Notas iniciais
Espero que estejam gostando da história, foi feita com muito carinho.

A luz azulada do monitor era a única coisa que iluminava o rosto de Taehyung enquanto ele apertava freneticamente as teclas do teclado. No fone de ouvido, a voz de Seo-joon soava concentrada e levemente estressada, abafando o som ambiente do quarto.


— Taehyung, recua! Se você avançar agora, o jungler deles vai te pegar e a gente perde a torre. Foca no jogo, "grude"! — Seo-joon exclamou, enquanto o som de feitiços e explosões do League of Legends preenchia o áudio.


— Eu estou focando, hyung! — Taehyung rebateu, mas seu personagem deu um passo em falso porque sua mente ainda estava presa nas luzes de neon do Neon Burger. — Mas você não entende... ele foi muito sincero. Quando eu contei como a minha rotina de ensaios e gravações é esgotante, ele não tentou me consolar com clichês. Ele não disse que "valia a pena pela fama".


— Ele disse o quê? — Seo-joon perguntou, o som de cliques rápidos denunciando que ele estava em uma luta intensa pela sobrevivência no mapa.


— Ele disse que parecia "ineficiente". Que gastar tanta energia vital para repetir o mesmo movimento mil vezes parecia um erro de cálculo biológico — Taehyung riu baixo, lembrando da seriedade de JungWoo. — Ele falou com uma lógica tão pura que, por um segundo, eu quase concordei com ele.


— Cuidado com a Ultimate da Jinx! — Seo-joon avisou, desviando por pouco. — E como ele estava? Ele pareceu confortável com o lugar que escolhemos?


— Sim! E foi tudo muito natural. — Taehyung fez uma pausa, seu personagem parado no mapa enquanto ele buscava as palavras. — E ele tem um jeito diferente, hyung... ele não foca o olhar no meu rosto por muito tempo. Ele olha para as luzes, para o cardápio, e enquanto explicava sobre os fósseis do Cretáceo, os olhos dele brilhavam muito, ele ama mesmo dinossauros. Ele cutucava o próprio braço quando falava... Ele perguntou sobre como andava minhas ranqueadas e algumas coisas bobas que compartilhei.


— Taehyung, você morreu. De novo — Seo-joon suspirou, vendo a tela cinza de renascimento no monitor do amigo. — Você está descrevendo o cara como se estivesse analisando uma obra de arte no Louvre. Cutucar o braço? Isso é detalhe demais até para você.


— Não é isso, hyung. É que parecia que ele estava tentando se manter estável, entende? Como se o mundo ao redor fosse barulhento demais e aquele toque no braço fosse o que o mantinha no lugar. Eu achei... real. Ele não tentou me impressionar em nenhum segundo. Ele comeu o hambúrguer, dividiu a conta centavo por centavo, e no final disse que a minha companhia era "estatisticamente agradável".


Seo-joon soltou uma gargalhada, finalmente relaxando os ombros após vencer a disputa no jogo.

— "Estatisticamente agradável"? Esse cara é uma figura. Ele é o primeiro amigo que você tem que não sabe o seu nome artístico e te trata como se você fosse uma descoberta científica.


— E eu adorei isso — Taehyung encostou a cabeça no encosto da cadeira gamer, ignorando o cronômetro de renascimento na tela. — Ele é simples, hyung. Ele não tem filtro, mas não é rude. Ele só vê o que as coisas são. Eu quero ver ele de novo.


— Bom, se você quer ver ele de novo, primeiro você precisa aprender a não morrer para um adc batata enquanto fala dele — Seo-joon provocou, mas seu tom era suave e carregado de um raro otimismo. — Ele parece ser bom para você, Tae. Ele te tira daquela bolha de "perfeição" que a empresa cria. Só toma cuidado para não assustar o seu mestre dos dinossauros indo rápido demais.


Taehyung sorriu, voltando a focar na tela conforme seu personagem revivia.

— Eu vou com calma. No ritmo dele. Se ele precisa de abafadores para o som e de toques no braço para se situar, talvez eu precise ir diminuindo o volume da minha própria vida para ele conseguir entrar de vez.


O jatinho cortava o céu em direção a mais um compromisso internacional. Na cabine silenciosa, o único som era o de Taehyung rindo baixo para a tela do celular. Ele estava atento observando JungWoo na cozinha de sua casa e explicava todo o processo.


JungWoo usava um avental simples e estava concentrado, picando legumes com uma precisão cirúrgica. Ele não olhava fixamente para a câmera, mas falava enquanto trabalhava, focado na tábua de corte.


— A técnica de corte exige atenção — JungWoo explicava. — Se os pedaços têm tamanhos diferentes, o cozimento não é uniforme. A textura se perde.


— Eu adoro como você faz até uma cenoura parecer um experimento — Taehyung comentou, relaxado na poltrona de couro.


Nesse momento, Namjoon passou pelo corredor segurando um livro. Ao ver o sorriso de Taehyung, ele parou por curiosidade e espiou por cima do ombro do amigo. Taehyung não escondeu o celular; virou a tela para apresentar os dois.


— Hyung, este é o JungWoo. JungWoo, este é o Namjoon.


parou a faca no ar por um segundo e olhou para a tela. Ele não pareceu intimidado pela presença do líder do grupo; ele apenas analisou Namjoon com calma antes de falar.


— Olá, Namjoon — disse JungWoo, dando um aceno leve. — Você é bonito. Tem um rosto que transmite equilíbrio.


Taehyung soltou uma risada surpresa, enquanto Namjoon deu aquele sorriso largo que formava covinhas, achando a honestidade de JungWoo fascinante.


— Obrigado, JungWoo. É um elogio muito gentil — Namjoon respondeu, sentando-se por um instante. — O Tae me contou que você gosta de astronomia e paleontologia. Eu estava lendo sobre a extinção no final do Cretáceo. É um assunto impressionante, não acha?


Os olhos de JungWoo brilharam. Ele esqueceu os legumes por um momento.

— A hipótese do impacto do asteroide é a mais aceita, mas as erupções vulcânicas na Índia também foram cruciais — JungWoo disparou, e os dois engataram em uma conversa rápida sobre mudanças climáticas e fósseis.


Taehyung observava os dois conversando com um sorriso no rosto. Ele sabia que se Namjoon aprovava alguém, era porque aquela pessoa era real. Quando Namjoon se levantou para deixá-los sozinhos, deu um último aceno: "Prazer em te conhecer, JungWoo. Você é brilhante."


— Viu só? O meu hyung mais inteligente agora é seu fã — brincou Taehyung.


— Gostei dele — JungWoo comentou, voltando para os seus legumes. — Além de ser bonito, ele parece ser uma pessoa funcional. Ele é inteligente e ouve com atenção, sem interromper o fluxo do raciocínio. Gosto de pessoas assim.


Taehyung sentiu um orgulho bobo no peito.

— É, ele é exatamente assim.


— A água entrou em ebulição agora, Taehyung — JungWoo avisou, sem cerimônia, apontando para a panela fora do campo de visão da câmera. — O tempo da massa é exato para não perder a textura. Preciso ir agora.


— Tudo bem, mestre cuca. Boa janta — Taehyung sorriu, vendo a tela escurecer.


Ele suspirou e olhou pela janela do jatinho. As estrelas lá fora pareciam mais próximas, talvez porque agora ele tinha alguém que não apenas as explicava, mas que fazia o mundo aqui embaixo parecer muito mais simples e honesto.