Freedom

2 Capítulo Um


Notas iniciais
Sexta enfim chegou e pequenas dúvidas de vocês serão esclarecidas :3 Leiam a n/a, ok?
Divirtam-se!

Edward POV.


A caixa parecia um pouco amassada enquanto eu a carregava comigo para o quarto, sem me preocupar com mais nada. O telefone tocara mais cedo, assim como meu celular.


Mas naquele dia, em especial, eu não queria falar com ninguém.


Acendi a luz do meu quarto assim que entrei nele, já partindo para a cama e colocando a caixa ali, como se fosse a coisa mais importante de todo o meu mundo – e, de fato, era.


Sentei-me diante dela e tirei a tampa, colocando-a ao meu lado. Respirei fundo. A dor em meu coração constante, como sempre, aumentando um pouquinho mais quando fitei as coisas dela.


Eram coisas simplórias, coisas que ninguém sabia que eu tinha. Recortes de jornais falando sobre o caso dela, fotos que eu tinha tirado do jornal também, onde seu sorriso iluminava tudo. Os livros que eu dera a ela, incrivelmente mais gastos devido a tantas vezes que ela tinha lido. A ficha dela da prisão... Tudo.


As lágrimas rolavam para o meu rosto e eu nem me importava em estar chorando. Eu chorava sempre, todos os dias.


Mas isso não parecia diminuir minha dor.


Tirei todas as coisinhas que eu tinha dela da caixa, colocando-as ao meu lado e me enrolando no meu edredom. O recorte do jornal com sua foto estava em minha mão e meus olhos simplesmente não conseguiam desviar daquele sorriso lindo.


Daquele sorriso que eu tinha tanta falta.


Meu celular tornou a chamar em algum canto do quarto, mas não lhe dei atenção. Continuei a fitar a foto de dela, na esperança de acordar e ela estar ali.


Comigo.


O telefone começou a tocar, juntamente com meu celular.


Dessa vez decidi atender. Apenas para pedir que todos me deixassem em paz. Levantei, colocando a foto dela com todo cuidado na minha cama e voei até a sala, porque sinceramente não estava com paciência para procurar pelo celular. Puxei-o da base e levei até a minha orelha, secando o rosto enquanto murmurava alô.


– Edward... – A voz da minha mãe soou hesitante do outro lado da linha. – Querido, você não atende as ligações.


Eu me senti mal por estar tratando minha família daquele jeito, mas não podia lidar com eles naquele dia.


Não naquele dia.


Não quando fazia um mês desde que ela tinha sido executada.


– Eu estou bem, mãe – sussurrei. – Só... hoje não, ok? Por favor, hoje eu preciso ficar sozinho.


– Certo... – Ela parecia triste e isso quebrou meu coração. Só que eu tinha tanto a lidar naquele dia. Precisava ficar sozinho. – Eu vou avisar aos seus irmãos... Fica bem, querido. Qualquer coisa me liga.


– Ok – murmurei. – Desculpa por estar sendo esse filho, mãe... Eu só... eu preciso de um tempo.


– Eu sempre estarei aqui, Edward – disse. – Sempre.


Eu desliguei o telefone pouco depois, voltando a chorar.


Por quê?


Por que ela tinha que ter partido dessa maneira?


Sabendo que agora minha família iria me deixar em paz, segui novamente até meu quarto, deitei-me e puxei a foto dela para mim novamente.


– Eu nunca vou superar – murmurei. – Nunca vou conseguir te esquecer.


O próximo passo foi examinar a ficha dela. Eu me lembrava, quando, há uma semana, descobrira que ela tinha feito aniversário em setembro. Ela nunca falou, ela não deu a chance de comemorarmos.


Como eu podia seguir em frente? Como eu podia superar se cada pensamento era dela? Cada vez que eu fechava os olhos eu a via, cada vez que eu respirava, lembrava-me de seu cheiro. Ela esta comigo a todo o momento.


E eu realmente temia estar enlouquecendo.


Os anos que passei na faculdade de psicologia foram perdidos, porque tudo o que aprendera, tudo o que eu dizia para meus pacientes pareciam nada.


Nada, nenhuma daquelas palavras que repeti milhares de vezes para eles quando perdiam um ente querido, pareciam me fazer capaz de superar o que tinha acontecido de tão recente na minha vida.


Eu pedira demissão do emprego que tinha na prisão. Não conseguia ir lá mais, não conseguia entrar naquela sala onde a minha primeira vez – e única – com ela tinha acontecido.


Entrara de férias no consultório e não sabia quando voltaria. Um amigo de confiança tomaria conta de tudo para mim.


Naquele momento, eu precisava de espaço. Eu precisava de tempo.


