Friendzone

5 Efeito Tyler


Notas iniciais
Bom, aqui é a Blue, anunciando mais um capítulo novo. Gostaria de dizer, por mim e pela Mary, que está muito divertido escrever essa fic, ENTRETANTO, está muito chato não ter uma resposta de quem lê. Claro que não estamos esperando 100 comentários, mas dois ou três é pedir muito? Acho que não... até por que até postamos rápido dessa vez. E esse capítulo, minha gente... olha, leiam e no final pensem se não está digno de um review. Se eu estiver errada podem me mandar MP falando o que não gostaram. Boa leitura!

Conheci Dianna quando tínhamos 15 anos e ela havia sido transferida para a mesma escola que Lily e eu. Naquela época nem reparei muito nela, tinha acabado de entrar na puberdade e descoberto umas coisas bem interessantes nas garotas: os peitos. E Dianna não tinha muito desses. Também existia o fato de eu estar ligado em outra garota para sequer prestar atenção em outras... Tal garota que é uma parte permanente da minha vida.

A história é a seguinte: Dianna se tornou, incrivelmente, a melhor amiga de Lily. Elas estavam sempre juntas, o que era um problema, já que eu estava sempre com Lily, o que nos tornou um trio. Eu não gostava muito porque ela era tímida pra cacete e sempre que rolava alguma festa e eu queria beber todas com a Lily, ela estava lá cortando o barato. Mas, enquanto num ano ela era um patinho feio, noutro se tornou o sonho de qualquer garoto da escola.

Eu não gostaria de dizer que só a queria por causa de sua nova aaprência, ou dos novos peitos, mas essa era a realidade. Num mesmo dia viramos um casal, e então nos tornamos Tyler e Dianna... E Lily. É estranhamente curioso quando sua paixão de infância se torna um peso. Eu queria estar sempre com Dianna, mas Lily também estava lá.

Não era como se eu pretendesse apagar Lily da minha vida, mas era um saco. Eu só queria ficar de agarração com a minha namorada gostosa e não queria minha melhor amiga de vela.

(...)

O teto está bem perto da minha cabeça, o que é engraçado já que não me lembro de poder flutuar. Estico os braços e tento alcançá-lo, mas é muito longe. Que doideira! Alguém ri ao meu lado, um risinho bobo, parecem sinos tocando. Viro para ver os sinos e encontro grandes olhos azuis me espreitando.

— Ei.

— Oi. — ela ri e seus olhos ficam miúdos.

— Essa é boa, hein?

— Muito boa.

— Você lembra... — eu rio. — Onde estamos?

Ela ergue o corpo se apoiando nos cotovelos, acho que para olhar em volta. Sua testa franzida não combina com suas feições, mas é algo que estou acostumado a ver. Essa é a Lily.

— Hum... — ela pigarreia, depois tosse. — É o meu quarto. Mas pode ser o seu, não tenho certeza.

Lily sorri e volta a se deitar. Seu cabelo preto faz uma moldura em volta da sua cabeça e isso só me faz pensar que prefiro as loiras, mas que aquele cabelo é lindo. Ela é linda. Ergo metade do meu corpo e me arrasto pelo chão até chegar nela, então deito minha cabeça em sua barriga. Consigo ouvir seu estômago roncar.

— Você está com fome?

— Sei lá, não acabamos de comer? — ela dá uma gargalhada que me deixa enjoado, porque faz meu cérebro chacoalhar, mas acabo rindo junto. — Brownies de maconha.

Começo a me contorcer de tanto rir e minha boca encosta-se a sua barriga. É como um choque violento. Faz com que paremos de rir na hora e a eletricidade passa dela para mim em correntes fortes. Num segundo, tudo o que quero fazer é beijá-la até secar. Começo a me mover em direção a sua boca e é só questão de segundos agora.

—Ei, os dois aí, já passou o barato?

Meu cérebro acorda num baque e de repente nem estou mais chapado. Olho para Dianna, que está sentada na cama de Lily com uma Seventeen no colo, com seu cabelo loiro preso num rabo de cavalo mal feito. Loira e gostosa, meu tipo.

— Hum... Sim. — saio de cima de Lily, que também se levanta e senta de costas para nós. — Passou sim.

