Frio jovem... O mundo em perigo!!!!
5 Capítulo 5 - Hebe
Notas iniciais

Quando Hebe viu-se sozinha, presa a cripta de gelo na qual Bóreas a deixou, seu primeiro pensamento foi que caso não estivesse com sua espada, nada poderia fazer, além de aceitar o triste fim de tornar-se mais uma estátua gelada, da vasta coleção do deus.
Como estava em sua forma humana no momento em que foi congelada, ela bem sabia os efeitos sobre seu corpo. Assim, agindo rapidamente, a deusa envia toda a sua essência para a arma em suas mãos, pois conhece bem os poderes do Vento, mesmo se quisesse abandonar aquele corpo, sua aura ficaria presa ao gelo, não podendo tomar uma nova forma física até que a prisão deixasse de existir, não podendo recuperar o que o deus lhe roubou, ou estar outra vez nos braços de seu amado marido.
É através desse receptáculo de seu poder, algo que aprendeu a fazer observando Hécate eras atrás, quando era serva dos deuses, que ela conseguiu aparecer aos semideuses, principalmente ver a face de Thomas, ao surgir na fogueira do acampamento, permitindo não só que ela informasse ao marido que não estava a segurança do Olimpo, como tornar possível seu resgate e a recuperação daquilo que é importantíssimo para a deusa.
Hebe sabia poder manter-se acordada mesmo com muito frio, mas resolvida a poupar-se para continuar o que começou, a deusa cai em um sono profundo, tranquilo por ter conseguido ligar sua mente a daqueles seis semideuses, os olhos deles seriam durante aquela jornada, como portais para o inconsciente dela, fazendo possível qualquer intervenção de Hebe para ajudá-los, mesmo ela confiando cegamente em cada um daqueles jovens, pois foi o seu próprio poder que os escolheu.
Apesar de em meio ao fogo Thomas não ter percebido, foi com lágrimas rolando por sua face que a esposa falou com ele aquela noite, ao indicá-lo para liderar os outros, lágrimas estas, que mal saíram de seus olhos, tornaram-se pequenos cristais ovalados de gelo sobre a pele do rosto da deusa. Ela sabia o que estar em perigo significaria para ele, sua própria dor, atingindo-a como facadas, causadas apenas por sua insensatez.
(…)
Nada doeu mais em Hebe do que ver o estado que Thomas adentra ao lar deles, após lutar bravamente durante a invasão de Hades ao acampamento. Mesmo já sabendo de todo o amor que ele nutre por ela, ver Thomas assim tão triste, a faz sentir-se ainda mais culpada, por ter se exposto ao perigo sem ao menos pesar as consequências de seus atos, sobre ele e a paz que finalmente haviam conquistado.
Ela imagina-se lá, na cabana onde vivem, sentada no colo dele, enquanto ele degusta lentamente sua dose de vodca, contando sobre suas batalhas, seus beijos carregados de paixão, querendo poder fazer como os mortais e pedir aos deuses que isso possa voltar a acontecer.
Hebe havia adaptado-se rapidamente a vida em meio aos mortais, por mais que muitos duvidassem que a deusa seria capaz de por Thomas, abrir mão de todo o conforto para viver na cabana do semideus, após o casamento deles, a verdade é que um desavisado, sobre quem ela era, não conseguiria descobrir ao vê-la que era uma deusa. Afinal, sempre que estava fora do Olimpo, Hebe usava as roupas que alguém da idade que aparenta, usaria, seus modos educados poderiam apenas levar alguém a imaginar vir de família abastada, seu carinho com Thomas e sua amizade com os outros mortais que esse convivia, faziam-na ser vista apenas como mais uma deles.
A rotina do casal, era logicamente um tanto incomum, enquanto ele passava seus dias treinando ou lutando em nome de Zeus e ela, subia todas as manhãs ao Olimpo, ou ia até seu Templo em Flios, no Sul da Grécia.