Ajeitei-me mais contra o travesseiro, puxando edredom mais para mim. Respirei fundo e deixei as coisas dela ali, fechando os olhos logo em seguida.


A voz dela, o cheiro dela, tudo que se referia a ela invadiram minha mente e eu logo abri os olhos, incapaz de lidar com isso agora. Levantei-me, seguindo para o banheiro e encarei meu reflexo no banheiro.


Meu cabelo estava mais desalinhado e maior do que eu jamais vira na vida. Eu tinha olheiras em torno dos olhos e parecia mais pálido. Minha barba crescia a cada dia que passava e eu estava mais magro.


Sabia que minha família se assustaria quando me visse novamente – fazia quase uma semana que eu não saía de casa para absolutamente nada –, mas não me importei.


Comecei a tirar minha roupa e abri o chuveiro, sem me importar com o jato de água fria. Permiti-me ficar ali durante alguns minutos antes de mudar para a água quente e começar a relaxar.


E como acontecia toda vez que eu me permitia chegar a tal ponto, a lembrança de vê-la morrendo na minha frente – há um mês, exatamente –, tomou conta da minha mente.


Flashback On


Eu sentia falta de Bella mesmo tendo a visto há um minuto. Não consegui me sentar nem me mover. Ela iria morrer... Ela iria receber a injeção.


E aí eu nunca mais iria vê-la.


Tentando não parecer desesperado, saí de minha sala e andei pelos corredores, tentando chegar rápido a sala de testemunhas. Eu sabia que aquela imagem iria ficar para sempre na minha mente, mas precisava ver.


Precisava acreditar que ela estava... morta.


Não sei quantos minutos passaram até eu conseguir chegar a sala de testemunhas.


Abri a porta de uma vez, ignorando os olhares curiosos a minha volta e vi as orbes castanhas dela me fitando, já sonolentas. Eu não sei ela percebeu, mas Bella deu um sorriso triste para mim e fechou os olhos.


Para sempre.


Fiquei ali, parado, enquanto o médico preparava a segunda seringa, aplicando nela logo em seguida. E depois, veio a terceira.


A que pararia seu coração.


O médico pegou seu estetoscópio e posicionou-o em seus ouvidos, para logo em seguida colocar a outra extremidade no peito de Bella.


Ele esperou algum tempo antes de tirar, fazendo um sinal positivo para todos da sala de testemunhas.


Para eles, ela era apenas mais uma criminosa sendo morta.


Para mim, aquele sinal... mudaria e acabaria com minha vida.


Fim do Flashback.


As lágrimas, mais uma vez, rolaram com força pelo meu rosto. Lembrava-me de ter escapado dali e ter ido até a minha sala, onde peguei todas as minhas coisas e saí dirigindo feito louco pelas ruas de Texas.


Era difícil pensar naquele dia, mas eu pensava. Pensava toda vez que tentava esquecer.


Bella POV.


Um mês.


Era somente nisso que eu conseguia pensar quando abri os olhos naquela manhã que sábado. Há exatamente um mês minha vida havia mudado completamente.


Ou nem tanto...


Não conseguia me sentir livre ainda. Não podia sair de casa, não sem uma peruca e disfarces, claro. Mas era melhor. Bem melhor que ficar presa dentro de uma cela 24 horas por dia.


A casa onde estava morando era grande, maior do que eu certamente esperava quando Rose havia me dito que conseguira algo para mim. Eu não morava completamente sozinha, porém. Jacob Black, um cara que havia se tornado um grande amigo, vinha e ficava alguns dias de vez em quando.


Para todos os efeitos, aquela casa era dele. Eu não atendia a porta, nem a telefonemas. Quando Rose ou Jake precisavam falar comigo, ligavam no meu aparelho descartável. Quando eu precisava ligar para eles, ligava para os aparelhos descartáveis deles, que usavam somente para falarem comigo.


Ninguém estranhava a casa sempre com luzes apagadas. Para os vizinhos que perguntavam quando Jacob aparecia, ele vivia trabalhando. Era empresário e muito ocupado.


Todos acreditavam.


Entretanto, o que nenhum deles sabia era que Jacob era primo de Rose. Um primo distante e que era detetive. Nenhum dos Cullen sabia da existência dele, até porque Rose só o reencontrara há alguns meses, quando decidi aceitar a morte.


O que me fazia pensar em Edward...


Eu pensava nele com freqüência, consequentemente chorando com freqüência também. Sentia sua falta – e muita. Mas quando soube das coisas horríveis, envolvendo a morte de meus pais...


Eu precisava protegê-lo, precisava mantê-lo seguro... Quando tudo fosse solucionado e conseguisse provar minha inocência e prender os verdadeiros culpados, eu conversaria com ele. Explicaria tudo.