Fico de pé e passo as mãos na calça para limpá-las, mas elas nem estão sujas. Minha mãe diz que sempre faço isso quando me sinto culpado. De repente Lily soluça. Quer dizer, acho que foi um soluço.

— É melhor vocês irem embora. — sua voz dela está engraçada, meio esganiçada. – Meus pais estão quase voltando do teatro e a última vez que me pegaram chapada fiquei de castigo.

— Você está bem? Quer que eu fique? –Dianna deixa a revista de lado e levanta da cama. – Posso ligar em casa e...

— Não! Quer dizer... Temos aula amanhã e preciso dormir pra curar essa ressaca. — Lily se vira para nós e seus olhos estão vermelhos. — Brownies podem fazer um estrago, não é?

Sorrio de lado para minha melhor amiga e estendo a mão para minha namorada.

— Vamos Di, te levo em casa.

Depois de uma agarração pesada no banco de trás do meu carro, dirijo de volta até a casa de Lily. Os pais dela, com certeza, ainda não estão lá, o que significa que a Senhorita Mentirosa está absolutamente sozinha. Dou a volta pelo quintal e entro pela porta da cozinha.

— Lil?

— Na sala.

Caminho pelo corredor abarrotado de fotos da família Carter e encontro Lily sentada no sofá, de costas para a porta. Ela está assistindo algum filme sangrento, então pulo o encosto e me sento ao seu lado.

— Que filme é esse?

— Jogos Mortais. — ela não desvia os olhos da TV, está na parte em que a garota está com um capacete gigante prestes a ficar sem cérebro. — Sorvete?

Percebo que tem um pote imenso de sorvete de baunilha em seu colo, então pego a colher que ela acabou de pôr na boca e tiro um naco de sorvete do pote.

— Tem colheres na cozinha, Tyler, no mesmo lugar de sempre.

— Eu gosto dessa aqui.

Lily suspira e se levanta, volta alguns segundos depois com outra colher na mão e se senta de novo. Aproveito e me ajeito melhor no sofá, colocando os pés para cima depois de tirar os tênis e encostando meu corpo no dela.

— Folgado. — ela também se ajeita para ficar confortável com todo o meu peso. — Odeio esse filme, é nojento.

— Então por que está assistindo?

— Já estava passando quando liguei a TV.

Ficamos um tempo apenas comendo sorvete e assistindo a nojeira gratuita, quando resolvo cortar o silêncio:

— Por que mentiu sobre seus pais?

— Hum?

— Nem vem Lily, nós dois sabemos que quando eles vão ao teatro só voltam no dia seguinte, felizes e brilhantes.

— Eca. — ela franze o cenho fazendo cara de nojo e eu seguro minha vontade de rir.

— Por que mentiu?

— Eu só não estava afim, algum problema? — ela dá de ombros e olha para a TV, mas duvido que esteja realmente interessada nesse filme sangrento, ela só quer me evitar.

Ou apenas evitar essa conversa.

— Pensei que ela fosse sua melhor amiga. — digo.

— As coisas estão esquisitas agora que vocês começaram a namorar. Dianna está estranha.

— Ela está ótima para mim.

— É exatamente isso, Tyler. Ela mudou para você reparar nela. — agora Lily me olha de novo, mas não queria ter feito isso, eu percebo.

— Bem, nós três sabemos que funcionou.

— Quando foi que você virou um idiota?

— Pare com isso, Lily. Eu acho que gosto mesmo dela. — solto a frase de uma vez, sem rodeios.

O quê? Sério? — uma de suas sobrancelhas arqueia-se perfeitamente em sua expressão de incredulidade.

— É... Talvez até apaixonado.

Não a olho quando digo isso, mas sei que ela parou com a colher dentro do pote e sei também que sua expressão agora não é das melhores. Eu fui apaixonado por ela por tanto tempo, talvez desde os doze anos de idade, que gostar de outra pessoa agora é muito estranho. Não espero que ela entenda, pois nunca soube o que eu sentia. E agora nem faz muita diferença. Estou em outra.

— Se... — ela faz uma pausa para outra colherada de sorvete. — Se gosta mesmo dela, por que está aqui comigo?

Essa pergunta me pega desprevenido e a olho sobressaltado.

