Notas iniciais
Gente, eu, Blue, em meu nome e no da Mary, queria pedir um milhão de desculpas pro demorar uma vida inteira pra postar capítulo novo. O décimo capítulo demorou tanto assim porque a vida não tem sido fácil e ter momentos livres pra escrever estão ficando raros tanto para mim quanto para Mary. Mas não pensem que vamos abandonar a fic hein!! Não somos a Lily, não vamos abandonar o Tyler assim, kkk. Esperamos muito que gostem desse cap., primeiro pq deu certo trabalho pra escrever e segundo pq é o que a gente sempre espera kkkk PS: bjos e um forte abraço sincero pro migo que acompanha essa fic e mandou msg perguntando sobre a fic, o Carlos Augusto Jr. Espero que não fique bravo e continue comentando, tá? kkk Agora, boa leitura!!

Faz tanto tempo que não tenho uma noite de sono decente, que me acostumei com os efeitos negativos disso. Dores de cabeça horríveis, olheiras e uma cara de bêbado permanente. Tudo o que penso é no lançamento do novo perfume, aquele onde usei os lírios-do-vale. Finalmente achei a fórmula ideal e depois disso fiquei séculos pensando no nome.

Lily. É, Lily é o nome do perfume. Sei que é simples por significar apenas Lírio, mas para mim é mais do que isso, é uma homenagem à mulher que fez tudo na R&C acontecer. E essa mulher é Lily Carter, minha melhor amiga e sócia.

E amante.

E até namorada.

Mas só nos meus sonhos mais malucos e assustadores.

Acabei me acostumando com esses sonhos estranhos, agora até gosto deles. E isso é o que me dá mais medo: o quanto me apego a eles. Sinto-me confortável onde todas as minhas vontades tomam forma e beiram à realidade. É o que, ironicamente, mantém minha sanidade.

É simplesmente perturbador o quanto meu coração bate rápido ao pensar nela. Um dia, fui pego por Lucy vendo fotos antigas de quando eu e Lily éramos crianças. Isso é depressivo para um cara como eu. Faz meses que não saio e nem festejo como antes, não consigo curtir mais, parece que só há espaço na minha cabeça para uma pessoa: Lilian Carter.

Sinto-me castrado. Quase submisso.

...

É segunda-feira. Acordo melhor do que o normal, parece que meu corpo gosta de estar sóbrio. Chego à empresa alguns minutos antes do que costumava e Lucy não parece chocada como na primeira vez, que, aliás, eu nem me lembro qual foi. Passo por ela e lhe dou um sorriso.

— Bom dia, Lucy. Notícias da minha sócia?

— Bom dia, Tyler. Bem, ela respondeu o e-mail. — Lucy não parece empolgada e isso só pode significar uma coisa: deu merda.

— E...?

— Ela disse que não poderá vir.

Encaro Lucy e depois o chão. E depois o teto, as paredes e o elevador, cogitando loucamente a ideia de me jogar num poço. Sacudo a cabeça me livrando desse pensamento. Respiro fundo antes de perguntar:

— Por quê? — pareço até choramingar. O que eu me tornei? Um babaca chorão?

— A agenda está muito cheia. — Lucy deita a cabeça para o lado e faz aquela cara de quando falamos com uma criança que acabou de derrubar o sorvete no chão: ela sente pena de mim. — Sinto muito.

— Encaminhe o e-mail para o meu, por favor. — finjo que não ouvi a última parte e vou para o meu escritório, segurando a vontade que tenho de jogar a mesa apilhada de coisas pela janela.

Não sei como, mas consigo respirar devagar. A raiva que cresce dentro de mim é insana, mas, ainda assim, consigo agir calmamente. Será que estou ficando como ela, controlado?

Alguns minutos se passam até que sento à frente do computador, que quase nunca uso, e abro meu e-mail. Felizmente, Lucy já me enviou e assim que começo a ler sinto que posso explodir a tela com a força da minha ira.

De:lilycarter.CEO@reedandcarter.com

Para:lucy_madison@reedandcarter.com

“Lucy,

Fico surpresa e contente em saber que Tyler irá lançar um novo perfume. Algo em mim diz que o projeto só pode tratar-se disso. Entretanto, infelizmente não poderei comparecer, acho até que Tyler não precisa da minha aprovação, pois, se realmente precisasse, não teria feito você escrever para mim. Ele teria me ligado.

Saiba que também estou com saudades de todos, muito em breve estarei de volta.”

Abraço,

Lily

De repente eu não quero que ela volte. Que cretina! Eu não preciso da droga de aprovação dela? O nome do perfume é o nome dela! Estou a ponto de parecer com um cachorro com raiva espumando pela boca. Giro a cadeira até poder olhar pela enorme janela, quase panorâmica, que permite que eu veja Nova York quase inteira. Esta cidade é grande o suficiente para que eu me perca nela. E para que eu perca alguém.

