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O camarim estava em um daqueles raros momentos de tranquilidade. Namjoon, Yoongi e Hoseok descansavam enquanto Taehyung, em um canto, estava visivelmente imerso em uma conversa por mensagens, com um sorriso leve que não saía do rosto.


— O Tae está em outra frequência ultimamente — comentou Hoseok, dando um sorriso cúmplice para os outros. — É o JungWoo, não é?


Taehyung guardou o celular, rindo. — É sim. Eu estava contando para ele sobre a logística do nosso próximo show e ele me respondeu que "organização é a única forma de sobreviver ao caos". Ele não gasta palavras com gentilezas vazias, ele diz exatamente o que pensa.


— Eu conversei com ele por vídeo ontem e gostei disso — Namjoon interveio, fechando o livro que lia. — Se ele gosta de algo, você sabe. Se ele não gosta, ele te diz de uma forma tão clara que nem dá para ficar chateado.


Yoongi, que estava encostado no sofá, abriu os olhos e entrou na conversa.

— O Taehyung me disse que ele é fascinado por dinossauros e astronomia. Mas não é como um hobby comum, né?


— Não mesmo, hyung — Taehyung respondeu, os olhos brilhando. — Se ele se interessa por um tema, ele mergulha de cabeça. Ele estuda cada detalhe, cada nome, cada época, até entender o mecanismo de tudo. Ele se esforça para ser o melhor no que faz, seja na cozinha ou aprendendo sobre o universo. Ele não faz nada pela metade.


Yoongi deu um pequeno sorriso de lado, um sinal claro de que estava impressionado.

— Eu respeito muito quem tem essa dedicação. As pessoas costumam saber um pouquinho de tudo só para manter as aparências. Ver alguém que se dedica a aprender detalhadamente sobre o que ama, sem se importar se isso é "legal" ou não para os outros... isso é incrível.


Yoongi fez uma pausa, olhando para Taehyung com sinceridade.

— Ter uma vida tranquila, focar no que realmente importa e ter essa autonomia para se virar sozinho sendo tão autêntico... é uma baita qualidade. O JungWoo parece ter um ponto de vista muito sólido sobre a vida. Ele não precisa de barulho para provar quem é.


— É exatamente isso, hyung — Taehyung concordou, sentindo-se compreendido. — Ele não tenta ser nada além do que é.


Hoseok sorriu, sentindo a energia boa da conversa. — É bom ver que você encontrou alguém assim, Tae. Se ele é tão detalhista e honesto, ele com certeza vê em você algo tão especial quanto o que você vê nele.


Namjoon assentiu, finalizando o pensamento. — Pessoas que buscam a essência das coisas, como ele faz, costumam ser as melhores companhias. Ele não está aqui pelo "V", ele está aqui pelo Taehyung que é tão dedicado quanto ele.


**


Taehyung estava na cozinha de seu apartamento, sentindo-se um pouco perdido entre os aromas que subiam da panela. Ele nunca imaginou que um dia estaria ali, por vontade própria, tentando acertar o ponto de um refogado. Mas as conversas com JungWoo tinham esse poder; o jeito que o amigo falava sobre a precisão dos cortes e a química dos sabores transformava o ato de cozinhar em algo quase poético aos olhos de Taehyung. Ele olhou para o molho borbulhando e sentiu que precisava de uma luz. Pegou o celular e discou.


O telefone chamou algumas vezes antes de ser atendido. Assim que a linha abriu, Taehyung não ouviu a voz de JungWoo de imediato, mas sim um som abafado de conversa ao fundo.


— ...foi bom conversar sobre isso, Hye-ji. A gente se fala depois. Boa noite — a voz de JungWoo soou calma e pausada, acompanhada pelo ruído característico de uma porta se fechando.


Houve um breve silêncio antes de JungWoo notar a ligação.


— Oi, Taehyung. Aconteceu algo com a sua receita?


Taehyung estava com a colher de madeira estática sobre a panela. Ele tentou disfarçar a curiosidade repentina que subiu pelo seu peito.


