Frequência do Amor
7 Capítulo 7
Depois que Seo-joon foi embora, Taehyung ficou encarando a tela do celular por o que pareceram horas. Ele, que estava acostumado a lidar com multidões e a ser desejado por milhões, sentia-se como um garoto trêmulo. O medo não era de ser rejeitado pela aparência ou pela fama, mas sim de levar um "não" seco e definitivo de JungWoo.
Ele sabia que JungWoo não se importava com quem ele era no mundo lá fora. E isso tornava a resposta dele a única que realmente importava.
— Se ele disser não, acabou — sussurrou Taehyung para o silêncio do quarto.
Com os dedos levemente instáveis, ele finalmente digitou:
"JungWoo, eu queria te fazer um convite. Eu sei que a gente se fala há meses, mas eu gostaria de te ver de verdade. Eu organizei um lugar calmo e seguro para nós na próxima sexta, às 20h. Só nós dois. Você aceitaria jantar comigo?"
Ele enviou e bloqueou a tela imediatamente, jogando o celular longe como se o aparelho pudesse queimá-lo. O tempo parecia se arrastar. Cada minuto de silêncio era uma confirmação, na cabeça de Taehyung, de que ele tinha passado dos limites.
Quando a notificação finalmente brilhou, ele respirou fundo antes de ler.
"Tudo bem, Taehyung. Eu aceito. Mas só com uma condição: eu faço questão de arcar com as minhas próprias despesas. Não me sinto confortável se for de outro jeito."
Taehyung soltou uma risada curta, misturada com um alívio imenso. Aquela era a resposta mais "JungWoo" que ele poderia receber. Não houve um "onde vai ser?", "quem você é?" ou um surto de empolgação. Houve apenas o estabelecimento de um limite claro. JungWoo queria estar lá em pé de igualdade, sem dever nada a ninguém.
"Combinado", Taehyung respondeu rápido, com um sorriso largo no rosto. "Eu respeito isso. Sexta-feira, às 20h. Eu te mando o endereço."
Agora que o "sim" estava garantido, uma nova ansiedade começou a crescer. Taehyung não perdeu tempo e ligou para Seo-joon. Ele precisava resolver o problema do lugar antes que a ansiedade o fizesse perder o sono.
— Hyung! Ele aceitou — Taehyung disparou assim que o amigo atendeu. — Mas temos um problema. Ele impôs uma condição de ferro: ele quer pagar a parte dele. Ele não quer que eu pague o jantar de jeito nenhum.
Houve um silêncio do outro lado da linha, seguido por uma risada curta de Seo-joon.
— Ele quer dividir a conta? Taehyung, o restaurante que eu estava vendo para fechar... só a entrada custa mais que o aluguel de um apartamento comum. Se ele vir o cardápio, ele vai fugir ou vai ficar ofendido achando que você está ostentando.
— Exatamente! — Taehyung exclamou, andando de um lado para o outro. — Eu não posso levar ele num lugar onde ele vai se sentir desconfortável com o preço. Eu quero que seja algo real, entende? Onde a gente possa sentar e conversar sem que ele fique calculando quanto tem na carteira ou se o salário do mês cobre a janta.
Seo-joon ficou pensativo por um momento. O instinto de segurança dele trabalhava rápido.
— Bom... se é assim, esquece o jantar sofisticado. O Baek-hyun abriu aquela hamburgueria nova, a 'Neon Burger'. É um lugar descolado, moderno, mas os preços são de uma lanchonete normal. Eu posso falar com ele para fecharmos o segundo andar só para vocês. É seguro, tem entrada por trás e o JungWoo vai conseguir pagar o hambúrguer dele sem entrar em choque térmico com o valor.
Taehyung sentiu o peso sumir dos ombros. Uma lanchonete. Hambúrguer, batata frita e refrigerante. Era perfeito. Era o tipo de lugar onde o "Taehyung da vida real" adoraria estar, longe das etiquetas e da comida milimetricamente montada.
— Perfeito, hyung. Faz isso. Me manda o cardápio de lá depois, quero ter certeza de que é algo que ele vá gostar.