— Nós prometemos, não lembra?

— Nenhum cara vai tomar seu lugar na minha vida e nenhuma garota vai tomar o meu lugar na sua. Incrivelmente, Tyler, isso já está acontecendo. — ela revira os olhos azuis, e quando faz isso é porque está começando a se chatear.

— O quê? Tem outro cara, Lillian? Você me trocou? Como pôde fazer isso comigo? Nossa saliva não significou nada pra você?

Faço drama só para vê-la sorrir, o que acontece, mas duram contáveis 10 segundos e quando para vejo que está brava.

— Por que está brava, Lil?

Seguro seu queixo e movimento sua mandíbula, como fazia quando a gente era criança. Ela caía do escorregador e ralava o joelho e eu tentava fazê-la parar de chorar, era sempre um bebezinho e depois de rir um pouco eu tinha pena e ia acudi-la.

— Eu... Droga, Tyler, eu não estou brava. — Lily dá um tapa em minha mão, me fazendo soltar seu rosto. — Pare com isso.

— Mas está com cara de brava. — aperto sua bochecha dessa vez.
Sua cara está toda vermelha...

— Ah, Tyler... Escuta, deixa pra lá. Estou feliz que você esteja feliz.

— Certeza? — ergo as sobrancelhas acentuando minha dúvida. — Certeza absoluta?

— Claro. — ela sorri para mim e tem sorvete no canto de sua boca. — A mais absoluta certeza.

— Obrigado, Lily. — estico-me por cima dela e lhe dou um beijo estalado na bochecha, depois limpo o sorvete com o dedo. — Você é a melhor.

— É, sou mesmo. — e ela me observa atentamente enquanto lambo o sorvete. — Sou a melhor.

(...)

Na semana seguinte eu disse a Dianna que a amava. Um ano depois a levei ao baile de formatura e no anuário da turma tinha uma foto nossa com a legenda de “o casal mais grudento”. Logo abaixo de uma foto minha com Lily legendada como “amigos para sempre, casados talvez”. Nós três fomos para Columbia University, e enquanto Lily resolveu morar em uma irmandade, eu e Dianna fomos morar juntos. E as coisas eram ótimas. Perfeitas, na verdade.

Até que um dia, quando estávamos para nos formar e prontos para começar uma vida como adultos, descobri que ela estava me traindo com, pelo menos, metade da fraternidade da qual Brian, meu amigo dublador, fazia parte. Quando questionei Dianna sobre isso ela disse que estava mais do que enjoada de mim, que eu era horrível, egocêntrico e um pé no saco, que queria viver a vida e não se amarrar a um idiota. O pior de tudo é que mesmo depois de ter dito tudo isso da maneira mais fria, eu ainda jurei que a amaria para sempre e que perdoaria tudo isso se ela se casasse comigo. Dianna riu uma gargalhada horrível e maldosa que até hoje me faz ter pesadelos. Ela chegou a chorar de rir, e depois de secar os olhos virou-se para mim e falou que a única mulher doida o suficiente para casar comigo era Lily, minha melhor amiga. E, futuramente, minha sócia.

Pensar nessa parte da minha vida me dá dor de cabeça. Sempre sinto que preciso de uma dose de uísque depois de pensar tanto em Dianna. Ela acabou comigo. Quase me destruiu por completo. Talvez tenha sido por completo, e renasci assim, desprendido de sentimentos. Hoje as únicas mulheres que consigo amar são minha mãe e Lily.

Ah, Lily...

Sexta-feira, dia de analisar relatórios de testes de produtos. Meu humor não está bom desde minha discussão com Lily, e desde esse dia não nos falamos. E para completar, os três relatórios dos três produtos que criei foram rejeitados, causando reações alérgicas em quase todos os testes. Que desgraça.

Estou, surpreendentemente, desmotivado. Lucy veio até minha sala, antes do meio-dia, para me avisar que mais um processo foi aberto contra nós e que o coordenador do departamento de direito está oficialmente deixando a empresa, por conta própria. Sempre tem alguém querendo nos processar e ganhar dinheiro às nossas custas dizendo que nossos produtos só faltam queimar suas peles. Odeio todas essas pessoas. E para completar, o coordenador de direito, que sempre defende nossas causas, resolveu se demitir porque não gostou do que eu disse a ele sobre Lily jamais olhá-lo porque ele é um velho babão.

