Frozen: A aventura recomeça
11 Capítulo 11
Era cedo. A aurora ainda raiava e o sol nascia preguiçosamente.
– Vamos, Corin. Deixe de ser teimosa e venha se despedir da Elsa — pediu a mãe já irritada
– Não quero. A Elsa não pode ir! — recusou-se a menina com a cara fechada e cruzando os braços de costas para mãe
– Então tá. Fique aí! — desistiu Hana pondo-se reta — Eu vou levar seu irmão para se despedir da rainha — acrescentou ela deixando Corin sozinha sentada na cama
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Elsa e Anna estavam no porto, aos pés do navio. O capitão finalizava os últimos detalhes. Kristoff acompanhava as duas, observava o trabalho do capitão e dos seus ajudantes.
– Kristoff, você pode pegar a mala da Elsa? — pediu Anna gentilmente
– Tudo bem. Está aonde?
– Eu deixei na escada do salão — respondeu Elsa
– Ok, volto já — disse Kristoff retirando-se.
O vendedor de gelo de Arendelle dirigiu-se ao salão e se deparou com a mala da rainha a sua espera. Observou que a imensa mala estava entre aberta e a fechou cuidadosamente sorrindo do descuido de Elsa e então levou-a sentindo o enorme peso da bagagem.
Enquanto isso, Anna acariciava desconcertada sua trança em busca de palavras. Elsa apenas observava o contínuo trabalho do capitão esperando as palavras que Anna buscava.
– Ainda da tempo de cancelar — disse Anna finalmente
– Pensei que iria embora sem uma última tentativa — riu Elsa
– Claro que não. Vou insistir até quando embarcar no navio. — retrucou Anna
– Estamos quase prontos, Majestade — avisou o capitão — e estamos seguros — acrescentou ele dirigindo-se à Anna
– Eu espero — Anna sorriu para o capitão — Apenas me traga ela a salvo, está bem?
O capitão assentiu com a cabeça e retornou para seu navio.
– Não se preocupe, Anna — aconselhou Elsa
Anna sorriu para irmã e deposou suas mãos na dela. Elsa retribuiu o sorriso e ambas se abraçaram.
– Tem certeza que não quer ficar? — pediu Anna novamente — Eu vou precisar de você aqui — argumentou ela
– Você vai f... — Elsa se interrompeu e seu rosto empalideceu. De modo algum repetiria o que seus pais lhe prometeram
– Elsa? — chamou Anna buscando os olhos da irmã — Você está bem?
– S-sim, sim. Está tudo bem.
– Princesa, sua irmão ficará bem. — apaziguou Hana chegando com seu filho no colo e seu marido ao lado
– Viu? — Elsa suspirou aliviada — Onde está Corin?
– Está trancada no quarto. Não quer de jeito nenhum vir se despedir. — ecplicou Hana aborrecida — Disse que você não vai.
– Viu? Nem a Corin quer que você vá. Devia ficar — argumentou Anna cruzando os braços
– Ok, já chega. Eu vou e ponto — decretou Elsa
– O que você tinha naquela mala? Chumbo? — perguntou Kristoff descendo do navio
O rapaz havia passado com a bagagem pelas costas da princesa e da rainha enquanto conversavam com Hana e as duas não o perceberam e tiveram uma pequeno susto ao vê-lo ao seu lado
– Roupa suficiente para dois dias — respondeu Elsa
– Dois dias?! — exclamou Anna — Traga essa mala para cá. Você volta hoje à noite
– Só voltaremos hoje à noite se dermos a volta no meio do caminho, Alteza — intrometeu-se o capitão — Já vamos partir, Majestade. O sol já está no céu — informou à Elsa
– Bem — começou ela olhando para Anna — Está na hora
– Boa viagem — desejou Anna abraçando-a — e volte logo.
– Tchau, bonitinho — despediu-se Elsa de Ferdinando ao desvencilhar-se do abraço — Assim que voltar levo vocês de volta para Arisen, ou para onde quiserem ir — prometeu ela à Hana
– Não se preocupe conosco. Esperaremos aqui — pediu Hana — Corin não iría sair daqui sem vossa Alteza mesmo
– Elsa. Por favor: Elsa — pediu a rainha e Hana assentiu — E o senhor também, Gordon.
– Sim, senhora. — concordou ele com um sorriso
– Acho melhor ir ver a Corin — sugeriu Elsa
– Majestade, precisamos ir — negou o capitão — se demorarmos a sair chegaremos muito tarde.
– Enquanto os guardas se alojam, capitão — pediu Elsa
– Estamos só a esperando, Majestade
Elsa suspirou frustrada. Não havia jeito
– Dê isso à ela, está bem? — pediu Elsa à Anna entregando-lhe um floco de neve do tamanho da palma de sua mão
– Ah, só ela que ganha presente? — reclamou Anna cruzando os braços — Devo sentir ciúmes?
