Miguel já não aguentava mais andar, ele já estava na mata a mais ou menos duas horas andando sem parar. Seus pés estavam doendo e suas roupas ainda úmidas o incomodavam. Então ele fez o que qualquer um faria em uma situação dessas, sentou-se em um tronco de arvore que avistou e começou a reclamar.

– Não acredito nisso, saio de um armário para vir parar em uma floresta — dizia o garoto fazendo gestos descoordenados com os braços — o que eu fiz meu Deus?

O garoto continuou reclamando durante cerca de dois minutos ate que algo chamou sua atenção, ele ouvira uma risada ou foi só sua imaginação lhe pregando uma peça? Ele olhou para os lados, mas não viu nada além de relva baixa, arvores altas e cipós fazendo ligamentos entre elas. Talvez por agora estar arredio o garoto não dizia mais nada, agora prestava atenção nos sons que ouvia.

Ele podia ouvir vários pássaros cantando, se ele fosse conhecedor saberia que nenhum daqueles cantos vinha de uma espécie conhecida em nosso mundo, ele ouvia o barulho do vento nas folhagens e o estalar dos troncos das arvores, como não ouvira mais nada de anormal ele decidiu que estava ficando louco, que tudo aquilo só podia ser um delírio causado pelo medo que sentiu no momento que Matias abriria o armário.

– Só pode ser não tem outra explicação- o garoto nem percebera a altura em que falava- se é mesmo um delírio como farei para acordar?

Uma risada bastante alta dessa vez tomou conta da floresta, na verdade uma não, varias risadas, as vozes eram muito parecidas, agudas e ao mesmo tempo com uma sonoridade quase mágica, pelo menos foi assim que Miguel descreveu anos depois enquanto contava a historia para seus filhos.

– Sabia que pelo menos essa parte não era delírio- disse o garoto com obstinação- quem esta ai?

– Quem esta ai?- agora ele gritava.

O garoto se levantou do tronco e caminhou vagarosamente ate um arbusto onde ele podia jurar que vinha o som. Seu coração batia forte, apesar de não parecer nada perigoso, aquela situação era muito estranha, mais alguns passos e então ele chegou à frente o arbusto, ele podia jurar que a risada vinha dali, mas, do nada ela sumira.

– Te... Tem alguém ai?-gaguejou o menino.

Por cerca de cinco segundos nada acontecera, Miguel engoliu seco. Quando o garoto ia abrir a boca para perguntar novamente, três bolas de luz de cores diferentes saíram voando dos arbustos, uma na cor vermelha, uma na cor amarela e outra na cor rosa, Miguel levou um baita susto, perdeu o equilíbrio e caiu no chão.

– Que droga é essa — disse o garoto se levantando — o que são essas coisas?

Voavam de um lado para o outro, antes que Miguel pudesse notar vários outras apareceram, luzes agora de todas as cores imagináveis voavam em volta de Miguel, o garoto olhava para todos os lados, em alguns momentos tentava acompanhar alguma, mas, era impossível, até que finalmente ele descobriu o que eram aquelas luzes, se ele pudesse acompanha-las ele saberia que a luz vermelha que agora estava parada a sua frente fora a mesma que ele viu sair do arbusto, mas isso não interfere na historia, pois o mais importante foi que ao olhar com calma para aquela luz ele percebeu que se tratava de uma pequena mulher com assas de borboleta, depois de alguns segundo analisando a criatura Miguel berrou.

– FADA- o garoto arregalou os olhos ao gritar fazendo uma cara de espanto hilária para quem visse.

Mas o grito dado por Miguel acabou assustando as fadas causando um grande alvoroço entre elas, elas voavam de um lado para o outro num velocidade incrível, com isso varias luzes desapareceram, mas ao contrario das outras a pequena fadinha vermelha não se assustou, ou se assustou não saiu do lugar.

– Porque você esta gritando?- perguntou a pequena voz aguda.

– Porque eu estou gritando?- Miguel moveu seus lábios e não saiu som algum- é... Fada?

– Eu tenho nome- disse a pequena, colocando as mãos na cintura- me chamo Elfany.

– Elfany, é claro- o garoto balançava a cabeça lentamente fazendo sinal positivo- Elfany, você sabe onde eu estou?

– Obviamente sei- disse ela agora com um sorriso no rosto- você esta no inicio da Floresta dos Salgueiros, nas terras nortes do reino de Atheos. Você não parece muito bem, os que chegaram aqui junto com você estavam com uma expressão melhor.

– Os que chegaram comigo- falou o garoto com muito interesse – onde esses outros estão?

– A menina eu não sei, mas, o menino... — Elfany soltou uma pequena gargalhada- venha com a gente.

Um amontoado de fadas começou a voar, uma nuvem colorida se formou com o aglomerar das pequenas, seguindo para outra parte da floresta, Miguel parou por um segundo e se perguntou se aquilo realmente podia estar acontecendo, mas, preferiu não pensar nisso naquele momento, pois ele poderia perder a única chance de encontrar o amigo, ele não deu nem cinco passos e o enxame de fadas veio para cima dele, não tentando machuca-lo, o garoto tomou outro susto, as fadas estavam o segurando, puxando, seus pés agora não tocavam mais o chão, ele temia se mover e então enrijeceu bastante seu corpo.

As fadas o carregaram durante uns cinco minutos, elas eram bem fortes e rápidas para o tamanho, Miguel tinha certeza que cobriu boa parte da floresta com aquele voo. Elfany então deu a ordem.

– Soltem-no — e todas as fadas o fizeram.

Miguel caiu de bunda no chão, gritando escandalosamente, depois de perceber que ninguém se importou ele se levantou, ajeitou suas roupas que agora já estavam sujas e com alguns rasgões, olhou para Elfany e disse.

– Mas e ai, cadê meu amigo?- disse o garoto que agora tinha cara de cansado.

Elfany voou para traz do garoto, ao Miguel se virar viu depois de algumas arvores um grande lago, não caminhou muito e então teve certeza, era um lago enorme com água azul cristalina que iam até onde ele conseguia ver, em toda extensão de sua margem haviam enormes pedregulhos e para fechar aquela linda visão ele pode ver no horizonte uma linda montanha com o pico coberto por neve, tão alta que tirava o fôlego.

– Nossa que incrível- exclamou o garoto- qual é o nome daquela montanha?

– Aquele ali é o pico transcendente, existe uma lenda, que fala de um dragão que foi aprisionado no topo daquela montanha, “dizem que quando esse dragão despertar e finalmente se libertar o sol ficara negro, Zeus chorara lagrimas de sangue e depois tudo que foi feito será desfeito.”- a fadinha deu de ombros e complementou- pra mim isso é o apocalipse, não deve acontecer enquanto eu estiver viva.

– Vocês acreditam em mesmo nesse tipo de coisa não é? – o garoto então pensou — é, e ha cinco horas atrás eu nem poderia imaginar que um lugar assim existia, será que isso também pode ser verdade?

Elfany foi à frente, seguindo a margem na direção leste, Miguel a seguiu durante cerca de sete minutos e logo depois de mais um enorme pedregulho viu algo que o tirou as palavras de sua boca, Hugo estava deitado na relva aos beijos com uma moça.

Ai esta ele como eu disse – exclamou Elfany fazendo com que Hugo e sua nova amiga parassem com sua confraternização.

– Miguel? Não acredito que você esta aqui – disse o garoto se levantando envergonhado – essa aqui é a Darcy, nos acabamos de nos conhecer.

