Notas iniciais
Primeiro gostaríamos de pedir um milhão de desculpas pela demora :( Não fizemos de propósito. Não mesmo! A inspiração estava um pouco tímida e a disponibilidade de tempo às vezes é difícil. MAS, vamos parar com o muro de lamentações, né nom? Vamos a mais um capítulo de Tyler Reed, milionário, galinha e melhor amigo. Até as notas finais ;)

Aponto a arma de brinquedo para Lily, mas ela nem liga e continua conversando com o atendente que baba nela, mesmo ela dando a mínima para ele. E eu até imagino o porquê, o cara é mais feio do que o Rocky. Quer dizer, o Silvester Stallone.

— Dá pra parar de idiotice? — ela fala enquanto eu ainda finjo atirar nela com a arma.

— Dá pra você entrar na brincadeira? — ironizo e recebo um olhar atravessado como resposta. — E então, cara, você falou da Bonnie e da fantasia da minha amiga aqui, mas e a minha? Bonnie não é nada sem Clyde. — falo alto de propósito para o atendente olhar para mim.

Lily parece agradecer aos céus por ele ser obrigado a me atender e ir buscar minha fantasia para que eu possa experimentar.

— Valeu. Achei que ele ia me pedir em casamento qualquer hora. — diz ela querendo rir e indo até a arara onde ficam outras fantasias.

E ela é assim mesmo, me xinga ou olha atravessado, mas logo sorri e me ama de novo. Somos melhores amigos, é normal.

— De nada. Acho que eu te devia essa. — rio.

Essas coisas quase sempre acontecem conosco. Lily é linda e é sempre um porre sair com ela porque noventa e nove por cento dos caras a olham quase babando. E eu também sou incrivelmente bonito — não, não afirmo isso porque minha mãe é a única a achar, todas as mulheres me dizem que sou lindo — e sempre que saímos juntos algumas pessoas isentas de bom senso dão em cima de mim ou de Lily. Já pensei em carregar uns baldinhos para doar a elas e babar a vontade, mas acho que seria muita caridade.

Estamos acostumados a salvar um ao outro de pessoas esquisitas.

O atendente ainda está nos fundos da loja de fantasias e estou esperando por ele quando Lily me chama e eu quase não a reconheço. Ela está com a peruca loira e a boina branca de Bonnie e parece uma garotinha rindo.

— O que achou? — pergunta.

— Você parece outra pessoa com esse cabelo. Até que eu ficaria com você, sabia? — caio na risada e ela tira a boina e a peruca.

— Como você é idiota, Tyler. Não cansa nunca?

— Sou incansável, baby. Não sabe disso ainda? — ela me bate no rosto com a peruca e parece que alguns fios grudam na minha boca e na língua. Que nojo. — E você não cansa dessa violência gratuita, Lily? Se eu morrer engasgado com fio de peruca, volto pra te buscar. E você terá uma morte lenta.

Ela finge uma risada, mas quando me vê tentando me livrar de algum fio nojento na boca ela ri para valer.

— Nunca. Quando você morrer, vai para o inferno. E eu vou para o céu, queridinho. — ela me manda um beijo no ar sempre que me chama assim.

É de propósito que essa cretina faz isso.

— Você vai para o céu? Está bêbada a essa hora? Quem te disse isso? — estamos rindo quando o vendedor volta com uma cara feia de assombração e joga a caixa com a minha fantasia no balcão de propósito.

Deve pensar que furei seu olho e estou dando em cima de Lily. Ele acaba de ganhar o Prêmio de Grande Babacão do Ano.

— Essa é minha fantasia? — pergunto e ele continua de cara feia.

— Que tal abrir a caixa e ver o que tem dentro, Tyler? — Lily fala toda irônica e risonha.

Finjo um sorrisinho e abro a caixa. Minha fantasia é simples, só um terno azul de risca-de-giz branca, a arma de brinquedo — a qual eu já estava treinando a bandidagem de brincadeira com a Lily — e um chapéu marrom. Os sapatos e a camisa branca podem ser meus, mas pensando bem, essa fantasia é simples demais para eu ter que vir até essa loja, encarar esse vendedor com cara de asfalto esburacado dando em cima da Lily e ainda gastar uma nota para alugar tudo. Veja bem, alugar. Sem contar a imensa quantidade de sovacos e virilhas que já estiveram nessa roupa. Mas nunca que vou usar isso!

