Freax
9 Schlamblut
Um mensageiro anda apressado pelos corredores do castelo de Schlamblut, chega à grande sala, empurra uma grande porta de mogno entalhada com detalhes rococó e trincos e fechaduras de ouro. Lá está a imperatriz e seu capitão da guarda real. A imperatriz com um pomposo vestido de cor preta e detalhes em vermelho. O capitão da guarda, um pã enorme vestido elegantemente com um terno preto.
Mensageiro – Desculpem a intromissão, venho trazer noticias sobre nosso portão.
Imperatriz – Diga logo, estamos discutindo assuntos importantes.
Mensageiro – Nosso portão principal foi destruído.
Capitão – Como assim? Isso é impossível! Quem em sã consciência invadiria Schlamblut?! – a voz imponente faz com que o mensageiro perca a fala por um segundo.
Mensageiro – A-até onde sabemos foi um berserker e outros, ainda não sabemos quantos, mas estão usando um caminhão.
Capitão – se levantando – Relatório de perdas.
Mensageiro – Até então apenas algumas latas de lixo destruídas e alguns soldados e guardas feridos, mas nenhum morto.
Imperatriz – Não irão durar muito, nem mesmo um berserker é páreo para nossos soldados. Quero ser informada sobre esses invasores a cada minuto – virando-se de costas para os dois esboça um leve sorriso.
Nas ruas da cidade um imenso caminhão corre com três pessoas em cima de seu baú. Aparentemente nada consegue pará-lo, os soldados vampiros não duram nem um segundo contra um berserker, ainda na forma humana, extremamente forte, um pistoleiro ágil e um shinigami que não se utiliza de suas adagas. Eles não matam seus inimigos, apenas imobilizam tirando-os da luta. Repentinamente o caminhão sofre uma guinada.
Andrade – Mas que... por que viramos? Não disse que era uma linha reta?
Al’majid – Olhe direito, não há maneira de irmos reto.
Andrade se espanta com o imenso muro que forma uma cidadela. O centro da cidade está muito protegido apenas se tem acesso por pequenos portões que são usados pelos familiares dos vampiros “puro sangue” de alta casta que moram no centro da cidade.
Andrade – Como assim? – olhando para o muro com espanto – esse muro não estava aqui há dez anos.
Al’majid, Sérgio e Shock – Dez anos?!
Al’majid – Não acredito que você não vem aqui há dez anos e ainda convence a gente á invadir, estamos correndo um risco de morte enorme aqui. Logo vou achar que ter deixado esse berserker matar a gente teria sido melhor.
No caminho do caminhão fazem uma barricada forçando o caminhão dar outra guinada, mais violenta que a primeira, fazendo que os três sejam jogados de cima do caminhão em diferentes direções.
Em uma viela um pequeno bar onde poucos humanos e vampiros se juntam uma pequena figura coberta por um manto surrado e com um machado próximo aos pés degustando uma taça de vinho se destaca. Um grande objeto atravessa a vidraça e arrebentando as poucas mesas do local. Dessa bagunça emerge Andrade olhando em volta reconhece a pequena figura.
Andrade – Éris! – corre e abraça a pequena fada – Que saudade!
Éris – sussurrando – Filho da puta o que você tá fazendo aqui?!
Andrade – Ué, vim te encontrar. Não era aqui o ponto de encontro?
O atendente do bar puxa um telefone, mas é interrompido por Éris que aponta seu machado contra o pescoço do atendente.
Éris – Não ouse chamar ninguém – olha para Andrade – agora que você me ferrou vai ter que me pagar caro por isso.
Andrade – A gratificação vai ser melhor que você pode pensar – com um sorriso sacana.
Pouco longe dali Al’majid perde o controle do caminhão e bate em uma grande estátua de aço ilustrando um homem de barba e vestes de monarquia,. Não podendo mais manobrar saí apressadamente do caminhão e se mistura na multidão formada em volta do acidente. A periferia da cidade tem todos os tipos de raças, portanto um ser humano passaria despercebido.