Mas sempre ao fim do dia, ambos retornam a cabana, onde vivem, aproveitando o tempo passado junto, como um casal "normal". Thomas pegando um copo de vodca e sentando para degustá-lo em sua poltrona favorita, Hebe sempre sorridente, indo até o seu colo, sentando nele e perguntando como foi o dia de seu amado marido, não por costume, mas sim por gostar realmente de tudo que ele lhe conta, as narrativas dele, mostrando a ela, que mesmo quando estão longe, ela está presente de alguma forma, mesmo sendo como uma expectadora.
Algumas noites, Thomas fica a cuidar de suas armas, enquanto sua esposa, deita-se no tapete da sala, paciente a espera dele... ou chamando-o para ficar a seu lado, fazendo uma carinha carente que sempre desmancha o marido, já que Hebe é uma das poucas a conseguir fazer da natureza guerreira do marido, mais amável.
Após tantos percalços para poderem ficarem juntos, eles finalmente estavam conseguindo aproveitar seus dias, com aquilo que tanto desejavam, o amor que os une e todos aqueles sentimentos humanos que Thomas havia despertado em sua esposa. A única coisa capaz, de deixar o casal ainda mais pleno, será o dia em que finalmente o amor deles for abençoado com um filho, fruto do que sentem.
Hebe naquele momento queria apenas uma coisa, não estar guardando para si, um segredo que enxeria o coração de Thomas ainda mais, algo que havia programado contar-lhe aquela noite não fosse o que ocorreu atrapalhar. Ela acompanha, tudo o que ocorre aquela noite a ele, a dificuldade e dormir, sem seu corpo junto ao dele, mesmo necessitando de uma boa noite de sono antes de ir até ela. A essência dela adormece, somente após Thomas ser vencido pelo cansaço e finalmente fechar seus olhos.
(…)
No dia após a aparição de Hebe, em que o acampamento havia sido atacado durante toda a madrugada elos cães de Hades, mesmo adormecida, o poder enviado a Espada da Juventude, age por conta própria, ao enviar aos semideuses, doses de energia.
Mas a prisão feita por Bóreas é poderosa, o deus prevendo que ela poderia de alguma forma, manter um certo nível de consciência, havia colocado várias barreiras no gelo. Assim no lugar de ajudar aos campistas, muitos deles foram acometidos pela Acne de Hebe, que drenava a pouca energia restante neles, isso faz a essência de Hebe, finalmente entender que o máximo que poderá fazer, é enviar pequenos avisos que independam de seus poderes, confiando apenas na perícia daqueles jovens para defenderem o acampamento.
(…)
Tendo os olhos dos escolhidos ligados a ela, a deusa é capaz de ver o quanto sua imprudência deixou Thomas preocupado. Mais uma vez ela via-se como a causadora de grande dor a ele, comparável a quando o abandonou, antes de casarem-se por pensar que jamais poderiam ficar juntos, sem que seu amado semideus fosse perseguido por aqueles que não fossem capazes de entender o que sentiam um pelo outro.
Ela recrimina-se por não ter cumprido com a palavra dada a si mesma, de sempre pensar no que suas ações fariam a ele. Mas sente-se orgulhosa por mesmo em meio aquele caos, seu marido estar firme a frente da missão de resgatá-la, mesmo ali distante ela é capaz de sentir o quanto isso é difícil para ele. Talvez após estarem juntos outra vez, ele possa ser capaz de perdoá-la por isso, mesmo sendo difícil para ela mesma fazer tal coisa.
(…)
No momento em que eles preparam-se para dar início a perigosa jornada, a consciência de Hebe sabe que resgatá-la será a parte mais fácil para eles, mesmo que Bóreas tente dificultar ao máximo. Pois ela tem certeza, que para evitar perder o que levou, ele primeiro tentará tornar impossível que os jovens cheguem até ela, que afinal, é a única que pode revelar o que lhe foi tirado.
Sabe, com toda a certeza, que reaver seu precioso artefato, será muito mais complicado para aqueles bravos semideuses, pois estando em poder de Bóreas, ela fará muito mais do que apenas dificultar o avanço deles, além de que, Thomas não permitirá que ela tente outra vez fazer isso, sempre preocupado com sua segurança, o marido comprará uma briga enorme com a deusa, para que Hebe deixe o assunto em suas mãos, mesmo se ela explicar a vital importância de seu artefato para todos.
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