Fraterno

18 Capítulo 17


Notas iniciais
Mais um. Estou de saída agora, mas mais tarde responderei aos reviews do cap anterior. Passei aqui só pra deixar o cap, caso contrário só poderia postá-lo à noite.
Boa leitura.

Fraterno

By Amanur

Capítulo 17

...

Era difícil estar num mesmo ambiente que ele, sem poder segurar sua mão por que temia que ele não fosse entender. Mas era ainda mais difícil estar com ele e não poder tocá-lo, quando até ele o queria fazer, por que ninguém mais iria entender. Querer não é poder. E, aparentemente, nem ter é poder.

Então, aquela dúvida cretina martelava na cuca. Estamos mesmo fazendo a coisa certa? A certeza era firme, mas a dúvida sempre abala a estrutura. E o fato de estarmos sozinhos nisso, não contribuia com nada em nossa situação.

A semana de provas passou, mas Sasuke precisou fazer mais duas provas para recuperar nota em duas disciplinas na semana seguinte. Quando lhe perguntei por que ele insistira em fazer filosofia comigo, ele apenas respondeu que era para ficar de olho em mim. Depois voltou atrás em sua resposta dizendo que me amava, mas não sabia disso.

— Mas o pai disse que você queria fazer medicina. Não precisamos ficar mais grudados do que já somos, não acha?

— Na verdade, eu acho que precisamos sim. Por que se me foi dada a missão de ficar com você, eu devo recompensar o tempo que perdi olhando para a bunda de outras garotas, olhando para a sua agora. E sentar atrás de você torna a minha tarefa surpreendentemente mais fácil. Juro! Além disso, eu até que estou me divertindo com o curso. Sem falar que o Asuma me ama. Até comprei um buquê de flores para ele, essa semana.

— Ele mal olha pra você! — revirei os olhos.

— Por isso mesmo.

No sábado, Sasuke apareceu com um DVD nas mãos. Nossos pais haviam saído para ir visitar o tio Madara, e nós três ficamos em casa. Sasuke parecia empolgado demais com a idéia do filme, e eu suspeitei de suas boas intenções. Mas ele dizia que era apenas um filme. Até fez pipoca de microondas para nos deliciarmos com refrigerante de laranja.

O titulo do filme? Os sonhadores.

Meu coração explodiu em raiva, e minha alma fugiu do corpo com medo. Eu já tinha visto aquele filme, e tinha ficado de cabelos de pé com a película. De acordo com a crítica, o filme é extremamente ecêntrico, pacional e dramático, com seus personagens solitários capazes de depositar todo amor, paixão e desejo no que lhes é mais fácil e próximo... Neste caso, um incesto. Concordo em parte com o comentário. Pode ser fácil depositar o amor em alguém, se levar em consideração a relação fraternal dos irmãos. Realmente é fácil dizer que você ama alguém de sua família com toda a sua convição. Mas ao mesmo tempo, isso é a coisa mais difícil de se dizer, justamente por ser da sua família.

Arrastei o Sah até a cozinha, enquanto o Chi se entretia com a pipoca na sala.

— Explique-se. — lhe disse.

— Não é obvio? Eu quero ver qual vai ser a reação dele ao filme. Podemos perguntar, como quem não quer nada, o que ele acha sobre a relação!

— Ele acha nojento, Sah.

Seus ombros caíram, desminlinguidos, derrotados. Quando contamos um segredo para alguém, nunca pensamos que estamos, na verdade, dividindo o peso e o fardo com esse alguém. Dividir é bom, mas fazer isso apenas para aliviar as costas, nem tanto. Eu não havia pensado na possibilidade, sequer remota, de que ele fosse se preocupar com o que os outros pensariam, tanto quanto eu. Ele sempre foi tão despreocupado com tudo. Mas acho que, desta vez, ele se preocupava ainda mais.

Voltamos para a sala, na primeira cena criminosa. O Chi estava esparramado no sofá maior, enquanto me sentei na poltrona do pai. O Sasuke sentou no chão, ao lado do sofá, quando Itachi sentou.

— Bem, isso é contrangedor. — ele reclamou, vendo os irmãos nus na tela.

— Nem me fale... — Sah resmungou, observando bem a reação do mais velho, que contraia a expressão assistindo a cena.

Chi ficou quieto durante o resto do filme e, ao final, até disse ter gostado. A concepção é bonita, até mesmo poética, mas na realidade é tudo amoral, egoísta e inepto. Ou seja, ele não aprovava. Eu via nos olhos do Sah a loucura que aquela pergunta lhe causava, mas algo o impedia de pronunciar as palavras. Na covardia, eu também não as concretizei para aliviar sua angústia. E me senti péssima por isso.

