Fronteiras da Magia
3 Esperanças a lagrimas
Esperanças e Lagrimas
Miguel e Hugo corriam para o outro pátio do castelo, eles não podiam acreditar na noticia que corria, quando finalmente chegaram ao lugar viram varias pessoas em volta de Lina, a garota parecia assustada, lagrimas corriam por sua face.
Quando ela viu Hugo e Miguel foi como se tudo em volta parasse, eles se entre olharam e foi como se mais nada existisse, Miguel tinha um pequeno sorriso no rosto, Hugo estava com um olhar firme e seus punhos serrados.
Uma voz dentre todas as outras se destacou, era Odilon, o rei descia as escadas do palácio com um enorme sorriso no rosto, o mesmo era acompanhado por vários servos.
– Uma Elemental, nossa pequena Lina uma Elemental – o homem caminhava até Lina com os braços abertos, todos abriram caminho até ela e Odilon lhe deu um enorme abraço – talvez haja ainda uma luz em meio às trevas.
Grifem se destacou em meio às pessoas o centauro caminhou devagar até Hugo e Miguel, ele não esboçava nenhum tipo de reação, mas se eles pudessem ler a mente do centauro saberiam que ele estava feliz e ao mesmo tempo preocupado com Lina.
Lina com o rosto molhado pelas lagrimas começou a sorrir enquanto Odilon a segurava com as mãos e a sacudia devagar. Muitas das pessoas ali estavam felizes e acreditavam no que os centauros haviam previsto, os três ainda não tinham visto a parte ruim de Atheos, tempos de sangue e grande tristeza assolavam aquele mundo.
Ao longe, depois das montanhas geladas do norte, do reino dos Elfos e os planaltos de fogo uma ameaça muito maior do que nossos heróis pensavam apenas esperava ordens para atacar.
Em meio a grandes montanhas de pedra maciça um enorme exercito de soldados invocados das trevas cercavam o castelo de oito torres de Lorde Magnus, o céu naquele lugar era encoberto por nuvens negras, a luz só chega ali por meio dos trovoes que eram constantes e do planalto de fogo que trazia uma luz com a tonalidade avermelhada para parte do lugar.
Poucos se atreviam a chegar até ali, mas naquele dia em questão uma pessoa observava o lugar e o grande exército do auto de uma montanha, ela empunhava uma espada reta com o cabo branco e vestia uma capa preta que cobria seu corpo por completo.
Depois de olhar alguns segundos a pessoa se virou e começou a correr, pulava de uma pedra para a outra, agora ela descia a montanha.
Dos mares do sul vinham três navios, eles carregavam no alto do mastro a bandeira com a figura de um dragão branco de Atheos, na proa da primeira embarcação vinha um jovem de dezoito anos com o olhar determinado, seus olhos eram pretos da mesma tonalidade que seus cabelos curtos, ele tinha uma sobrancelha grossa e seu corpo era forte, ao seu lado estava o imediato do navio, um senhor de cerca de quarenta anos.
– Falta muito para que cheguemos? – perguntou o jovem.
– Não meu príncipe, é questão de horas até que possamos ancorar no porto de Atheos – respondeu o homem.
Muitas surpresas aguardavam Lina, Hugo e Miguel, depois de uma semana treinando no palácio algumas coisas já haviam mudado no grupo, principalmente em Ruber que agora já criara penas vermelhas como o sangue e já tinha cerca de trinta centímetros, Darcy também continuara treinando e agora dominação sua dominação muito melhor.
O treinamento de todos continuou naquele dia mais duro do que todos até então, Lina conseguiu repetir o feito mais uma vez, porém gastou muita energia e não conseguiu mais treinar.
Hugo agora já conseguia manter o mesmo nível que sua professora em uma batalha, Aravis usava uma espada e o garoto não tinha muito dificuldade para se defender e atacar com suas duas adagas.
– Isso mesmo Hugo – disse a mulher em meio a uma gargalhada – você não apenas deve entender a sua arma, deve entender a de seu inimigo.
Mulherzinha irritante essa- esse era o pensamento que mais dominava a cabeça de Hugo.
Miguel dominava com destreza sua nova arma, Taranor e ele travavam batalhas que duravam horas a fio, o barulho das espadas se chocando não era mais ouvido pelos dois, como Taranor era muito mais experiente Miguel acabara sempre levando a pior.
Na floresta não muito longe dos portões da cidade Darcy e Grifem treinavam, a ninfa usava suas raízes e Grifem suas espadas, o centauro era um incrível guerreiro, por mais que Darcy o cercasse ele sempre de alguma forma conseguia escapar.
Quando à tarde do sétimo dia caiu os cinco foram convocados à sala do trono, do lado direito do rei estavam à rainha e Taranor e do lado esquerdo estavam Aravis e Dirceu. O rei usava um manto vermelho e segurava um cetro de ouro.
– È chegada a hora de rumarem ao seu destino – disse Odilon – meu filho, príncipe Noah chega de viagem hoje, ele os acompanhara nessa jornada, e como já o conheço ele ira querer partir o quanto antes.
– Príncipe? – indagou Lina.
Miguel olhou de rabo de olho para a garota e Hugo olhou a feição de Miguel com um leve sorriso irônico no rosto.
– Sim, Noah saiu em uma jornada própria para obter conhecimento – disse o Odilon caminhando até ima enorme janela que havia na sala – ele acreditava que o conhecimento nos daria alguma chance de vencer Magnus.
– Agora vocês devem descansar, seu treinamento acabou – disse Taranor com a voz firme.
– Não vejo mal algum nisso – disse Hugo colocando as mãos atrás da cabeça – já estamos dispensados?
– Como queriam – disse o rei enquanto se sentava novamente em seu trono.
Grifem voltou para a floresta, ele não era muito de conversar e então não disse o que iria fazer, mas para Darcy era obvio que ele iria treinar, Lina estava muito cansada e resolveu ir dormir um pouco, sobrou então Hugo, Miguel que depois de muita insistência de Darcy resolveram levar Ruber para fora do castelo para ele treinar voou.
Ruber foi no braço de Hugo que reclamou o caminho inteiro que estava doendo, a fênix parecia muito feliz por finalmente depois de todos esses dias sair daquele quarto, eles saíram do castelo e seguiram os muros até chegar em um lugar plano e longe de muita gente, era um campo com grama falhada no chão e mais a frente à floresta.
– Vamos ver o que você consegue fazer – disse Hugo fazendo um movimento brusco com o braço jogando Ruber para o alto.
– Nossa garoto você é muito insensível – disse Darcy enquanto estendia os braços para pegar Ruber que caia de vagar enquanto batia as assas.
– Se eu fosse o Ruber toda vez que te visse eu iria te bicar – disse Miguel sentando-se na grama – que péssimo dono ele arrumou.
– Ele que nem se atreva, faço um guisado de fênix em três tempos – Hugo se sentou do lado de Miguel.
Darcy estava com Ruber em seu braço e acariciava sua cabeça, ela estendeu o braço calmamente e então Ruber pulou, o pássaro bateu assas e conseguiu voar por cerca de uns dez metros, Darcy correu até ele com um sorriso mo rosto.
– Parabéns menino – disse Darcy com voz manhosa enquanto Ruber subia no seu braço novamente – você foi muito bem.
Ela estendeu seu braço novamente, no horizonte o sol começava a se por deixando o céu com uma tonalidade laranja, então Ruber pulou, desta vez a fênix bateu as assas o mais forte que pode, Ruber não caiu, tomou mais e mais altura.
– Olha ele conseguiu? – indagou Miguel se levantando em um pulo e correndo até Darcy.
– Já, se eu soubesse que era fácil assim eu mesmo teria o ensinado – disse Hugo andando calmamente até eles.