Sei muito bem que o velhote pode me processar, mas não ligo. Sempre que eu e Lily brigamos, minha vida se torna essa merda. E ele tinha que vir me importunar justamente ontem, quando estava ainda mais estressado por causa da minha briga. Nem me importei em lhe falar a verdade, ele se iludia achando que Lily um dia olharia para ele com amor ou tesão. Poxa, o cara tem idade para ser pai dela. Alguém tinha que dizer a verdade, e eu fui esse alguém e não me arrependo.

E ele se demitiu. Ótimo.

Estou realmente tentando me concentrar em consertar as fórmulas que foram rejeitadas quando Lily abre a porta da minha sala, furiosa, e bate fechando-a. Quando olho para ela sinto até um alívio. Nunca ficamos tanto tempo assim tão perto um do outro, mas sem se falar ou se ver.

No entanto, nada está bom, ela ainda está com raiva.

— Baker se demitiu. O que diabos você fez para isso acontecer? — ela me acusa, certeira.

— Ué, ele não te disse? — inclino-me para trás, fazendo a cadeira deitar ligeiramente.

— Tyler, não estou com paciência para sua atitude babaca. Faça-o mudar de ideia. Ele é o melhor advogado que temos e não vamos achar ninguém como ele para livrar a empresa das merdas que você faz. — Lily está com roupas bastante informais hoje, calça jeans escura, sapatos pretos de salto e camisa branca com os primeiros botões abertos revelando a blusa branca por baixo. E os cabelos presos num coque que parece malfeito, vários fios caem sobre seu rosto.

Está desleixada para seus padrões.

— Certo, eu fiz merda. Falei que você jamais olharia para ele porque é um velho babão que tem idade para ser seu pai. — vejo-a arregalar os olhos azuis em choque. — Sei que não deveria jamais ter dito isso, mas eu estava irritado demais com tudo ao meu redor. E você sabe bem por que.

— Não, eu não sei.

Mentirosa.

— As três fórmulas em que eu vinha trabalhando deram errado, mais um processo foi aberto contra a empresa e Lucy veio me avisar, o que dificilmente faz. A porra do Baker se demitiu e tudo isso porque brigamos! É claro que você sabe. — segundos são suficientes para me irritar.

— E a culpa é de quem? — ela era incrivelmente chata quando queria.

— É minha. Mas você não facilita em nada e sequer admite que também fica mal quando brigamos. Olhe para suas roupas. — apontei-a de cima a baixo e sua expressão murchou. — Claro que está bonita, mas está incrivelmente simples e informal demais para alguém tão séria como você. Mas não pode admitir que às vezes estou certo, porque eu sempre tenho que ser o errado e você a certa, não é?

— Você tem uma habilidade incrível de mudar o foco das coisas. Não sei por que ainda me impressiono.

— Lily, pare de ser assim, por favor? — eu não aguento mais. Fico de pé, um pouco irritado demais, confesso, mas nesse momento só quero fazer as pazes com ela. — Não precisa dessa pose comigo, sou seu amigo. Seu melhor amigo. Ou não?

Encaro-a por algum tempo e ela baixa a guarda aos poucos.

— Você sabe que é. — diz em voz baixa.

— Então por que acha que precisa de tudo isso comigo? Poxa, nos conhecemos desde bebês, desde quando nem entendíamos nada das coisas, mas nossas mães já diziam que seríamos amigos. — fico em sua frente.

— Está tentando se desculpar? Pode fazer melhor que isso.

Respirei fundo, ainda impaciente com ela.

— Eu sei que sou um babaca sem igual e que sou um irresponsável que precisa mudar certos hábitos. Mas sabe muito bem que a última coisa que quero na vida é te magoar. Eu sei também que falei merda e me arrependo profundamente por isso, você não merecia nada do que falei, mas eu estava irritado. Assim como você estava quando falou da... Dela.

Era horrível falar dela.

— Não consigo ficar mais de um dia brigado com você, e sabe disso porque também se sente assim, mas consegue ser mais cruel e orgulhosa do que eu. — preciso tomar fôlego e então continuar: — A gente pode, por favor, passar por cima disso e voltar ao normal? Pode me desculpar?