– Acabaram de se conhecer?- Miguel fez cara de riso enquanto balançava sua cabeça fazendo um sinal positivo lentamente- que bom então.

Só então Miguel prestou atenção em Darcy, ela era linda e obviamente mais alta que ele, tinha longos cabelos loiros presos por um arco cheio de flores brancas. Sua pele perfeita tinha um leve tom dourado, seus lábios eram delicados e generosos e seus olhos, seus olhos eram de um verde tão iluminado que Miguel não podia imaginar que alguém os possuísse. A garota usava apenas um vestido de seda branco com alças e uma sapatilha da mesma cor feita por um material que Miguel não conseguira distinguir.

– È um prazer conhecer-lhe, como Hugo já lhe disse me chamo Darcy e sou uma ninfa da Floresta dos Salgueiros – ela estava com um lindo sorriso no rosto e fez uma leve reverencia segurando a bainha de seu vestido.

– O prazer é todo meu- respondeu Miguel também fazendo uma reverencia.

– Mas se você também esta aqui Miguel, onde estará Lina?- disse o garoto evidenciando sua feição preocupada.

– Bom... Disse Elfany, alias, desculpa esqueci-me de apresentar- disse o garoto colocando a mão no rosto- essa fadinha aqui é Elfany, eu a encontrei agora a pouco e ela me trouxe ate você.

– Um prazer Elfany – disse Hugo olhando com estranheza para a criatura.

– Então, Elfany disse que ela chegou junto com a gente, mas, é claro que todos fomos parar em lugares diferentes- disse Miguel gesticulando com as mãos, ele tem essa mania desde criança.

– Certo, mas, como iremos encontra-la? – indagou Hugo.

– Fácil... – indagou Darcy, os garotos olharam para ela um pouco assustados- eu sou uma Elemental, meu elemento é floresta, as Dríades estão a minha disposição, elas podem a encontrar com facilidade.

Os dois garotos se entre olharam com um sorriso, na verdade os dois se perguntaram o que eram dríades, mas, preferiram não perguntar, pois sabiam que logo logo iriam descobrir.

Darcy andou ate a arvore mais próxima, colocou suas duas mãos no tronco da mesma e disse:

– Amigas dríades preciso de sua ajuda mais uma vez, busquem em todos os cantos uma humana chamada Lina, cuja presença se deu há poucas horas em nossa floresta.

Ao final das palavras começou a ventar, varias folhas se arrancaram das arvores e voaram adentrando na floresta.

– È só isso?- perguntou Hugo decepcionado.

– Você esperava o que?- exclamou Darcy.

O garoto torceu o beiço e não respondeu, Hugo e Miguel começaram a conversar, cada um passando por cima do outro na hora de contar sua aventura naquele lugar, a historia de Hugo não foi tão emocionante, ele simplesmente cairá de cima das arvores e ainda acabou desmaiando, acordou algum tempo depois, perambulou um pouco pela mata e encontrou varias ninfas, ao pedir ajuda Darcy ficou de prontidão, eles os procuraram por algum tempo ate que aconteceu o que aconteceu.

Já era tarde, o sol estava prestes a se por quando o vento tomou conta mais uma vez, varias folhas e flores então começaram a voar ao redor do grupo, os garotos se incomodaram com aquilo ma, Darcy e Elfany tinham agora um sorriso no rosto, com forme ventava, aquelas folhas e flores tomavam forma, agora elas formavam um mulher.

A dríade- exclamou Elfany.

Hugo mais que Miguel se impressionou com a criatura.

– Trago más noticia, a menina a quem vocês procuram fora aprisionado pelo Orc que vive no pântano negro, ele a carregara a algumas horas, ela esta em uma jaula dentro de sua cabana, e provavelmente será o jantar da criatura.

– Não, tenho que salva-la – gritou Miguel com fúria. –me levem ate esse monstro.

– Você não pode, o Orc do pântano negro é muito forte- a fadinha disse enquanto segurava a manga da blusa de Miguel.

– Você pode me ajudar mais uma vez?- perguntou Hugo a Darcy, a ninfa respondeu com um sorriso.

– Nos vamos dar um jeito nisso- disse Elfany obstinada- façamos assim então, eu chamo alguns amigos, Darcy você chama os seus, e resolveremos essa situação, levem os garotos ate o Pântano Negro, eu preciso voltar correndo atrás de quem pode derrota-lo.

– Certo, vou falar com as dríades e vamos- disse Darcy já caminhando ate a mesma arvore de antes.

Elfany deu um sorriso e saiu voando para dentro da floresta, Darcy já havia falado com as dríades então eles saíram em direção ao pântano. Os três saíram andando, Darcy ia à frente, Miguel foi em silencio quase todo o caminho com seus punhos serrados, Hugo foi atrás do amigo olhando para tudo com cara de bobo, era um lugar realmente mágico.

Eles atravessaram um riacho, subiram alguns morros e desceram algumas encostas, mas tudo dentro de mata fechada. Foi fácil notar quando eles estavam se aproximando do pântano, agora já era noite, mas para sorte deles, a lua estava cheia o céu tinha mais estrelas do que os dois garotos já haviam visto antes. Neblina cobria o chão, as arvores não era mais tão vividas e verdes como antes, eles já pisavam em lama, um cheiro horrível tomou conta de seus narizes, provavelmente algo morrera ali.

– A cabana do Orc fica logo após aquelas arvores, daqui pra frente não é mais seguro- disse Darcy com a voz um pouco tremula.

– E agora, o que faremos?- perguntou Hugo.

– Deveríamos esperar Elfany, mas, até que ela volte pode ser tarde de mais- exclamou Miguel- Precisamos fazer o Orc sair da cabana para poder entrar e saltar Lina.

– Eu tenho uma ideia- indagou Darcy- só vai ser um pouco difícil fazer aqui.

Darcy então caminhou com dificuldade ate uma arvore ali próximo, colocou suas mãos nela e fechou os olhos, disse algumas palavras baixinho e voltou ate os dois amigos.

– Vamos, temos que ser rápidos agora- disse ela já caminhando em direção à cabana.

– O que você pretende fazer?- perguntou Hugo preocupado.

– A distração ué- disse ela olhando para trás e forçando um sorriso- venham comigo e se escondam o melhor possível, quando o Orc vier atrás de mim entrem na cabana e soltem Lina, fujam na direção da floresta, talvez não tenhamos outra chance.

– Tome cuidado- exclamaram os dois.

Na frente da cabana existia uma fogueira baixa, com pouco lenha, a cabana em si não aprecia muito grande, era toda feita de madeira, seu telhado era de um tipo de planta seca, que dava uma tonalidade amarela, uma porta virada para a fogueira e apenas uma janela.

Darcy caminhou lentamente, olhou pela janela, mesmo fechada ela pode ver pelos buracos da madeira, os garotos viam a cena por detrás de algumas arvores não muito perto, nem muito longe, ela então caminhou ate a porta e a esmurrou com força, os garotos puderam ouvir com nitidez o som da madeira, a ninfa correu como o vento na direção oposto de onde eles estavam, logo à porta se abril, e algo grande saiu de lá, um enorme homem verde saiu da cabana, ele tinha orelhas pontudas, era careca, da parte inferior de sua boca saiam dois dentes enormes, parecidos com os de um javali, trajando a parte superior de uma armadura na cor vermelha, na cintura uma pano preto tampando suas indecências, e botas de pele também na cor preta, segurava em sua mão um tacape cheio de pregos.

A criatura parecia ter se assustado, ao sair da cabana olhou para um lado e para o outro bufando, Darcy deu um grito e então ele saiu em sua direção.