— Ela pode comprar a peruca e a boina separadas? — pergunto para o vendedor que está tentando puxar assunto com Lily.

— Na verdade, não pode. Mas, se ela pedir com jeitinho, podemos até negociar.

Quero muito dar risada, muito mesmo. E quando olho para Lily quase não consigo me segurar. Ela está prestes a responder o cara, e quando ela começa parece que não tem fim, mas eu falo primeiro:

— Desculpe, mas acho que o senhor está confundindo as coisas aqui. — pego a peruca loira da mão dela e jogo no balcão como ele fez com a caixa, e completo: — Ninguém negocia nada aqui não. Sou egoísta e não divido o que é meu. — passo a mão pela cintura de Lily no mesmo segundo em que ela franze o cenho em dúvida e espanto e eu me esforço pra não rir da cara de idiota que o atendente faz. Saímos da loja e ela me afasta com um empurrão.

— Você devia ter me avisado, Tyler. Não teve graça.

— Claro que teve. — me chacoalho todo quase engasgando de rir enquanto andamos até o carro dela, mas que eu estou dirigindo hoje. Droga de garota folgada. — Mas, sobre a fantasia, é só comprar tudo e pronto. Bem melhor do que ficar compartilhando do suor dos outros.

— E as chances de eu achar um vendedor bonitão, e não um dragão como esse de agora, aumentam muito e de quebra saio com um Clyde do meu lado. — agora ela ri fazendo com que seus olhos fiquem pequenos. Eu gosto quando ela ri desse jeito.

— Está para nascer o cara que vai ficar no meu lugar. — entro no carro antes dela já soltando uma verdade universal.

Nenhum cara vai tomar o meu lugar na vida dela e nenhuma mulher vai tomar o lugar dela na minha. Juramos isso quando estávamos na sexta série. Até combinamos de nos casar se chegássemos aos quarenta anos sozinhos e amargurados, mas daí me apaixonei perdida e verdadeiramente quando tinha dezesseis anos, mas não deu certo. Então tivemos que adiar esse juramento.

Mas o outro ainda está valendo.

— Está para nascer não, já nasceu. E você sabe quem é.

— Quem? O Capitão América? — rio quando ela faz um bico e franze o cenho de leve, de propósito.

— Você sabe muito bem que esse é só um dos personagens dele. Ele é um ótimo ator.

— Ai, ele é tão lindo. — imito-a com uma voz propositalmente fina e ela me dá um tapa no braço, mas ri comigo.

Ela não resiste em me bater e eu adoro isso. É uma das partes mais divertidas do meu dia.

— Eu não falo desse jeito, Tyler. — ela digita no celular furiosamente e depois olha para mim – Mas, se falasse, seria a mais pura e magnifica verdade.

— É exatamente assim que fala quando o assunto é ele.

Lily começa a rir sozinha e tento não acompanhá-la, pois já estou dirigindo e não posso me perder em distrações engraçadas.

— Ah, mas você também parece uma garotinha de fã-clube quando fala da Scarlett Johansson. “Nossa, ela é a mulher mais linda do mundo, essa eu casava sem hesitar. Nossa, imagina acordar ao lado dela todo dia, aqueles olhos lindos, e depois aquele corpo inteiro só meu... Supergostosa” — Lily me imita entre risos e a imitação não sai boa como a que fiz dela.

— Mas é verdade mesmo, ela é gata, loira, gostosa... Eu casaria se ela tivesse olhos para mim... — paramos no primeiro sinal vermelho e finjo uma cara de triste que logo se transforma em risada. — Nem o Capitão para você.

— Então ficaremos sozinhos para sempre, porque ele é o único cara com quem eu me casaria.

— Que mentira! E o nosso juramento da sexta série? — olho para ela rapidamente e o sinal fica verde. — Se chegarmos aos quarenta anos sozinhos e amargurados, nós dois nos casamos. Não me diga que esqueceu, Lily?

Ela me olha com sua sobrancelha arqueada num desenho perfeito de dúvida.