Ruber tomava mais e mais altura, e em dados momentos pela coloração do céu era difícil distingui-lo.
– Ele esta indo muito longe – disse Hugo serrando seus punhos.
– Eu também acho – disse Miguel olhando preocupado para Hugo.
Hugo começou a correr pela clareira envolta do castelo na direção em que Ruber voara.
– Ruber... Ruber... Ruber... – gritou Hugo com toda força que seus pulmões tinham, mas Ruber havia desaparecido, o sol se pós e a noite cairá, Hugo olhou para o céu mais alguns segundo e voltou em direção aos amigos – ele é um ingrato.
– Não acredito nisso – disse Darcy ainda olhando para o céu.
Hugo continuou andando e passou direto por eles, ele agora voltava em direção ao portão do castelo. Quando um enorme piado pode ser ouvido, ecoado por todos os lugares, era Ruber voltando, Hugo se virou e Ruber voava em sua direção, o garoto estendeu seu braço direito no alto e então Ruber pousou.
Mas Ruber estava diferente, ele estava maior, agora deveria ter quase meio metro, suas penas não eram só apenas vermelhas agora eram mescladas com dourado, a ave estava linda.
– Nunca mais faça isso – disse Hugo dando um tapa na cabeça da ave que foi retribuído no mesmo instante com uma bicada no nariz.
Darcy e Miguel que estavam chegando perto e viram a cena caíram na gargalhada e Hugo depois de fazer sua cara amarrada de sempre não aguentou fingir e começou a rir também.
Eles retornaram ao castelo e naquela noite Hugo não parou de olhar para Ruber até cair no sono, pela floresta viam um pequeno emaranhado de cavaleiros, na frente um carregava a bandeira de Atheos e atrás o príncipe com um elmo dourado.
POV. PRINCIPE.
Eu estava cansado depois dessa longa viagem e tudo o que eu mais queria era voltar a meu lar, o capitão Shismor que me acompanhara em toda essa viagem queria que parássemos e montássemos acampamento assim que o sol se pós, mas eu sabia que não estávamos muito longe de nosso destino e poder imaginar que eu e todos outros dormiríamos em nossas camas novamente me fez contrariar a sua decisão.
Desde que viajei há três anos em busca de algo que tivesse poder de derrotar Magnus eu não tenho noticias de meu pai e de reino. Mas hoje volto com a cabeça erguida para meu lar, pois encontrei deveras talvez um objeto que possa por pelo menos temporariamente impedir que a magia maligna de Magnus se aposse de seu possuidor.
Um colar criador diz a lenda pelo grande dragão que foi estampado na bandeira de meu povo, um poder adormecido que busquei nos mais longínquos mares e pude encontra-lo onde as sereias adormecem.
Agora minha missão e enfrentar o Lorde das Trevas e trazer a luz de volta a meu mundo, cavalgo hoje para retornar ao meu lar, e rumarei sozinho se for preciso ao encontro de meu inimigo para salvar a todas a gerações que ainda virão e as que hoje sofrem, e mesmo contra a vontade de mau pai, amanha com o levantar do sol eu marcharei até as terras negras.
Ao longe já posso ver os muros do castelo, meus olhos estão se enchendo de lagrimas, mas que príncipe eu seria se retornasse como um bebe chorão? Respiro fundo e encho os pulmões, até o ar de Atheos parece ser mais puro.
Ouço o capitão gritar – Abrão os portões, o príncipe Noah retornou. Quase não a como segurar a emoção, o enorme portão começou a se abrir, agora esta a poucos metros de minha família.
Yah... – Gripo para meu cavalo, minha ansiedade era imensa, mal posso acreditar que estou de volta ao aconchego desses muros, posso ver que tudo havia mudado tudo havia crescido, depois de mais alguns minutos meu palácio, não a como explicar o que eu senti.
Os portões logo fora aberto e eu já estava lá dentro, quando desci de meu cavalo minha vontade era correr palácio adentro como eu sempre fazia antes de viajar, passo por alguns corredores, por mais alguns salões e para minha imensa alegria minha mãe me esperava, ela estava com uma cara de sono e de surpresa que me deu vontade de rir, uma serva chegou correndo atrás dela a cobrindo com seu manto vermelho.
Ela ficou me olhando por alguns segundos e então correu até mim, me dando um abraço tão apertado que me tirou o fôlego, ela chorava muito, ao fundo do corredor pude ver meu pai caminhando lentamente com um enorme sorriso no rosto.
– Meu filho – minha mãe colocou as duas mãos em meu rosto e olhou em meus olhos, depois estendeu a mão e me estapeou, meu rosto ficara queimando – isso é para que aprenda a não ouvir somente a seu pai, eu não lhe dei permissão para partir.
– Noah – foi à única coisa que meu pai disse antes de me abraçar juntamente com minha mãe, nesse momento não pude mais conter, lagrimas escorreram de meus olhos.
POV. PRINCIPE.
O dia ainda não raiava e servos já haviam preparado os cavalos, um a um nossos heróis foram acordados, depois de se vestirem e comerem algo eles foram mandados aos portões da cidade. Ao chegar eles viram Grifem, cinco cavalos e mais um homem, o portão foi aberto encobrindo ao grupo com a luz da alvorada.
– È agora que a verdadeira aventura começa – disse Noah enquanto montava em seu cavalo.
Estalagem
Caminhando em direção as montanhas o grupo seguia depois de algumas apresentações de praxe as perguntas sobre a vida de Noah caíam na mesma quantidade que a chuva que os assolava, não era um sensação muito boa cavalgar na chuva, mas Noah sabia que ainda tinham um grande percurso até seu primeiro destino, a cidade dos Elfos.
– Não gosto dele – murmurou Hugo que cavalgava do lado de Darcy no final da fila que havia se formado.
– A cale boca Hugo – disse Darcy em tom alto e com feição de raiva – você só gosta de si mesmo... IÀ – a ninfa gritou para seu cavalo fazendo-o andar mais rápido deixando o garoto para traz.
– Era só o que me faltava, o que esta acontecendo com ela agora? – se perguntou o loiro em pensamento.
Mais a frente Miguel e Noah conversavam, o príncipe contou-lhe sobre sua viagem ao extremo sul em busca de algo que obtivesse poder suficiente para deter a magia de Magnus e sobre as historias que ouviu no mar, ele lhe contou sobre as sereias do mar verde que tomaram uma de suas embarcações, sobre as ilhas cinzentas que reza a lenda guarda o fogo do grande dragão, contou-lhe sobre os guerreiros de Templarium, um das civilizações mais antigas daquele mundo, uma nação formada por grandes cavalheiros e paladinos.
Contou-lhe sobre as batalhas contra povos bárbaros que tiveram e por fim contou-lhe sobre onde encontrara o colar, numa ilha cercada por sereias, em um templo dentro de um enorme paredão de pedra guardado por ciclopes.
Aquilo tudo era musica para os ouvidos de Miguel e claro que de Grifem e Lina que vinham logo atrás também. Ruber os acompanhava voando, e especialmente para ele a chuva não era nada agradável.
Eles já não seguiam mais em mata fechada, agora eles seguiam em uma planície com mata baixa dando vista ao longe para as montanhas, cerca de mais de meio dia se passou nessa situação, a essas alturas Ruber estava junto com Hugo no cavalo, pois as penas do pássaro estavam molhadas de mais para prosseguir voando.
Todos estavam exaustos e famintos, Hugo então não parava de reclamar e sinceramente não sei como Grifem não cortou a cabeça dele fora, o centauro pensou nessa possibilidade por mais de uma vez, para sorte de todos logo à frente eles avistaram algo que pareceu o céu aos seus olhos, uma estalagem, não parecia ser uma das melhores, mas os salvaria do mal tempo e quem sabe depois de encher a barriga de Hugo ele não se calasse.