E torceria para que ele pudesse me perdoar.


Respirei fundo, sentindo meu coração apertar com as lembranças da minha – oficialmente – última noite de vida. Os beijos, carícias, toques... Coisas que eu nunca esqueceria.


E que eu não sabia se iriam repetir algum dia.


Levantei-me da cama, arrastando meu corpo até o banheiro e acendendo a luz. Ainda era cedo, mas eu simplesmente não conseguia mais acordar tarde. Fitei-me no espelho enquanto escovava os dentes e lavava o rosto.


Meus cabelos estavam um pouco maiores e pareciam mais bonitos e hidratados, agora que eu voltava a usar meu xampu e condicionador favoritos. Minha pele parecia mais bonita também e eu engordara um pouco. Sorri ao me lembrar de Rosalie e Jacob dizendo que eu não engordara, mas sim encorpara.


Lembrava-me de ter ficado com medo de engravidar de Edward quando acordei horas depois de pensar que havia morrido. Rosalie estava comigo e ficara nervosa também quando – corando até o último fio de cabelo – confessei o que acontecera entre mim e Edward. Ela apareceu com um comprimido um tempo depois e eu sabia que era a pílula do dia seguinte.


Ainda era tudo um pouco confuso para mim. Acreditar que estava viva, que Rosalie e Jacob tinham coisas que ajudariam a provar minha inocência... Não tentaríamos nada agora, porque tudo era apenas circunstancial demais.


Mas era alguma coisa.


Alguma coisa que acendeu a esperança dentro de mim, há muito tempo já morta.


E Edward...


Eu esperava vê-lo novamente algum dia.


Ouvi meu estômago roncar e decidi ir até a cozinha, preparar algo. Cozinhar era algo que eu sempre gostara e eu tinha sentido falta disso na prisão. Então, como não podia sair de casa, eu lia e cozinhava.


E assistia TV também.


Depois de ter me alimentado, segui de volta para o quarto e resolvi dar uma limpeza na casa. Tirei a roupa de cama, coloquei uma nova, arrumei o closet. Não podia lavar nada agora para não chamar a atenção dos vizinhos com o barulho. Quando Jacob retornasse de sua suposta viagem, eu lavaria.


Por isso, juntei todas as roupas sujas e já ia colocar no cesto, quando o meu celular descartável chamou.


– Alô?


Eu sempre me sentia um pouco nervosa quando o telefone tocava ou a campainha. Tinha medo de que as coisas dessem errado. Tinha medo de voltar para a prisão.


Tinha medo de ser condenada novamente.


– Estarei passando aí daqui a meia hora. – A voz de Rose soou baixa e logo ela desligou.


Eu suspirei e coloquei o aparelho na cama, descendo até a sala e destrancando a porta dos fundos. Rosalie não era vista entrando ali. Ela, ao contrário de Jacob, não tinha desculpas.


Esperei por ela na sala e menos de meia hora depois, ela surgiu, vestida de forma estonteante, como sempre. Dei-lhe um sorriso meigo e ela retribuiu.


– Como você está? – indagou, abraçando-me.


– Bem – sorri.


Rose me encarou durante alguns segundos, mas nada disse. Eu sabia que não enganava ninguém quando dizia que estava bem. Eu sentia tanta falta de Edward, eu queria tanto contar para ele que estava viva... Mas era para o bem dele, para a sua segurança. Além do mais, como Rose e Jake haviam feito tanto por mim, não tinha coragem de lhes dizer que não estava bem. Pareceria... ingrata demais, ou algo assim.


– Vim ficar um pouquinho com você – disse. – Trouxe comida também... E algumas roupas.


– Obrigada – sorri. Então engoli em seco e comecei a criar coragem para perguntar aquilo: – Co-como todos estão?


Rose suspirou e se ajeitou no sofá.


– Você sabe... – deu de ombros. – Muito preocupados porque Edward não sai de casa, não conversa com as pessoas direito...


Meu coração se apertou e as lágrimas tomaram conta de meus olhos.


– Bella... – Ela começou quando viu meu estado. – Você imaginava que isso ia acontecer... Em breve você vai poder contar para ele, mas no momento é muito perigoso...


– Eu sei – solucei. – Mas ele está sofrendo, Rose... E é minha culpa.


Rose se levantou e sentou ao meu lado, puxando-me para si. Ela deixou que eu chorasse e não disse nada, apenas ficou ali acariciando meus cabelos.


– As coisas têm que dar certo, Rose – sussurrei. – Eu tenho que provar minha inocência.


– Tudo no seu tempo – disse-me. – Temos que esperar as coisas esfriarem primeiro. Todos acham que você está morta e é assim que deve ser.


