Frankenstain

19 Inverno de 1839


Notas iniciais
Por hoje é só pessoal ¬¬' Boa leitura :)

Já estava acostumado a rotina da casa mais uma vez.

Houve mudanças naqueles anos em que esteve longe, mas nada gritante demais.

Tenma tinha falecido devido à idade um ano antes da chegada de Milo, que fez questão de visitar o túmulo do rapaz e de Alone que estava ao seu lado. Aproveitando também para visitar o túmulo de seu criador e a esposa do mesmo.

Sasha ainda insistiu em servir na casa, apesar de Dégel rogar que a mulher parasse e seguisse sua vida tranquila na casa dos criados. Eles então chegaram em um acordo, deixasse que a mulher apenas cozinhasse e lavasse, de resto ela não faria mais nada, apenas viveria ao lado da neta.

Ah sim! Kouga tinha se casado e tido uma linda menina chamada Seika, infelizmente sua esposa morrera ao dar vida a menina que ajudava a avó nas coisas da casa.

Zaphire continuava a fazer muitas visitas aos pais sempre que tinha a oportunidade e sua esposa Serena sempre vinha junto para ajudar Sasha e cuidar dos filhos Krest e Camus.

Krest e Camus eram silenciosos e reservados, mas eram meninos muito alegres e ativos principalmente quando junto dos avôs – Kardia também era avô para os dois.

Kardia...

O escorpiano agora saia pouco da cama, evitando se esforçar demais.

Seu coração estava fraco, já não era como antes. Dégel passava seus dias cuidando do mais novo, sempre zelando por seu bem estar.

Milo e Zaphire costumavam conversar muito com o azulado, mas nunca juntos, pois era uma questão de respeito.

Zaphire era o filho. Milo era o amigo.

Suspirou.

A quem queria enganar? As coisas mudaram bastante.

Estava indo levar alguns livros de volta para biblioteca da casa.

Ajudava Dégel em suas buscas por uma cura para o estado de Kardia, mas estava difícil, já tinham vasculhado quase que a biblioteca inteira.

Foi andando de estante em estante, deixando os livros em seus devidos lugares, tomando o cuidado de não amassar as capas.

¬ Bom dia Milo. – ouviu a voz do menino mais velho atrás de si.

¬ Bom dia Mestre Krest. – respondeu sorrindo. – Em que posso ajudá-lo?

¬ Non alcanço. – apontou o alto da estante um tanto envergonhado. – Eu peguei o livro com a escada hoje cedo, mas agora non encontro a escada.

¬ Não precisa se justificar. – apanhou um livro com um sorriso, devolvendo-o para seu lugar. – Mas não acha que “Notre-Dame de Paris” uma obra um tanto densa para o senhor?

¬ Eu e Camus gostamos de Victor Hugo. – respondeu sorrindo discretamente. – Mama lê para nós desde bebês.

¬ Bem, Mestre Dégel sempre disse que ler é um habito maravilhoso. – respondeu. – Mas estou surpreso que já tenha terminado de ler.

¬ Non terminamos. – volveu baixando os olhos. – Tem páginas que foram arrancadas ou comidas por traças. O mais triste é que Mama nunca leu esse livro pra gente, então estávamos loucos para ler. E quando chegamos à página 20, non tinha página 20.

Milo se apiedou no mesmo instante e já tinha até uma ideia do que fazer.

¬ Vou arrumar outro “Notre-Dame de Paris” pra vocês. – disse sorrindo.

¬ Jura? – o menino só faltava explodir de alegria.

¬ Pelo sangue de Athena. – riu feliz com o menino.

¬ Merci Milo. – disse antes de sair correndo. – O Camus vai ficar tão feliz.

Só de ouvir o nome Milo engasgou e quase derrubou todos os livros.

O que diabos estava acontecendo consigo?

Saio da biblioteca e começou a bater nas paredes, formando um pequeno ritmo. Entrou no quarto que era seu dentro da casa e sentou na cama tem parar de bater na madeira.

Logo começou a sentir alguém mexer em seu cabelo, tentando dar pequenos nós.

¬ Shoko.

Ouviu um barulho de coisa caindo e olhou para o chão, encontrando a pequena de um terço de metro batendo em suas roupas antes de escalar a cama e se sentar em seu joelho.

¬ Como sabia que era eu? – rebateu irritada e cruzando os braços.

¬ Quem mais rasgaria os livros para fazer camas nas paredes? – volveu inquisidor.

¬ Ei! – chamou fazendo bico. – Kyoko, Mii, Xiaoling, Katya e Erda também vivem nessa casa!

¬ Mas você é a única Brownie que apronta. – disse rindo, ela irritada era uma graça.