Eles foram logo para o estábulo, encontraram lá um velho senhor até muito simpático, Grifem preferiu ficar por ali mesmo com Ruber, ele sabia que chamaria muita atenção desnecessária se percorresse as instalações da estalagem, mesmo com Noah insistindo muito o centauro não aceitou.
A primeira impressão do lugar mudou completamente para Lina quando ela entrou pela primeira porta e deu de cara com uma taberna, um lugar escuro e aparentemente sujo, empesteado por homens de idade mais avançada mal encarados e varias mulheres de meia idade se insinuando.
– Um bordel, eu não fico aqui de jeito nenhum – exclamou Lina já se virando para porta de saída, mas antes que ela pudesse fugir dali e voltar para o estábulo Noah a segurou forte pelo braço.
– È o que temos, dê-se por satisfeita – esbravejou o príncipe.
Miguel o olhou com outros olhos por alguns segundos, mas antes que ele pudesse formar qualquer opinião precipitada um dos homens se dirigiu a Darcy a imprensando contra a parede tentando a beijar, o idiota estava bêbado.
Tomado pelo impulso Hugo mais que depressa sacou uma de suas facas a colocando no pescoço do homem, péssima atitude naquele lugar.
– Solte-a agora ou eu corto sua garganta imbecil – O olhar de Hugo estava determinado, acho que a única pessoa ali que se assustou mais com a reação do garoto do que o bêbado foi Darcy que agora estava com os olhos arregalados.
Darcy serrou os punhos e acertou a cara do homem com toda a força que pode, o homem no mesmo instante foi ao chão, agora era Hugo o impressionado, ele arregalou os olhos e olhou para Darcy que simplesmente deu de ombros e sorriu forçadamente.
Agora a atenção de todos estava focada neles, mulheres e homens, todos ali os encarando com razão, Noah começou a andar na frente dos outros, eles seguiram caminhando lentamente até o balcão, o silencio que pairou ali agonizava o príncipe.
Ao chegar ao balcão um homem de jaleco que deveria ser branco, mas estava mais para amarelo ovo se aproximou passando um pano em um copo.
– O que vocês querem? – perguntou o homem com uma voz mais intimidadora do que a situação.
– Nos só queremos algo para comer e um lugar para dormir meu senhor – disse Noah com a voz baixa e sem olhar nos olhos do homem em momento algum.
– Se tem como pagar pode se sentar em qualquer lugar e uma mucama resolvera o resto. – disse o homem dando as costas para ele, para o alivio deles todos em volta voltaram a conversar e pararam de encará-los, exceto alguns homens que ainda insistiam em olhar para Darcy, venhamos e convenhamos com razão.
Eles se sentaram a mesa e logo uma moça mais jovem que todas as outras ali veio os atender, ela usava um vestido vermelho escuro, quase rubro, seus cabelos eram muito encaracolados e ela estava visivelmente cansada, mas isso escondia sua beleza, seu rosto era delicado e seu corpo era incrível.
– Em que posso servi-los? – perguntou a moça em voz baixa e com um tom um pouco temeroso.
– O que você tem para comer? – perguntou Hugo com os olhos brilhando.
– Temos carne, bolo de trigo, maças e sopa. Para beber temos gim, rum, hidromel e leite. – respondeu a mulher sem olhar diretamente para eles.
– Acho que eu vou querer esse bolo e leite – disse Lina olhando para os outros.
– Acho que para mim também – disse Miguel curvando as sobrancelhas, ele sinceramente esperava mais.
– Eu vou querer Hidromel e carne – disse Noah fazendo com que todos o olhassem com estranheza.
Os outros pediram o bolo e leite também, logo Hugo se calou, ele estava com a boca cheia, na verdade o leite era imensamente gorduroso e o bolo estava super seco, mas a fome fez com que todos achassem que aquilo era um banquete.
A moça que os atendeu passava por eles carregando uma bandeja quando sem querer acabou tropeçando e derrubando tudo, o homem de jaleco pulou o balcão e a agarrou pelo braço.
– Sua vadia, já cansei de lhe dizer para prestar atenção no serviço — disse o homem já levantando a mão para bater na moça, mas antes que ele pudesse acerta-la Noah agarrou seu braço.
– Você não quer fazer isso – disse Noah em um tom firme.
O Homem soltou a moça e depois de bufar voltou ao balcão, à moça mais que depressa pegou um pano e começou a limpar o chão do lado da mesa do grupo.
– Obrigado meu senhor – disse a moça tímida.
– Não a de que, qual é o seu nome? – perguntou o príncipe.
– Meu nome é Elza – disse ela se levantando e saindo de perto deles.
– Pra quem não queria chamar atenção – disse Hugo com sarcasmo.
– Eu acho que devemos encontrar outras vestimentas para Darcy o quanto antes – indagou Noah fazendo pouco do comentário de Hugo.
– Por quê? O que há de mais nas minhas roupas? – disse Darcy assustada.
– Você ainda pergunta? O homem que a atacou não serviu como lição suficiente? Então é só olhar em volta, todos os homens aqui estão te olhando – disse Lina em tom alto, ela parecia uma mãe defendendo a honra da filha.
– E não só por isso, ninfas não são vistas em todos os lugares, eu relutei um pouco quando me disseram que uma ninfa viria, mas depois que descobri que você era uma Elemental mudei de ideia – disse Noah enquanto mastigava uma enorme coxa de frango – temos que arrumar vestes que escondam o seu... Hã, “brilho natural” entende.
– Bom, eu vou levar bolo para o Grifem e acho que Ruber também pode comer isso, eles devem estar morrendo de fome também – disse Miguel se levantando com um prato super cheio nas mãos.
Ele caminhou até a porta e seguiu até o estábulo, Grifem estava no chão com as pernas dobradas, Miguel não estranhou a cena, pois já havia visto o centauro daquela forma antes, mas era realmente uma coisa muito estranha, Ruber estava em cima de uma viga no teto do estábulo, o lugar fedia um pouco, havia cerca de mais sete cavalos ali.
– Trouxe isso aqui para você e pro Ruber, não tinha muita opção La dentro – disse Miguel estendendo o prato para Grifem que logo pegou um pedaço e abocanhou.
– Fui criado de uma maneira que me impede de desvalorizar qualquer alimento – disse o centauro enquanto colocava um pedaço do bolo no chão.
A cada dia que se passava Miguel ficava mais preocupado com a vida que deixara em Portugal, ele temia nunca mais ver seus pais e viver sua vida normal, ele chegava a sentir falta da rotina monótona.
– Você acha que algum dia eu vou ver minha casa de novo – disse o garoto de cabeça baixa enquanto se sentava em um monte de feno.
Grifem o olhou e percebeu a melancolia que o garoto se encontrava – Olha, eu aprendi a acreditar em muitas coisas, não acho impossível, se vocês conseguiram chegar provavelmente haverá um modo de voltar, pode ser difícil, mas se for o destino de vocês voltar vocês voltaram – consolar não é uma das artes dominadas por centauros pensou Miguel.
Ruber desceu voando e começou a bicar o pedaço de bolo que Grifem havia posto no chão com grande voracidade, o pássaro estava realmente faminto.
– O que você achou de Noah? – perguntou Miguel tentando continuar a conversa.
– Não tenho muito que achar, ele ficou anos fora do reino, eu não o conhecia antes de partir, mas creio que ele deve ter mudado bastante – disse grifem depois de dar uma longa golada no leite – só espero que ele esteja certo sobre aquele colar.