Ela sorriu mordendo os lábio olhando para o topo da cabeça de Anna. A princesa seguiu o olhar da rainha e deparou-se com uma coroa de gelo que a decorava seus ruivos cabelos
– Vai derreter. — avisou Elsa — Quando não tiver mais nada... vou estar esperando você no porto — explicou ela sorrindo
A rainha de Arendelle entrou no navio e o esperou partir olhando para quem estava no porto. O pequeno Ferdinando apenas balbuciava algo e abria e fechava aos mãozinhas na direção de Elsa.
Os demais voltaram para o castelo e Anna observou até o navio parecer minúsculo.
– Por favor ... — pediu ela fechando os olhos — derreta logo — continuou com a coroa em mãos
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O sol estava evidente no céu. Anna pediu a Olaf que cuidasse de tudo juntamente com Hana, não queria problema algum para se preocupar, já bastava Elsa em alto mar. Pediu a Kristoff que ficasse com ela o dia todo, não importava o quanto ele estivesse ocupado, pediu que apenas ficasse com ela. Precisava muito do homem de sua vida ao seu lado. Olaf cuidou para que nada chegasse à Anna, todas as dúvidas sobre o casamento foram adiadas para o dia seguinte, nada incomodaria a princesa de Arendelle. Bem, exceto a fome.
– Vou ter que ir atrás de comida em outro lugar se você continuar comendo assim — brincou Kristoff
– O que você quer dizer com isso?
– Ahn... — Kristoff fez uma pausa — nada.
Anna o olhou séria, precisava se distrair e ele criticando sua alimentação?
– Estou preocupada, ok? Elsa me passou o nervosismo dela
– Elsa estava nervosa? — pergunta ele surpreso
– É. Comeu metade da cozinha ontem de manhã
– E você comeu a outra metade hoje — interrompeu ele rindo
–A verdade é — começou Anna após um fixo olhar de reprovação — Nenhuma das duas queria essa viagem. Mas Elsa é teimosa e... convincente
– Se ela não queria a viagem, por que foi então?
– Por causa...
Anna interrompeu-se lembrando do sigílo exigido na carta, não podia contar a ninguém e sabia disso
– Por causa...? — insistiu Kristoff
– Você vai ficar com raiva se eu disse que não posso te contar? — perguntou ela aflita
– Não pode me contar? M-mas por quê? Nós...
– Kristoff, desculpe. — interrompeu Anna pondo as mãos em seus ombros — Elsa tem bons motivos.
Ele a olhou, os olhos da princesa afirmavam seu desejo de lhe contar o que acontecia e a proibição necessária.
– Tudo bem. É sobre o reino, é coisa da rainha. Eu não sei de nada e nem quero saber
– Obrigada — agradeceu Anna abraçando-o
Kristoff depositou um breve beijo em seus lábios e então a guiou sem rumo
– Para onde vamos? — questionou Anna
– Para fora desse mundo de realeza. — respondeu ele — Está na hora de você conhecer o meu mundo — acrescentou Kristoff sorrindo para a amada
Eles não poderiam ter tido um dia melhor. Kristoff apresentou à Anna um novo mundo. Eles retornaram à floresta, passaram por onde haviam encontrado Olaf — agora laranja devido o início do outono; andaram por volta do fiorde, passearam pela cidade e, algumas vezes, precisaram correr graças aos encarregados do casamento que os encontraram e queriam tirar dúvidas.
Kristoff a levou para o lar dos trolls e demonstrou como fazia, quando criança, para se divertir às custas dos amigos. Os dois tomaram banho no fiorde e nos pequenos lagos próximos ao reino. Anna aprendeu a reconhecer certas frutas venenosas e outras comestíveis, foi atingida por algumas delas e retribuiu o ataque com outras e então os dois brincaram com uma pequena guerra de frutinhas.
Ao fim do dia, os dois sentaram-se ao pé da motanha do sul. Recostaram-se no imenso muro natural e ali ficaram abraçados algum tempo. Com o sol se pondo eles retornaram ao castelo
– Foi um dia maravilhoso — comentou Anna
– Sim, foi. — concordou Kristoff beijando o topo da cabeça de Anna — Estava com saudades de fazer isso
– Você fazia muito isso?
– A infância quase toda. Bem, exceto antes de encontrar o vovô Pabie e os outros.
– Queria que fosse assim todos os dias
– Eu também — confessou Kristoff fazendo uma pausa — Pena que você é uma princesa.
– Como assim? — questionou Anna desconfiada
– Bem, o que nós fizemos hoje não precisou de luxo nem nada. — começou Kristoff — foi a coisa mais simples que podiamos ter feito. E foi bom. Sem frescuras ou realezas, sem nada para atrapalhar a felicidade.
– "Frescuras"? Que frescuras? E-e ATRAPALHAR a felicidade? — interroga Anna começando a irritar-se
– Anna, você realmente quer discutir isso? — perguntou Kristoff cansado — Quer estragar esse dia tão bom?
