Frequência do Amor
12 Capítulo 12
12
A partida de LoL tinha terminado com uma vitória apertada, mas o áudio do Discord ainda estava ativo. Taehyung estava jogado em sua cadeira, com o headset no pescoço, olhando para o teto. As palavras de Seo-joon sobre "isso ser algo pessoal" ainda ecoavam. Ele percebeu que não queria mais manter JungWoo em uma "caixa" separada; ele queria integrar seus mundos.
— Ei, pessoal... — Taehyung falou no microfone, a voz um pouco mais séria. — No próximo fim de semana, o Seo-joon hyung vai abrir o espaço novo no restaurante, certo? Eu queria levar um amigo. O chef que tem me dado umas aulas.
Houve um silêncio imediato.
— Levar um amigo? Pro restaurante? — A voz de Park Hyung-sik mudou de tom. Não era mais a "mãe" acolhedora do jogo, mas o protetor do grupo. Ele era o que mais se preocupava com a privacidade e com quem se aproximava do Taehyung. — Tae, você tem certeza? A gente nem conhece esse cara. Chef? De onde ele surgiu?
— Calma, Hyung-sik-ah — Park Seo-joon interveio, assumindo seu papel de suporte emocional. — O Taehyung sabe o que faz. Se ele quer trazer alguém pro nosso círculo, é porque o cara tem valor. Tae, se ele é importante para você, meu restaurante está de portas abertas. Eu cuido da recepção e garanto que ele se sinta à vontade com a comida.
— Eu não estou dizendo que ele não pode vir — rebateu Hyung-sik, ainda na defensiva. — Só estou dizendo que vou ficar de olho. O Taehyung é muito coração, às vezes não vê quando alguém está só querendo... sei lá, uma conexão por interesse. Vou esperar o pior para não ser surpreendido.
Taehyung sorriu diante da tela. Ele já esperava essa reação. — Hyung, o JungWoo é a última pessoa no mundo que teria interesse em "fama" ou algo assim. Ele mal gosta de sair de casa.
— Um chef antissocial? — Woo-shik soltou uma risada, tentando aliviar o clima. — Se ele aguentar o interrogatório do Hyung-sik sem fugir, ele passa no teste.
No dia seguinte, Taehyung ligou para JungWoo. Ele sabia que precisava ser convincente, JungWooera muito seletivo com suas companhias.
— Um evento de inauguração? — a voz de JungWoo veio calma pelo telefone. — Taehyung, você sabe que eu prefiro a paz da minha própria casa.
— Eu sei — Taehyung respondeu, enquanto caminhava pelo set de filmagem, os ombros relaxados. — Mas não é um evento público. É o restaurante do Seo-joon hyung. Vai ser fechado, só para os mais íntimos. Meus amigos estarão lá... eles são a minha família, JungWoo. Eu gostaria muito que você ficasse ao meu lado nesse dia.
Houve uma pausa longa do outro lado.
— Seus amigos... — JungWoo repetiu, a voz mais baixa parecendo preocupado. Ele parecia estar pesando a importância do pedido. — Eles são como você?
— Alguns são mais barulhentos, outros mais protetores — Taehyung riu, pensando em Hyung-sik. — Mas todos são legais.
— Se é importante para você — JungWoo disse finalmente — Eu vou. Mas com uma condição. Se eu sentir que estou sendo avaliado como um prato em um concurso, você me tira de lá na hora.
Taehyung sentiu o peito aquecer. Ele sabia que o "interrogatório" de Hyung-sik era inevitável, mas também sabia que a presença direta e honesta de JungWoo era o melhor escudo.
— Combinado. Eu serei o seu suporte lá, assim como você é o meu na cozinha.
O restaurante de Seo-joon estava impecável. O aroma de temperos sofisticados e madeira polida criava o ambiente perfeito para aquela noite. Taehyung já estava lá com os amigos, ocupando uma mesa reservada no canto mais discreto. Ele usava uma camisa escura que realçava seu porte, mas seus olhos não saíam da porta de entrada.