Lily me olha até sorrir e eu me animo.

— Eu sei que fui um pouquinho longe falando na Dia... Nela. Então acho que podemos passar por cima disso tudo. Posso te desculpar.

Rio e então a abraço apertado, de propósito, e ela me dá tapas nas costas e reclama que suas costelas doem, como sempre.

— E que tal um drinque para comemorar as pazes? — faço a proposta e ela franze o cenho, desconfiada como sempre. — No bar à frente do meu prédio, não tem perigo algum de ficar sozinha. Juro de mindinho. — estendo-lhe minha mão direita com o dedo mindinho esperando para que jure comigo como quando éramos crianças. — Se quiser posso jurar com a saliva também como nos velhos tempos.

— Que nojo, Tyler.

— E então, vai ou não? Vamos lá, é sexta-feira, tivemos uma semana de cão. O que um drinquezinho pode fazer de mal a dois melhores amigos que acabaram de fazer as pazes?

Eu posso jurar que ela vai recusar, mas me surpreende e junta o mindinho no meu e jura que vai. E então sai da minha sala sorrindo.

— Aquele dia foi hilário! O Sr.Burns ficou revoltado porque eu estava ensinando a sala toda muito melhor do que ele que tinha aquela bosta de diploma de Yale. — rio depois de um gole do meu uísque. Lily ri à minha frente com seu cosmopolitan de sempre.

— Desculpa aí, Garoto Harvard. — ela ri mais e seus olhos diminuem um pouco.

— Não fale em Harvard, sabe que isso ainda me frustra. — continuo rindo.

— E quem se importa em não ter entrado lá quando hoje se é um dos poucos milionários com menos de trinta anos? — Lily vira o resto do drinque.

Encaro-a embasbacado.

— Não acredito que disse isso.

— Pois eu disse. — e então chama o garçom e pede outro drinque.

— Sabe que já é o quinto, não sabe?

— E daí? Não foi você que me disse pra curtir mais e blá blá blá?

Ela está mesmo seguindo meu conselho. Isso é chocante. Faz-me lembrar de quando éramos adolescentes e íamos às festas e bebíamos como se fôssemos imortais.

— Então acho que isso merece um brinde. Que tal uma tequila? Só para comemorar.

— É tudo por sua conta, viu?

Não consigo acreditar. Há tempos não tenho uma conversa dessa com Lily, ainda mais com tanto álcool. O garçom não demora e logo traz nossas doses e os limões e o sal. Pegamos nossos copinhos e brindamos antes de colocarmos o sal na língua, virar o líquido queimante de uma só vez, fazer caretas e chupar o limão. Estamos rindo freneticamente e Lily até joga a cabeça para trás, mas volta logo tentando se recompor.

— Ah, lembra daquela vez que você foi para diretoria porque foi pega aos amassos com o Carter debaixo das arquibancadas? — me contorço de tanto rir e a cara que ela faz me deixa sem ar sem poder controlar a risada.

— Não me lembre disso! — ela ri alto comigo e agora somos apenas dois melhores amigos malucos e bêbados rindo. — Fiquei morrendo de vergonha quando minha mãe foi até lá. Foi horrível.

— O banheiro era sempre melhor, mais escondido.

— E nojento, bem a sua cara. — ela coloca a língua para fora e então toma o primeiro gole de seu quinto cosmopolitan. — Mas até que valeu a pena.

— Você pegou o capitão do time de futebol e eu nunca consegui pegar uma animadora de torcida. Que vida triste!

Lily se diverte às minhas custas e se acaba de rir.

— Chances não te faltaram, eu podia facilmente falar de você para elas.

— Claro, você era uma delas.

— Go Tigers! — ela mais ri do que canta, levantando os braços como na coreografia da sua época de animadora de torcida.

— Ah, isso me fez lembrar aqueles uniformes curtinhos que vocês usavam.

— E vocês, meninos idiotas, só olhavam para nossas pernas.