Lily.

Agora imagine um oceano entre nós.

Sinto como se estivesse perdendo minha melhor amiga e isso é insuportável, como se eu, de repente, perdesse toda minha habilidade em química. Não somos os mesmos desde que dormimos juntos. Bem, antes fosse só dormir, porque sempre dormíamos juntos quando éramos mais novos, mas... Droga! Ela pode até dizer que não aconteceu nada, mas, acho que Lily não sabe lidar com o que aconteceu entre nós naquela noite.

Não sei o que me irrita mais: ter que lidar com a atitude mesquinha e infantil dela, ou admitir que quero que aquela noite se repita, mesmo sabendo que é impossível.

Preciso parar de pensar nela, mas é tão difícil. Por que tudo isso tinha que acontecer? Parece que o único jeito de resolver essa confusão é morrendo e desaparecendo de uma vez por todas.

...

...

06 de junho, sexta-feira.

O departamento de marketing se superou, está melhor do que imaginei. O salão escolhido para o evento de lançamento do perfume está perfeitamente decorado e os flashes refletem nos penduricalhos sofisticados feitos de vidro que estão por todo lugar. Não ligo para nada disso, só ligo para o brilho das taças de chardonnay que circulam a todo o momento.

— E aí, Tyler? Como vai?

Sinto alguém cutucar meu ombro. Odeio que me cutuquem. Olho para trás e é Brian.

— Brian. — volto meu olhar para o balcão lustroso do pequeno bar montado para os convidados.

Ele senta no banquinho ao meu lado.

— Cara, tudo bem com você? Cheguei há algum tempo e só agora te achei. É o lançamento do teu perfume e você está aqui enchendo a cara. É isso mesmo?

— Você por acaso se importa?

— Sou seu amigo, claro que me importo.

— Estou cansado dessa merda de amizade. — termino mais uma taça e peço algo mais forte para o garçom. — Amizade é uma porcaria de uma flecha no pé.

Ele me dá uma dose de uísque. Quero me afogar dentro do copo.

— Como assim, cara? — ele soa alarmado.

— Não com você. É ela.

— Ah, Lily.

— Aquela cretina. — viro a dose inteira e peço outra. — Você viu o nome da porra do perfume? Eu dei o nome dela nessa droga. Trabalhei durante meses nisso e quando peço para que venha, ela simplesmente diz que está com a agenda cheia.

— Tyler, você devia conversar com ela. Não adianta ficar aqui enchendo a cara.

— Adianta sim. Pelo menos ela não está aqui para me dizer o que fazer e o que não beber. Ei! Cadê minha dose? — bato no balcão lembrando o garçom do meu pedido. — Brian, você não sabe a raiva que estou dela. Você não faz ideia.

— Por acaso está apaixonado por ela?

Olho para ele, meu amigo dublador de desenhos infantis, engraçado, brincalhão, e um maldito espertinho quando quer. Eu quero socar a cara dele por ter dito isso.

— Está tentando brincar com a minha cara, Brian? Porque se estiver, é melhor parar. Hoje não é um bom dia. — minha nova dose chega e eu tomo um gole e mal sinto seu gosto.

Isso significa que já estou bêbado.

— Não, Tyler. Não estou brincando, acredite. Você está com uma raiva insana da sua amiga e só fala nela. Seus problemas sempre envolvem a Lily, qual é? Está bebendo porque ela não está aqui. Contou que ficou bêbado outro dia por causa dela. – Brian chega mais perto para falar mais baixo. — Está definhando desde que ela viajou. E tudo isso só porque vocês ficaram.

— Não só ficamos, Brian. Nós transamos. É bem diferente. Foi o sexo mais louco e incrível da minha vida e, fatalmente, foi com ela. — meu rosto parece inflamado e dormente ao mesmo tempo — E ela simplesmente finge que nada aconteceu?!

— Fale mais baixo, cara.

— Quer saber? — tomo o resto do uísque e fico de pé. — Foda-se isso tudo. Foda-se essa festa de lançamento, foda-se a Lily e foda-se você também com essa sua filosofia de merda. Não preciso da sua verdade absoluta.

No minuto seguinte já estou cambaleando pela festa, procurando um meio de sair desse purgatório. Algumas pessoas me chamam e um dos fotógrafos tira uma foto minha. Cubro o rosto com a mão e então alguém puxa meu braço de leve.

— Tyler, está tudo bem? — reconheço a voz de Lucy, mas não respondo. Sequer paro para olhá-la.

Continuo meu caminho, quase tropeço nos meus próprios pés e ziguezagueio pelo salão. Esbarro em alguém e depois de ouvir barulho de vidro se quebrando, percebo que quase derrubei o garçom.