— Não achei que se lembrasse.

— Mas é claro que lembro. Não quero ficar sozinho o resto da vida, então estou contando com a promessa. Você jurou com sua saliva, lembra?

— É, foi nojento. Mas... — ela franze o nariz, o que a deixa meiga. — E se eu me casar um dia? Você não vai poder se casar comigo pra te fazer companhia pra sempre.

O carro está parado no trânsito lindo dessa cidade igualmente linda que é Nova York, então posso olhar para Lily e ver seus olhinhos azuis nada inocentes me encarando com algo diferente neles.

— Duvido que encontre um cara que te ature. Nosso destino é ficar juntos, Lily, para sempre. Você não festeja como eu, nem sai com vários caras como eu saio com várias mulheres, mas tem um gênio difícil demais para outro homem que não seja eu para lidar. Assim como eu tenho um gênio difícil que só você consegue lidar.

— Acha que sou incapaz de me casar? Sou tão ruim assim que um cara não pode gostar de mim, mas sim me aturar?

Oh, merda. Ela está irritada. Isso aí, Tyler, conseguiu irritar sua melhor amiga em poucas palavras.

— Não comece. O que foi hoje, está de TPM?

Lily me dá um soco no braço que dói, mas não sei se era para doer. Enfim, ela está mesmo chateada, mas eu só disse a verdade. Somos dois fracassados no quesito relacionamentos e nosso destino será esse, nos tornamos dois velhos melhores amigos para sempre, porque amor de verdade... Puf, sem chance.

— Lil, não fica chateada. Nosso futuro vai ser legal com nossas poltronas combinando. E além do mais, quem precisa se casar por amor? — o carro da frente anda alguns metros — Pensa só, estaremos velhos, mas cheios da grana, vamos gastar em viagens, comida, presentes, tudo o que a gente quiser. — olho rapidamente para ela, que olha pela janela para qualquer lugar, emburrada. — Vamos fazer maratonas de filmes de terror o ano inteiro, afinal, quem precisa esperar o Halloween chegar, não é mesmo?

— Tyler, cala boca.

— Ai. — finjo que dói quando ela me diz isso.

O resto da viagem é em silêncio e mesmo quando tento ligar o rádio, Lily desliga sem falar nada. Não contesto já que o seu carro e apenas dirijo até a empresa e voltamos às nossas funções de presidentes jovens e ricos e importantes. Ainda dá para acrescentar: bonitões e famosos e legais pra caralho.

Entramos e passamos pela recepção rapidamente, e quando entramos no elevador, apenas nós dois e o técnico que fica ali sempre, pergunto preocupado:

— Lil, eu sei que ficou irritada com o que falei, mas ainda vai à festa amanhã, não é?

Ela responde brava, sem me olhar:

— Primeiro: não me chama de Lil. Não é por me chamar assim que vai apagar as besteiras que você diz ou faz. Segundo: não precisa se desesperar, eu vou amanhã. Ao contrário de você, cumpro com o que digo.

O técnico do elevador me olha e faz uma cara de “se ferrou”. A sorte dele é que o conheço, é o Bob: ele sempre comenta sobre NBA comigo quando perco os jogos, já até fui a um com ele, camarote vip. Ele quase surtou de tão feliz que estava.

Chegamos ao último andar e quando a porta se abre Lily sai primeiro, marchando duro como sempre quando está brava. Lucy se levanta de sua mesa, acena para mim e sai correndo atrás da General. Já estou acostumado com isso, depois pago um frappuccino de chocolate cheio de chantilly do Starbucks e ela me perdoa na hora.

Quando saio do elevador, olho para Bob e digo:

— Vai ver só se vai ter camarote de novo, Bob. Eu te vi debochando da bronca que a Lily me deu.

Ele dá uma risada curta e seca e diz quando já estou longe:

— É sempre a mesma cena, garoto. Não dá para resistir.

Sorrio e aceno quando a porta se fecha e ele desce mais uma vez no dia. Imagino quantas broncas esse cara já me viu levar da General Lily e estremeço por dentro. É melhor ir trabalhar... Perfumes perfeitos não se criam do nada.

...

Sábado, 11h.