– Agora é nossa chance- disse Miguel já correndo em direção à cabana.

– Espero que a Darcy fique bem- disse Hugo correndo atrás de seu amigo.

Os dois chegaram à cabana em poucos segundos, o Orc havia deixado à porta aberta, Miguel entrou logo de cara. O lugar era mal iluminado, havia no canto esquerdo uma pela de urso no chão, provavelmente era o lugar em que o monstro dormia, no teto haviam animais mortos pendurados, uma mesa feita com troncos de arvore no meio do lugar e no canto esquerdo, uma espada enorme e a gaiola onde Lina estava presa, a garota parecia estar desmaiada ou no mínimo dormindo.

Ela esta ali- disse Miguel para Hugo que havia acabado de chegar.

Miguel correu ate à gaiola e tentou abri-la, mas não teve sucesso, ela tinha um cadeado enorme, Lina então acordou com o barulho feito pelo amigo assim acalmando pelo menos um pouco os dois.

– Miguel, Hugo, não acredito que são vocês, me tirem daqui por favor- disse a garoto com voz de choro.

– Cadê a chave caramba- disse Hugo revirando tudo.

– Não da tempo de achar- disse Miguel já pegando a enorme espada, para sua sorte ela não era tão pesada quando parecia- chega um poço pra trás Lina.

A garota se afastou o Maximo que pode, não foi muita coisa, não tinha espaço ali, e então Miguel ergueu a espada e acertou o cadeado, arrancando faíscas e quebrando-o. Lina saiu da jaula e logo o abraçou.

– Sabia que você ia me salvar- disse a garota no ouvido do amigo. Se não fosse pela escuridão Hugo teria percebido que Miguel ficou corado, mas isso não ia interferir na historia naquele momento.

– Vamos logo sair daqui, ele pode voltar a qualquer momento- disse Lina já indo em direção à porta.

– Que droga, já disse que falar atrai- disse Hugo saindo atrás dela.

Miguel foi o ultimo a sair, ele estava levando a espada por precaução, mal sabia ele que ela já seria necessária, ao sair da cabana Miguel deu de cara com o Orc voltando, Lina soltou um grito e começou a correr, cos dois garotos indo logo atrás, mas o Orc tinha uma surpresa.

– Não vão fugir assim tão fácil – disse o monstro com a voz tão grave que fez Hugo se arrepiar na mesma hora.

O Orc foi ate a fogueira e colocou seu tacape nela, seu tacape comeou a pegar fogo, então o monstros começou a girar, segurando a clava na vertical, um circulo de fogo se formou, e cresceu, cresceu tanto e tão rápido que se Miguel não tivesse pulado e se jogado em cima dos amigos, todos eles teriam se queimado, o fogo passou pelo corpo de Miguel, mas talvez por sorte esse não o queimou.

Um circulo de fogo agora estava em volta da cabana e não havia mais lugar para os três irem, o Orc caminhou rapidamente até os três, que agora já estavam de pé, o Orc tentou acertar Lina com o tacape, mas Miguel o impediu com a espada.

– Você acha mesmo que pode lutar contra mim?- disse o monstro com um sorriso assustador no rosto.

Miguel não o respondeu, ele tinha um olhar compenetrado no rosto, o garoto então começou a desferir golpes de espada no Orc que se esquivava com dificuldade. Mesmo Miguel nunca antes tendo usado uma espada ele a manuseou muito bem, mas o Orc alem de ser muito mais forte que o garoto ele sabia lutar mil vezes melhor.

O Orc começou a desferir golpes com seu tacape, Miguel tentava se defender com a espada, mas ele sentia a impacto de todos os golpes, o Orc então deu um golpe vindo de cima com seu tacape, e Miguel o parou por sorte com a espada acima de sua cabeça, o Orc então usou seu outro braço livre e acertou um soco em Miguel o jogando a alguns metros de distancia, o monstro andou ate o garoto que estava no chão e quando foi desferir seu ultimo golpe Hugo acertou um chute em suas costas, para a surpresa do garoto não adiantou nada, o Orc deu um soco em Hugo também o jogando longe.

O final de Miguel parecia certo quando então, das chamas uma criatura apareceu, um cervo enorme, com pelos brancos e cornos que pareciam de ouro, a criatura apareceu acertando em cheio o Orc que foi jogado longe.

Miguel se levantou, deu três passos para trás e parou, ele estava muito assustado, mas para sua surpresa o animal o reverenciou, antes que ele pudesse retribuir o Orc foi para cima do animal, agora ele travavam uma luta corpo a corpo, então Miguel correu em direção a Hugo, Lina já estava com ele, por sorte ele não parecia estar machucado, apenas sentindo dor.

– Como vamos sair daqui?- perguntou Lina.

Nesse momento vários pontos de luz vieram voando por cima da parede de fogo, todos na direção dos garotos.

– Fadas- exclamou Miguel. As fadas os carregaram para fora de muro de fogo, voaram como muita rapidez, do alto Miguel pode ver Darcy correndo tentando acompanha-los com um sorriso escancarado no seu rosto.


Darcy a Heroína

Darcy estava com medo, ela não podia negar isso, seu coração batia rápido e suas mãos suavam em decorrência disso, quando Miguel falou de uma distração ela sabia que somente ela poderia o fazer, em sua cabeça vários pensamentos ruins se passavam, ela sabia que podia enfrenta-lo se isso fosse necessário, mas ela quase nunca usava seus poderes e se eles falhassem bem na hora H? as coisas ficariam feias.

Agora ela estava em frente a arvore, com suas mãos apoiadas ela tentava sentir se nela ainda havia vida, agora era só esperar que todas as outras ali também estivessem um sussurro saiu de sua boca.

– Não me decepcionem quando eu precisar- disse a garota com os olhos fechados, depois de um suspiro ela agora caminhava em direção à cabana.

– Vamos, temos que ser rápidos agora — Disse ela fingindo falsa coragem.

– O que você pretende fazer- disse Hugo com um tom preocupado. Ela adorou saber que ele se importou com ela.

– A distração ué — Disse ela olhando para trás e forçando um sorriso — venham comigo e se escondam o melhor possível, quando o Orc vier atrás de mim entrem na cabana e soltem Lina, fujam na direção da floresta, talvez não tenhamos outra chance.

– Tome cuidado — exclamaram os dois.

Darcy caminhava de vagar, a cada passo seu coração batia mais forte, ela já o sentia na boca, mas ela agora sentia que fazer aquilo era sua obrigação, depois de passar pela fogueira ela caminhou até a janela onde pode ver Lina presa dentro da jaula e o Orc deitado na pele do lado direito da sala.

Ela olhou para trás procurando saber se os dois já haviam se escondido, depois de olhar rapidamente e não os ver ela caminhou até a porta, suas pernas tremiam, ela hesitou uma vez, mas ela já havia decido o fazer, Hugo ficaria decepcionado com ela, então ela bateu na porta o mais forte que pode.

Saiu correndo, o pânico já a tomava, ela nunca sentira tanto medo antes, também ela nunca havia ficado tanto tempo separada de suas irmãs, o Orc abriu a porta, a visão daquele monstro parecia infernal. Tenho que atraí-lo pensou ela.

– Que droga — ela estava muito nervosa, gritar foi tudo o que ela conseguiu fazer.

A criatura agora corria na sua direção, tenho que correr, mas ele não pode me perder de vista pensou ela. O Orc corria muito rápido, Darcy não tinha nem chance de fugir. O Orc se aproximou da ninfa e olhou bem para ela.