Uma coisa é imaginar como a vida pode ser. Outra, totalmente diferente, é estar diante dela, vivenciando o momento. Eu achava que, no dia que confessasse o verdadeiro sentimento que corria em minhas veias, e que fosse correspondida, tudo se resolveria. Mas a verdade é que tudo se tornava cada vez mais complicado e difícil. Os dias nos tornava cada vez mais malucos e desesperados para gritar com todos que cruzasse nossos caminhos. “Cegos que vêem; cegos que, vendo, não vêem.” — li em algum lugar. A verdade é que existem várias formas de olhar e os olhos nem sempre são o primeiro instrumento nesse processo. Pena que nem todos vêem isso.

Naquele mesmo dia, ao final da tarde laranja, Itachi nos deixou em casa as sós para levar Konan à um restaurante. Mas antes, ele me pediu opinão sobre o que vestiria.

— Você fica bem de branco. Acho que deveria vestir aquela camisa do Sah. — me atirei na cama de baixo do beliche, abraçando o travesseiro do meu irmão. O cheio do seu xampu me fez sorrir, enquanto o Itachi trocava de roupa.

— Prendo o cabelo, ou não?

— Faça a trança.

— Você está debochando de mim?

— Um pouco. — respondi, divertida — Eu realmente gosto da sua trança.

Ele entrelaçava o cabelo repartido em três partes, se olhando no espelho atrás da porta, enquanto eu o observava invejosa. Despreocupadamente, ele se preparava para ver a namorada. Eu não tinha isso. Suponho que ter o namorado morando com você, sob o mesmo teto, fosse um privilégio para poucos. Mas eu sentia falta dos gestos comuns, praticados por qualquer casal.

— Você a ama, Chi? — perguntei.

— Hum? — ele me olhou pelo reflexo do espelho, que me refletia em seu ângulo — Amo. — sorriu.

— Você faria qualquer coisa para defendê-la? Mesmo se ela tivesse feito algo errado, mas que essa coisa errada não ferisse vocês? Ou melhor, essa coisa fere vocês, mas de uma maneira positiva. Dependendo de como se olha, isto é.

— Pode ser mais específica? — perguntou, contorcendo o rosto para a trança nos cabelos.

— É melhor você ir com o rabo de cavalo baixo. — comentei — Esquece o que eu disse. Só estou viajando na maionese para te encher o saco.

Assim que o Chi saiu do quarto para encontrar a namorada, o Sah entrou mergulhando em sua cama, ao meu lado. E lá estava o sorriso malicioso esculpido no rosto, como se tivesses esquecido todos os nosso dilemas apenas para aproveitar-se da situação.

— Qualquer tentativa é valida, Ku. — me disse.

— Quero só ver no dia em que contarmos.

— Hum? Eu estava falando disso! — e então, ele tirou um pacote de camisinhas do bolso da calça, me fazendo revirar os olhos — Que tal agora?

— Você só pensa nisso?

— Mas qual é a moral de uma relação, se não dar todo o meu amor a você, e saber que sou retribuido? Não há demonstração maior de confiança e afeto que entregar meu corpo inteiro à você!

— Fala sério. — bufei.

— Ok, chega de papo. Tire logo a roupa e venha cavalgar em cima de mim! — o idiota ainda fez um gesto obseno com as mãos, para enfatizar o que dizia.

Dei um soco no seu braço, enquanto ele se divertia às minhas custas.

— Falando sério, agora. — ele me interrompeu — Eu já te disse que não vou desistir de você? Independente do que nossos pais digam.

— Será que vai valer a pena?

— Tsc! Não ouse duvidar disso! É como se estivesse duvidando de mim, e isso me ofende. Ninguém tem o direito de dar um significado à minha vida. Me recuso a baixar a cabeça me submetendo à reprovação dos outros. Ninguém pode me dizer o que é errado para mim. Cada um é cada, um. Certo e errado, são coisas relativas. Só eu posso me definir, e digo que esse significado é você. Se houver um preço a pagar por isso, eu pago o que for. Até mesmo dar as costas aos nossos pais, se for preciso. O que quero saber é até onde VOCÊ está disposta a ir pela nossa causa?

— Eu tinha medo de te contar o que se passava comigo, por que achava que você se tornaria meu inimigo. Mas será que ter somente um amigo, é o suficiente?

De repente, ele se afastou de mim, me ferindo com aquele olhar cheio de incredulidade e revolta que só ele tinha.

— O que você está fazendo, Ku? Você vai dar para trás agora? Depois de ter me contado tudo? Depois de ter me feito te beijar na boca, e chupar teus peitos?

Agora, quem se revoltou fui eu.

— Eu não te obriguei a nada!

— Tsc! Não distorça o que eu estou dizendo. Você sabe do que eu estou falando! — ele grunhiu.

