Frequência do Amor
13 Capítulo 13
13
A noite chegava ao fim com uma sensação de satisfação mútua. JungWoo limpou os cantos da boca com o guardanapo de linho, realizando o movimento com uma precisão quase coreografada. Ele olhou para a mesa, certificando-se de que seus talheres estavam em paralelo perfeito antes de se levantar.
Taehyung o acompanhou até a saída reservada do restaurante, com os outros quatro amigos observando a cena de longe. Ao chegarem ao umbral da porta, onde o som do saguão principal começava a vazar como um ruído estático, JungWoo parou. Ele levou as mãos ao pescoço e deslizou os abafadores de volta para as orelhas. O alívio em seu semblante foi imediato, como se ele tivesse acabado de submergir em águas calmas.
Ele se virou para Park Seo-joon, que se aproximou para a despedida final.
— Obrigado pela hospitalidade, Seo-joon-ssi — JungWoo disse com sinceridade — O ambiente é muito bem planejado, a acústica desta área reservada realmente cumpre o que promete. Foi um jantar agradável e o serviço foi impecável.
Seo-joon sorriu com sinceridade, apreciando o reconhecimento técnico. — Fico feliz que tenha se sentido bem, JungWoo. As portas estarão sempre abertas para você.
JungWoo fez uma reverência curta para o grupo e, por fim, voltou-se para Taehyung. Por um momento, os amigos acharam que ele apenas acenaria, mas JungWoo deu um passo à frente, quebrando a formalidade. Ele envolveu Taehyung em um abraço breve, mas firme. Foi um gesto rápido, mas carregado daquela familiaridade que eles haviam construído entre panelas e cortes de legumes.
Taehyung ficou estático por um microssegundo, sentindo o perfume sutil de sândalo de JungWoo e o toque dos abafadores contra seu ombro, antes de retribuir com um sorriso que não conseguia esconder. Quando JungWoo se afastou, ele apenas deu as costas e caminhou com sua postura ereta em direção à saída, sem dizer "tchau" ou "até logo".
Taehyung ficou ali parado, com uma expressão visivelmente boba e um brilho nos olhos que entregava o quanto aquele pequeno gesto havia mexido com ele. Ele demorou alguns segundos para recompor a postura antes de voltar para a mesa. Ele se jogou na poltrona de couro, ainda sentindo o calor do abraço.
— E aí? — Taehyung perguntou, tentando disfarçar o sorriso bobo enquanto olhava para os quatro amigos. — Ele passou no teste ou o Hyung-sik ainda vai me dar um sermão sobre "segurança e privacidade"?
Hyung-sik soltou uma risada baixa, balançando a taça de vinho. — Ele é fascinante, Tae. Realmente fascinante. É difícil encontrar alguém que não mude de personalidade ou que não tente ser excessivamente simpático para nos impressionar. Gostei da firmeza dele. Ele é... sólido.
Houve um momento de silêncio na mesa, quebrado apenas pelo som do gelo estalando em um copo. Peakboy, que passara a maior parte da noite em um estado de observação quase clínico, inclinou-se para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos.
— Por que você não contou pra gente, Tae? — Peakboy perguntou. A voz dele não era de julgamento, mas de uma curiosidade profunda e genuína.
Taehyung franziu a testa, a confusão estampada no rosto. — Contou o quê, hyung? Que ele é um mestre na cozinha? Eu falei isso o tempo todo.
— Não — Peakboy disse, olhando para Seo-joon e Woo-shik antes de fixar os olhos no caçula. — Por que não contou que o JungWoo é autista?
O impacto daquelas palavras foi visível. Taehyung arregalou os olhos e o sorriso bobo em seu rosto congelou por um segundo. Ele ficou estático, o coração dando um solavanco contra as costelas.
— O quê? — Taehyung balbuciou, as sobrancelhas unidas. — Do que você está falando, hyung? Autista?
Woo-shik e Seo-joon também pararam seus movimentos, pegos de surpresa pela afirmação direta de Peakboy.
— Como vocês não perceberam? — Peakboy perguntou, parecendo genuinamente surpreso com o choque deles. — Os abafadores de som não são apenas uma escolha de estilo ou uma excentricidade de chef. O jeito que ele evita o contato visual prolongado quando a conversa fica mais pessoal, a forma como ele reorganiza os talheres milimetricamente a cada vez que termina uma etapa da refeição... e, principalmente, as respostas. Elas são extremamente literais. Ele não entende — ou simplesmente não se importa — com as nuances sociais de polidez que a gente usa para mascarar o que pensa.
