Freax
8 A Queda dos Dokuchi
Notas iniciais
Annie corria, corria o mais rápido que agüentava. Não queria olhar para trás, tinha medo que Lobo estivesse morto. Suas pernas pareciam muito desgastadas, não pareciam ter a vitalidade que uma shinigami possui no corpo todo. Parecia cansada, mas corria deveria se concentrar agora no dojo, em como iria abrir caminho para a ofensiva dos SAG’s. Devia isso á sua família, devia isso ao seu irmão.
Não demorou muito para chegar à região dos Dokuchi, ela pôde sentir a presença de todos melhor que nunca, talvez fosse a adrenalina. Mesmo assim estava muito concentrada, logo apareceram os protetores do limite, ninjas treinados nas técnicas de defesa de território e morte lenta. Quanto mais um invasor demora para morrer, mais fácil é extrair informações.
Ela não precisava ver onde eles estavam apenas atirava suas shurikens em pontos escuros na floresta. Algumas acertavam os alvos, outros conseguiam desviar, mas não tinham muitas chances ao chegar perto de Annie. Annie manejava sua espada com grande maestria, afinal a arma de um shinigami é como parte de seu corpo. Ao chegar nos muros do dojo houveram várias explosões. Armadilhas plantadas, mas isso não era problema. Não morreria nem mesmo com um míssil. Á essa hora já havia dizimado boa parte dos ninjas de baixo nível, mas ao se deparar com o mestre um medo súbito abalou seu corpo. Sua simples presença era como se ele tomasse o controle de seus medos. Ela hesita, mas ataca com tudo o que tem. Mas o mestre desvia de todas as kunais e shurikens.
Annie – “Apenas um golpe, um corte será o suficiente.”
Mestre – Não adianta o esforço, pequena. Sei como você luta, eu te treinei.
Ele defende todos os golpes dela, e começa a atingir todos os pontos fracos. Joelhos e ombros.
Mestre – Preparada para a morte? – ergue a espada, preparando o golpe para acertar o pescoço dela – Teria sido uma assassina perfeita – ataca, mas sua lamina é detida antes de acertar a garganta de Annie.
Lobo deteve a lamina de seu mestre. Annie cai quase se desfalecendo.
Naquele mesmo dia, mais cedo. Lobo adentra na mansão do SAG. Parecia muito cansado e fraco, o sangue de Annie não conseguira matá-lo, mas assim mesmo ele sofrera muito.
SAG – Então resolveu aceitar minha proposta? – os empregados do SAG estavam apreensivos, Lobo não mostrava nenhum sentimento no rosto, nem medo, nem raiva, nenhuma intenção assassina era sentida no ar, mas mesmo assim o clima era pura tensão.
Lobo – Não por sua oferta, mas por vingança. Não posso esperar mais nem um minuto, quero destruir completamente os Dokuchi.
SAG – Um homem de opinião. Gosto disso – virando-se para os seus capangas – Aprontem tudo! Partiremos imediatamente!
Lobo – Posso saber qual o nome do meu novo mestre?
SAG – Vito. Me chame de Don Vito.
Quando Lobo e a corja de Vito chegam ao dojo quase tudo já estava destruído, Annie fizera um ótimo trabalho acabando com as primeiras linhas de defesa. Porém, no telhado, Lobo pôde perceber a movimentação de uma batalha furiosa. Chega á tempo de deter o golpe fatal que cairia sobre Annie.
Mestre – Finalmente o filho pródigo retorna, mas também não valerá para nada aqui! – desfere vários golpes que fazem com que Lobo perca o equilíbrio.
Lobo está em desvantagem, apesar de habilidoso não consegue parear com seu antigo mestre. Em uma explosão de raiva acaba por acertar o braço do mestre Dokuchi. Percebe suas forças voltando, aumenta a concentração, se sente mais leve e consegue se mover com mais agilidade. Desvia e defende os ataques do seu antigo mestre. O mestre Dokuchi percebe o que estava acontecendo quando percebe que a íris de Lobo começa a ganhar um tom avermelhado.
Mestre – Não pode ser. Você conseguiu absorver o sangue de um shinigami?!
Lobo – E agora esse veneno é meu para te matar – usa a lamina de sua espada para colher o sangue de sua própria ferida – MORRA! SEN HOTARU! – usando a fumaça gerada pelas pequenas explosões Lobo se move como se fosse uma sombra e desaparece.
Mestre – “Não pode ser, além de absorver o sangue de um shinigami ele não demonstra sua presença. Isso é impossível!”
Lobo – Shi no kage! – várias sombras rodeiam o corpo do mestre, disformes e contorcidas.
Mestre – Você não me matará tão... – recebe um golpe que gera um corte transversal em seu rosto.
Lobo – Morra!