— Não, eu não sei! Eu nunca cobrei nada de você, Sasuke. Nunca exigi nada, nem nunca pedi para que você me amasse. Não jogue toda a culpa em mim!

— E a culpa é de quem? Minha, por acaso? Eu estava muito bem, obrigado!, antes de você vir com toda essa porra louca, confundindo a minha cabeça!

— Eu não acredito nisso! — sai da cama, e fui marchando até a porta — Achei que você realmente sentisse o mesmo que eu, mas acho que me enganei! Você não sabe nada sobre nada, Sasuke!

É culpado aquele comete algum erro. Eu não podia aceitar que ele estivesse mesmo querendo encontrar um causador para o que fizemos, como se fosse um erro.

Ele me seguiu até meu quarto. Tentei fechar a porta na cara dele, mas Sah usou sua força bruta e covarde contra mim. E ainda me empurrou contra a parede, me aprisionando entre seus braços.

— EU SABIA! — ele esbravejou entre os dentes — Eu tinha certeza de que você estava fazendo isso!

— O quê, Sasuke? Você tinha certeza sobre o quê? Até onde sei você não sabe nada!

— Quem não sabe porra alguma aqui é você! Não julgue meus pensamentos sem conhecê-los, cacete. Você não faz idéia do que eu penei pensando sobre isso. Dia após dia, sem conseguir dormir direito. Mas eu sabia que você estava em dúvidas. No fundo, é você quem mais tem dificuldades em aceitar isso, não é, Sakura?!

— Há-há! — cruzei os braços, indignada com sua suposição.

— Então prove o contrário! Prove que está disposta a ficar comigo, sem medo e sem restrição alguma. Por que eu acho que você está mais perdida aqui do que eu já estive, e por isso se agarra a mim, pedindo por ajuda. Por que eu acho que sou eu quem mais tem convicção sobre qualquer coisa aqui!

Acho que ele tinha razão — mesmo que estivesse apenas zoando com a minha cara — quando disse que a maior prova de amor que poderia dar e receber era o seu corpo. Pelo menos no nosso caso, já que isso implica a completa quebra do tabu, e a libertação total da moral que ainda nos prendia. Nós abririamos mão do nosso orgulho, das nossas crenças, dos nossos princípios, dos nossos preconceitos e receios. E ainda estariamos modificando nossos conceitos de ética e moral para algo livre de regras e limites, nos rebelando contra o mundo todo. Nós estariamos oficialmente nos declarando parte excluída da sociedade, se deixássemos acontecer aquele simples ato tão comum a tantos acontecer. E somente por que somos irmãos, sangue do mesmo sangue, cuja fatalidade nos condenou assim sermos.

Mas o sangue e a carne nada têm a ver com o espírito.

Tirei minha blusa, meu sutiã, minha saia e minha calcinha. Não vou negar que me senti acanhada, mas não vou mentir ao dizer que estava mais convicta do que nunca por fazer aquilo. Ele precisava de uma prova, e eu não via problema algum em dar isso a ele.

Me aproximei dele, pousando a mão em seu peito, sentindo seu batimento cardíaco pulsar contra minha palma. Me pus na ponta dos meus pés, e alcancei seus lábios com os meus. Ele não rejeitou minha aproximação, muito menos minhas carícias. Mas manteve-se sério, me observando de olhos bem atentos aos meus movimentos. Passei o braço por trás de seu pescoço, enquanto aprofundava o beijo com a língua. Beijá-lo se tornou algo tão natural que me perguntei por que ainda sentia medo. Afinal, minha família é a única entidade da qual eu não deveria sentir medo. E eu sabia no fundo do meu cerne que ele não me machucaria fisicamente. Suas palavras eram a única coisa que eu tinha a temer. Seu “não” era tudo o que realmente poderia me ferir.

Aos poucos, ele foi amolecendo a rigidez, respondendo com mais calor aos meus toques. Ele passava as mãos em meus cabelos, no rosto, ombros, braços, seios, cintura e quadril, memorizando cada curva. Lentamente, foi me guiando até minha cama, me fazendo deitar. Em poucos movimentos, ele se livrou de todo o tecido que lhe cobria também. E pela primeira vez, desde que tinha dez anos, consegui ver seu membro. Era assustador,e ao mesmo tempo não era. Por que era apenas uma parte do corpo dele.

Com passos calmos, meio hesitantes, ele se aproximou da minha cabeça. Suavemente, o toquei, beijando seu órgão rígido e quente diante de mim.

Ele ficou excitado comigo!, me dei conta. Eu era uma mulher, excitando um homem. Eu era uma mulher sensual, que atraia os desejos dele. Eu era uma mulher atraente, que instigava seus instintos. Naquele momento, eu era uma mulher, e ele um homem. E nada mais.