— Atrapalhei algo? Quem era a visita que estava saindo agora? — Taehyung perguntou, tentando manter o tom leve, mas seus ouvidos estavam atentos a cada detalhe do outro lado da linha.


— Ah, não atrapalhou. Era a Hye-ji, uma vizinha minha — JungWoo respondeu com aquela sinceridade que Taehyung já conhecia. — Ela passa aqui de vez em quando para conversarmos sobre alguns temas que eu gosto. Hoje a gente estava conversando sobre astronomia.


Taehyung mexeu o molho devagar, processando a informação. — Vizinha, é? Vocês parecem ser bem próximos para ela frequentar a sua casa assim.


— A gente já ficou algumas vezes no passado — JungWoo revelou, sem fazer nenhum tipo de mistério ou usar tons de voz diferentes para esconder o fato. — Mas com o tempo, eu fui percebendo que muita coisa não estava sendo compatível entre nós. A gente não estava mais na mesma sintonia... Eu senti que não valia a pena continuar insistindo ou ficar junto se o sentimento não estava acompanhando o que a gente vivia.


Taehyung parou de mexer a panela. Ele ficou impressionado com a maturidade daquelas palavras. No seu mundo, as pessoas costumavam "empurrar" relacionamentos por meses ou anos apenas por conveniência, mas JungWoo parecia ter um filtro muito claro sobre o que era real e o que era forçado.


— Mas vem cá... — Taehyung começou, a curiosidade agora totalmente aguçada. — Eu fiquei pensando aqui. Você disse que vocês ficaram. Como era o "ficar" de vocês? Eu queria entender como você é nesse sentido.


Ele ouviu o som de JungWoo se ajeitando, provavelmente se sentando em sua poltrona habitual. Houve o barulho de um gole de água antes de ele responder.


— O normal, Taehyung. Como qualquer casal. A gente saía para jantar, íamos ao cinema, ela vinha aqui em casa passar o tempo... A gente dormia junto, tinha essa proximidade — JungWoo respondeu com uma naturalidade absoluta, como se estivesse descrevendo o preparo de um prato. — Eu gosto de estar com alguém, de ter o contato físico e a companhia. Mas quando eu comecei a notar que não ia passar daquilo e que a conexão não era profunda como eu gostaria, achei melhor parar. Eu prefiro guardar o meu tempo para o que é de verdade e para as conversas que realmente me interessam.


Taehyung sentiu o rosto esquentar. A franqueza de JungWoo era desarmante. Não havia vergonha ou presunção na fala dele; era apenas a vida de um homem que sabia exatamente o valor do próprio sentimento. Ouvir que ele "dormia junto" e que tinha esses desejos normais de qualquer homem fez Taehyung vê-lo sob uma luz ainda mais intensa.


— Entendi — Taehyung murmurou, com um sorriso que ele não conseguia segurar, sentindo um alívio estranho. — Você não consegue sustentar algo que não sente de verdade, né? Você valoriza o que é autêntico.


— O tempo é valioso demais para ser gasto sem uma conexão real, Taehyung — JungWoo disse, e sua voz pareceu ficar um pouco mais baixa, mais próxima do microfone. — Mas agora, por favor, foca no que você está fazendo no fogo. Se você deixar a massa passar do ponto por causa da minha vida pessoal, todo o nosso esforço na cozinha terá sido em vão. Eu não te ensinei tudo isso para você comer algo sem textura.


Taehyung soltou uma risada baixa, sentindo uma satisfação que preenchia todo o seu peito. Ele voltou a atenção para a panela, seguindo as instruções que JungWoo começou a passar sobre o tempo final de cozimento, mas sua mente ainda estava naquela conversa. Ele percebeu que, se JungWoo escolhia dedicar tantas noites para conversar com ele e ensiná-lo coisas novas, era porque, para JungWoo, aquela conexão entre eles era muito mais do que apenas "compatível".