— Pode deixar, "grude". Vou organizar tudo com o Baek. Só se prepara... uma lanchonete fechada só para dois ainda parece um pouco suspeito, mas é o melhor que a gente consegue fazer para manter a sua privacidade por enquanto.
Taehyung desligou e enviou o endereço para JungWoo: "É uma lanchonete de um conhecido, um lugar tranquilo. Não se preocupa com o preço, é bem acessível. Te vejo na sexta."
A resposta de JungWoo veio minutos depois, simples e direta: "Lanchonete parece ótimo. Gosto de hambúrguer. Até sexta, Taehyung."
Na sexta-feira, Taehyung chegou à 'Neon Burger' vinte minutos antes do combinado. Ele usava um boné baixo e uma jaqueta larga, tentando se misturar às sombras do segundo andar. O lugar era moderno, com luzes de neon suaves, mas o silêncio do andar vazio deixava Taehyung ainda mais inquieto. Ele batucava os dedos na mesa de metal, conferindo o relógio a cada trinta segundos.
Exatamente às 20h, ele ouviu o som de passos na escada. Taehyung se levantou, o coração dando um solavanco. Quando a silhueta de JungWoo apareceu no topo da escada, ele parecia exatamente como na chamada de vídeo, mas trazia um par de abafadores de som robustos sobre as orelhas, de um cinza fosco. Taehyung sorriu, achando que eram apenas fones de ouvido modernos.
— Oi... Taehyung — JungWoo disse, a voz saindo naquele tom baixo e firme. Ele se sentou com uma rigidez quase ensaiada, como se ocupasse o espaço com cuidado.
— Você conseguiu chegar bem? O lugar é meio escondido — Taehyung comentou, tentando quebrar o gelo. — E aí, o que você estava ouvindo de tão bom nesses fones que não tirou até agora?
JungWoo tocou no abafador lateral. — Ah... eu não estou ouvindo música. São abafadores. O som da rua estava muito caótico hoje.
Taehyung inclinou a cabeça, sem entender a profundidade daquilo, mas aceitou com naturalidade. — Entendi. Tipo um modo "não perturbe" para o mundo real? Gostei da ideia.
Enquanto esperavam os pedidos, Taehyung observava a forma como JungWoo parecia mapear a mesa com o olhar. Não havia o nervosismo típico; havia uma curiosidade analítica.
— Além de estrelas e panelas... o que mais ocupa essa sua cabeça técnica? Algum outro hobby? — Taehyung perguntou.
— Dinossauros — respondeu JungWoo, direto. — Especialmente o período Cretáceo. Gosto de como tudo neles pode ser catalogado. A estrutura óssea, a evolução das espécies... eu gosto de saber onde cada peça se encaixa.
Taehyung inclinou-se para frente, cativado. — O que te atrai tanto nessas coisas tão diferentes? Astronomia, culinária, dinossauros... Qual é o fio que liga tudo isso?
— É sobre ordem — JungWoo explicou. — Na culinária, você junta ingredientes; na astronomia, você cataloga o infinito para não se perder nele. Eu gosto de aprender coisas novas sempre sobre o mesmo tema, de ir fundo até entender o mecanismo. O mundo faz mais sentido quando você pode nomear e organizar as partes dele.
Taehyung ficou em silêncio por um momento, absorvendo aquilo. Para alguém como ele, que vivia em um turbilhão de emoções abstratas, a clareza de JungWoo era quase terapêutica.
— Eu acho que nunca conheci ninguém que visse o mundo com tanta nitidez — Taehyung confessou em um sussurro. — Para mim, as peças estão sempre voando. Conversar com você é como colocar um desses abafadores. O barulho para um pouco.
JungWoo olhou para os próprios abafadores e depois voltou para Taehyung, parecendo tentar catalogar aquele elogio novo em sua mente. Naquele segundo andar de uma lanchonete comum, cercado por luzes de neon e pelo silêncio confortável de JungWoo, Taehyung sentiu que finalmente tinha encontrado um lugar onde não precisava ser nada além de si mesmo.
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