Me senti desejada pela primeira vez. E, por isso, não deveria sentir vergonha. Eu não deveria sentir vergonha por que ele já me conhecia. Já tinha visto a pinta que tinha entre os seios. Já tinha visto o ângulo da minha cintura. Já havia tocado em minha pele inúmeras vezes para me abraçar, para dançar comigo, para jogar comigo... Assim como seu corpo também me era familiar.

Ele gemeu suavemente, deixando o som preso na garganta. Me deu algumas dicas, pacientemente, de como deveria lhe proporcionar mais prazer. Ouvi tudo atentamente, com uma aluna exemplar, ansiosa pelo conhecimento.

Me pus de joelhos para pôr em prática o que acabara de ouvir. Abocanhei seu membro pulsante, rígido e quente, enquanto ele jogava a cabeça para trás, deixando escapar um suave gemido prazeroso. Massageei sua virilha, estimulando-o mais. Eu o lambia e o beijava em cada ponto de sua pele. Em seguida, ele me guiou até a cama, sugando meus lábios. Chupou meu queixo, meu pescoço, mordiscou meu ombro. Lambeu meios seios demoradamente, circundando os mamilos até ficarem rígidos, para chupar somente o bico. Comecei a me contorcer no colchão, sentindo os músculos tencionar, pedindo por mais toques. Então, ele foi deixando um rastro com sua língua até minha virilha. Ele espalhou minhas pernas pelo colchão, beijando minhas coxas. E então, suavemente, veio lambendo minha virilha, alternando com leves mordiscadas. Mergulhei meus dedos em seus cabelos, lhe convidando a ir mais além. Sem hesitação, ele foi. Enterrou os lábios em minha vagina, sugando o clitóris, embebendo-se do meu líquido. Eu rebolava o quadril para ele, massageando meus seios, enquanto ele apertava minhas coxas com sua mão e penetrava sua língua quente e úmida. Comecei a gemer mais alto, sentindo aquele fogo arder mais alto, tomando meu fôlego.

De repente, Sasuke aparece sobre mim, beijando meus lábios, me fazendo provar do mesmo sabor que ele provava. Ele agarrava minha nuca, roçando seu membro em minha perna.

— Preparada? — ele sussurrou, olhando diretamente nos meus olhos.

— Uhum. — respondi.

Ele pegou o pacote de camisinha que havia guardado no bolso da calça que vestia. O observei desenrolar a borracha e pular de volta por cima de mim. Ele me beijou mais uma vez; desta vez, mais intenso. Ele respirava alto, e suas mãos tremiam um pouco. O envolvi em meus braços, sem tirar meus lábios de sua pele, enquanto afastava as pernas para que ele encaixasse-se no meio. E então, com o auxílio de sua mão, foi me penetrando. Lenta e cuidadosamente.

Acho que eu só não estava mais nervosa, por que eu estava com o meu irmão; aquele a quem eu conhecia por toda a minha vida. Eu sabia que ele não iria me machucar e, se assim o fizesse, estaria tudo bem. Por que eu sabia que ele não faria propositalmente, ou por ser insensível, descuidado, machista, ou qualquer outra coisa que qualquer outra garota poderia ter dúvidas a respeito de seu parceiro na hora H. Eu me sentia completamente segura com ele, como se estivéssemos apenas fazendo uma brincadeira proibida pelo nossos pais.

A penetração foi um pouco custosa. Mais do que eu gostaria que tivesse sido, na verdade, já que eu era inexperiente naquele assunto. Mas quando ele conseguiu romper a barreira, ele me encheu de beijos com as mãos mais trêmulas do que já vira antes. E meus olhos encheram de lágrimas, mas não por ter sentido dor. Aquela dor era o de menos, e perfeitamente suportável. Chorei por algum outro motivo, que não soube explicar, mas sabia que ele também sentia o mesmo. Depois que aquela emoção finalmente desceu da garganta, ele começou a movimentar-se, num leve vai-e-vem. Ele continuava a me beijar, mantendo uma de suas mãos em meu seio. Aos poucos, o vai-e-vem ia se intensificando, cada vez mais rápido e mais forte. Ele começou a suar, arfar e gemer, sem tirar os olhos do meu rosto. Senti o cheiro almiscarado de sua testosterona exalando no ar, enquanto socava seu membro em mim. Ele pareciar estar extraindo tanto prazer de mim que não consegui tirar meus olhos de seu rosto.

Quando fechou os olhos, despejou seu gemido final, num forte impulso com o quadril. Em seguida, desabou o corpo sobre o meu. De pele quente e molhada, sem fôlego e forças, mas sorridente.

— Conseguimos!

Notas finais
Algum comentário??
O filme "Os sonhadores" realmente existe. Foi ele, inclusive, que me deu a idéia da fic. Diferentemente, ele fala muito superficialmente sobre incesto. Mas é um filme muito bom, que recomendo! ;)