O mestre Dokuchi cai imóvel. Paralisado pelo choque de ter sido derrotado, mas o efeito do sangue de Lobo não tarda a fazer efeito. Entretanto, Dokuchi morre em silencio, ignorando toda a dor e sofrimento que o sangue venenoso de Lobo trás.
Lobo se aproxima de Annie, abaixa-se e a segura em seus braços. Annie então apunhala Lobo no abdômen.
Annie – Obrigado – e entrega um pen drive á Lobo – Meu irmão.
Lobo – Mas... por que?
Um longo período de silencio segue antes que Lobo perceba que Annie passou sua arma para ele. Entre o barulho das explosões Lobo permanece em silencio segurando sua nova arma e o pen drive. Imaginando por que Annie teria chamado-o de irmão e por que ela morrera agora que eles estavam livres dos Dokuchi.
O que Annie descobriu foi como sua família sobreviveu aos ataques dos Dokuchi. Quando ainda recém nascida, Annie foi separada de sua família por um ataque dos Dokuchi. Lobo não conseguiria se lembrar por ser muito novo. Os sobreviventes da cidade onde moravam, e conseqüentemente sua família, acabaram por morar em outras cidades dividindo os membros da família entre as casas de parentes. O mesmo sucedera com Lobo e Annie. Nesse contesto Annie acabou sendo levada para os Dokuchi antes de Lobo.
Lobo se tornou um ninja ainda mais poderoso ao lado de Vito. Conseguiu controlar totalmente os poderes que o sangue de shinigami surtiu sobre o seu corpo, entrando em um estado quase shinigami. Tornou-se o braço direito e guarda-costas de Vito. Desde então, cerca de quase dez anos se passaram.
Em uma tarde Vito chama Lobo para deixá-lo á par de uma situação. Os dois estavam no escritório da mansão, apenas os dois. O escritório era espaçoso, com móveis em mogno e decoração que lembravam a belle époque. Vito estava atrás da escrivaninha e Lobo estava confortavelmente sentado de frente para Vito.
Vito – Você sabe que venho tentando tomar conta do maior número de territórios possíveis, não é?
Lobo – Sim senhor.
Vito – Você sabe qual a raça com a qual nunca conseguimos uma relação estável?
Lobo – Os vampiros senhor.
Vito – E você sabe por que nunca entramos em guerra direta com eles?
Lobo – Não senhor.
Vito – A resposta é óbvia meu caro. Eles já estão mortos, e nosso sangue não surte o efeito desejado àquelas criaturas. Existem vampiros, os quais podem beber de nosso sangue e, por conta disso, ganham poderes muito maiores. Uma guerra contra esses vampiros resultaria em déficit para ambas as partes. Possivelmente não restariam muitos de nós para governar esse mundo.
Lobo – E por que o senhor está me contando tudo isso?
Vito – Porque esta semana consegui uma reunião com a imperatriz de Schlamblut. Iremos jantar com ela e seus subordinados, conselheiros e ministros. Você deverá cuidar da segurança. Não podemos dar brechas, vampiros não são de confiança. Mesmo assim se eu conseguir uma aliança com eles estaremos á poucos passos de dominação mundial.
Lobo – Sim senhor! Destacarei os melhores homens para essa tarefa, e poderei testar os novos homúnculos.
Vito – Tenha tudo pronto em dois dias.
Lobo – Sim Senhor!
Em dois dias, então, estava tudo pronto. O salão escolhido era espaçoso e bem iluminado (ao contrário do que se pensa, os vampiros gostam de luzes), com uma enorme mesa central onde se dispunham inúmeras cadeiras para os convidados. Criados de ambas as raças se dividiam para poder servir a todos. Como de costume os vampiros levaram seus famosos vinhos finos, que eram servidos por criados humanos, mesmos estes estavam sob o governo de Schalmblut. Lobo observava tudo ao seu redor.
A imperatriz vampiro era muito bela. Tinha uma aparência jovem, parecia ter acabado de completar vinte anos, era alta, magra, branca como mármore, cabelos negros como a noite, soltos e ondulados, seus olhos eram sóbrios, vestia-se muito elegantemente com um longo vestido negro, luvas de seda de mesma cor, um espartilho negro com detalhes em rubis. Mas o que chamou a atenção de Lobo fora seu servo pessoal. Um homem alto, também magro, usando óculos escuros que não possibilitava ver os seus olhos, em vestes sociais, porém sem terno, uma camisa vermelha e um colete risca de giz, coturnos de cano alto de couro preto, um homem também jovem, negro, careca e de expressão séria. Lobo não conseguia sentir a presença desse homem com exatidão, não conseguia definir se era humano ou vampiro ou qualquer outro ser.
Lobo – “Sujeitinho estranho. Posso estar enganado, mas não poderei deixar que ele se mova tão livremente nessa casa. Vou manter ele sob observação pessoalmente.”
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