– Uma ninfa? Tem algo errado com você?- o Orc disse com estranheza, á ultima criatura que ele esperava ver naquele momento era uma ninfa.

Mais três passos e agora ele estava praticamente em cima dela, Darcy caiu na lama, ela perdeu a força nas pernas de medo, o Orc levantara seu tacape e ele não iria errar seu alvo, Darcy fechou seus olhos e uniu suas mãos, uma aura verde tomou conta delas.

Raízes vindas de todas as arvores próximas se desgarram do chão indo em direção ao monstro, a primeira raiz vinda da arvore de onde Darcy estava mais próxima segurou os braços dele se enrolando, as que foram chegando seguraram suas pernas e tronco, o Orc se debatia tentando se soltar, grunhidos era o som que ele fazia enquanto forçava seu corpo para tentar se soltar.

Darcy ainda estava com as mãos unidas, concentrada na invocação que havia feito, mesmo ela sendo uma Elemental não usava seus poderes por na maioria das vezes não precisar.

– Você vai me pagar – disse o Orc com sua voz assustadora – vai precisar de mais do que raízes para me deter.

Darcy tremeu ao ouvir isso, ela não queria estar ali passando por essas coisas, ela lavava uma vida normal, ao seu modo é claro, e agora estava se envolvendo em batalhas para salvar uma pessoa que nem conhecia, o fato foi que talvez de tanto medo ou nervosismo ela perdeu parte da concentração e seus ataques pararam por alguns segundos, tempo suficiente para que o Orc pudesse se soltar das raízes em que estava preso e olhar para trás, e para o desespero de todos, ele viu a sombra de alguém na sua cabana.

– Distração é obvio – disse o Orc olhando para Darcy e em seguida já saindo em direção a sua cabana.

Darcy voltou a usar sua invocação mas ela já estava nervosa de mais para conseguir bom resultado, uma raiz apenas se agarrou a perna do monstro, ele a quebrou com se tacape e voltou em direção à ninfa que se desesperou e saiu correndo, o Orc então voltou correndo para a cabana.

Ela chorava de medo, de culpa e de raiva, a ninfa viu quando seus amigos saiam da cabana. Quando o Orc ergueu paredes de fogo, seu desespero aumentou até que por fim viu o servo branco e as fadas se aproximando, agora ela corria do lado das fadas, a felicidade por ver Hugo e Miguel bem era imensa.

De volta a Floresta dos Salgueiros

As fadas levaram os três amigos até a cabana de Darcy, ela era pequena e muito diferente do que os três já haviam visto antes, a cabana de Darcy fora construída no tronco de um enorme salgueiro. Sua entrada era oculta por vários galhos cheios de folhas, por dentro era um pouco escura, a luz entrava por um único furo na arvore que servia como janela. Haviam estantes altas cheias de panelas de pedra, armários de madeira já bem velhos, uma mesa feita de tronco e uma cama com dois colchões feitos de pano e feno.

– Bom, é simples mas é tudo o que eu tenho, espero que possam se alojar bem ate amanha – disse Darcy fazendo o papel de boa anfitrião.

Os três agradeceram, comeram cogumelos e grãos, era a única coisa que Darcy tinha, depois de conversar sobre aquela loucura toda eles acabaram pegando no sono, Darcy e Lina dormiram juntas na cama e Miguel e Hugo dormiram em um colchão no chão.

O dia havia amanhecido sátiros criaturas metade homem metade bode tocavam flauta e se divertiam com as ninfas, fadas voavam em meio às arvores e pássaros cantavam, o sol brilhava intensamente, Miguel foi o primeiro a acordar, ela saiu da casa e viu Darcy dançando com suas irmãs, ela parecia tão feliz, logo em seguida Hugo e Lina acordaram com a barulheira feita por todos lá fora e foram ate lá também, os três amigos estavam agora parados lado a lado olhando aquelas criaturas.

– O que aconteceu com a gente, será que morremos? – perguntou Lina.

– Morremos?- indagou Hugo — Morrer de susto, não foi assim que eu imaginei que aconteceria.

– Não acho que nem céu nem inferno se assemelham a isso aqui – disse Miguel serio – temos que fazer algo, apenas ainda não sei o que.

Do nada todos pararam com a algazarra, vinha montada no servo branco uma ninfa, ela era diferente de todas, tinha longos cabelos pretos, sua pela tinha a mesma tonalidade dourada que a de Darcy porem ela se mostrava mais velha que todas ali, não velha a ponto de estar com rugas, cerca de trinta anos deduziu Lina, seus olhos eram verdes e profundos, mas ela diferente de todas tinha um ar nobre.

Todas as criaturas ali se curvaram diante das duas criaturas menos os três amigos, a ninfa então veio ate eles.

– Olá, meu nome é Àcis – disse a ninfa imponente – sou a mãe de todas as ninfas que vês.

– Eu sou Miguel – disse o garoto se curvando.

– Sou Lina – disse a garota acompanhando a amigo.

– E eu sou Hugo – disse ele mas não fazendo reverencia até que Miguel o puxou para baixo com toda força.

– Soube que não são dessas terras- disse Àcis com sua doce voz – vocês são de lugar ou mundo?

– Nos somos de um lugar onde criaturas como vocês não existem – disse Miguel se ponto à frente – não passam de simples lendas minha senhora.

– Entendo – os centauros previram sua chegada nas estrelas – vocês são de um mundo além de tempo e magia.

Os três amigos se entre olharam nervosos.

– Minha senhora, mas qual seria o motivo de nossa vinda?- exclamou Miguel – fomos trazidos de forma não muito convencional, quando percebemos simplesmente estávamos aqui.

– Meus caros, o que veem aqui hoje contradiz tudo o que esta acontecendo em nosso mundo- disse Àcis com uma entonação triste- nosso mundo esta em tempos sombrios onde um grande mal assombra o reinado de Odilon, rei de Atheos, creio que sua vinda não tenho outro propósito a não ser ajudar nesse tempo de crise.

– Ajudar, mas como? – exclamou Hugo em um tom sarcástico – nem conhecemos vocês, não sabíamos de sua existência, e a única coisa que queremos é volta para casa.

Ao terminar a frase olhou para Darcy, a ninfa estava impressionada com a reação do garoto, ela se dispôs a ajudar Lina mesmo sem a conhecer e agora Hugo não mostrara a mesma atitude, a ninfa se decepcionou com a reação do garoto.

– Como poderemos ajudar? – perguntou Miguel se levantando e Lina logo depois dele.

– O rei precisa saber da sua chegada, vocês deverão partir imediatamente para la – disse Àcis apontando para o norte.

– O rei nos recebera de bom grado? – perguntou Lina.

– Vou enviar-lhe uma mensagem de sua chegada- disse ela – ele já fora avisado antes pelos centauros, a noticia não chegara de surpresa nem em má hora.

Hugo que ainda estava curvado se levantou, ele buscava não olhar para Darcy, o garoto se envergonhara de sua atitude ao perceber com que egoísmo agira.

– Mostre-nos o caminho – disse o garoto com segurança, todos olharam para ele.

– Já encarreguei um satiro de buscar suas montarias- disse a ninfa se mostrando feliz pela reação do garoto- um centauro os acompanhará na viagem para lhes mostrar o caminho e é claro para sua segurança. Bom, agora comam e descansem não se sabe que surpresas a viagem de vocês poderá guardar.