– Que tipo de magias Magnus domina? – perguntou Miguel.
– Ele é um Elemental do metal e domina magias das trevas – respondeu Grifem.
– Pra ser sincero esse é o único elemento que eu não entendo bem como é dominado, quando vi Darcy dominando a floresta e o Orc o fogo pude imaginar os outros, mas como é a dominação do metal? – Perguntou Miguel curioso.
– O metal é o elemento mais raro na dominação, ouvi falar de apenas doze dominadores em toda a historia de Atheos dentre eles oito reis – disse grifem dando uma pausa para mastigar mais um pedaço – o metal na verdade não é mesmo como os outros, o domador do metal ganha uma força extraordinária e invulnerabilidade a quase todos os tipos de armas conhecidas, o dom faz com a arma do domador seja quase como um membro de seu corpo.
– Nossa – exclamou Miguel – esse é o elemento mais poderoso.
– Não se deixe levar por pensamentos assim, não existe um elemento mais poderoso que o outro – disse Grifem se levantando – o que diferencia é o modo como ele é usado Miguel.
Grifem parecia tão sábio aos olhos de Miguel, como aquela criatura poderia parecer tão majestosa, era realmente muito diferente como as coisas naquele mundo funcionavam.
A noite já havia caído e o grupo estava exausto, agora de barriga cheia a sonolência os dominava, como aquele senhor havia lhes dito uma mucama os levou até seus quartos, eles pediram dois, um para Lina e Darcy e um para Miguel, Hugo e Noah.
– Essa cama é minha — disse Hugo se sentando na cama de solteiro perto da janela.
– È, então parece que dormiremos juntos – disse Noah para Miguel enquanto olhava para a cama de casal que os restava.
– Tanto faz desde que possamos descansar – resmungou Miguel tirando os sapatos – mas me preocupa Lina e Darcy sozinhas, e se algum outro atrevido resolver atacar de novo?
– Acho que você não tem que se preocupar com isso Miguel – respondeu Noah com um sorriso no rosto – as duas são elementais e Darcy tem um ótimo gancho de direito pelo que vi.
Hugo bufou nesse momento – ainda não compreendo como Lina pode ter se tornado uma Elemental da noite para o dia.
– Essas coisas são assim mesmo, alguns já nascem sabendo que tem o Don, outros só descobrem depois de anos, e outros nunca chegam a descobrir – indagou Noah se deitando.
Depois de mais algum tempo de conversa não demorou muito para que os três caíssem no sono, já era tarde da noite quando alguém batendo na porta do quarto os acordou, Miguel e Noah se entre olharam na cama e Hugo se assustou, acordou dando socos no ar.
Mais uma vez alguém bateu na porta, só que desta vez bem mais forte, Noah pegou sua espada e se levantou Miguel fez o mesmo e Hugo apenas puxou uma de suas adagas de cima de um móvel do quarto.
Noah olhou para eles e abriu a porta de uma vez, para surpresa dos três quem estava na porta era a Elza, ela estava claramente assustada.
– O que esta havendo? – perguntou Noah com rispidez.
– Vocês precisam fugir – respondeu a mulher ofegante.
– Fugir de que agora? — perguntou Hugo se levantando da cama – era só o que faltava.
– Os cavaleiros de Odilon estão ai em baixo – respondeu a mulher puxando Noah pelo braço.
– Droga – exclamou Noah – peguem suas coisas depressa.
A mulher entrou no quarto e começou a ajudar Hugo e Miguel, enquanto isso Noah se dirigiu até o quarto das garotas que ficava no final do corredor, ele começou a bater e a chamar desesperadamente, Lina atendeu com os olhos inchados.
– Noah – exclamou a garota sem entender nada.
– Arrumem suas coisas, estamos em perigo – disse o príncipe adentrando o quarto e balançando Darcy na cama.
Menos de dois minutos depois e eles já estavam no corredor atrás de Elza, ela os guiava para uma saída secreta que só os funcionários conheciam, do outro lado da estalagem os cavaleiros arrasavam tudo, eram nítidos os gritos desesperados das pessoas agora.
Eles chegaram a um pequeno salão onde havia uma grande janela, algumas cadeiras e duas mesas, Elza seguiu até uma parede e começou a mexer na madeira procurando a entrada, Lina correu até a janela para ver o que acontecia no resto do lugar.
Seus olhos não podiam acreditar no que viam, três homens vestindo armaduras negras e varias pessoas correndo, a estalagem da frente onde ficava a taberna estava em chamas e os cavaleiros matavam todos que passando perto deles, suas espadas eram da mesma cor da armadura, mas porem tinham um brilho avermelhado.
O homem que tentara mais cedo beijar Darcy segurava uma espada com a lamina curva, ele correu em direção a um dos cavaleiros, mas antes de conseguir desferir um golpe o cavaleiro mais próximo decepou sua cabeça com um golpe apenas, Lina gritou assustada fazendo com que um dos cavaleiros a visse na janela, o mesmo apontou para ela e os outros também a viram, no outro instante eles já começaram a correr em direção da entrada da estalagem que ela estava.
Elza finalmente achou a entrada para o lugar, ela puxou uma madeira mostrando uma escada que dava para o um túnel embaixo do lugar.
– Vamos rápido, essa passagem vai dar na floresta – disse Elza já começando a descer.
Logo depois de Elza Miguel ajudou Darcy a descer e em seguida Noah ajudou Lina, Hugo empurrou Noah e desceu ficando apenas ele e Miguel na sala.
– Vamos rápido Miguel, eu fecho a passagem – disse Noah.
– Eu não vou, Grifem ainda esta aqui e correndo perigo – disse o garoto.
– Não temos tempo para isso – disse Noah pegando no braço do garoto.
Hugo parou na escada suspirou e começou a subir a mesma – eu realmente não sei por que me preocupo – resmungou o garoto.
– Grifem sabe se cuidar sozinho seu idiota – disse Noah puxando o garoto com força.
– Eu vou ficar já disse – gritou Miguel.
Hugo pegou Noah pelo braço e o puxou até a saída secreta – você não quer ir principezinho? Vá – disse o garoto rispidamente.
Noah os olhou com olhos serrados e começou a descer as escadas fechando a entrada atrás dele.
– Qual é o seu plano? – perguntou Hugo correndo para a janela.
– Plano? – disse Miguel gargalhando logo depois.
Um barulho de porta os assustou, eram os cavaleiros vindo pelo começo do corredor.
– Só tem uma saída – disse Hugo pulando a janela.
– Merda – exclamou Miguel pulando sem olhar.
Hugo havia caído no chão, por sorte a queda não o machucou muito apesar de a janela ser no segundo andar da estalagem, o que mais o machucou foi Miguel cair bem em cima dele. Miguel se levantou depressa e ajudou Hugo a se levantar, o loiro agora mancava.
– Vamos, Grifem estava bem ali na frente – exclamou Miguel.
Na janela apareceram os três cavaleiros que Lina havia visto antes, eles olharam e logo voltaram para a entrada, eles preferiram não arriscar, mas antes que Miguel e Hugo pudessem ficar mais aliviados mais um cavaleiro saiu do estábulo.
Miguel sacou sua espada e foi de encontro ao cavaleiro, o garoto desferiu um golpe mais baixo, mas o cavaleiro não teve dificuldade de desviar, ele revidou dando um golpe superior desviado por Miguel por um golpe rápido, os dois eram bem rápidos e o barulho do choque de suas espadas era bem nítido.
Hugo aproveitou a ocupação do cavaleiro e correu para o estábulo, La estava Grifem amarrado no chão com um corte enorme em seu braço direito, Ruber logo apareceu voando.
– Grifem – exclamou o garoto – como você esta?