– Oh, me desculpe se eu atrapalho sua felicidade com as minhas "frescuras"
– Tudo bem. Para. Você está começando a fazer drama. Eu só não gosto de toda essa empolação que tem aqui. — explica Kristoff — Eu só não quero deixar de ser quem eu sou para virar um empoladinho.
– Me acha "empoladinha"?
– Anna, eu só não quero, e não vou, mudar meu jeito de ser ou vestir só porque vou estar ao seu lado. Não vou virar seu bichinho de estimação
– Meu bichinho... Ah, por favor. Eu nunca te pedi isso! Por que pensa assim? — peeguntou Anna exaltada
– Você quer parar, por favor?! Eu já disse e não vou mentir para você, não gosto de ter que viver em um castelo, nem de ter que fingir ser um cara inteligente sem ser. Eu odeio tudo isso!
– Então se não gosta de tudo isso por que quer casar comigo?
– PORQUE EU TE AMO, DROGA!
– Preciso de ajuda — interrompe Hana desesperada — Corin sumiu!
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O capitão guiava calmamente o navio, o tempo estava calmo e ainda era manhã. Estavam a algumas horas na embarcaçao e Elsa passou boa parte dela com o rosto para fora do barco, hora vomitando, hora apreciando a vista. Gostava do mar, e também da maresia. Nem sempre se sentia enjoada, só algumas vezes. Dependia muito.
– Definitivamente não fui feita para o mar, capitão — afirmou Elsa voltando de mais um vômito
– Mas é o mais belo lugar da terra, Majestade — contrariou o capitão
– Sim, é lindo e adorável. O vento é uma delícia e a vista é maravilhosa. Mas confesso que o calor e o enjoo não me deixam aproveitar tudo isso — comentou Elsa depositando sua mão sobre seu rebelde estômago.
– Compreensível, Majestade — consolou um dos guardas no saguão
– Estamos muito longe? — perguntou Elsa
– De Arendelle, sim. De Skavir, nem tanto. — respondeu o capitão — Mais algumas horas e chegaremos.
– Então vou descansar um pouco — informou Elsa descendo ao convés onde ficava suas acomodações.
– Até logo, majestade.
Elsa entrou no pequeno cômodo ricamente decorado a fim de aconchegar uma rainha. Sentou-se na cama de solteiro onde estava sua mala; nem reparou nela, ficou pensando um pouco sobre o dia. De onde estava, olhava pela pequena janela do barco. Lindo, lindo mesmo. A cor da água, o pôr-do-sol retocando a plenitude do mar, o movimento... Ah, não, o movimento. Sorte que a janela abria fácil. Quanto comera para conseguir vomitar tanto?
Um barulho a tirou de seus pensamentos e a deu um leve susto. Elsa depositou sua mão sobre o peito e buscou a origem de um som incompreensível. O que é isso? De onde vem? Da... sua mala? Sim, de dentro da mala. A bagagem se mexia assustando Elsa.
– O que está acontecendo?
– Abre — foi a única coisa que Elsa conseguiu entender da voz abafada de sua mala.
Elsa obedeceu. Quando abriu, Corin saltou sobre ela.
– Finalmente! Onde você estava? — perguntou soltando-se da amiga — Acho que eu dormi na sua mala — acrescentou confusa
– O que você está fazendo aqui? Por que não esta em Arendelle? Corin, pq fez isso?!
– Desculpa... — pediu a menina baixando a cabeça — Anna disse que você estava em perigo.
– Anna? Como...? não estou entendendo
– eu ouvi vocês conversando. Ela disse que ia te perder... não quero te perder. — confessou Corin — Você disse que tinha medo dele, então achei que era muito malvado.
– Ah, Corin...
– Não fica com medo, eu vou te proteger, ta bom? — perguntou a criança sorridente
Elsa riu da inocência de Corin, pobre garota, entendeu tudo errado. E ainda pensou que poderia protegê-la.
– Não trouxe aqueles grandalhões à toa — brincou Elsa
Corin revira os olhos e corta o ar com as mãos desprezando os guardas.
– Você faz as coisas congelar, se você tem medo dele, é porque deve ser muito malvado e forte. O Brutus lá fora nao vai adiantar de nada! — argumentou Corin — Aliás... quem é ele?
– Ele quem? — pergunta Elsa em meio aos risos
– Ele... sabe né? O cara q quer tirar você da Anna e de mim. — Explicou a menina — O que você tem medo — sussurra ela
– Corin, nós estamos nele .
Corin franziu o rosto em sinal de dúvida e buscou com o olhar alguém perigoso. Elsa percebeu a desconfiança da pequena e riu discretamente.
– O mar.
Estava ficando confuso para a menina, como Elsa poderia temer o mar?
– Espera aí... você tem medo... do mar? — perguntou incrédula
– Não mais.
– Por que tem medo do mar? Ele não faz nada! É só agua.
– Bem — começou Elsa divertindo-se às custas da pequena — ele me deixa enjoada.
– É por isso?
– Bem, senta aqui. — pediu Elsa tomando Corin no colo — Vou te contar uma história.
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