— Pernas, Lily? Fala sério. — rio e giro meu copo ouvindo o gelo bater contra o vidro. Tomo um longo gole, quase a dose toda. — Dificilmente olhava para as pernas, era a bunda mesmo. Nossa, a Kristen era tão gostosa no terceiro ano. Lamento muito não ter tentado ficar com ela. Acha que teria aceitado?

— Kristen? Ela era lésbica. — Lily gargalha alto e apesar de tonto, sei que estamos muito bêbados.

— Ah, melhor ainda, eu podia pegar mais uma e rolaria um ménage incrível.

Ela mostra a língua de novo.

— Lily, acho que já estamos bastante alterados. Já podemos ir... Eu acho. — falo, pensando mais no bem-estar de minha melhor amiga do que no meu. Eu não queria ter motivos para me preocupar com ela.

— Tudo bem. — ela vira o resto do cosmopolitan, que não é pouco, e sorri fechando os olhos.

Ficamos de pé e ela quase cai, cambaleio por alguns segundos e então rimos um da cara do outro. Sinalizo para o dono do bar, que é meu amigo, que pagarei a conta outro dia, e abraço Lily pelos ombros e ela faz o mesmo. E então saímos juntos, bêbados, abraços, rindo como loucos.

Atravessamos a rua e nem imagino que horas são, mas deve ser tarde, está escuro e a rua parece vazia, mas um carro passa por nós como um borrão, quase nos atropelando, e eu xingo alto mesmo com o motorista longe demais para ouvir.

— Lembra daquela música que cantamos naquela apresentação no jardim de infância? — Lily mal consegue falar sem parar de rir, é tão engraçado.

Chegamos até a entrada do meu prédio, passamos pela portaria e nem vejo se recebemos olhares tortos.

— Lembro. Era: “Well, shake it all, baby, now.

Twist and shout! — Lily canta gritando e ambos rimos. Sinto seu peso que quase nos fazer cair, mas ainda consigo carregá-la junto de mim.

Chegamos tropeçando até o elevador, que não tem o técnico chato e fofoqueiro hoje, ainda bem. Aperto alguns botões de propósito e temos que parar em sete andares antes de irmos até a cobertura.

Minha melhor amiga está quase sentando no chão e, sempre sem parar de rir ou me sentir tonto, esforço-me a levantá-la pela cintura. Consigo, com muito esforço, colocá-la de pé, e trôpegos, tocamos os rostos. Meus olhos ardem um pouco, mas ainda consigo enxergar os olhos azuis que conheço desde sempre. Eles me olham como duas bolinhas de gude brilhantes. Eu tinha uma coleção dessas bolinhas, minha mãe as odiava. Vejo e sinto Lily suspirar pesado e caramba, que coisa mais sexy.

Não, Tyler, ela é sua amiga. Sua melhor amiga e sócia, não uma mulher que você conheceu na noite e está prestes a transar. Não mesmo.

Mas foi justamente por culpa dela que eu não saí com ninguém a semana toda. A semana toda. Brigar com ela realmente destrói minha vida. E agora ela está aqui, suspirando pertinho de mim, fazendo-me sentir seu hálito quente e bêbado tocar meu pescoço, agora que está menor do que eu sem os saltos que estão em suas mãos.

Apoio uma mão na parede de madeira do elevador, acima de seu ombro e respiro fundo, encarando sua boca que nunca me pareceu tão linda. Claro que eu sempre soube que Lily era bonita, mas agora, me olhando assim... Que gostosa.

Ouvimos a porta se abrir e despertamos. Saímos tropeçando menos e sem rir. Vejo-a ir em direção a cozinha e sigo para a sala. Escuto o sininho de Slash, mas ele nem vem me recepcionar, é preguiçoso demais para isso, esse cachorro gordo. Tento me livrar do calor que fiquei quando segurei Lily no elevador, mas ele não sai de mim. Tudo o que quero agora é tirar a roupa. A minha e a dela.

Penso em jogar-me no sofá, mas não o faço. Resolvo ir até a cozinha ver o que ela está fazendo.

— Ei, o que é isso? — pergunto quando a vejo de costas, a geladeira aberta atrás dela.

Lily vira-se e vejo que está com uma das taças de mousse de chocolate com chantilly em mãos. E um dedo na boca, com chantilly. O dedo. Na boca.