— Deixou a bandeja cair, seu imprestável. — falo enquanto abro a porta e saio, deixando-a fazer um estrondo gigantesco enquanto se fecha. Só quero sumir deste lugar.

Desço alguns degraus e sinto um aperto na garganta. Parece que um nó prende minhas cordas vocais às minhas entranhas. Sinto tanta falta daquela estúpida. Meu coração é espremido por uma força horrível, parece que um punho gigante me soca no estômago e isso me faz odiá-la; mas o ódio é sobreposto pelo desejo.

A saudade é tão esmagadora que a pergunta de Brian começa a fazer sentido. Acho que estou apaixonado pela minha melhor amiga. E temo que isso se torne uma verdade absoluta.

Será que estar apaixonado significa o fim de quem eu sou?

...

Não sei como consegui, mas chamei um táxi e cheguei em casa inteiro. Slash vem até mim, mas parou e me encarou de um jeito acusador, parecendo perceber meu estado. Ele me lembra Lily. Eu não quero pensar nela.

Mas que porra, eu quero poder vê-la. Eu até me contentaria em apenas falar com ela.

Quero passar horas incontáveis conversando sobre coisas bobas, como nos velhos tempos. Fazer maratonas de filmes e comer besteira, e no dia seguinte acordar cedo e ir até o parque para correr com ela e queimar tudo o que foi consumido na noite anterior. Quero poder implicar com ela e vê-la sorrir de testa franzida quando já não consegue mais retrucar. Quero poder abraçá-la forte e dormir em seu colo com seus dedos percorrendo minha coluna.

Quero sentir seu perfume, aquele natural que só ela tem, passar as mãos por entre seus cabelos e então puxá-los quando ela me pede sussurrando. E então beijar seu pescoço e o resto de seu corpo. Quero apertar sua cintura e seu quadril enquanto está sobre mim. Quero sua pele quente na minha, e então o suor misturando-se ao meu.

Eu quero Lily inteira para mim. A amiga, a sócia, a mulher.

Penso em ligar para ela, mas isso é muito mais do que patético, é vergonhoso. Ela me ignora e eu me arrasto por ela, lambendo o chão por uma migalha de sua atenção. Não posso fazer isso com meu orgulho. Se é que sobrou algum.

Mas posso me afundar ainda mais na escuridão do poço obscuro que se tornou minha vida sem ela.

Vou até a estante da sala de tevê e procuro pelos DVD’S de vídeos caseiros, aqueles onde temos gravados nossa infância, apresentações no colégio, e de maluquices entre amigos. Procuro um que tem como título “BFF’s”.

Best Friends Forever. Que merda.

Ligo a TV e em pouco tempo surge a imagem de uma Lily de catorze anos de idade, divertida e sorridente, no quintal da casa de seus pais. Ela vai levando a câmera até mim e eu aceno antes de correr até a rua com um skate na mão. Lily gravou um dos meus piores tombos nesse dia, e quando eu pareço na tevê, todo ferrado e ralado, ela não ri como eu imaginaria que faria, mas faz o contrário disso: pergunta se estou bem e inspeciona cuidadosamente todos os meus ossos.

O aperto no peito volta. Sinto falta da antiga Lily, nova e despreocupada, mas sinto ainda mais falta da Lilian completa, da que grita e chama minha atenção, mas que sorri para mim no meio disso tudo. Da Lily que jurou que sempre estaria comigo.

Assistir a isso é o fim da minha vida.

Desligo a TV com raiva e jogo o controle longe. Lembro de como os verões eram divertidos na infância, na mesma época desse vídeo. Aliás, quebrei a perna esquerda nesse dia e Lily foi a única amiga do colégio a me visitar. Realmente, ela sempre foi a melhor.

Lembro de quando entramos no ensino médio e ela começou a ficar popular, entrou para o grupo de animadoras de torcida do time de futebol e eu comecei a ficar desesperado porque precisava ser popular também.

E já que sempre fui uma negação para esportes em grupo, resolvi que tinha que ser legal e simpático, tirar boas notas e me oferecer para ajudar as pessoas e claro, andar com Lily. Tudo era perfeito. Garotas lindas vinham até mim pedindo ajuda sobre a matéria e eu sempre ajudava, obviamente, mais do que nas lições. A rede de contatos no colégio só cresceu e logo eu e Lily éramos bastante populares.

Garotos se aproximavam de mim e me pediam para falar sobre eles para ela. Garotas falavam com Lily e ela as selecionava e depois as apresentavam a mim. Era a amizade perfeita, sempre ajudávamos um ao outro.

Mesmo que na época desse meu tombo de skate, eu sentisse algo diferente por Lily, aquilo foi mais intenso do que imaginei. Mas como ela sempre foi como minha irmã, vê-la de outra forma era nojento e repugnante, então tratei de superar. Nem passava por minha cabeça que ela pudesse sentir o mesmo por mim naquela época. Até porque, no ensino médio, ela me apresentou Diana, minha primeira namorada e meu primeiro amor.