– Péssimo – respondeu o centauro enquanto Hugo cortava suas amarras.
– Vai Ruber Miguel vai estar em sérios problemas daqui a pouco – disse o loiro adentrando mais o estábulo.
O cavaleiro desferiu um golpe superior que foi defendido por Miguel erguendo sua espada, o cavaleiro então aproveitou a oportunidade e chutou a barriga do garoto o fazendo cair, Ruber se pôs na frente do cavaleiro usando suas unhas para tentar acertar os olhos do mesmo, mas o elmo o atrapalhava.
Os outros cavaleiros voltaram e grifem saiu do estábulo, seria uma batalha desleal.
Na floresta a alguns metros do lugar um alçapão coberto por folhas se abria, Noah era o primeiro a sair empunhando sua espada olhando tudo em volta.
– Estamos seguros, vamos saiam – disse o príncipe.
– Eu voltarei lá, quem eles pensam que são? – gritava Lina saindo do túnel.
– Como aquele idiota do Hugo é arrogante – gritava Darcy saindo logo atrás.
– Ninguém vai voltar La – disse Noah.
– Você e que exercito vai me impedir? – disse Lina já caminhando de volta para a estalagem.
Elza não acreditava no que via, Noah Bufava de raiva, Darcy começou a correr atrás de Lina, as duas não deixariam os amigos para trás.
Ponto de vista
Pov Miguel
Minha espada estava no chão a alguns centímetros que mais se pareciam com metros, minha barriga doía muito, o chute que esse maldito cavaleiro havia me dado foi realmente muito forte, não sei o que seria de mim se Ruber não houvesse aparecido, não foi difícil perceber que os outros cavaleiros estavam chegando, o barulho de suas botas de ferro batendo no chão era gritante.
– Aqui seus idiotas... aqui...
Essa voz não foi difícil de reconhecer, por que Grifem esta chamando a atenção para ele? Idiota, isso tudo para salvar ele e agora isso? Eu me esforcei um pouco e me pus de joelhos, sinceramente no chão estava bem melhor, o cavaleiro que antes eu lutava agora estava mais preocupado com Ruber, dois cavaleiros passaram correndo por mim.
– Grifem — gritei em desespero.
Mas naquele momento eu tinha mais com que me preocupar, o terceiro cavaleiro estava atrás de mim, não demorou muito para ele me chutar e eu voltar ao chão, à única coisa que consegui fazer foi engatinhar até minha espada, a segurei com força e senti novamente outro chute, o cavaleiro erguia sua espada, eu sabia o que viria agora, eu podia ouvir meu coração batendo e os gritos das pessoas que estavam feridas em volta, o barulho de espadas que eu supunha vir de Grifem, parecia tudo perdido, mas antes que o cavaleiro conseguisse desferir seu golpe uma faca atirada de trás de mim acerto-o na fissura do elmo que corresponde aos olhos, que por ventura eu não conseguia ver.
– Hugo – foi a única coisa que pude dizer.
Da armadura começou a sair muita fumaça, o que era aquilo? A faca de Hugo caiu no chão e logo em seguida a armadura se desmontou, não havia nada dentro dela, como aquilo era possível? Será possível que esses cavaleiros não passem de magia negra?
Olhei para traz e vi Hugo montado em seu cavalo lutando contra um deles usando uma das espadas de Grifem, enquanto isso Grifem mesmo ferido lutava contra dois, Ruber estava la também, ele ajudava muito grifem naquele momento, pássaro destemido pensei, pus minha espada à frente de meu corpo e a usei como apoio para me levantar, respirei fundo por duas vezes e corri em direção a eles.
Aproveitei que um deles estava mais afastado e que Ruber o distraia e o ataquei por trás, pulei em suas costas e coloquei a espada em seu pescoço, a armadura era gelada e o cavaleiro se debatia muito, era especialmente difícil por ele ser mais alto do que eu, quem não era também, e meus pés não tocavam o chão, minha mão estava sendo cortada por segurar a ponta da espada, minha vontade era soltar logo aquilo, apoiei meu joelho nas costas deles e então fiz mais força, a espada atravessou o que seria o pescoço dele.
Novamente a fumaça negra começou a sair e eu fui ao chão junto com as peças da armadura, no chão novamente vi que Hugo havia caído de seu cavalo e o cavaleiro ia em sua direção, agora ele se via na mesma situação que eu em momentos atrás, mas como eu poderia o ajudar? Ruber voou até o cavaleiro tentando o atrasa, mas desta vez o pássaro foi atingido por um forte soco que o jogou a cerca de uns dois metros de distancia, o cavaleiro ergueu sua espada e novamente Ruber apareceu como um raio.
– Ruber – gritou Hugo.
Eu me levantei e Hugo também, corri até ele e acenei com a cabeça, ele fez o mesmo sinal e corri em direção ao cavaleiro, eu cravei minha espada no pé dele e logo Hugo o acertou com uma voadora no meio do peito fazendo-o cair, então tirei minha espada do chão e acertei o pescoço dele, novamente a mesma fumaça preta aparecia.
Grifem... Foi à primeira coisa em que pensei, quando me virei pude ver que ele havia também derrotado seu oponente, mas diferente de mim e de Hugo ele não estava nada bem, ele caia de joelhos, dobrando primeiro suas pernas da frente, depois caiu meio de lado ao chão.
Hugo e eu corremos até ele, coloquei minha mão sobre ele, mas acabei o sujando mais de sangue, só então percebi que o corte em minha mão era profundo, o corte no braço de Grifem era imenso em comparação, e agora ele tinha mais um na sua perna direita e um leve em seu rosto.
– Seu idiota você não estava em condições de lutar – disse Hugo, eu o conhecia bem o suficiente para saber que ele estava muito preocupado.
– Minha missão é proteger vocês enquanto eu puder – respondeu grifem.
– Você vai ficar bem meu amigo – disse eu segurando para não chorar, eu queria me mostrar forte como Hugo naquela situação.
Pude ouvir duas vozes femininas gritando ao longe, era Lina e Darcy que vinham correndo, logo elas chegaram até nos e Lina emotiva do jeito que só ela é caiu logo em lagrimas.
Grifem – disse ela o abraçando – não vai me deixar assim.
– Eu posso cuidar de seus ferimentos – disse Darcy com os olhos cheios de lagrimas – só preciso encontrar algumas ervas medicinais, isso não deve ser tão difícil por aqui.
Eu abracei Lina e ela retribuiu o abraço chorando em meu ombro.
– Calma Lina ele vai ficar bem, ele é muito forte – consolar não era mesmo um de meus dons.
Não demorou muito e Noah apareceu com Elza.
– Eu sabia que era loucura isso – disse Noah com os nervos aflorados – uma garota chorona, dois garotos imbecis, uma ninfa e um centauro contra as forças das trevas, isso só podia acabar em morte.
Vi quando Hugo serrou os punhos e se levantou, ele estava ajoelhado do lado de Grifem, ele caminhou até o príncipe e o acertou um soco no rosto.
– Olha aqui principezinho – disse ele acertando outro soco – você pode até ter “estatus” e um nome real, mas isso esta longe de te tornar melhor do que qualquer um de nos aqui – Hugo o empurrou usando suas duas mãos fazendo Noah cair, ele estava sem reação – pelo contrario, nos garotos imbecis mostramos muito mais coragem que você, a garota chorona e a ninfa têm muito mais poder do que você pensou em ter um dia, elas não são frágeis e muito menos indefesas, e o centauro, ele tem muito mais honra do que sua coroa lhe trará um dia. Vem Ruber, me deixa ver se você esta machucado – disse ele se afastando do grupo.
– Quem é aquele e o que ele fez com nosso Hugo? – perguntou Lina de queixo caído.
