para o homem. Então percebeu que ele não estava falando com o capitão. Mas sim com ela. – Vamos Trafalgar Law, traga minha filha para dentro. Temos muito o que conversar e pouco tempo.

Notas finais
É provável que eu termine essa história antes do meu esperado, quem sabe só mais 4 capítulos.
Beijos