Acordo sozinho na cama e comemoro mentalmente por poder me espreguiçar a vontade sem me preocupar em bater a mão na cara de alguém, mas quando estico o braço direito e toco o lençol, percebo algo diferente sobre ele. Apoio-me no cotovelo e vejo uma calcinha vermelha de renda e um papel junto com ela. Rio antes mesmo de ler o que há nele, e quando finalmente vejo, é o número da garota de ontem. Que tipo de pessoa deixa um bilhete desse tipo junto de uma calcinha super sexy? Ela acha que isso vai me fazer ligar?

Sinceramente, esse papelzinho vai para o lixo depois. Nunca saio com a mesma mulher, não de propósito. Eu nem prometo que vou ligar no dia seguinte, mas elas sempre deixam o número. Todas com quem saio são interesseiras e eu sei disso, mas não me importo nem um pouco, até porque não me apaixono por nenhuma delas. Porém, o motivo de quererem repetir a dose não é por mim, mas pelo meu nome, pela grana que eu tenho, pela cobertura onde moro, pelo champagne infinito, pelos papparazzi que, de vez em quando, adoram me seguir... É sempre pela embalagem.

Elas nem fazem ideia do quanto posso ser incrível e engraçado e sei lá, gentil? Sei que posso ser tudo isso.

Claro que de vez em quando eu acordo meio solitário, mas daí aparece algum convite ou trabalho, ou ainda melhor, Lily surge com alguma ideia incrível e caseira do tipo “maratona de filmes de terror no Halloween” ou “contratos para o senhor panaca assinar” e eu simplesmente volto a ser eu mesmo, lembrando que nunca serei solitário, pois ela sempre estará ali comigo.

E como se fosse de repente, capoto na preguiça novamente.

Sábado não é dia de trabalho, então posso tranquilamente fazer o que quiser antes da festa à fantasia. Penso na minha pequena lista de amigos — sim, uma vez que você tem muito dinheiro, sua lista de amigos é minúscula — e ligo para Brian, um dublador que conheci na faculdade. Ele também fazia química, mas trocou de curso e hoje trabalha dublando vilões de filmes e desenhos de crianças.

— E aí, garanhão! Ligando a essa hora? Já vai pra balada às 3 da tarde? — ele me atende rindo e eu rio junto porque sua voz é grave e engraçada. Parece que estou falando com o Brutus do Popeye.

— Não, a balada é depois. Eu estava de bobeira e pensei, que tal uma partida de tênis? Brian não faz nada da vida, deve estar livre. — rio enquanto ando pelo apartamento e vou até a cozinha procurar algo de doce para comer.

— Não faço nada da vida? Diferente de você, presidente, eu trabalho. Estou no estúdio agora, no intervalo. E tênis? Só se for pra você ganhar de mim e se sentir melhor, porque sabe muito bem que não jogo.

— Ah, e daí? Melhor de três, deixo você ganhar um set.

— Eu até aceitaria pra dar umas risadas e fingir que sou atlético e saudável como você, mas não dá. Depois daqui vou me encontrar com a Melany. Lembra dela, não é?

— Claro, sua noiva. Argh, parece que todos meus amigos resolveram namorar sério, se casar e ter filhos ultimamente.

— Só falta você entrar para o clube. — Brian dá uma gargalhada alta e engraçada, mas não rio.

Não vejo graça nenhuma. Não depois daquilo...

— Sai fora. Já que a Lily não está para casar, como todos vocês, aposto que ela está livre para uma partida de tênis hoje. — ela tem que topar, preciso fazer alguma coisa antes da festa. Essa vida de milionário às vezes pode ser um pouco enjoativa. Você simplesmente não tem nada para fazer.

E não me venha com essa de “Então vá às compras” que isso não funciona comigo. É ridículo. Só porque tenho grana tenho que vou ficar gastando à toa? Não. Talvez sair e comer alguma coisa super anti-saudável, tipo um quarteirão-duplo com muito queijo ou um milkshake de chocolate duplo com chantilly e cereja, mas nunca compras.

— Olha, presidente, — ele me chama assim quase sempre. Me sinto o Barack Obama. — preciso ir agora. Quando ficar noivo de alguém, me chame para ser o padrinho, falou?