Àcis se retirou do lugar montada no servo branco, Darcy correu ate eles e os chamou para dentro da casa, ela trazia uma cesta de frutas à mão.

– Não acredito que Àcis veio falar em pessoa com vocês- dizia Darcy muito empolgada – ela quase nunca vem a essa parte da floresta, ainda mais montada no servo, vocês devem ser muito importantes.

– Não gosto de tanta atenção- disse Hugo torcendo a beiço- isso atrai coisas ruins.

– Nossa Hugo que chato, você é muito pessimista – disse Lina o repreendendo.

– Eu já li sobre centauros, eles são metade humanos metade cavalos, não é isso Darcy? – disse Miguel enfiando uma pera em sua boca.

– São sim, são criaturas imensamente sabias e respeitáveis – disse Darcy

Eles seguiram conversando e comendo por algum tempo até um satiro adentrou a cabana, era Leonas avisando que os cavalos já estavam la fora e o centauro Grifem já os esperava.

Lina pegou uma bolsa preparada por Darcy com algumas frutas e cogumelos, Hugo se despediu de Darcy ali mesmo com um longo beijo, Miguel pegou a espada do Orc que ainda estava com ele, agora ele havia a amarrado com algumas cordas fazendo-as como bainha,e saíram da casa.

Um enorme centauro os esperava, ele era uma criatura realmente magnífica, sua parte superior era de um homem que parecia ter por volta de trinta anos, sua pele era morena, seu tórax definido, seu rosto era meio quadrado, tinha cabelos longos e negros da mesma tonalidade de sua calda, seus olhos eram como folhas secas, na sua parte inferior era exatamente como a de um cavalo, com pelo castanho escuro e seus cascos quase pretos.

Mas algo chamou mais atenção dos garotos do que a aparência exótica da criatura, ele estava cheio de armas, em seu peito havia um arco e flechas a suas costas, presas a bainha duas espadas estavam em sua cintura.

– E um prazer conhecer-lhes viajantes dos mundos – disse Grifem fazendo uma reverencia.

– O prazer e todo nosso- disse Miguel retribuindo a reverencia, seguido pelos amigos.

Havia três cavalos selados logo atrás de Grifem, eles eram lindos, tinham um porto físico impressionante, sua pelagem era branca, suas patas eram cobertas por pelos enormes, quase tão grandes como os de suas crinas que cobria parte de seus rostos.

Elfany e algumas fadas apareceram também para a despedida, os três montaram em seus cavalos e a viagem logo começou, Grifem ia à frente seguido pelos garotos. Lina nunca havia montado antes e com aquele vestido foi ainda mais difícil para ela.

Já haviam se passado horas desde o inicio de sua viagem, o barulho dos cascos já os incomodava, Grifem aproveitou a viagem para explicar para os garotos algumas coisas sobre seu mundo.

– Vivemos em um mundo regido por magias elementares, divido pelas oito forças, água, terra, fogo, ar, metal, floresta, gelo e raio, algumas criaturas em especial como Darcy e aquele Orc que vocês conheceram tem o domínio sobre esses elementos, pois nem todas as criaturas conseguem os dominar – dizia Grifem deixando os garotos espantados – essas dominações variam de acordo com o sentimento de quem as usa, por exemplo, se você usa uma magia para proteger um amigo ela sairá de uma forma, mas se você usar a mesma magia com ódio de alguém ela sairá de outra forma entende?

Os três confirmaram com a cabeça, nenhum deles tinha coragem ou mesmo vontade de interromper Grifem.

– Hoje em dia a maioria dos elementares esta na guerra contra ou do lado de Lorde Magnus, ele é dominador de magias profundas, conseguindo trazer das trevas um exercito de cavaleiros sem alma e tendo dominado a maioria das criaturas das trevas como quimeras, ogros, orcs como o que vocês viram e varias outras criaturas mais – disse Grifem terminando seu relato.

– Como os elementares descobriram que possuíam seus poderes? – perguntou Miguel intrigado.

– Não sei, não sou um Elemental, mas ouvi dizer que muitos elementares descobriram suas habilidades em momentos de extrema necessidade – respondeu o centauro batendo a calda no corpo.

– O que dizia nas estrelas Grifem? Afinal você não foi até o rei sem motivo não é? – perguntou Hugo em um tom ríspido.

– Não fui eu que previ a vossa chegada, e sim outro centauro mais sábio, nem mesmo fui eu que fui até o rei informa lhe de tal coisa – respondeu Grifem no mesmo tom – mas o comentário foi que três humanos de outro mundo viriam em momento oportuno, três humanos com grande responsabilidade carregando nas costas o destino do equilíbrio, foi esse o comentário que rondou, eles tentaram manter a chegada de vocês o mais sigilosa possível.

Os três se entre olharam como de costume, estavam assustados, mas nenhum queria demonstrar tal coisa, passava-se pela cabeça de Miguel a lembrança da sua ultima manha em Portugal, de como ele tratara o seu pai e sua mãe naquele dia e por não mais que um segundo se arrependeu, mas antes que o garoto pudesse se redimir mentalmente um homem com uma espada pulou na estrada interrompendo seu devaneio.

– Cuidado, é um assassino – gritou Grifem enquanto partia para a briga.

O centauro colocou sua espada na mão e um combate agora era travado, o homem que pulara na estrada estava encapuzadas, suas vestes eram negras e ele demonstrava ter um ótimo porte físico, mas um humano contra um centauro não é necessariamente um luta justa, Grifem levava a melhor na batalha até que cerca de mais sete homens surpreendeu o grupo, todos vestidos da mesma forma, alguns mais baixos, outros mais altos ou gordinhos, mas todos vestidos igualmente.

Um dos assassinos foi em direção ao cavalo de Lina que assustado acabou a derrubando e fugindo, a garota agora estava no chão a mercê do assassino, Miguel vendo a cena pulou de seu cavalo e sacou sua espada. Agora ele também lutara contra um dos homens, ele mal sabia empunhar a espada, num surto de raiva e desespero o garoto avançou sobre o homem com os olhos meio fechados acertando a espada no ombro do homem o fazendo cair sangrando.

Hugo estava cercado por dois homens ainda em cima do caval. Grifem vendo aquela situação e não podendo ajudar, pois já lutava contra três apenas jogou uma de suas espadas para o garoto que tomou a mesma atitude que Miguel, mas por azar não conseguiu acertar seu golpe, o garoto acabou levando um chute e caindo.

Agora haviam três homens cercando Lina e Miguel, Hugo estava no chão e um dos assassinos pisava em sua cabeça e segurava a espada em sua garganta, Grifem vendo a cena se rendeu, mas antes matando pelo menos um cortando sua cabeça fora.

– O que vocês querem? – perguntou o centauro.

– Ouro, prata, suas vidas, somos assassinos fazemos o que fazemos – respondeu o homem que empunhava a espada na garganta de Hugo.

Lina abraçava as costas de Miguel que apontava sua espada contra os assassinos, os dois apenas não estavam mais desesperados do que Hugo.

– Podemos lhes dar muito ouro, estamos indo ver o rei e sei que ele ficara muito grato em lhes oferecer- disse Hugo desesperados tentando se safar.

– vocês vão ir ver o rei? Muito interessante, e porque vocês acham que eles nos pagaria assim de tão bom grado por poupar a vida de vocês?- disse o homem.

– Claro que pagaria somos – Hugo não terminou a frase porque percebeu a mancada que daria se o fizesse.

– São? São o que verme? – disse o homem pisando mais forte ainda na cabeça do garoto.