Park Hyung-sik estava sentado ao lado de Taehyung. Ele não parecia bravo, mas seus olhos eram atentos, como alguém que cuida de um tesouro e quer garantir que quem se aproxima é digno. Seo-joon, o suporte do grupo, estava relaxado, servindo um pouco de água e garantindo que o clima estivesse acolhedor.
Nesse momento, a porta se abriu.
JungWoo entrou. Ele usava um casaco preto de corte simples e elegante. Seus abafadores de som estavam sobre as orelhas, filtrando o burburinho do restaurante cheio até ele chegar à área reservada. Ao avistar Taehyung, ele levou as mãos ao acessório e o deslizou para o pescoço com um movimento fluido, revelando o rosto sereno de traços finos.
Taehyung levantou-se com um sorriso que iluminou seu rosto.
— Você veio. Fico feliz que tenha conseguido.
JungWoo parou diante dele, a postura calma. — O saguão estava um pouco cheio, mas aqui dentro a atmosfera muda. É um bom lugar, Taehyung.
Taehyung o conduziu até a mesa. — Pessoal, este é o JungWoo. JungWoo, estes são meus grandes amigos: Seo-joon, Hyung-sik, Woo-shik e o Peakboy.
Seo-joon levantou-se prontamente, oferecendo um sorriso caloroso.
— É um prazer, JungWoo. O Taehyung nos contou que você tem ajudado ele a descobrir talentos na cozinha que nem ele sabia que tinha. Seja bem-vindo.
— O prazer é meu, Seo-joon-ssi — JungWoo respondeu com uma reverência leve e educada.
Hyung-sik, que observava tudo em silêncio, inclinou-se um pouco para a frente. Sua expressão era curiosa, mas ainda cautelosa.
— Eu notei os abafadores — Hyung-sik comentou, com uma voz calma e bem-educada, mas com um brilho de quem busca entender a essência da pessoa à sua frente. — É raro ver alguém que valoriza tanto o silêncio em um evento social. Você os usa porque o mundo lá fora incomoda, ou porque prefere guardar sua atenção apenas para o que realmente vale a pena ouvir?
Não era uma grosseria, era um teste de profundidade. JungWoo olhou para Hyung-sik, não percebendo a intenção por trás da pergunta. Ele não se esquivou.
— Um pouco dos dois, Hyung-sik-ssi — JungWoo explicou com serenidade, acomodando o acessório sobre o casaco. — O barulho desnecessário me cansa. Eu prefiro chegar a um lugar com a mente limpa para poder ouvir as pessoas de verdade. O silêncio me ajuda a focar na conexão com as pessoas que eu gosto.
Hyung-sik assentiu devagar, processando a resposta. Ele percebeu que JungWoo não estava tentando impressionar ninguém; ele era apenas honesto sobre suas necessidades. A "muralha" de Hyung-sik não caiu, mas ele relaxou os ombros e indicou a cadeira ao lado dele com um gesto gentil.
— Uma perspectiva interessante — disse Hyung-sik. — Pouca gente hoje em dia se preocupa em "limpar a mente" para ouvir os outros. Sente-se, por favor. Quero saber o que o Taehyung tem aprendido de tão especial nessas aulas de vocês.
Taehyung sorriu, sentindo o alívio percorrer seu corpo. JungWoo se sentou com sua elegância, e o jantar começou não com um interrogatório, mas com uma curiosidade genuína de ambos os lados.
— Desculpem o pequeno atraso. — JungWoo disse, a voz baixa e limpa.
— Sem problemas, JungWoo-ssi. — Seo-joon o tranquilizou, sinalizando para o garçom. — Estávamos esperando por você para começar.
As entradas foram servidas: pequenos pratos de cerâmica com vieiras frescas e um toque de cítricos. Enquanto os outros começavam a comer, Woo-shik não aguentou e quebrou o gelo com sua empolgação típica.
— JungWoo-ssi, eu preciso te agradecer — Woo-shik disse, apontando o talher para Taehyung. — Não sei o que você está fazendo com esse cara, mas as habilidades dele mudaram da água para o vinho. Outro dia ele fez um jantar para a gente e... bom, pela primeira vez, ninguém precisou pedir pizza depois. O tempero estava equilibrado, a apresentação estava decente. O que foi aquilo, Tae?
