Frozen Bravery
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Por mais surpreendente que pareça, toda a família se encontrava sentada na sala. Meus pais olhando para a porta enquanto murmuravam entre si, Fergus bebericando qualquer coisa. Ele até conseguira fazer com que os três pequenos ficassem ali. Hamish, Hubert e Harris estavam competindo para ver quem fazia a expressão mais ameaçadora. Eu diria que aquilo era mais uma competição de caretas, e também que meu pai lhes dissera algo do tipo “Hoje vocês tem o dever de proteger sua irmã, pois na minha ausência são os homens da casa” ou qualquer coisa que faça os três se encherem de orgulho; e ficarem sentados por mais de cinco minutos, claro.
-Quanto tempo esse moleque vai nos fazer esperar? –Fergus resmunga zangado.
Só de olhar para ele, por baixo daquela familiar expressão ameaçadora dada aos inimigos, eu podia enxergar um certo ressentimento e um tanto de ciúme. Quem é o moleque que está tirando minha filha de mim? Ele parecia dizer. Isso me deixa um tanto quanto satisfeita, saber que ele está se preocupando comigo.
Na noite anterior eu estava decidida a lhe dizer a verdade, mas nem contei quem é para minha mãe ainda. Mesmo assim, ela me empurrou para a sala, onde meu pai estava, e anunciou com aquela sua expressão que nos faz tremer de medo por dentro:
-Fergus. –Sorriu, fazendo-o ter certeza de que não era coisa boa. –Sua filha tem algo a dizer.
-Ahn... –Fitei o chão, sem saber para onde olhar ou como falar aquilo, sabendo que eu devia estar vermelha. –Pai, eu... E-eu... –“Anda logo, ruiva” de alguma maneira ouço a voz de Jack sussurrar na minha cabeça. O que, ele virou minha consciência agora? Ou será que estou ficando doida? –Eu tenho um namorado!
A cara do meu pai naquela hora... Eu não queria ter visto. Foi como se ele tivesse perdido algo essencial, algo extremamente necessário para continuar a viver, como se tivesse ouvido que o mundo ia acabar e ficou furioso com isso, ficou muito muito zangado. Esperei que ele urrasse que não aceitava aquilo, mas o que ele disse foi apenas:
-Não tem jeito. Dia ou outro isso ia acontecer.
Estávamos todos apreensivos. Outra vez fito o chão sem saber para onde olhar ou o que fazer, pensando se Jack não iria demorar muito mais. Estava prestes a sair correndo e fugir para meu quarto quando ouvimos batidas na porta. Me apresso para abri-la, tropeçando em meus próprios pés.
Sorrindo, ali está ele, com uma postura desconcertada. Sussurrou para mim que o atraso se devia a confusão dele. Hesitara se devia mesmo vir ou não. Afinal é nessa parte que as coisas começam a dar errado.
-Certo, onde está ele? –Fergus questiona, me fazendo temer que não o estivessem enxergando.
-Sou eu.
-Pfff, Jack Frost? Saia da minha frente, seu pivete irritante, e deixe eu ver meu genro.
-Já disse que sou eu, Fergus. Somos genro e sogro agora. Não é incrível isso?
Um pequeno machado passa zunindo perto da cabeça dele, que desvia, deixando-o congelado. Okay, talvez esse não seja um começo amigável. Hostilidade não é legal. Tenho de interromper isso rápido. É melhor interferir...
-Não estou querendo um corte de cabelo novo, querido sogro, mas obrigado mesmo assim.
-Sente aí, seu moleque. Faz um tempo que você não aparecia para atrapalhar minha vida, não é? Sentiu saudades foi?
-Muita.
Jack sorriu e segurou minha mão. Tudo vai dar certo. Eu acho.
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