Hugo queria chorar, mas ele por orgulho decidiu que a ultima coisa que ele faria não seria chorar, sua respiração estava ofegante, a bota do assassino o machucava muito, o garoto então em um surto de coragem e burrice agarrou a perna do homem e com um movimento rápido a torceu e se levantou fazendo o homem perder o equilíbrio, mas não chegando a cair.

O assassino logo apontou sua espada novamente para o garoto, não parecia ter como sair daquela situação, Miguel segurou a mão de Lina forte, se virou para ela, abriu a boca para dizer algo, mas não teve forças, a garota colocou sua outra mão no rosto do garoto e ele a olhou dentro dos olhos.

– Acabem com eles — disse o líder dos assassinos.

Quando o primeiro assassino levantou a espada uma raiz se desprendeu de uma arvore próxima a ele o segurando em sua perna e o jogando a metros de distancia, a única coisa que ele pode fazer foi gritar.

– O que foi isso- perguntou um assassino baixinho.

Eles estavam no meio de um bosque, todas as arvores envolta começaram a movimentar suas raízes no alto, levantando junto muita poeira e folhas secas.

As raízes então começaram a atacar os assassinos, alguns conseguiam revidar cortando as raízes com suas espadas, mas era uma batalha desleal, o numero de raízes era imensamente maior que o de ladrões.

Eles foram mortos um por um, as raízes hora os jogava longe, hora perfurava seus corpos, quando a poeira finalmente baixou apenas um assassino estava vivo, mas preso por uma raiz que se enrolou no corpo dele, o impedindo de se mover.

– Quem fez isso? – perguntou Miguel assustado.

– Um Elemental de floresta- respondeu o centauro.

Então em meio a algumas arvores apareceu Darcy montada em um cavalo simples de pelagem castanho escuro, tão escuro que quase parecia preta, ela foi em direção ao grupo os deixando pasmos.

– Você nos salvou mais uma vez- disse Hugo.

– Eu só não podia deixar vocês partirem assim- respondeu à garota ofegante, ela estava muito cansada, nunca havia usada tanta dominação antes.

– O que faremos com ele? – disse Grifem se referindo ao assassino preso entre as raízes, que por ventura era o líder deles.


O pássaro o Rei e a Elemental

Os cavalos corriam como o vento, mesmo depois de tomar uma grande distancia eles não tiveram coragem de diminuir o passo, os cavalos já bufavam e Grifem estava claramente cansado, a noite caia quando finalmente exaustos resolveram parar e montar acampamento.

Era um lugar não muito diferente do que eles viram ali anteriormente, um rio com águas bravias corria a frente deles, arvores com estatura mais alta agora os servia como telhado, uma fogueira fora montada por Darcy e Grifem, os três garotos não tinham a menor ideia de como acende-la, Grifem comia grama, os garotos estranharam muito aquela cena, Lina estava sentada em um tronco a beira da fogueira comendo uma fruta muito parecida com uma maça, Hugo e Miguel estavam sentados na beira do rio e Darcy estava sentada debaixo de uma arvore com os olhos fechados.

– Hugo essa já é a segunda noite aqui – disse Miguel tacando pedras na água – imagina como nossos pais devem estar.

– Minha mãe deve estar louca, desesperada – disse Hugo dando ênfase aos adjetivos – meu pai nesses momentos é que mantém o controle, mas eu às vezes não te entendo, você nunca fala do Fausto.

– Meu pai? – disse Miguel em meio a um suspiro – ele só é mais um homem que não tem tempo para a família.

Miguel se levantou da pedra onde estava sentado e começou a caminhar para dentro da floresta.

– Onde você esta indo? – perguntou Hugo sem entender.

– Vou dar uma olhada por ai – respondeu o garoto sem olhar para trás.

Hugo deu de ombros e continuo sentado, Miguel estava de cabeça baixa, seu olhar era de tristeza, o garoto quando finalmente se viu sozinho sentou na raiz de uma grande arvore e lembranças dominaram sua cabeça.

Miguel acabara de acordar no meio da noite, ele podia ouvir vozes exaltadas vindo da parte inferior de sua casa, o garoto estava meio zonzo de sono talvez por isso não reconhecesse as vozes que ouvira, ele desceu as escadas bem devagar, na sala de sua casa ele viu de costas seu pai discutindo com sua mãe que estava aos prantos, seu pai estava com as roupas bem amarrotadas e seus cabelos estavam desentranhados.

– Por favor, Fausto você não esta em seu juízo perfeito, bebeu de mais outra vez. – disse sua mãe com grande desespero.

– Cale boca sua vadia, eu sei o quanto eu posso beber – respondeu o homem com uma voz embolada enquanto se segurava na poltrona.

– Vou te levar para o chuveiro, vem, por favor, fausto – dizia a mulher quase implorando.

Fausto num momento de raiva ergueu a mão para bater em sua mulher, mas antes que ele o fizesse Miguel gritou, o homem se assustou, olhou para trás meio cambaleante, o rosto de Fausto estava vermelho, seus olhos azuis estavam nitidamente vermelhos, sua pele branca estava suada e suja, parecia que ele havia esfregado terra no lado direito do rosto.

– Miguel o que esta fazendo acordado? – disse Fausto com um tom de raiva.

– Volte para o seu quarto filho – disse sua mãe secando as lagrimas.

Miguel voltou correndo para o seu quarto, o garoto estava assustado e naquela noite ele não dormira, ouviu as vozes de seus pais durante mais algum tempo, Fausto ainda relutava, mas por algum motivo que Miguel preferia não pensar as vozes do nada cessaram.

Miguel não gostava de lembrar-se dessas situações, aquela tinha sido a primeira vez de muitas que o garoto via seu pai chegando em casa daquele jeito, o homem tinha um serio problema com a bebida. Até mesmo na noite anterior a chegada dele naquele mundo ocorrera novamente àquela situação.

O garoto então começou a ouvir barulhos vindos da mata, era Lina.

– O que esta fazendo aqui?- perguntou Miguel.

– Estava tentando fugir um pouco mais vi que teve a mesma ideia que eu – exclamou Lina – achei que estava com Hugo.

– Eu... Eu tava mais – o garoto não terminou a frase e abaixou a cabeça.

– Eu sei, o Hugo consegue ser bem irritante quando quer não é? – disse a garota dando uma risada.

– Quer caminhar? – perguntou Miguel se levantando e estendendo a mão.

– Essa era a ideia – respondeu Lina segurando a mão do garoto.

Os dois caminhavam agora rio a baixo, Lina estava linda apesar de seus cabelos já estarem desengonçados e suas roupas como as de Miguel e Hugo estarem em péssimas condições, Miguel adora a menina e em dados momentos chegava a confundir seus sentimentos em relação a ela.

– Isso é uma completa loucura não acha? – indagou Lina.

– Será que mais alguém além de nós já veio parar aqui? – também indagou o garoto.

– Acredito que sim, deve ser daqui que vêm todas as historias – respondeu Lina com um sorriso no rosto.

– Todos os príncipes e princesas, todas as criaturas e personagens – disse Miguel com um sorriso e ao mesmo tempo pensando que tudo aquilo era bobagem.

– Será que algum dia alguém contara nossa historia? – perguntou Lina dando um giro.

– Você esta toda felizinha, mas não passamos por nenhuma aventura que mereça virar uma historia – respondeu Miguel rindo – e alias quem iria acreditar em nós?

– Tanto faz, eu acredito – disse a garota puxando Miguel, Lina começou a os rodar, depois de alguns giros os dois caíram, Miguel estava agora em cima de Lina no chão rindo.