As câmeras da cidade foram capazes apenas de tirar fotos dos três que estavam em cima do caminhão, Al’majid foi o único protegido por estar dentro da cabine. Serj consegue se esconder nos becos. A comoção era grande entre os cidadãos, nunca ninguém ousara entrar em guerra contra a nação dos vampiros, menos ainda invadir a sua cidade-estado. No palácio não era diferente, o capitão da guarda e seus soldados ficavam de um lado para o outro buscando maneiras de como encontrar os invasores, apenas a imperatriz demonstrava certa calma.
Capitão – Mensageiro! Relatório da situação!
Mensageiro – tremendo de medo – A-até agora não conseguimos achar e capturar os invasores, mas depois do acidente estamos trazendo o caminhão deles para nossas instalações. Senhor!
Capitão – já alterado – Como assim não capturaram os invasores?! Vocês ainda se consideram vampiros reais da imperatriz?! – vira-se para a imperatriz e abaixa o tom de sua voz – Minha senhora, peço-lhe permissão para sair e detê-los.
Imperatriz – Permissão concedida. Termine logo com essa bagunça em meu reino.
Mensageiro – C-capitão! O berserker... ele...
Capitão – Diga logo!
Mensageiro – Ele está no portão do palácio!
O rastro de destruição do muro que separa a cidadela até chegar ao palácio era enorme, algo atravessara e não parou por nada. A Figura monstruosa do Berserker parado em frente ao palácio inspirava medo nos habitantes da cidade estado.
Shock “Acho que não matei ninguém, não to a fim de levar bronca por mortes desnecessárias. Agora é só esperar os outros.”
Não muito longe as portas do palácio se abrem, o Capitão da Guarda Real sai vestindo sua armadura, agora dourada, seu capacete deixa apenas os olhos e boca a vista além de seus chifres, em suas mãos ele porta machados de um metal escuro adornado em ouro e rubis. Desce as escadarias calmamente e aponta um machado para Shock em sinal de desafio. Shock não hesita, encosta os punhos fechados no chão e começa a investida contra o inimigo. O Capitão desvia sem sair do lugar, em seguida pula contra Shock e ataca com os machados, o berserker rebate as armas desviando a direção do ataque. Percebe o ferimento em sua mão esquerda e pára por um instante.
Capitão — Espantado fera? Mesmo sua pele dura não passa de papel para uma lâmina vampira.
Shock lambe a ferida olha sorrindo para o Capitão e faz um sinal de "venha". O Capitão atende ao desafio e investe novamente para um novo ataque, Shock não hesita e parte para cima do inimigo, contudo os dois são detidos por Andrade que aparece do nada entre os dois.
Andrade — Olha só, já se conheceram.
O Capitão pára subitamente e se abaixa em sinal de respeito. Shock volta à forma humana olhando para Andrade esperando alguma explicação, mas uma voz tira sua atenção.
Éris — Parece que andou se divertindo.
Shock — Olha só, o inseto voltou. — sorri.
Éris — Melhor chamar um veterinário — aponta para a mão de Shock que estava sangrando — o animal machucou a patinha.
Capitão — Senhor Andrade, não sabíamos que era você. Vamos retirar o alerta imediatamente. E achar seus... "amigos"?
Andrade — Sim, pode-se dizer que sim. Desculpem a bagunça, mas pensei que seria mais difícil nossa entrada. Afinal não tive como avisar de nossa chegada.
— SENHOR ANDRADE! — uma voz feminina e imponente interrompe — Já esperava que fosse você, precisa encontrar uma maneira menos dispendiosa de entrar em minha cidade. — a Imperatriz vampiro aparece no portão com um semblante sério — Agora tenho que dar um jeito nessa situação.
Andrade — And... hunhum... Imperatriz — abre os braços e faz uma reverência — peço por sua compreensão, devido à certos acontecimentos estou impedido de usar qualquer tipo de comunicação. Prometo pagar por todo o estrago causado.
Imperatriz — com cara de escárnio — Entrem, não é ambiente para esse tipo de discussão. — ela pára — ah, achei uma coisa que talvez te pertença.
Carol sai por de trás da porta e pula em cima de Andrade, com os olhos cheios d'água balbucia algumas palavras e começa a chorar.
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