Freedom

3 Capítulo Dois


Notas iniciais
Mais um capítulo pra vocês, suas lindas! ♥

Edward POV.


Às vezes eu queria fingir que nada havia mudado. Abriria os olhos assim que amanhecesse e tentaria fingir que nada havia mudado. Eu me levantaria, seguiria para o banho e iria trabalhar.

Como todos os dias.

Almoçaria com meus pais ou até mesmo em um restaurante, e depois seguiria para o trabalho novamente. Faria aquilo que eu gostava, ajudando as pessoas.

Participaria das festas da minha família e riria das piadinhas de meu irmão, sobre o fato de eu não ter namorada. Às vezes me sentiria sozinho em meio a casais, às vezes ficaria feliz por eles terem arrumado alguém que realmente valia a pena.

Entretanto, não era assim.

O aperto em meu peito e a vontade de chorar não me deixavam esquecer.

O perfume dela impregnado nas roupas que usara naquela última noite não me deixava esquecer.

E as lembranças – milhares delas – constantemente me lembravam daquilo que eu nunca mais teria: Isabella Swan.

Doía. E doía muito.

Eu seguiria para o banheiro e tomaria um banho, sem me olhar no espelho. Os cabelos maiores e mais bagunçados não me surpreendiam mais, nada mais podia. Mas hoje, como eu prometera, eu tinha que ir até a casa dos meus pais.

Eu já os tinha preocupado demais.

Eu sabia que somente eles estariam lá, caso contrário, não sabia se teria coragem de ir. Enfrentar meus irmãos não era algo pelo qual eu estava pronto agora.

E nem sabia se um dia estaria.

Segui para a cozinha, mas já não tinha comida ali mais e eu também não sentia fome.

Suspirando pesadamente, segui para a garagem, peguei meu carro e parti.

Agradeci por não passar pela portaria, correndo o risco de assustar o porteiro e todas as outras pessoas com a minha aparência.

Não demorou muito para que eu chegasse a casa de meus pais, estacionando de qualquer jeito e saindo do carro. Toquei a campainha e esperei.

E me senti um imenso remorso quando ouvi o grito de felicidade da minha mãe, que me puxou para um abraço.

- Desculpe por tudo, mãe – pedi.

- Tudo bem. – Ela me puxou para dentro. – Fico tão feliz por saber que você vai almoçar com a gente... Você vai, não vai?

Seus olhos carregavam tanta esperança... Como dizer não para eles?

- Vou sim – assenti.

O sorriso dela se tornou maior e ela me obrigou a sentar, começando a colocar uma quantidade absurda no prato. Eu sabia que estava mais magro, sabia que minha mãe estava com medo do que pudesse acontecer comigo... mas como contar a ela que eu não tinha fome?

- Come – disse. – Eu vou ligar para o seu pai e tenho certeza de que ele virá correndo para cá!

Minha mãe saiu às pressas, mas eu não me movi. Permaneci ali, pensando em tudo.

E consequentemente, como sempre, pensando em Isabella.

Se ela tivesse aqui, com certeza brigaria comigo. Ela sentia tanto a falta dos pais e eu estava aqui, dispensando os meus. Entretanto, se ela estivesse aqui, nada disso estaria acontecendo.

Estaríamos juntos, estaríamos lutando, estaríamos tentando.

Só que ela havia desistido.

Às vezes eu sentia muita raiva. Odiava-a por um minuto apenas, por ter desistido de tudo. Só que a falta que eu sentia dela era maior, tudo era maior.

Como eu podia superar? Como eu podia esquecer?

Como eu poderia tirá-la da minha vida?

Bella POV.

Acordei cedo no dia seguinte, seguindo para o banho e depois para a cozinha, onde preparei um café. Meu celular estava ao meu lado, porque Jacob geralmente avisava quando estava para chegar.

Um barulho na porta de trás chamou minha atenção.

Meu coração começou a bater com toda a força e eu prendi a respiração.

Seria a polícia?

Rosalie não havia ligado, nem Jacob. Então... quem mais poderia ser?

Desliguei o fogo e peguei o celular, agachando e me escondendo atrás da bancada da cozinha.

Eu não conseguia respirar nem pensar.

- Bella?

