Frozen Bravery
18 Capítulo 18
Notas iniciais
A ruiva tinha uma expressão de espanto no rosto. Eu havia dito a ela, eu e Fergus somos amigos de longa data. Tudo bem que eu tinha feito um bocado de coisas com ele, mas sabe quando ele conheceu Elinor? Só digo que foi em um belo dia de inverno. Como o mundo dá voltas, não?
Mesmo assim, os pais dela estão preocupados, claro. Com a mesma coisa que eu: o fato de que Jack Frost é um Guardião imortal, ao passo de que sua filha não. São tantas e tamanhas as chances de tudo dar errado. Como posso fazê-la feliz? Como posso fazer com que ela fique ao meu lado? São minhas dúvidas e desejos egoístas. Eles se perguntam se Merida ficará bem, sabendo que se eu ficar com ela, a ruiva crescerá e morrerá, como todo humano normal, e eu permanecerei para sempre desse modo. E se depois dela vierem outras garotas? E se no fim nada disso tiver um significado especial? E se tudo acabar perdendo o sentido? Não haverá como voltar atrás. Ela sofrerá. Eu a farei sofrer, por minha causa, minha culpa. E eu me odeio por isso.
É simplesmente um dilema muito grande, algo de proporções tão gigantescas que parece que não podemos vencer mesmo que tentemos. Mas eu preciso achar uma brecha. Chega de ficar sozinho, eu e minha existência com apenas um propósito. São tantos “e se”. Nadar contra a correnteza é difícil. Então porque, mesmo com tudo isso, porque Merida está tão segura e confiante? Ela sorri e eu morro por dentro. Como se nada disso importasse. Eu deveria ser forte, contudo ela é quem me dá apoio.
-Vou mostrar o lugar ao Jack. –Ela finalmente disse algo, após passar um bocado de tempo ouvindo nossas dúvidas. Sou puxado pela sua pequena mão quente.
-Ruiva...
Tenho de admitir. Estou pensando em desistir. Se desistirmos agora, ela pode seguir em frente com sua vida sem mim e eu continuarei com o único propósito da minha existência, começando e terminando relacionamentos, passando sempre pela mesma situação incontáveis vezes, sem nada nunca dar certo.
-Vocês estão muito preocupados com detalhes.
-Claro que sim.
-Hum, você... fica fofo preocupado. Ainda mais comigo.
Sou pego de surpresa e não posso deixar de sorrir ao ouvir isso. Ela me beija rápido e corre pelo corredor. Estou prestes a me distrair perseguindo-a quando os três pequenos ruivos de algum modo surgem. De onde diabos eles vieram?! Ouvimos uma batida na porta da frente e Merida passa por mim.
-Vou abrir a porta. Pegue os três e vá para a sala.
-Pegar eles? Como?!
-Sei lá, dê um jeito.
“Dar um jeito” não foi nada fácil. Quando finalmente consigo voltar com eles para a sala não fico nada feliz. Nadinha.
-Parece que ficou mais frio. –Um deles comenta, enquanto escapam de mim.
Ah sim, de fato ficou mais frio de repente, por minha culpa. Mas o motivo estava ali, parado na porta. Devo dizer, irônica e literalmente, que era um grande motivo.
-MacGuffin! –Fergus e Merida exclamam juntos, ele com sua voz trovejante e minha ruiva feliz.
Conhecem esse cara então? O que eu vira fitando a janela da ruiva durante a noite, que eu observara ontem. Droga, eu sabia que aquele cara não era boa coisa. E por tudo que existe de mais sagrado, tire esse sorriso do rosto, ruiva.
-O que faz aqui? –Fergus pergunta, surpreso.
-Meu pai me mandou. Para ver se dessa vez consigo a mão de Merida.
O quê?!
Fergus ri, dizendo-o para entrar. A ruiva está corada. Começa a nevar na sala. Cruzo a porta e saio, irritado.
Fale com o autor