– Eu... Eu... Desculpem-me – disse Noah sentado no chão de cabeça baixa.
O céu trovejou e então a chuva começou a cair novamente começando a apagando o fogo da estalagem.
Pov Hugo
Que ódio daquele metido, quem ele pensa que é? Odeio gente que se acha de mais, não, e eu sei que quem vai sair como errado da historia vai ser eu, é sempre eu, sou sempre eu o ruim, o sem etiqueta, o bruto. Era só o que faltava, essa chuva logo agora, eu não vou voltar agora, não estou nada a fim de levar sermão, e a Darcy ainda esta estranha comigo, o que eu fiz pra ela?
Voltei para dentro da parte da estalagem onde a gente estava dormindo, ao entrar pela porta vi uma das mulheres que tinha visto mais cedo na parte do bar morta no chão, meu estomago se revirou, foi naquela hora que a Lina gritou e eles vieram atrás de nos que isso deve ter acontecido.
Subia as escadas para o segundo andar onde estava nosso quarto, nem sei por que estava fazendo tanta questão de voltar para aquele quarto, qualquer um estaria vago a essas alturas da confusão, mas ele me parecia mais amigável.
Sentei-me na cama e peguei o lençol da cama de Miguel para me enxugar e enxugar Ruber, ele parecia estar bem, por exceção de uma marca de sangue que encontrei em suas penas, e foi um pouco difícil perceber pela cor da plumagem, bom, não parecia nada serio.
Encostei o travesseiro na parede e me sentei meio deitado, Ruber se encolheu todo e colocou sua cabeça dentro de sua asa direita, que cena estranha, eu estava cansado e irritado, fiquei um bom tempo assim, tentando esvaziar a mente para me acalmar, meus olhos estavam pesados, depois de um longo bocejo percebi que havia luzes estranhas vindas da janela, caminhei até La e não pude acreditar no que vi.
Estava tudo em chamas, a estalagem inteira, o estábulo e a mata em volta, tudo estava pegando fogo, corri para o lado de fora o mais depressa possível, mas ao sair pela porta principal me vi envolto por nevoa, eu não conseguia ver mais do que um palmo na minha frente.
– Lina, Miguel, Grifem, Alguém – gritei com toda força de meus pulmões, mas ninguém respondeu.
Caminhei durante algum tempo, tempo que eu não soube distinguir, e então bati em algo baixo, era uma mureta de pedra, a nevoa então começou a se desfazer, comecei a ouvir grunhidos e gritos, pude ver que na verdade estava no topo de uma muralha alta e que do meu lado estava Lina com um corte no rosto, usando uma armadura prateada segurando seu arco pronta para atirar, ela estava linda, nunca reparei que ela era tão linda na verdade, então um trovão cortou os seus, fazendo a nevoa sumir, assim puder ver tudo em minha volta.
Eu estava no topo de uma muralha sim, mas não qualquer, a muralha do castelo de Atheos, do meu lado estavam centenas de arqueiros e guerreiros, abaixo de nos um exército enorme, cavaleiros negros, orcs e outras criaturas nojentas que eu não conhecia, nos céus haviam criaturas também, elas tinham asas de dragão, corpo de leão, e três cabeças, uma parecia de uma serpente, a outra do meio parecia a de um leão e a do lado esquerdo parecia a de um bode.
A batalha então começou, o exercito negro tinha escadas que foram logo colocadas nos muros, os arqueiros tentavam a todo custo para-los, mas a armadura dos cavaleiros quase não havia pontos fracos, os orcs e as outras criaturas eram facilmente atingidas, mas eram necessárias mais de três flechas para derruba-los.
As criaturas que estavam nos céus para minha surpresa cuspiam fogo e logo já estavam em cima de nos.
– Lina – exclamei.
– Finalmente chegou a hora da batalha final Hugo – ela disse com o olhar firme, ela puxou mais a flecha que estava em seu arco e então ele começou a brilhar, o mesmo brilho que havíamos visto nela naquele mesmo castelo, ela foi envolta por ventos, e então ela soltou, a flecha luminosa cortava os céus envolta por ventos, era como se a flecha cortasse o ar, quando ela acertou um cavaleiro foi como se uma explosão de ar acontecesse, vários orcs e cavaleiros foram jogados longe pelo impacto.
Senti agora a mesma sensação de queda que senti quando cheguei a Atheos, agora eu estava em um lugar horrível, era uma planície envolta por montanhas, no centro da planície existia um castelo negro, e em volta do castelo havia um exercito igual ao que atacava Atheos , eu podia ver tudo do alto como se estivesse voando, fui puxado por uma força até uma das torres do castelo, ela era a mais alta e ficava no centro dele.
Meus olhos se arregalaram quando vi Miguel usando uma armadura branca luminosa erguendo sua espada e nela estava amarrado o colar que Noah havia trago do extremo sul e na frente de Miguel estava um cavaleiro negro, mas este era diferente de todos os outros que eu havia visto, sua armadura possuía dois chifres nos ombros, suas extremidades eram pontiagudas e com certeza era muito grande, cerca de dois metros e meio de altura.
Por de trás da torre apareceu voando um enorme dragão dourado, suas enormes asas esconderam o topo da torre onde eles estavam, o dragão abriu sua boca e cuspiu fogo, fogo que veio em minha direção, só pude proteger meu rosto com as mãos, logo eu estava encoberto pelas chamas mas elas não me queimavam, na verdade eu me sentia bem como nunca havia me sentido antes, foi quando senti novamente a sensação de queda, e me vi em cima da cama do quarto.
– Um sonho... – exclamei.
Foi quando percebi que a perna da minha calça estava pegando fogo, dei um pulo da cama e sacudi a perna para apagar o fogo, Ruber acordou assustado, suspirei e corri até a janela, havia parado de chover e não, não tinha nada pegando fogo, até mesmo a estalagem a frente já estava só as cinzas, procurei Grifem no chão, mas não o vi então resolvi descer e os procurar, certamente estariam preocupados comigo.
Pov Lina
Eu estava sentada em cima de um balde virado de cabeça para baixo, Grifem estava deitado no chão e Darcy estava passando uma papinha que ela tinha feita com ervas nas feridas de Grifem, Miguel estava cuidando dos nossos cavalos, e que cheiro de cavalo insuportável.
– nem sei por que estou me importando com isso, afinal de contas estou no lugar deles não é? Pensei me repreendendo.
O senhor simpático que cuidava dos cavalos havia desaparecido com a confusão, sinceramente, o que mais me incomoda em horas assim é esse silencio, Noah estava mais para o fundo do lugar, provavelmente envergonhado.
– Bom, então o que faremos agora? – perguntei quebrando o silencio.
Darcy me olhou com uma feição triste.
– Vamos continuar, não temos outra escolha temos? – respondeu Miguel.
– Por sorte os machucados de Grifem não foram tão sérios, ele estará bom em cerca de dois dias, estas ervas fazem milagres – disse Darcy.
– Sua mão Miguel, você tem que cuidar dela também – disse preocupada, ele estava muito serio, normalmente ele é tão alegre.
Hugo entrou pela porta, trazendo Ruber.
– Onde você foi? – perguntei.
– Eu estava esfriando a cabeça – respondeu ele caminhando até grifem – e como você esta cara de cavalo?
– Eu vou sobreviver – respondeu Grifem.
– È bom saber disso – respondeu Hugo se sentando no chão ao meu lado.
– Foi muito legal o que você disse mais cedo – eu disse para Hugo, ele realmente mereceu o elogio.
Ele me olhou com aquele sorriso lindo e não disse nada, ele é marrento, mas tem bom coração, ele sempre brigou no colégio para defender eu e o Miguel, devo muito a ele, me lembrando do colégio me lembrei daquela situação que nos encontrávamos.