E que terminou num fatal golpe no saco, mas foi uma parte importante da minha vida e Lily teve participação nisso.

E agora não há palavras suficientes para expressar o que sinto por ela. Eu preciso vê-la, senti-la perto de mim novamente. Sempre que penso em como isso está distante de acontecer, parece que vou ter uma parada cardíaca. Isso me incomoda profundamente, como um garfo enrolando minhas entranhas, e me faz ter pesadelos terríveis. E a única maneira que encontro de barrar esses pensamentos, é bebendo o máximo que eu puder.

...

Amanhã faz seis meses que Lily viajou.

Acordo de mais uma noite mal dormida. Beber uísque antes de dormir não está mais ajudando. Antes de ir para o chuveiro tentar adquirir ânimo para o meu dia longo e incompleto, paro diante do espelho de corpo inteiro que fica antes do meu banheiro. Encaro um Tyler Reed cabisbaixo e desanimado, vestindo apenas uma cueca samba-canção preta. O corpo ainda está em forma, mas não tão definido como há alguns meses, mas sem a mesma cor, o Tyler de agora é mais pálido. O cabelo liso, curto e castanho está maior e mais bagunçado do que o normal, mas ainda é possível fazer um topete propositalmente bagunçado.

Esse Tyler sou eu hoje. Só não tenho aquela barba de escritor mal sucedido e infeliz porque eu simplesmente não nasci provido do talento de poder cultivar uma. Mais um fato triste para minha lista.

Continuo meu dia como todos os outros. Tomo banho, em seguida tomo um rápido café, que às vezes é substituído por suco batizado, com torradas. Saio e vou trabalhar, passo o dia todo na empresa e de tanto ficar lá nesses meses, aprendi mais sobre os outros departamentos e funções de toda a equipe do R&C. Isso me fez ver que eu, realmente, era só o cara dos perfumes. Que egoísta da minha parte.

Já dentro do táxi a caminho para o trabalho, assim que me sento no banco de trás e jogo minha bolsa ao meu lado, o taxista fala comigo:

— Ei, você não é aquele ricaço que deu um vexame na própria festa esses dias?

Ajeito meu Ray-Ban e, com um entortar de lábios, admito que sim, enquanto vejo seu olhar impressionado pelo retrovisor.

— Minha filha te acha o máximo, não consigo entender o motivo. Sua imagem não é muito boa, não é?

— Por acaso é do E! ou do TMZ para fazer essas perguntas?

O taxista branco demais e com manchas pela pele se cala em segundos. Ainda bem. Em vinte minutos chego à R&C e lhe pago a corrida. Ouço alguma piadinha e respondo batendo a porta com mais força do que o necessário. Não se fala em outra coisa a não ser meu pequeno ataque de fúria na festa de lançamento do último perfume, que eu, desgraçadamente, nomeei Lily.

Malditos lírios.

Subo no elevador com mais algumas pessoas que me dão bom dia sem saber se devem falar comigo. Parece que todos têm medo de mim agora. Quero que se danem todos. Ninguém sabe o que estou passando.

Finalmente chego ao último andar e vejo Lucy digitando rapidamente e falando ao telefone. Cumprimento-a com um bom dia e ela apenas afasta o telefone para dizer que tenho visita. Esse era o código que eu e Victoria usávamos quando costumávamos nos encontrar. Sim, eu fazia isso no meu escritório e Lucy sempre soube de tudo. É por isso que ela é tão incrível.

Caminho até meu escritório respirando fundo e devagar e me perguntando por que diabos Victoria pensa que ainda quero algo com ela. Ela tem sorte de ainda trabalhar aqui, as outras sempre sumiam logo depois de nos descobrirem. Entro em meu escritório que é onde tenho passado a maior parte dos meus dias há alguns meses e vejo que minha cadeira está virada de costas para mim. Presumo que a ruiva abusada esteja sentada nela, observando a vista.

— Quem te deu permissão para entrar e ocupar o meu lugar, Victoria? — bato a porta ao falar.

— Não me ofenda, Tyler. — Caralho. Essa voz não é da Victoria. A cadeira gira e eu paraliso. — Depois de tanto tempo, eu esperava uma recepção melhor.

Qual não é minha surpresa ao ver Lily sentada em minha cadeira, atrás da minha mesa, ainda mais linda e com um meio sorriso no rosto.

Notas finais
Uhuuuuuul, ela voltou. E agora, o que acham que vai rolar? Deixem seus reviews odiando a gente pela demora ou amando o capítulo. Enfim, só deixem os reviews aqui que agradecemos kkk Bjossss e até o próximo o/