Pouco tempo depois Rosalie foi embora. Voltei para o meu quarto e me joguei na cama, puxando o travesseiro até a mim e enfiando a cabeça lá. As lágrimas tornaram a correr livremente pelo meu rosto e não havia nada que eu pudesse fazer.


Só Deus sabia o quão eu queria sair daquela casa e correr para os braços de Edward, onde eu sempre me sentia bem e segura. Mas minhas mãos estavam atadas. Eu tinha que protegê-lo, mesmo que isso fosse lhe causar o maior sofrimento.


Imaginei-o em casa, não saindo e nem falando com seus pais. Os olhos verdes que eu tanto amava invadiram minha mente e os soluços se tornaram tão altos que nem o travesseiro podia contê-los.


Fechei os olhos com força e tentei engolir o choro, trancando os lábios para que os soluços não saírem.


Não adiantou. As lágrimas continuavam a escorrer pelo meu rosto, mostrando o quão destruída por dentro eu estava.


Assustei-me quando meu celular tornou a tocar. Sentei-me na cama e procurei pelo aparelho.


– Alô? – murmurei.


– Oi, Bells – cumprimentou Jacob. – Chego aí amanhã, ok? Então, faça o que sempre combinamos.


– Claro, Jake – suspirei. – A gente se vê amanhã.


Eu desliguei o celular e coloquei ao meu lado, respirando fundo e limpando as lágrimas. Jacob sempre me pedia para me esconder e esconder qualquer indício de que eu vivia ali quando ele voltava para casa. Ele tinha medo de que algum vizinho pedisse para entrar ou algo assim.


E eu fazia isso.


Levantei-me e corri pela casa, retirando algumas roupas, escondendo as roupas sujas, guardando os alimentos e deixando as cervejas bem à mostra.


Fazia parte do disfarce.


Fazia parte da minha vida por enquanto.


Depois de ter me certificado de que tudo estava pronto, voltei para o andar de cima e tornei a me jogar na cama, sorrindo um pouco. Pelo menos, eu veria meu amigo.


Pelo menos, eu teria alguém para conversar e ficar comigo.


Nem que fosse por alguns dias... ou horas.


O que parecia ser engraçado era que – por mais egoísta que isso fosse soar – nem a presença de Rose e Jake era capaz de me causar aquela boa sensação de quando eu estava com Edward na cadeia, na sala dele.


Eu sentia falta dele.


Eu o queria. Eu o queria bem.


Mas minha missão nesse momento era protegê-lo, por mais que isso o fizesse sofrer. Eu o veria um dia.


Eu poderia tirar aquela dor que ele sentia, trazê-lo de volta a vida, talvez passear pelas ruas, tomar sorvete, ir ao cinema e jantar, como todos os namorados faziam.


Talvez casássemos, tivéssemos filhos...


E eu poderia fazê-lo feliz, do jeito que ele realmente merecia.


Se ele me perdoasse. Se tudo desse certo. Se comprovassem minha inocência.


Eu o veria.


Eu pediria perdão.


E esperava que não fosse tarde demais.


Notas finais
N/A: Hi! Semana passou voando ou foi só impressão minha?
Esse capítulo está pronto desde domingo passado. Agora que minhas férias acabaram, procuro escrever só nos fins de semana e tudo o mais. Além disso, em todo capítulo escolherei um review favorito. Aquele que ganhar, vai receber sempre duas páginas de spoiler na segunda. Vale até as 18h agora, ok?
Essa segunda passada acabei escolhendo 3 reviews, porque amei todas, haha, então caso isso aconteça novamente, mais de uma pessoa acabará recebendo o spoiler (; Quem quiser, já sabe, basta mandar e-mail no review. E qualquer dúvida, forms ou twitter (dehcc ou deh_cc).
Enfim, para concluir, acho que algumas dúvidas mesmo que pequenas foram esclarecidas. Bella corre um risco imenso se souberem que ela está viva... E ela não quer que o Edward seja atingido. Então, não xinguem a pobre coitada, rs, não é culpa dela. E agora todas já sabem o que aconteceu quando o Edward entrou na sala de testemunhas... Ele apenas precisou vê-la morrer, para acreditar que era real.
Algumas outras coisas serão esclarecidas com o tempo, tenham paciência, please :33. E quanto ao apartamento da Bella... O por que de ele ainda estar lá, o por que do Edward ter ido lá e o como... vocês vão saber no momento certo. Cada detalhe da fanfic é importante, mas realmente tem um motivo especial para eu ter colocado esse momento no prólogo.
Por hoje é só.
Já falei demais.
Espero que tenham gostado e até sexta que vem!
Beso beso, suas lindas ♥
N/B: aaaaaaaai meus tchucos sofrendo. Só espero que as coisas comecem a se resolver...