Taehyung sentiu a mente trabalhar em alta velocidade. As memórias das aulas na cozinha, a insistência de JungWoo com o silêncio absoluto, a forma como ele guiava suas mãos sobre a faca, o desconforto visível com o barulho do mundo... tudo começou a se encaixar com uma clareza avassaladora.
— Minha sobrinha é autista, vocês sabem — continuou Peakboy, a voz suave. — Eu convivo com isso todos os dias. Eu aprendi a ler esses sinais. O JungWoo tem o que chamamos de nível de suporte baixo, é alguém de alta funcionalidade, mas as características estão todas ali. O foco quase obsessivo na técnica, a necessidade de controle do ambiente sensorial, a honestidade que as pessoas confundem com grosseria... Tae, você realmente não tinha a menor ideia?
Taehyung soltou o ar que nem percebeu que estava segurando. Ele encostou as costas na poltrona, sentindo um calor estranho e reconfortante subir pelo seu peito, uma mistura de surpresa e uma realização profunda.
— Eu... eu nunca tentei dar um nome para isso — Taehyung confessou, a voz quase sumindo. — Eu percebi que ele sentia o mundo de um jeito mais intenso. Eu via que ele tinha o ritmo dele e que as coisas precisavam ser de um jeito específico para ele ficar bem. Mas eu só achei que ele era... o JungWoo. Eu nunca pensei em termos médicos. Eu só aprendi a respeitar o jeito dele porque, honestamente, fazia todo o sentido para mim. O toque dele, o jeito direto... tudo parecia apenas... ele.
— Isso explica tanto a resposta do "porque eu quero" — murmurou Seo-joon, pensativo, olhando para o nada. — Não foi uma tentativa de ser rude com o Hyung-sik ou de parecer superior. Foi apenas a verdade literal dele. Na cabeça dele, "porque eu quero" é a única justificativa lógica necessária. Ele não viu motivo para florear porque a verdade já estava dita.
— Exato — disse Peakboy. — Ele não gasta energia com as camadas sociais que a gente usa para se proteger. Ele é o que é.
Taehyung ficou em silêncio por um longo tempo, o sorriso pequeno voltando aos seus lábios, agora com uma camada nova de entendimento. Ele percebeu que sua conexão com JungWoo era tão pura justamente porque ele nunca tinha tentado "diagnosticar" o outro; ele tinha se apaixonado pela essência de JungWoo sem precisar de um róutulo.
— Faz sentido — Taehyung disse finalmente, olhando para os amigos com os olhos brilhando. — E quer saber? Não muda absolutamente nada. Para mim, ele continua sendo o homem que me ensinou a ouvir o silêncio. Talvez agora eu entenda ainda mais por que o silêncio dele é tão sagrado para ele.
Hyung-sik, que ouvira tudo atentamente, soltou um suspiro longo, desfazendo a última barreira de sua defensiva. Ele estendeu a mão e deu um tapinha encorajador no ombro de Taehyung.
— Agora eu entendo por que você é o Suporte dele, Tae. Você nem sabia o que estava fazendo, mas estava oferecendo exatamente o que ele precisava: aceitação total, sem perguntas e sem julgamentos.
Taehyung olhou para o amigo e balançou a cabeça negativamente, o sorriso se alargando.
— Na realidade, hyung, é o contrário — Taehyung disse, a voz soando calma e absoluta. — Todo mundo olha para mim e vê o barulho, a fama, as mil faces que eu tenho que mostrar. Eu passo o dia inteiro tentando ser o que o mundo espera que o "V" seja. Mas quando eu entro naquela cozinha... o mundo para. O JungWoo não me dá suporte porque eu sou famoso ou porque ele acha que eu sou frágil.
Taehyung fez uma pausa, sentindo o conforto daquela verdade.
— Ele me dá suporte porque ele é o único lugar no mundo onde eu não preciso dizer uma única palavra para ser ouvido. Ele é o meu silêncio, hyung. Sou eu quem precisa dele para continuar no meu eixo e não enlouquecer com esse ruído todo lá fora. Não sou eu quem o suporta. É ele quem me mantém no chão.
Após as palavras finais de Taehyung, o silêncio na mesa mudou de densidade. Não era mais um silêncio de dúvida, mas de reconhecimento.
Peakboy ergueu os olhos do seu copo e encontrou o olhar de Park Seo-joon do outro lado da mesa. Foi uma troca rápida, um microssegundo de entendimento mútuo que não precisava de tradução. O leve erguer de sobrancelhas de Peakboy e o aceno quase imperceptível de cabeça de Seo-joon selaram a conversa silenciosa entre os dois:
"Ele está apaixonado, não está?" — o olhar de Peak questionava.
"Sim" — a expressão de Seo-joon respondia.
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