— Eu queria algo doce pra comer. Você sempre tem doce aqui. — ela explica enquanto coloca o dedo dentro da taça, na camada de chantilly e o leva à boca.

Imagino-a colocando outra coisa na boca e me repreendo imediatamente. Junto-me a ela, mas de algum modo gosto mais da ideia de dividirmos a taça, mesmo havendo outras inteirinhas dentro da geladeira.

— Eu também quero. — faço menção de pegar um pouco com o dedo, mas ela desvia de mim, rindo. E então faz o que jamais imaginei que faria: pega mais chantilly com o dedo indicador e leva até minha boca e aceito, meio hipnotizado. Vejo que o canto de sua boca está sujo e sinto uma vontade imensa de limpar com a língua.

E em menos de um segundo estamos nos beijando. O gosto de chantilly e álcool é o melhor deles. A taça de mousse voa para algum lugar que não me importa, só consigo sentir o beijo apressado de uma das mulheres mais lindas que já conheci em toda minha vida. Andamos pela cozinha até que ela encosta as costas na bancada de mármore e eu a coloco sentada sobre ela e me encaixo entre suas pernas em seguida. Nossas mãos são ágeis e rápidas demais, logo sinto a força que tem quando puxa meu cabelo e enlouqueço rasgando os botões de sua camisa, abrindo-a de uma só vez.

Suas pernas cruzam em minha cintura e já consigo sentir seus seios pressionando-se contra minha pele. Antes de tirar a outra blusa que veste, carrego-a da cozinha até meu quarto, no segundo andar. Já estamos na cama bagunçando os lençóis e tirando o resto das roupas. Enquanto estou de pé lutando, trôpego, para livrar-me da calça jeans, vejo-a só de lingerie deitar-se na cama, e então virar de bruços, deixando-me ver com a atenção que nunca tive sua tatuagem pequena e delicada, bem abaixo da cintura onde nem o jeans consegue cobrir, de asas abertas que eu julgo até hoje ser de um anjo, mas ela nunca afirmou. Eu adoro essa tatuagem.

Finalmente me livro do resto de roupa que ainda tenho e deito sobre ela ainda de bruços. Começo a beijar seu pescoço e vou passando pelas costas tentando não ser tão rápido, e então chego até a tatuagem. Perco-me por algum tempo enquanto escuto seus suspiros altos e pesados. Gosto da sensação de preencher minhas mãos enquanto seguro seu quadril e ela começa a se contorcer respondendo aos meus comandos.

Eu só quero tê-la inteiramente para mim agora.

— Por que nunca fizemos isso antes? — pergunto entre suspiros ofegantes.

Começo a tirar sua lingerie e antes que tire tudo ela se vira e completa a tarefa. Logo me puxa para si só com o olhar e eu tiro seu sutiã em rápidos segundos.

— Não sei, Tyler. — ela suspira com a testa prensada contra meu queixo e depois me encara intensamente. — Não sei mesmo.

Seus cabelos pretos agora estão soltos, caindo pelas costas e ombros, selvagens e bagunçados. Uma visão delirante. Beijo-a mais uma vez, por mais tempo, mais ofegante. Não há mais rastros do gosto de doce com álcool, mas seu beijo ainda é extremamente delicioso. Nossas bocas não se desgrudam enquanto ela cruza as pernas em minha cintura e me prende ali.

Quando me dou conta, não é mais Lily, minha amiga, que está deitada embaixo de mim. É Lillian, a mulher incrível por quem um dia, há anos, me apaixonei.

Sinto suas mãos por toda a minha pele, o que não é pouca coisa, e a seguro firmemente pelos ombros enquanto faço pressão contra seu corpo. Ela arranha minhas costas com tanta força que posso jurar que ficarão marcas. Minha pele arde.

— Por que quer me machucar assim? — estou ofegante, mas de alguma maneira consigo rir e pergunto-me se ela entendeu o que eu disse.

— Porque você merece. — isso me deixa um pouco irritado e mais excitado, aumento ainda mais a pressão em seus quadris e ela não suspira mais. Ela grita cada vez mais alto. E isso é o que chamo de Efeito Tyler.