O alívio que tomou conta de mim foi imediato e eu me pus de pé, sorrindo ao fitar Jacob.

- O que está fazendo aí? – indagou-me, parecendo confuso.

Eu revirei os olhos para Jacob e me pus de pé.

- Você não avisou que viria... – comecei. – Eu pensei que fosse outra pessoa.

Ele jogou a cabeça para trás e gargalhou, fazendo com que eu o fitasse confusa.

- Claro, Bella. – Puxou-me para um abraço. – Até parece que os policiais não iriam procurar atrás da bancada, principalmente depois de sentir o cheiro da comida.

Eu dei-lhe um tapa no braço, mas acabei rindo. Jacob tinha se mostrado um bom amigo. Eu gostava da companhia dele.

- Desculpe-me não ter avisado que estava chegando – disse, depois que estávamos acomodados e comendo. – É que tive que entrar pelos fundos, por causa dos vizinhos e tudo o mais. Acabei me esquecendo...

Eu apenas dei de ombros concordando.

Edward POV.

Acabei ficando na casa dos meus pais o resto do dia. Minha mãe insistiu que eu dormisse lá, mas eu não podia. Ela tentou durante alguns minutos, mas eu continuei negando, sem nem ao menos explicar o por que.

Como contar a ela que eu só conseguia dormir com as coisas dela próximas a mim?

Despedi-me deles em seguida, não prometendo voltar no seguinte nem nada.

Não queria lhes dar falsas esperanças.

Dirigi pelas ruas de Texas rapidamente, sem admirar nem nada, como eu costumava fazer antigamente. Cheguei ao meu apartamento me sentindo de repente muito exausto.

De repente me sentindo muito sozinho.

Sabia que seria uma emoção com a qual devia me acostumar a viver. Não conseguia me imaginar casado e com filhos um dia. Talvez um dia, mas agora eu simplesmente não conseguia.

Entrei em minha casa e fui direto para a cozinha, guardando a comida que minha mãe tinha guardado para mim. Segui depois para o banheiro e deixei que o longo banho me relaxasse, fechando os olhos e pensando nela, mais uma vez.

Não sabia como algo tão intenso podia machucar tanto. Eu ainda era completamente apaixonado por ela, mas nem o nome conseguia pronunciar sem que mil facas atravessassem meu peito. Que tipo de amor era aquele? Que tipo de amor machucava desse jeito, sem trazer nada de bom?

Porque mesmo que tivesse todas essas lembranças, eu a queria aqui.

Desliguei o chuveiro e me sequei, enrolando-me na toalha logo em seguida. Fitei-me no espelho e suspirei.

Que tipo de amor era aquele que me fazia perder toda a vontade de me arrumar?

Meus cabelos se tornavam maiores e mais bagunçados a cada dia que passava e eu sinceramente não me lembrava da última vez que o tinha cortado. Assim como não conseguia me lembrar da última vez que tinha me barbeado.

O telefone tocando impediu que eu continuasse a inspeção e eu pensei em ignorá-lo por um momento. Só que podia ser minha mãe e ela não ficaria feliz com isso.

- Alô? – murmurei, sem humor algum.

- Oi, Edward. – A voz de Emmett soou hesitante do outro lado da linha. Eu suspirei pesadamente. – Você sumiu... Não liga para os seus irmãos mais...

- Eu preciso de um tempo, Emm – murmurei, fechando os olhos com força e passando a mão livre pelos meus cabelos, sem me importar com as gotas de água que caíam e escorriam por minhas costas e peito.

- Mas quanto? – indagou. – Eu sinto falta das nossas conversas, Edward.

- Eu não estou afim disso, Emmett – suspirei. – Eu realmente não tenho cabeça para isso agora.

- E quando terá? – tornou a indagar.

Só que eu não tinha resposta para aquilo.

E não sabia quando teria.

- Não sei – disse. – Eu ligo, ok?

E desliguei, sem esperar que ele dissesse mais nada.

Respirei fundo, e segui para o meu quarto, colocando apenas uma cueca e me jogando na cama logo em seguida. Minhas mãos automaticamente se ergueram, puxando a caixa para mim e tiraram a tampa, fitando as coisas lá dentro.