Taehyung riu, um pouco sem jeito, mas satisfeito. — Eu só segui as instruções de quem sabe o que está fazendo.
— Não foi só instrução — JungWoo interveio, a voz calma enquanto observava o prato. — O Taehyung tem mãos boas para o trabalho pesado, mas o que realmente melhorou foi a paciência dele. No começo, ele queria picar tudo em dez segundos. Agora, ele entende que a faca tem o próprio ritmo. Se o resultado mudou "da água para o vinho", é porque ele parou de tentar lutar contra os ingredientes.
Hyung-sik, que até então apenas observava, inclinou-se um pouco mais para a frente. A expressão dele era séria, mas não agressiva; era a de alguém que queria testar a solidez daquela relação.
— É impressionante ouvir isso — comentou Hyung-sik, a voz suave, mas direta. — O Taehyung sempre foi alguém intenso. Se você conseguiu dar esse "ritmo" a ele, imagino que seu tempo seja muito valioso.
Hyung-sik deixou os talheres descansarem no prato e olhou fixamente para JungWoo.
— Então, por que o Taehyung? — Hyung-sik perguntou, sem rodeios. — Você é um profissional. Por que gastar suas noites ensinando alguém que começou do zero absoluto? O que exatamente você busca com isso?
Taehyung sentiu o ar ficar mais denso na mesa. Seo-joon parou o movimento da taça de vinho, observando a reação de JungWoo.
JungWoo não hesitou. Ele não buscou uma metáfora bonita ou uma justificativa sobre amizade. Ele apenas virou o rosto para Hyung-sik, sustentando o olhar com uma neutralidade absoluta que beirava a frieza.
— Porque eu quero — JungWoo respondeu.
A frase curta ecoou no silêncio da mesa. Hyung-sik esperou por mais, mas JungWoo apenas continuou olhando para ele, como se a resposta fosse óbvia.
— Só isso? — Hyung-sik insistiu, estreitando levemente os olhos. — Nenhuma outra motivação?
— Não — disse JungWoo. — Eu não ensino quem eu não gosto de ter por perto. O Taehyung é silencioso quando precisa ser e faz o que eu mando na cozinha. É conveniente para mim. E eu gosto da presença dele.
A honestidade bruta pegou o grupo de surpresa. Não havia a bajulação que eles costumavam receber de pessoas novas, nem o esforço para parecer "legal".
Hyung-sik analisou JungWoo por alguns segundos, procurando qualquer sinal de que ele estava apenas sendo "difícil" para impressionar. Mas a expressão de JungWoo era tão límpida que Hyung-sik percebeu: ele estava falando a verdade nua e crua.
— "É conveniente" — Hyung-sik repetiu, e um pequeno sorriso de canto de boca surgiu. Ele relaxou os ombros, encostando-se na cadeira. — Você é o primeiro convidado do Taehyung que não tenta me dar uma resposta poética para me agradar.
— A simpatia costuma ser um desperdício de energia — JungWoo comentou, voltando sua atenção para a vieira em seu prato. — Eu estou aqui porque o Taehyung pediu. E o ensino porque decidi que ele vale o meu tempo. Não há mais nada além disso.
Seo-joon soltou um riso baixo de alívio e satisfação. — Bom, já que a honestidade é a regra da noite... JungWoo, seja sincero sobre a entrada. O que achou?
JungWoo mastigou devagar, processando o sabor antes de falar.
— O ponto da vieira está impecável. Mas o azeite de trufa é um erro. O ingrediente principal é bom demais para ser abafado por um aroma sintético. Eu tiraria na próxima vez.
Woo-shik deu uma gargalhada e bateu levemente na mesa. — Viu só? Ele criticou o prato do Seo-joon na cara dele! Tae, eu adorei seu professor. Ele é a primeira pessoa que o Hyung-sik não consegue "enquadrar".
Taehyung sorriu, sentindo um orgulho imenso que não cabia no peito. Ele olhou para JungWoo e viu que ele continuava ali, imperturbável, sendo exatamente quem era. Ele não precisava ser um "membro do squad" para ser respeitado; ele só precisava ser o JungWoo.
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