— Ah, vê se morre, Brian. Até mais. — meu tom é de piada, é claro. Mas ele não sabe que isso quase aconteceu um dia...

Finalizo a ligação e não acho nada que seja doce e gostoso na cozinha. Tem frutas, mas esse não é o tipo de doce que procuro. Acho que minha mãe tem vindo demais aqui e também está fazendo as compras, só ela compraria frutas para mim.

Desisto do doce e volto para a sala, me jogo no sofá e quando ligo a TV que já está na ESPN, escuto o barulhinho do sino preso na coleira de Slash, meu labrador terrível que tem se comportado bem desde que completou três anos de idade. Ele se deita ao meu lado e começa a mastigar o sofá.

Slash foi um presente de Lily no meu aniversário de vinte e quatro anos, e acho que até hoje foi o melhor deles. O sino foi ideia dela, porque quando ele ficou grande e pesado o suficiente para derrubá-la, ela achou que seria interessante ter um alarme avisando que ele estava por perto.

Óbvio que isso nunca o impede de se jogar em cima dela e lamber seu rosto.

O fato de ele ser um labrador é a prova do quanto Lily pode ser irônica, escolhendo a mesma raça de cão do único filme no mundo que pode me fazer chorar.

Entretanto, não deu para resistir a ele, e claro, era um presente e eu não poderia recusar ou trocar. Slash é meu melhor amigo e leva esse título porque faz a função de Lily, que é me ouvir quando preciso muito falar com alguém, com a diferença de que ele fica quieto o tempo todo enquanto ela fala como uma matraca descontrolada. Amo os dois, mas ele é uma versão evoluída. Todo cão é uma versão evoluída.

E quando ela me perguntou qual nome eu daria a ele, não pude ignorar meu desejo de nomeá-lo Slash, meu guitarrista preferido.

Já Lily gosta de gatos. Gatos, pelo amor de Deus! Que tipo de pessoa confia em gatos? Eles são loucos, malvados e desgastantes. E estão pouco ligando para os seus sentimentos. A única coisa interessante no felino da Lily é seu nome, Chucky, como o brinquedo assassino. Eu dei a sugestão e ela morreu de rir e adorou. Era um de seus filmes preferidos de terror.

Procuro meu telefone no bolso da calça jogada no chão da sala e o encontro quase morrendo sem bateria. Ligo para Lily pela discagem rápida e ela atende na segunda tentativa.

— O que você quer?

— Bom dia para você também.

— Bom dia, flor do dia. O que você quer às 3 da tarde?

— Que tal uma partida de tênis? Estou entediado.

— Tyler.

— O quê?

— Vá se ferrar.

Ela desliga e sou obrigado a ligar novamente.

— Por favor, Lily!

— Tyler, estou ocupada.

— Fazendo o quê?

— Comprando uma peruca. E um vestido. E sapatos. Odeio isso, de verdade.

Fazer compras é ridículo, eu disse.

— E daí?

— Qual é a cor do seu terno?

— Azul marinho com riscas.

— Certo. A que horas na festa?

— Eu vou te buscar em casa. Tenho uma surpresa. Te busco antes das oito.

—Certo. Até mais tarde.

Ela desliga novamente, mas dessa vez não tenho mais nada a dizer. É, cara, tenho a maior surpresa para a Lily. Procuro na agenda do celular e encontro o contato que quero. Um homem me atende:

— Drive Sneed Aluguel de Carros Antigos, em que posso ajudar?

— Aqui é Tyler Reed, quero saber se está tudo certo para hoje à noite.

— Deixe-me ver... — posso ouvir o barulhinho do teclado talvez digitando meu nome — Ford V8 1934, certo? Nosso motorista o entregará em sua casa às 19 horas.

Agradeço e desligo o telefone. Ah, cara, Lily vai pirar completamente. Isso vai funcionar melhor que o frappuccino de chocolate. Ainda me surpreendo em como posso ser tão genial e incrível.

Mal posso esperar por esse momento.

Notas finais
Uhu, quem está animado para essa festa à fantasia? o/ Pessoas, pedimos por favorzinho que deixem reviews e depois responderemos com muito amor e carinho, viu? Bjs e até o próximo capítulo!