Aquilo era doentio, vicioso.

Até quando isso continuaria?

De repente meus olhos foram ficando cada vez mais pesados e meu corpo foi relaxando. Eu me peguei sorrindo, bocejando e deixando que o sono tomasse conta de mim.

Os risos dela ecoavam por todo o lugar, enchendo meu peito com tanto amor e felicidade que eu sentia que iria explodir.

A qualquer momento.

Eu me virei, procurando pelos sons e me vi em um lugar lindo, um jardim maravilhoso. E enquanto o observava, eu a vi.

Seu vestido era longo, esvoaçante, de um rosa pálido. O decote era pequeno, o vestido em si muito delicado e bonito.

E ela estava maravilhosa.

Seus cabelos castanhos se encontravam soltos, mais longos e mais brilhantes. As mechas avermelhadas que se sobressaíam do castanho iluminavam-na ainda mais, assim como os olhos daquele tom de chocolate que sempre me faziam perder o fôlego.

E o sorriso...

Seu sorriso era capaz de me iluminar. Eu poderia ficar olhando para sempre para ele, sem me cansar. Não importava se meu dia tinha sido chato ou cansativo demais.

Assim que eu chegasse em casa e visse aquele sorriso...

Tudo teria valido a pena.

Deus! Eu me pegava desejando imensamente ter filhos e mais filhos com aquele sorriso e aqueles lindos olhos. Na verdade, não me importava se todos os meus filhos fossem idênticos a Isabella.

Ela era linda demais.

E ter filhos idênticos a ela...

- Edward – ralhou. Seu tom doce invadiu meus ouvidos, fazendo com que eu sorrisse. – Você escutou alguma coisa do que eu disse?

Será que ela me perdoaria caso eu contasse que estava admirado demais para prestar atenção a alguma coisa que não fosse sua beleza?

- Edward!

Minha cabeça se moveu para trás praticamente sozinha, enquanto eu deixava o riso tomar conta de mim.

E não demorou muito para que eu sentisse pequenos socos me atingirem.

- Ei! – Segurei seus delicados pulsos e fitei-a. – Vem cá.

- Não – fez bico. – Você estava rindo de mim!

- Oh! – sorri e a abracei. Ela me envolveu com seus delicados braços e apoiou a cabeça no meu peito.

Perfeito.

- Eu senti sua falta – sussurrei, apertando-a em meus braços. – Eu senti sua falta demais.

- Eu sei – me apertou de volta. – Eu senti sua falta todos os dias também, amor.

Beijei sua cabeça e coloquei um dedo delicadamente no seu queixo, puxando seu rosto para cima.

- Eu te amo demais – disse. – Eu não posso viver sem você.

- Shh... Eu estou aqui, não estou?

E aquilo me fez sorrir.

Ela estava ali.

Meu rosto se aproximou do dela e eu a vi fechando os olhos, mas só fechei os meus quando nossos lábios se tocaram.

Eu tinha sentido falta disso.

Eu tinha sentido muito falta disso.

Meus olhos se abriram de repente e eu me vi na minha cama, arfando. A alegria que tomava conta do meu peito foi tão logo substituída pela dor constante que me acompanhava.

Tinha sido um sonho...

Somente um sonho.

As lágrimas rolaram de meus olhos antes que eu me desse conta e eu fechei os olhos com força, desejando que tudo o que eu estivesse vivendo fosse um pesadelo e que ela estivesse viva.

Os soluços foram se tornando cada vez mais altos e eu agradeci por morar sozinho e ser impossível de alguém escutar.

Não que fosse realmente importar.

- Por quê? – indaguei. – Por que você teve que sair da minha vida desse jeito?

Levantei-me da cama com pressa e praticamente corri até o mini-bar que eu tinha na sala. Peguei a primeira bebida que vi na frente e derramei em um copo, engolindo-a e sentindo-a descer áspera pela minha garganta.

Tomei um segundo e um terceiro copo e quando isso não pareceu o suficiente, peguei a garrafa e bebi diretamente dela.

Naquele momento, eu precisava esquecer.

Somente esquecer.

_

As batidas que soavam na parte do meu apartamento pareciam altas demais para os meus sensíveis ouvidos.

