Frankenstain
13 Verão de 1790
Notas iniciais
Tudo mudara.
O velho Radamanthys declarou várias mudanças na organização da casa e o próprio mudara um pouco.
Depois da experiência de quase perder tudo que lhe valia, seria estranho ele não mudar ao menos um pouco.
Milo agora tinha o direito de ir e vir.
Parecia uma criança toda vez que entrava na casa, para ele tudo era uma novidade. Também ganhou um quarto dentro da residência, mas preferiu continuar em seu quarto na parte de cima do celeiro.
Ele também podia se sentar à mesa com o restante da casa se assim sentisse vontade e já não era tratado com tanta indelicadeza.
Mas o bom tratamento conferido à Milo se devia a seu esforço durante o Grande Medo, nem mais e nem menos, de resto ele ainda era o mesmo para seu criador.
Kardia agora vivia dentro da casa e não na casa dos criados com Sasha, Tenma e o pequeno Kouga.
Zaphire tinha o escorpiano como deveria ter a mãe que nunca conheceu. Afinal, o cheiro, voz e carinho que primeiro sentiu ao nascer foi o de Kardia. Tentar distancia-lo do menino seria um erro sem precedentes.
Logo Kardia agora dormia num quarto próximo ao do menino.
E passava parte de suas noites e dias o velando com todo o carinho.
¬ Ouvi um som a me chamar.
O vento vem pra me levar
E acender a chama pra não me esquecer
Que eu vou voltar pra você.
Não tinha por habito cantar, mas abria uma exceção pelo menino.
Balançando para frente e para trás, tentando fazê-lo dormir.
¬ Caminhos que andei e não te encontrei,
Distantes não são do coração.
Correndo com o rio.
Voando no ar.
A águia me guia de volta ao lar.
E Dégel sempre que conseguia vinha ver os dois.
Aproximava-se silencioso da cadeira de balanço onde Kardia vivia com o menino e se sentava de frente para eles.
Sempre sustentando um sorriso ao qual o azulado correspondia sempre.
¬ Não importa a distância,
Nem tempo ruim,
Só quero de novo ter você junto a mim.
Agora eu já sei.
Por tudo que eu passei.
Nas horas mais difíceis em ti eu pensei.
Sentiu sua mão ser capturada pela de Dégel e ser beijada com carinho.
Zaphire aos poucos se demorava mais ao piscar. Segurava as roupas de Kardia para garantir que não seria solto tão cedo, mas também nunca mais lhe devolveu o cachecol.
Kardia não se importava muito com esse monopólio, aprendeu a amar o menino como se fosse seu.
¬ Correndo com o rio.
Voando no ar.
A águia nos guia ao nosso lugar.
Por tantos caminhos aprendi a andar.
Mas pra você quero sempre, sempre voltar.
O pequeno soltou um pequeno gemido, cerrou os olhos e devagar foi soltando as roupas do mais velho.
Kardia apenas beijou os ralos fios escuros e o ajeitou melhor em seu peito, queria que ele estivesse bem adormecido antes de colocá-lo no berço.
Escorregou com cuidado para o chão, sentindo o machucado nas costas arder um pouco.
¬ Tão lindo... – Dégel fez um pequeno carinho no filho.
O azulado sorriu, unindo suas testas e descansando assim com os olhos fechados, apenas sentindo o calor e respiração daquele que amava.
Não muito depois sentiu os lábios finos do aquariano se fundirem aos seus. Primeiro com um beijo simples e tímido, mas não menos carinhoso. Depois um novo beijo, mais apaixonado, profundo e sedento que o outro.
Aquele beijo conseguia ser mais intimo que qualquer outro contato, pois somente enquanto era beijado é que via luzes piscarem por detrás dos olhos.
O mais velho se afastou de si apenas por ar, deixando as testas ainda unidas.
¬ Senti tantas saudades. – comentou tentando recuperar o ar.
Kardia apenas soltou um leve riso, sentindo o coração bater como a muito não batia.
¬ A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar. – respondeu tomando-lhe os lábios mais uma vez.
Um gemido indignado de Zaphire os fez se afastar novamente e rir do bebê invocado.
¬ Desculpe. – disse Dégel beijando a testa do filho.
¬ Vou deixá-lo no berço. – Kardia já se levantava.
As costas arderam novamente, mas somente um pouco.
O pequeno se recusou a soltar seu cabelo, então passou um longo tempo debruçado no berço enquanto tentava fazer o menino o soltar sem que acordasse.
Por fim pode se afastar e o ver dormir.
Sorriu feliz enquanto o peito do pequeno subia e descia calmamente.
Sentiu as mãos do aquariano circundarem sua cintura e um beijo ser depositado em seu ombro, depois sentiu a cabeça descansar ali.
¬ Está feliz, Dégel? – perguntou sorrindo e fazendo carinho nos braços que o prendiam.
¬ Agora estou. – respondeu beijando o ombro do outro mais uma vez.
Ainda ficaram observando o sono de Zaphire por mais algum tempo antes de saírem do quarto e encostar a porta.
Kardia se curvou cordial, como manda a etiqueta, e voltou a se erguer.
¬ Tenha uma boa noite, Mestre Dégel. – desejou bastante afetuoso. – E não se preocupe, cuidarei para que nada acorde Zaphire.
Dégel apenas revirou os olhos, o beijou e começou a puxá-lo para seu quarto, que era de frente ao do filho.
¬ Quero ver o quão boa você pode tornar minha noite. – comentou mordiscando-lhe o lábio.
Kardia sorriu e trancou a porta atrás de si.
Ergueu Dégel do chão e o levou até a cama entre beijos e suspiros de saudade.
¬ Suas costas, idiot! – grunhiu o aquariano ao ouvir o gemido de dor que o outro soltara. – Inconsequente!
¬ Ah fique quieto, Dégel! – tomou-lhe os lábios cheios de desejo.
As mãos se entrelaçavam com firmeza, não querendo se soltar após tanto tempo separadas.
Os corpos se fundiam com o calor daquele momento, era como se chamas marcassem as peles. O roçar dos corpos era preguiçoso, esperando com paciência se moldar um ao outro.
O ar faltava por conta dos gemidos e suspiros que escapavam por entre os beijos.
¬ Não podemos ser barulhentos... – gemeu ao sentir as unhas do escorpiano correrem por seu peito. – Meu pai não pode ouvir... Ka-Kardia!
Apertava e brincava com os botões rosados em seu peito, mordiscando e rindo conforme o sentia tremer abaixo de si.
¬ Não se preocupe... – respondeu tirando a própria camisa. – Não vai ter tempo de gritar.
¬ Convencido. – o puxou para um novo beijo.
Gemeu de dor pelo ferimento antigo, mas riu logo em seguida.
Naquela noite e em todas as outras, a dor lhe valeria a pena.
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