– O que vocês acham, quando a gente voltar será que estaremos dentro do Sufoco ainda? – perguntei olhando para Hugo e Miguel.
– Sinceramente espero que não, ficamos desaparecidos por tanto tempo que eu to é preocupado com a desculpa que vou dar pros meus pais quando chegar em casa, só quero ver explicar que eu estava em um mundo mágico, vou levar uma surra e ainda vou ser internado por insanidade mental – disse Hugo ainda sorrindo.
– nem sei se vamos voltar algum dia – disse Miguel de costas – temos mais preocupações agora.
Miguel estava péssimo, acho que o que aconteceu com Grifem o afetou muito, nunca vi ele sendo pessimista, esse era sempre Hugo, acho que eu deveria me preocupar mais com a situação, eu tenho que crescer.
– Eu tenho que ficar forte – exclamei sem perceber.
– Não se preocupe Lina, eu sei que você vai ficar muito forte, tenho um palpite sobre isso – disse Hugo baixinho.
Percebi que Darcy estava nos olhando e fiquei sem graça, tava todo mundo estranho, só queria mesmo que esse dia acabasse.
A Floresta do crepúsculo
Quando o amanhecer de um novo dia surgiu eles continuaram sua jornada, a frente deles havia uma floresta com arvores tão altas que faziam a luz do sol mal poder se esgueirar entre elas, o cheiro de terra molhada e de folhas secas dominava o lugar. Ainda havia um leve nevoeiro quando eles finalmente partiram da estalagem deixando grifem para trás.
Eles percorreram enormes planícies até que por fim viram ao longe a enorme floresta de arvores gigantes. Noah estava mais a frente guiando o grupo sobre as enormes raízes das arvores, enquanto Ruber voava solenemente com assas enormes abertas entre as arvores, Lina, Hugo e Miguel estavam pasmos com a visão dos troncos e raízes gigantescos, a floresta era silenciosa, o único som a percorrer o infinito a frente deles era o som das folhas e da madeira estalando em sua volta.
– Que tipo de monstros vivem aqui – perguntou Hugo passando a mão nas costas para conferir se ele ainda estava com a espada que pegou de Grifem.
Darcy gargalhou – è obvio não, gigantes – gritou ela com todo o ar de seus pulmões, a voz da ninfa ecoou pelas arvores e pássaros ao longe alçaram voou fazendo grande estardalhaço com o som do se bater de assas, Ruber mudou o curso de seu majestoso voou e iniciou a caça.
– Você esta louca? Com gigantes e você berrando – a repreendeu Miguel assustado.
Noah e Darcy gargalharam juntos – Não se preocupe meu jovem, sua inocência me diverte – disse Noah – por fim, gigantes são civilizados a sua maneira, nunca feririam humanos, mas já quanto a Orcs e cavaleiros negros.
– Estamos seguros – afirmou Darcy – enquanto por essas terras caminharmos, sejam bem vindos a floresta do crepúsculo.
– Por mim que fosse da alvorada – reclamou Hugo – eu não gosto da ideia de gigantes.
Lina tirou seu arco das costas e colocou uma flecha em posição, fechou seus olhos e a fecha se iluminou, ventos começaram a correr dentre eles, os cavalos se assustaram e então Lina soltou a flecha, ela voou por alguns metros e se enterrou quase completamente no tronco de uma arvore.
– Você esta ficando boa nisso – disse Darcy a olhando de seu cavalo – seus poderes estão se desenvolvendo muito rápido, isso não é normal para ninguém de Atheos.
– Não se esqueça Ninfa – afirmou Noah – eles se parecem conosco, mas não são como nos.
Miguel suspirou.
Os cavalos estavam agitados, agora eles passavam sobre uma enorme raiz que servia como ponte sobre um enorme precipício negro, Ruber mergulhou de súbito na escuridão fechando suas assas, Hugo gritou, e o cavalo quase o derrubou. A raiz era grande o suficiente para que cinco cavalos atravessassem lado a lado, mas sua forma quase cilíndrica e o musgo que a cobria tornava a travessia perigosa.
Instantes depois uma cortina negra de morcegos subiu voando, passando pelo lado direito do grupo, Ruber os prosseguia e por alguns instantes suas assas quase se incendiaram novamente – Você viu aquilo – disse Miguel a Hugo sorrindo.
Hugo sorriu e gritou – Pegue-os garoto.
Do outro lado da raiz se iniciava uma estrada de pedras cristalinas, que reluziam com o toque da luz do sol – É melhor descermos dos cavalos nessa parte do percurso – advertiu Noah.
Lina passou a perna de um lado para outro com dificuldade por causa de vestido e escorregou do cavalo dando um gritinho quando se encontrou com o chão, já Darcy com um malabarismo se jogou para o lado caindo com uma pluma no chão.
– Então, para onde exatamente estamos indo principezinho? – perguntou Hugo saltando sobre um galho estendido sobre a estrada.
– Precisamos de armas para derrotar o exercito negro – disse Noah – armas Elficas.
Hugo riu sarcasticamente – claro, e de preferencia ainda vamos passar na cidade dos anões?
– Na verdade quem forja as armas para os Elfos são os anões, eles são cervos dos Elfos e normalmente trabalham em suas minas – disse Darcy, Hugo grunhiu de espanto – então eles não tem bem uma cidade.
– Deveríamos começar uma revolta anã, eles não podem viver a eternidade sendo subjugados pelos Elfos – afirmou Hugo sacando a espada e a erguendo sobre a cabeça.
– Cuidado com o que diz garota humana – disse uma voz ecoando entre as arvores, Hugo se pós em posição de batalha, Miguel e sacou sua espada e Lina se disparou ficando do lado de Darcy, e então uma gargalhada se estendeu por seus ouvidos, a voz era alta e rouca.
Barulho de madeira sendo quebrada e passos correram por todos os lados – Apareça – gritou Miguel, e então a risada novamente pode ser ouvida.
E de ante de seus olhos, o enorme homem vestido com uma enorme bata de peles e com uma enorme barba negra apareceu, um gigante, ele muito se assemelhava a um humano, talvez um humano parrudo, com cerca de oito, nove metros de altura, com dedos gorduchos e com olhos totalmente pretos, mas ainda sim um humano.
– Grande – sussurrou Miguel olhando para cima pasmo, suas pernas tremiam, a criatura era realmente extraordinária.
O gigante então se aproximou de Noah e se curvou, ainda sim sendo três vezes maior que o príncipe – Vossa alteza! – exclamou o gigante em uma reverencia.
– Argus – disse Noah com um sorriso no rosto – ha quanto tempo velho amigo.
O gigante sorriu, seus dentes era extraordinariamente grandes e amarelos, Lina pode sentir seu mau hálito da distancia onde estava, mas diferente de Darcy a garota quase teve anciã de vomito.
– Vamos, o rei dos gigantes anseia a vinda de um dos lordes das terras baixas a varias luas – disse Argus voltando a ficar de pé.
Hugo abriu a boca pronto para reclamar quando Noah tomou uma atitude – Caro amigo, muito me agradaria juntar-me a corte gigante, mas estou em outra missão no momento, e devo cumpri-la a todo custo.
A feição de Argus mudou completamente, de bobalhão gigante passou a furioso com tendências homicidas, ele se abaixou novamente aproximando seu enorme rosto de Noah, deixando os cavalos agitados – Você prioriza o povo humano? – perguntou ele com a voz alterada, mais alta do que costuma ser.
Noah ficou nitidamente acuado, com certeza não era uma boa ideia irritar um gigante – Não pense desta forma, o rei me encarregou desta...