Eu sentia sede – muita sede – e a vontade de beber água fizeram com que eu me lembrasse do que eu aprontara na madrugada.

Estava de ressaca.

Ainda me sentindo péssimo, levantei-me e caminhei até a porta do meu apartamento, abrindo-a sem nem ver quem era.

Alice.

Por que isso não me surpreendia?

- Você está horrível – disse, entrando no meu apartamento sem nem pedir licença nem me cumprimentar.

- Bom dia para você também – resmunguei, fechando a porta com força e caminhando até o sofá. – Me deixa em paz.

- Você está agindo feito criança – gritou. – Não imagina o que papai e mamãe estão passando! O que você acha que eles devem ter sentido quando te viram tão acabado assim?

- Estou de ressaca – grunhi. – Me deixa em paz!

- Não – tornou a gritar. – E você vai me escutar.

Eu afundei a cabeça na almofada novamente, resmungando ainda mais, mas sem olhá-la. Será que se eu fingisse que ligava para o que ela falava, ela iria embora?

Eu amava Alice, eu realmente amava, mas... será que ninguém percebia que eu só precisava de um tempo?

- Você fica nessa de precisar de um tempo, de querer ficar sozinho... – começou. – Mas, Edward, até quando? Será que essas desculpas são para nos convencer ou convencer a si mesmo? Você precisa se reerguer, buscar forças, acha que Bella iria querer que você ficasse assim?

- Não toque no nome dela. – Sentei-me no sofá rápido demais e ignorei a tontura. – Você não tem esse direito!

- Bella, Bella, Bella... – repetiu, feito uma criança malcriada e mimada. – Evitar o nome dela, dar um tempo, ficar enclausurado nesse apartamento... Nada disse vai te fazer superar, irmão, nada disso vai te fazer mais feliz.

Alice respirou fundo e de repente seus olhos se tornaram tristes.

- Ela não iria querer que você ficasse assim – sussurrou. – Ela não queria, por isso te evitou, por isso fez o que fez. Acha que ela estaria feliz agora? Acha que estaria orgulhosa de você? Siga em frente, Edward, porque por mais que doa saber disso... Bella não vai voltar. Ela morreu. Ela se foi para sempre.

Cada palavra que ela dizia atingia meu coração com tanta força que parecia difícil até respirar.

- Está na hora de admitir isso para si mesmo – continuou –, está na hora de seguir em frente. Bella não volta, ela morreu. Mas você, Edward... você está vivo.

Alice tornou a se calar e deu um sorriso triste.

- Apenas pense nisso, por favor. – Ela se aproximou e deu um beijo na minha testa. – Volta para a gente, Edward, volta para a vida.

Minha irmã se afastou e foi embora, mas as palavras dela ficaram. Cada uma delas cravadas em minha mente e meu peito.

Bella não vai voltar. Ela morreu. Ela se foi para sempre.

Está na hora de admitir isso para si mesmo, está na hora de seguir em frente. Bella não volta, ela morreu. Mas você, Edward... você está vivo.

Ela estava certa, eu sabia. Ela não gostaria que eu estivesse assim, com certeza brigaria comigo.

Mas... o que fazer?

Como lutar se eu já tinha perdido toda a minha vontade e força?

Notas finais
N/A: Difícil, muito difícil, eu sei. Esses dois sofrendo, um sentindo a falta do outro... D: É de quebrar o coração, I know.
Mas o próximo capítulo, aah *--* Ele está prontinho já, terminei agorinha, mas só posto mesmo na semana que vem. Como sou muito boazinha, rs, vou mandar spoiler pra quem quiser. Basta deixar e-mail depois do review que eu mando duas páginas para vocês assim que eu ver o review, ok?
Então, meninas, contem-me, como será a reação do Edward quando ele descobrir que a Bella tá vida, ãh?
Besos, besos, suas lindas ♥
E até sexta que vem.
Ah, uma coisinha. Postei uma fanfic nova! O nome é Encantado e postarei todo domingo. Que tal uma passadinha lá, ein?
Link dela: https://www.fanfiction.com.br/historia/208029/Encantado
Só isso.
Inté ;*
N/B: ai gente que sofrimento ): só quero ver quando ele vai descobrir a bella viva