Os dois pararam de rir e olharam dentro dos olhos um do outro, o coração de Lina batia a dez mil por hora, Miguel foi se aproximando aos poucos já fechando os olhos, Lina fez o mesmo, quando seus lábios se tocaram um relincho os assustou.

– O que foi isso?- perguntou Miguel dando um pulo e ficando de pé.

Ao Lina se levantar eles se deparam com uma das criaturas mais lindas do mundo mágico, um unicórnio, seu pelo era de um branco tão intenso que parecia brilhar na escuridão, seu chifre fazia a divisão da crina em seu rosto.

Lina e Miguel agora caminhavam bem devagar em sua direção.

***

Hugo estava sentado decidindo se entraria ou não na água, ele sabia nadar, mas como Miguel ele só havia entrado em piscinas até então, quando algo chamou sua atenção, algo vinha queimando no céu, um rastro de fogo vinha seguindo em sua direção.

Hugo deu alguns passos para trás, mas perdeu o equilíbrio e caiu, a bola de fogo então caiu a poucos metros do garoto, ele se levantou e caminhou lentamente até o lugar onde a bola de fogo tinha caído, um buraco pequeno tinha se formado na terra, em volta havia algumas penas pegando fogo e muita cinza.

– O que é agora meu Deus?

Do buraco uma pequena criatura avermelhada começou a fazer um barulho bem parecido com um piado, Hugo estendeu a mão e tirou o bichinho de la, era um pássaro sem penas, provavelmente um filhote.

– Esse mundo é muito estranho, GRIFEM – saiu gritando o garoto de volta para o acampamento.

– O que foi? – perguntou o centauro correndo velozmente até ele- você foi atacado?

– Não, eu... Esse passarinho caiu perto de mim – disse Hugo mostrando a pequena criatura em suas mãos – ele... Ham, veio numa bola de fogo.

O centauro olhou um pouco para a criatura e a pegou nas mãos, o centauro abriu um enorme sorriso, Darcy com a confusão arrumada por Hugo chegou correndo e logo atrás dela Miguel e Lina.

– O que houve pessoal? – perguntou a ninfa preocupada.

– Nos ouvimos Hugo gritar da mata, vocês não vão acreditar, encontramos um unicórnio – disse Lina depressa.

– Unicórnio? – indagou Hugo.

– Pera ai gente – disse Grifem – Hugo acabou de encontrar uma fênix.

– Eu achei o que? – gritou Hugo assustado.

– Essas coisas existem também? – perguntou Miguel.

– Sim, mas são muito raras, eu nunca tinha visto uma – disse Darcy quase montando em Grifem para ver.

– Cuide bem dela – disse Grifem entregando o pequeno pássaro nas mãos de Hugo.

O garoto abriu um enorme sorriso, depois de todos verem a criatura mais de perto, comer alguma coisa e Hugo tentar jogar o pássaro na fogueira para ver se pegava fogo como ele disse, todos foram dormir.

O dia começou cedo para eles, depois de comerem as ultimas frutas que restaram no café da manha eles logo montaram nos cavalos, Grifem tomou à frente seguido por Miguel e Lina, e mais atrás conversando vinham Darcy e Hugo em seus próprios cavalos, Hugo havia colocado a ave dentro de uma bolsa no dorso do cavalo.

– Como você vai chama-lo? – perguntou Darcy.

– Nem pensei nisso ainda, pode ser... – o garoto não era nada bom pra nomes – mas nem sabemos se é macho ou fêmea?

– È macho – afirmou Darcy.

Hugo já ia perguntar como ela sabia, mas depois de pensar por um segundo desistiu.

– Vai se chamar Ruber – disse o garoto fazendo careta – isso mesmo Ruber.

– Nossa que nome horrível – exclamou Darcy – porque Ruber?

– Ruber é Vermelho em latim – gritou Miguel mais a frente – não é isso Hugo?

– È sim, a única coisa que eu vejo nele é essa pele vermelha então – disse o garoto fazendo cara de desprezo.

Eles cavalgaram por cerca de uma hora e meia até que finalmente avistaram os muros do castelo do reino de Atheos que eram incrivelmente altos, havia uma pequena vila a frente do portão, eles seguiram caminhando agora em um passo muito menor que antes, enquanto eles passavam pela vila eles chamavam atenção, todos os moradores agora olhavam para eles, mesmo sendo nascidos naquele mundo eles não viam centauros e ninfas sempre, logo chegaram ao portão.

Quatro soldados estavam no portão fazendo a segurança, quando Grifem se aproximou logo um dos soldados foi em sua direção.

– Vocês são o grupo enviado por Àcis vindos da Floresta dos Salgueiros não estou certo? – o soldado reverenciou Grifem e o grupo – peço que me acompanhem o rei já os espera ansiosamente.

O soldado que usava uma armadura prateada, e um elmo que deixava parte de seu cabelo para fora seguiu os guiou até o estábulo onde eles deixaram seus cavalos, depois de Darcy pegar Ruber eles seguiram a pé por dentro do castelo, não era muito diferente de uma cidade, as vestes das pessoas eram muito simples e todos ali pareciam muito trabalhadores, mas mesmo a pé eles ainda chamavam muita atenção, depois de andar algum tempo eles finalmente chegaram ao palácio, depois de atravessar mais um portão com um enorme muro e vários soldados fazendo a segurança eles perceberam no mesmo instante onde estavam.

O lugar era muito diferente de tudo o que eles haviam visto ali até agora, na entrada um lindo jardim lotado de margaridas, seguidos por um gramado impecavelmente verde, duas fontes com estatuas de pessoas que eles não podiam imaginar quem fossem e o palácio com a sua arquitetura de tirar o fôlego.

Eles então adentraram o lugar, tapetes cobriam o chão e nas paredes quadros de todos os tipos, Lina e Darcy se encantavam por tudo que viam, o soldado os guiou por vários corredores e passaram por enormes salões até chegar à sala do trono.

Uma enorme porta separava os reis do grupo, o soldado caminhou até um dos dois que estava fazendo a guarda e cochichou algo em seu ouvido, o mesmo soldado então entrou na sala.

– Que vergonha meu Deus – disse Lina olhando para suas roupas – como me apresentarei a um rei nessas condições?

– Você esta linda, não se preocupe- disse Miguel a acalmando.

– Você ta tão estranho desde que chegamos aqui Miguel – disse Hugo com estranheza – até poderia dizer que você esta... Antes que Hugo pudesse terminar a frase a enorme porta começou a se abir

De dentro da sala varias vozes podiam ser ouvidas, a enorme porta se abriu bem devagar mostrando primeiramente um enorme tapete vermelho que seguia até os tronos, varias pessoas vestidas com roupas muito elaboradas estavam la dentro e agora os olhava, enormes janelas faziam a iluminação do lugar junto com tochas presas às paredes e por fim, um homem e uma mulher vestidos ricamente assentavam os tronos.

Eles caminharam de vagar até os tronos, naquele momento Grifem era o mais nervoso, ele apesar de ser um ótimo guerreiro tinha vergonha de tanta gente, ele foi o primeiro a se dirigir ao rei Odilon.

Odilon era um homem já de idade avançada, tinha uma enorme barba meio acinzentada, seu nariz também era um pouco maior que o normal, sua coroa era impressionante, feita de ouro e decorada com diamantes e vestia uma longa beca vermelha. A rainha Aurora era linda e claramente mais jovem que o rei, ela aparentava ter cerca de trinta anos, seus cabelos eram ruivos que contrastavam lindamente com seus olhos verdes, seu rosto tinha pequenas sardas e seu corpo era coberto por um longo vestido dourado.