– Meu rei também me encarregou, caso não deseje ir talvez o povo gigante deva rever a sua lealdade, tempos de guerra se aproximam príncipe. – Uma clara ameaça do gigante, Lina segurou a mão de Darcy com força, a Ninfa a olhou curiosa, ela não conseguia entender o medo da garota, afinal agora ela era uma Elemental.
– Noah – Miguel exclamou, quase que pedindo para que o príncipe tomasse uma atitude logo.
Noah olhou para trás e viu a expressão de Lina, o príncipe respirou fundo e continuou – eu irei, mas se e apenas se me ajudar a escoltar essas crianças até o rio da serpente.
Hugo grunhiu na mesmo hora – você é pouco mais velho que nós.
– E porque eu deveria ajuda-los? – indagou o gigante agora com um sorriso irônico no rosto.
– Porque seu rei detestaria saber que negou ajuda a um príncipe da terra baixa – retrucou Noah – a escolha é sua.
O gigante fez uma revência atrapalha e disse por fim – Como quiseres vossa alteza – e começou a dar seus enormes passos à frente do grupo.
– Por que precisamos que ele nos escolte se não haverá cavaleiros negros na floresta? – perguntou Hugo caminhando no fim da fila.
– Haverá outros tipos de perigos – afirmou Darcy.
Hugo engoliu seco e murmurou – que tipo de perigos?
Noah gargalhou – do tipo que um gigante tem problemas pra resolver.
Eles caminharam durante horas mata adentro, encontraram plantas gigantes como também cogumelos, aquela região do mundo parecia ter gigantismo, tudo era extraordinariamente grande, até mesmo as folhas que caiam lentamente das arvores de encontro ao chão.
A tarde havia passando e agora lentamente a noite caia, Noah e Darcy juntaram os menores gravetos que conseguiram encontrar sem muito sucesso, e em meio a enormes raízes que serviam como pareces levantaram acampamento.
Miguel e Hugo estavam sentados em cima de uma das varias raízes espalhadas pelo chão, agora a estrada de pedra não existia mais, eles olhavam para o horizonte, vendo o céu dezenas de metros acima entre as copas das arvores, os raios de luz penetravam na floresta por estas frestas criando cortinas de luz em determinados pontos ao horizonte.
Abaixo deles estavam Darcy, Lina e Noah, sentados em volta da fogueira comendo alguns dos pedaços de pão que haviam trago da estalagem e metros a atrás encostado em uma arvores estava Argus já cochilando.
– Você acha mesmo que vai acontecer uma guerra? – perguntou Miguel a Hugo.
Hugo estava se apoiando com as mãos atrás das costas, ele suspirou e balançou a cabeça positivamente – eu imagino que sim, você esta com medo?
– Estou, não quero morrer, nem que nenhum de vocês se machuque – admitiu Miguel, o garoto estava muito diferente depois do acontecido com Grifem, a sua confiança estava nitidamente abalada.
Hugo deu um soco no ombro de Miguel que reclamou num misto de surpresa e dor – Miguel, ninguém pode evitar sentir medo, ou que você e os outros se machuquem, mas você pode escolher protege-los e dar o melhor de si, e pra isso você só precisa confiar em si mesmo.
Ruber apareceu voando em uma das longínquas cortinas de luz perseguindo algum pobre morcego, Hugo sorriu, então Miguel o olhou e se sentiu ansioso, porque em fim ele percebeu o quando Hugo e Lina haviam mudado desde que chegaram em Atheos.
Miguel deu um soco em Hugo que o olhou serio – Só descontando.
E então de subido eles ouviram um piado, e um segundo depois Ruber passou voando por eles, quase derrubando Hugo que gritou um xingamento, Lina, Darcy e Noah olharam para cima assustados – O que esta acontecendo? – perguntou Noah.
– Ruber com medo de alguns morcegos – disse Hugo olhando para baixo.
Darcy franziu as sobrancelhas – ele é uma fênix, elas não são medrosas – afirmou a Ninfa.
– Ham... Hugo – exclamou Miguel puxando a camisa do loiro.
Hugo arregalou seus olhos e puxou Miguel para trás, fazendo os dois caírem do alto da enorme raiz, e um instante depois cinco pássaros gigantescos com plumagens castanhas passam voando sobre eles, Lina se abaixou colocando as mãos na cabeça e Noah sacou a espada.
– Droga – gritou Noah – os demônios alados.
Hugo correu o quanto pode até conseguir erguer a cabeça sobre as raízes que os cercavam – Ruber esta em perigo – indagou ele.
Lina de salto pegou seu arco e correu até a raiz se colocando em posição de ataque, as sombras impediam que as enormes aves fossem vistas, mas agora o som do bater de suas assas percorria toda a região da sua floresta.
Argus se levantou e correu até o grupo que agora estava com armas a postos – O que esta fazendo? – perguntou o gigante.
– Ruber esta sendo perseguido – informou-lhe Noah.
– Malditas aves – disse o gigante correndo na direção de onde os sons vinham.
– RUBER – gritou Hugo, um piado alto foi ouvido, era como se Ruber estivesse respondendo.
Alguns segundos depois a ave vermelha surgiu entre os enormes troncos, mergulhando bravamente em direção ao grupo no solo, Darcy se abaixou abraçando a fênix enquanto o arco de Lina começou a reluzir.
Então surgiram as aves, seus bicos eram enormes, e a envergadura de suas assas eram maiores que dois homens um sobre o outro, o gigante agarrou uma das aves pelas assas, caindo no chão sobre ela.
No momento seguinte outra desceu sobre ele, o arranhando com as patas e o bicando sem parar, Lina puxou sua flecha, mas assim que esteve pronta para atacar outra apareceu, vindo em direção ao grupo, Lina a acertou na assa, fazendo o pássaro perder o controle do voo caindo no chão de frente, fazendo um enorme barulho de folhas e galhos sendo quebrados.
– Boa – exclamou Miguel sorrindo.
Mas quando a ultima surgiu de repente do meio da escuridão ela agarrou Lina, a levando para o alto consigo, Ruber piou e começou a bater assas, se livrando de Darcy e agarrando Hugo pelo colarinho, levando o garoto em um voo atrapalhado atrás de Lina.
Hugo começou a grita desesperado enquanto os dois sumiam na escuridão – Como Ruber esta conseguindo carregar Hugo? – indagou Miguel assustado, com sua espada na mão ainda em posição de ataque.
– Fênix conseguem carregar enormes pesos por grande distancias – afirmou Darcy, quando o pássaro que Lina havia acertado voltou a aparecer.
A ave saltou da raiz em um instante, bicando o vento e batendo uma das assas – Cuidado – gritou Noah que estava subindo na enorme raiz a Darcy que acabou caindo no chão.
Miguel correu até a fogueira e pegou um dos pedaços de madeira em chamas o jogando no pássaro, a ave tentou recuar, mas Darcy estava agindo, pequenas raízes se desgrudaram do solo se enrolando nas patas da ave.
Então Noah saltou da Raiz caindo sobre as costas da ave, cravando a espada no meio de suas penas. O pássaro piou e começou a se debater com rapidez, então Miguel correu até ele e perfurando o peito da criatura com a espada.
O pássaro caiu por cima de Miguel que saiu engatinhando por debaixo dela sujo de sangue, Darcy estendeu a mão para ajudar o garoto a se levantar – Você esta bem? – perguntou a ninfa.
– Argus – disse Noah correndo até a raiz do outro lado, a escalando o mais rápido possível, e lá estava o gigante, se levantando com um corte enorme no rosto, sangue escorrendo pelo seu queixo e escoriações pelo corpo, mas aos seus pés duas aves enormes jaziam mortas.
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