Frozen Bravery
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Fodam-se as estações humanas. Vão noticiar uma nevasca totalmente fora de época hoje. “Não use seus poderes para fazer coisas ruins, Jack” os outros dizem. “Seu dever é proteger, não ferir, nem machucar e muito menos ainda matar.” Que se dane. Regras idiotas. Isso tudo é estupidez.
-Jack! –Ela chama, enquanto fujo para a floresta. –Jack! –Ouço apenas o trotar de Angus e deixo o vento me levar para o lugar que quero.
Tudo ao redor branco, frio, congelado. Do jeito que gosto. Um bloco de gelo no centro do lago. Maldição, não o gelo, que sempre esteve presente comigo, é constante. Talvez eu seja assim também. Que droga, isso dói. Não posso apenas arrancar essa sensação de mim e jogá-la fora? Ou apenas fazer algo em pedaços, isso poderia bastar também. É tão frustrante e irritante. É uma dor que incomoda.
-O que há com você, Jack?
-Quem. Quem é aquele MacGuffin?! Me diga!
-É-é um dos meus três pretendentes. Era, quero dizer. Não sei direito, droga. Venha aqui, Jack, vamos voltar.
-Moleque petulante. Quem ele pensa que é? Ninguém pode entrar na casa dos outros e dizer “Ah, quero me casar com sua filha.” Vá se ferrar, mas que diabos. É da minha ruiva que estamos falando. Minha.
-Você está resmungando coisas de novo. O que você está resmungando dessa vez? Vai fazer nevar no lugar todo. Porque está assim, Jack?
-Preciso pensar. Quero ficar sozinho.
-Não vou te deixar aqui.
-Vá embora, Merida! Me deixe em paz, okay?
Vá ficar com aquele grandalhão idiota. É bem melhor que você termine com ele, não é? Bem mais conveniente também. Afinal, ele é um mortal, e você pode assumir o trono, tomando o lugar de seu pai. Não precisariam esperar que algum dos três pequenos tivessem idade para tal. Não perderiam sua preciosa filha para um Guardião errante e inconsequente, cujas coisas só dão errado na existência dele.
Ela se retrai ao som de minhas palavras agressivas. Talvez eu tenha visto mágoa em seus olhos azuis. E ela vai. Me deixando sozinho, como sempre estive, e ainda pior do que estava antes, ressentido por ser um babaca e por ter machucado ela.
Não é diferente do que sempre foi. As coisas sempre tomam um rumo ruim nessa parte. Eu nem deveria ter entrado nisso. Devia ter ido embora quando pude, quando o inverno acabou. Ficado com minhas dúvidas por toda a eternidade, me perguntando se aquilo daria certo se eu tivesse tentado ou se terminaria do mesmo modo.
Eu sabia. Uma hora ou outra tudo tinha que dar errado, não é mesmo? Nunca há dor o suficiente para mim. Minhas esperanças tem de ser estilhaçadas toda vez, para mostrar que é meu destino ficar solitário.
Fito a Lua, que está na mesma situação que eu. Eternamente só. Está fazendo isso comigo para que eu seja como ela. Qual é, parece que eu não posso ser feliz. Talvez o melhor fosse eu parar de entender e tentar, existir apenas em função dos meus propósitos, ser apenas o Guardião do Inverno, não insistir em ter uma “vida” normal como Jack Frost.
Mas o que Merida diria se eu desistisse? Que sou apenas um fraco, que volta atrás no que disse ao menor sinal de ameaça. Não, ela não faria isso, eu é quem digo isso para mim mesmo. A ruiva me confortaria como só ela sabe fazer, confiante de que tudo daria certo, com aquele sorriso que espanta minhas dúvidas e me faz acreditar que sim.
Eu não preciso abrir mão da minha felicidade e do que é meu. Quem aquele MacGuffin pensa que é?
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