Já faz oito horas que eu espero eles, e nenhuma notícia.

Tentei ocupar meu tempo meditando, treinando alguns truques com meu diabrete (Rinossorus*), e até pregando peças envolvendo mãos aparecendo do submundo e pedestres desavisados tomarem o maior susto da vida deles.

Droga, era pra eles me encontrarem no terminal do Ishi’Doidus e nós botarmos papo em dia; mas parece que 6 anos separados não foi o suficiente para um reencontro emocionante acontecer. Triste. E eu que sou o que falta bastante né?

Desisto de esperar. Vou embora desse lugar, pegar meu pergaminho de transporte e voltar para a academia de bruxo, mas algo me para. O trem deles chegou.

Já preparei o grande sorriso, e quando vejo: Ambos os trens estão destruídos por dentro. Eu entro, olho para os lados e me deparo com uma cena horrível:

Todos os passageiros foram queimados vivos, por uma explosão aparentemente de coloração roxa, azul e negra. Só restava as suas carnes ressecadas, e as roupas queimadas.

Na tentativa desesperada de achar meus amigos, chequei todos os blocos, mas quando chego ao último, ouço gemidos, de um homem. Eram gemidos de socorro. Aproximo-me e olho para ele: Um jovem, um pouco mais velho que eu, com o rosto desfigurado e um anel na palma da mão, intacto.

—Ajude-me… — Disse, quase sem conseguir falar.

—O que houve? Está tudo destruído por aqui – Falei.

— Eu não consegui ver tudo, mas vi um feixe de luz no começo do vagão, homens usando um tipo de túnica vermelha com uma gota vermelha. Um deles era bem velho e apontou para uma moça e gritou com um rapaz. De repente ocorre uma explosão, e quando percebi o vagão inteiro tinha ido pelos ares. Meu rosto queimava, olhei para os lados e vi todo mundo do vagão morto.

Esses feitiços… Essas túnicas… Lembram Magos de Sangue*… Mas é impossível… Já que todos os magos de sangue foram extintos na guerra arcana.

—Como eram esses jovens?- Perguntei. Sei que ele não está em condição de responder, mas preciso saber.

—Um era… –Ele tossiu logo em seguida, sangue escorreu de sua boca e ele se recompôs- Um era um jovem de cabelo castanho grande e usava óculos, a outra usava roupas normais, mas tinha um olho coberto um uma bandagem.

Eram eles. Não sei o que possíveis magos de sangue queriam com meus amigos, mas eu vou atrás. Virei-me e dei passos para ir embora, quando o homem me chamou:

— Por favor, entregue isso para minha namorada- Ele ergueu o anel e me deu- O nome dela é Amanda Vallentine. Diga que eu amo ela.

—Qual o seu nome?-Peguei o anel e guardei.

—Sir’ Gius.

Seus olhos castanhos estranhamente foram consumidos por uma luz lilás e ele não resistiu. Fiz uma oração para que o caminho na ponte da morte seja tranquilo, e depois deixei uma moeda com o corpo, para ele pagar o barqueiro. Àv me zap, amla.

Tiro um pergaminho de transporte do meu porta-pergaminho, me corto e jogo quatro gotas de sangue no símbolo e vou direto para Handara, a cidade esquecida.

[Rinossorus é o diabrete do Bill, todos os bruxos ganham um quando se formam. Rinossorus adora debochar de Bill e esconder sua coisas, além de às vezes fazer um nó nos fones de ouvido do Bill. Kanar o chama de diabinho traquinas.]

[Magos de sangue são um tipo de Feiticeiros que existia antigamente, até a guerra arcanista ocorrer, dizimando-os e qualquer chance deles se reproduzirem e voltar, destruindo os primogênitos também]