Minha respiração começa a falhar, minhas pernas tremem com a explosão de prazer que me consome e logo em seguida ela entra em êxtase, olhos fechados e lábios entreabertos, estremecendo e gemendo alto. Caio sobre seu corpo e quero ficar ali pelo máximo de tempo que conseguir, me sinto esgotado.

Não quero me mover nunca mais.

Acordo me sentindo estupidamente feliz e satisfeito. Abro os olhos e a claridade me cega por um instante. Mesmo com a incrível sensação de alegria, minha cabeça incomoda mais, latejando. Estou com muita sede. Giro a cabeça o mínimo possível apenas para ver o relógio sobre o criado-mudo e ele não está ali. No lugar, tem uma foto minha com Lily.

Isso é estranho, eu sempre durmo do lado esquerdo. Isso quer dizer que estou no lado errado da cama, o que é óbvio. Viro-me para o outro lado e, então... Que porra é essa?

O que diabos Lily está fazendo em minha cama envolta em meus lençóis?!

Estou em choque. Não consigo entender nada do que vejo. Apoio-me sobre o cotovelo e olho por sobre ela para o relógio: são 11h. Vejo-a se mexer e então começar a apertar os olhos até abri-los.

O que foi que eu fiz? Na verdade, o que foi que fizemos?

Meu coração acelera tentando negar o que penso ter acontecido entre nós. Seus olhos azuis finalmente se abrem e ela me vê. Ela demora a entender que sou eu e então arregala as bolinhas de gude que tem nos olhos.

— Tyler?

— Lily... — estou tão assustado quanto ela.

Vejo-a respirar fundo, e então levanta o lençol sobre seu corpo. Só pelo olhar apavorado que me dá entendo que está nua.

— O que aconteceu?! — ela praticamente grita e se levanta da cama enrolada nos lençóis e sai correndo do quarto.

Estou estático, mas consigo despertar rapidamente e levanto, visto a primeira calça que vejo e saio atrás dela, tentando lembrar do que aconteceu na noite passada.

— A gente... Tyler, a gente... — Lily está com o rosto vermelho, como sempre fica quando fica nervosa.

— Não... Não é possível... — gaguejo sem entender nada. Esfrego as mãos na calça e depois no cabelo – Não...

Sigo-a quando desce até a sala e então vamos até a cozinha. Sua camisa está no chão, perto da bancada. Droga. Nós realmente fizemos.

— Meu Deus do céu... — ela tapa a boca com a mão, chocada. Vejo que prende o lençol cada vez mais contra o corpo e do nada a visão dos seus seios totalmente livres vem à minha cabeça.

Emudeço, não consigo raciocinar direito com isso tudo. Não pode ser, eu transei com a minha melhor amiga! A mesma que eu sempre tratei como irmã. Eu meio que transei com a minha própria irmã! Eu definitivamente acabei com todas as minhas chances de ir para o céu.

Mas por que isso me enlouquece de certa forma?

Lily pega a camisa e volta correndo para o segundo andar. Fico parado no mesmo lugar por um tempo que nem sei, mas deve ser rápido porque ela não demora a voltar vestida e amarrotada, o cabelo desgrenhado e o rosto pálido.

— Isso só pode ser um engano, não é? — falo quando vejo-a apertar o botão do elevador para ir embora.

— Não é. — ela está tão assustada quanto eu.

Como fizemos uma coisa dessas? Como isso aconteceu? Ah, merda, os drinques, a tequila, ela caindo no elevador... Chantilly.

Lily entra no elevador e aperta o botão para descer.

— Acho que temos que conversar sobre isso, Lily.

— Desculpa, mas não posso lidar com mais isso, Tyler.

As portas se fecham e ela nem ao menos olha para mim.

Vou até a sala e me sento no sofá, apático. Apoio a cabeça nas mãos e respiro fundo. As lembranças da noite passada começam a passar repetidas vezes pela minha cabeça.

E eu aprecio cada segundo delas.

Notas finais
Está ou não digno de review? Se não estiver, já sabem, é só mandar MP me xingando e falando o que acham. Em breve postaremos mais. Até lá, esperamos reviews, por favor, é importante saber a opinião de quem lê. E quem não gosta de fazer amizades com as autoras? Gente, eu adoro, vocês não? Então, já sabem. Beijos e até a próxima. By Blue