– Meu rei, venho lhe trazendo os viajantes que as estrelas prometeram – disse Grifem fazendo uma reverencia de centauro, que venhamos e convenhamos não é nada convencional.

– Venham até mim – disse o rei – fico muito feliz com vossa chegada, eu sou o rei de Atheos, podem me chamar de Odilon.

Os três garotos se puseram a frente do rei, eles se ajoelharam e o rei se levantou.

– De onde vocês são? – perguntou o rei.

Nesse momento houveram alguns cochichos no salão.

– Somos de uma terra chamada Portugal meu rei – disse Miguel de cabeça baixa.

– Como chegaram aqui? Por mar? Por terra? – perguntou novamente o rei.

– Nos não viemos, simplesmente chegamos – respondeu Miguel.

– E qual é o propósito de vocês? – indagou o rei.

– Nos apenas queremos voltar para casa – disse Miguel.

O rei andou em volta dos três garotos que ainda estavam ajoelhados e de cabeça baixa, exceto Hugo que não era tão cortes.

– Vocês já devem ter sidos informados do tempo de trevas que o nosso mundo vive – disse o rei enquanto caminhava na direção de Darcy – as estrelas disseram que vocês decidiriam o futuro de nossa terra, vocês estão dispostos a nós ajudar?

– Eu não quero entrar em guerra nenhuma – cochichou Hugo.

– Nem eu, mas parece o único modo – respondeu Miguel.

– O único jeito de nós matarmos você quer dizer? Não se preocupe, um Orc mata a gente antes – respondeu Hugo.

O rei olhou Darcy dos pés a cabeça e então voltou em direção aos três.

– Eu vou lutar – disse Miguel se levantando.

– Eu também irei – disse Lina se levantando junto.

Idiotas, não acredito que me meteram nessa também, pensou Hugo – Eu também lutarei.

– Então são muito bem vindos ao meu palácio – disse o rei batendo pequenas palmas – meus servos os levaram aos seus aposentos.

Duas mucamas apareceram e os levaram para quartos separados, Lina e Darcy ficaram juntas em um e Miguel e Hugo em outro, um banho lhes foi preparado junto com roupas limpas, Lina parecia no céu, enquanto isso Miguel e Hugo comiam como se fosse a sua ultima refeição, uma mucama os levou um pernil, arroz e batatas, o quarto deles era enorme, havia uma janela que dava visão para todo o castelo, haviam duas enormes camas cheias de travesseiros e uma lareira assim como no quarto das meninas.

Ruber estava em cima da cama, e Miguel conversava com Hugo.

– Nós meter em uma guerra, essa foi sua melhor ideia? – perguntou Hugo.

– Hugo me entenda, dizem os centauros que fomos enviados para restaurar esse equilíbrio, a única forma que eu vejo é ajudando a batalhar — retrucou Miguel.

– Só não é bom me imaginar entrando em uma batalha- disse Hugo – mal sei o que é espada.

– E eu Hugo, lembre-se de mim contra o Orc – disse Miguel rindo – mal sabia segurar essa espada.

– Me fala uma coisa- disse Hugo com um tom mais calmo – o que esta havendo entre você e Lina?

– Entre mim e a Lina?- disse Miguel levando um susto – nada, por quê?

– Você esta diferente com ela, parece que esta apaixonado – disse Hugo dando um sorriso de canto de boca.

– Apaixonado? Não mesmo – respondeu Miguel se jogando na cama – Ruber cresceu, acho que fênix se desenvolvem rápido.

– Nem reparei – disse Hugo caminhando até o pássaro – é parece, mas quando vai começar a nascer penas, ele esta muito feio.

Ruber olhou para Hugo e piou.

– Ele se ofendeu Hugo – disse Miguel rindo.

O dia se passara, os quatro foram tratados como da realeza, a mais empolgada entre todas era Lina, Grifem não quis ficar no castelo, então foi alojado em outro lugar, à noite caira e o rei convocou os três para a sala do trono.

La estavam o rei e mais três servos, os três entraram nervosos, pois não sabiam as intenções do rei, Hugo já planejava sua rota de fuga e Lina segurava a mão de Miguel.

– Pedi que viessem até mim para que eu pudesse lhes dar um presente – disse o rei.

Então os três servos que ali estavam foram cada um para frente de um dos garotos, eles seguravam algo em baixo de um pano vermelho, então os três estenderam as mãos e pegaram o que ali estava, Hugo descobriu e viu que o que tinha ganhado eram duas facas com o cabo de ouro, as laminas eram brilhantes e pareciam ser muito afiadas.

Agora era a vez de Miguel, debaixo de seu pano, uma espada reta, com a lamina prateada e o cabo negro com detalhes em dourado.

E por ultimo Lina, que recebia um arco e flechas, feito de cedro negro com suporte de couro da mesma cor.

– O que é isso? – perguntou Hugo com surpresa.

– Suas novas armas – disse o rei – vocês precisaram delas daqui por diante.

Hugo se segurou para não enfiar uma daquelas facas no rei, ele ficou furioso com ele, mas preferiu continuar na sua.

– Mas eu não sei usar o arco Odilon – exclamou Lina.

– Não se preocupe, eu já me encarreguei de providenciar professores para vocês- disse o rei com um sorriso no rosto.

A semana seguinte do grupo foi no castelo, os três passaram por horas e horas de treinamento, cada um com seu professor próprio.

Miguel era ensinado por um guerreiro mais jovem, ele parecia ter seus vinte e cinco anos, seu nome era Taranor, ele era o melhor guerreiro do reino apesar de sua pouca idade, o homem tinha cabelo grande cacheado, sua pele era bronzeada e seus olhos eram castanho claros.

– Você precisar colocar mais de você na batalha Miguel – disse Magnus – você tem que ver a espada como uma extensão de você.

Hugo era ensinado por uma mulher, o nome dela era Aravis, ela era linda apesar de ser muito bruta, tinha um corpo espetacular, longos cabelos pretos e olhos da mesma cor.

– Vem Hugo, me ataque – disse ela fazendo sinal com as mãos.

Hugo correu até ela, mas quando ia desferir seu golpe foi jogado no chão por ela, que simplesmente girou para corpo para o fazer.

– Droga, sendo derrotar por uma mulher – disse Hugo com raiva.

– E se não aprestar atenção no que eu estou lhe ensinando vai ser derrotado até por uma criança Atheniana.

E por ultimo Lina, ela era treinada por um homem já mais velho, seu nome era Dirceu, ele já não tinha mais muitos cabelos, mas os poucos que lhe restavam nas laterais da cabeça tinham um tom acinzentado, ele já tinha uma barriga um pouco saliente e uma voz muito grave.

Mas ao contrario dos outros Lina estava indo surpreendentemente bem, ela errava muito poucas flechas e todas as orientações dadas por Dirceu eram facilmente aprendidas por ela.

Durante um dos treinamentos, Lina apresentou algo de muito especial.

– Postura Lina, flexione mais os joelhos – dizia o homem a orientando.

Quando Lina disparou sua flecha ela foi envolta por uma luz branca, acertando o alvo e o atravessando apenas parando na parede mais próxima. A garota levou um enorme susto e Dirceu abriu um enorme sorriso.

– Então quer dizer que foi por isso que aprendeu tão fácil – disse o homem – você é uma Elemental do ar.

Lina não podia acreditar no que ouvira, ela, uma Elemental?