¬ Ora, seu ingrato! – respondeu começando ficar vermelha como seus cabelos e deixando as pequenas unhas crescerem. – Eu cuido dessa casa a mais tempo do que você existe! Zelo por essa família a mais tempo do que esse reino se chama Prússia!

Tampou sua boca com um biscoito que trazia no bolso da camisa.

Ela se calou na hora e passou a comer na mistura de água, farinha, sal e mel com todo o gosto do mundo. Voltando ao normal aos poucos.

¬ Se acalma. – pediu paciente. – Não quero nenhum Diabrete perambulando pela casa. E não, não sou ingrato. Só estou pedindo que pare de usar as páginas dos livros. Camus gosta de lê-los.

A pequena lambeu os dedos e sorriu maliciosa.

¬ Hun... Se eu não te conhecesse, diria que está apaixonado. – brincou balançando suas perninhas.

¬ Que?!

Milo deu um pulo, fazendo-a se desequilibrar e cair na cama aos risos.

¬ Uh... – levantou balançando de um lado para o outro. – Parece que o amor esta no ar...

¬ Ora... – estava irritado consigo mesmo por isso, não precisava de alguém pra ajudar. – Sua monstrinha!

Começou a correr atrás dela pelo quarto.

Era difícil de apanhá-la, além de ser minúscula era ligeira.

¬ Errou! Errou de novo! – adorava provocá-lo.

Tentava agarrá-la quando ela desacelerava para entrar debaixo da cama ou da cômoda, mas ela sempre o despistava e o fazia até mesmo bater a cabeça.

¬ Tente mais uma! – parou para provocá-lo, sendo surpreendida pela mão do maior envolvendo seu minúsculo corpo. – Ai... Não aperta... – reclamou fazendo bico.

Milo teve que respirar muito fundo.

Brownies eram seres muito irritantes, mas que não podia ser irritado, do contrario virava um Diabrete, e o nome já diz tudo que ele apronta nesse momento.

Queria saber qual foi o Deus ou Deusa que criou os Brownie na ânsia de que os Filhos de Théos surgissem logo, só pra fazer o ser divino engolir aquelas criaturas.

Deuses eram problemáticos, criaram milhares de seres na ânsia da chegada dos Filhos de Théos e os deixaram soltos no mundo.

Mas porque os Brownies?!

Pra zelarem pelas casas e famílias que as habitam. Daí seu outro nome, duendes, que significa donos do lar.

Respirou de novo, agora colocando a pequena encima da cômoda.

¬ Todo os dias, quando te vejo, me pergunto...

¬ Como pode ser tão linda? – fez uma carinha fofa.

¬ Como ainda sou amigo dessa idiota? – completou.

¬ Respeito! – fez cara de brava com as mãos na cintura. – Sou uma dama!

Suspirou. Nunca adianta discutir com Brownies mesmo.

¬ Vai parar de rasgar os livros? – perguntou cansado.

¬ Vou. – respondeu a pequena com um sorriso malicioso. – Mas só porque você está pedindo e porque sinto outras coisas no ar.

Milo acabou rindo, nunca mudam também.

¬ Vai diabinha! – deu-lhe um pequeno toque com a mão.

¬ Grosso! – a pequena deu a língua risonha e se enfiou num buraco na parede do quarto.

Milo saio e deixou a porta fechada, as Brownies ficavam mais felizes com a porta fechada.

Voltou para biblioteca, pegou mais alguns livros e os levou para o escritório de Dégel.

¬ Obrigado Milo. – disse o mais velho. – Pode levar esse três de volta?

O aquariano passava suas tardes e parte da noite enfurnado no escritório, procurando a cura para o problema de Kardia.

¬ Claro. – respondeu já apanhando os livros. – Mestre Dégel. Importa-se que eu saia? Gostaria de ir à cidade, desejo fazer uma comprar.

Dégel apenas soltou uma longa risada.

¬ Devia parar de mimar os meninos. – disse sorrindo.

¬ Não consigo. – confessou constrangido.

Dégel riu novamente e acabou por deixá-lo ir, não havia mal algum afinal, só pedindo para que deixasse os livros na biblioteca antes.

Depois de tudo feito foi atrás do dinheiro.

Chegando a seu singelo quarto no celeiro, encontrou Camus novamente em sua cama, mas dessa vez acordado e lendo seu livro.

¬ Camus. – chamou longe, não queria arriscar de novo.

O menino se assustou e largou o livro o mais depressa possível enquanto levantava da cama.

Dando-se conta que não seria capaz de enganar, o menino corou e baixou a cabeça, tentando passar pelo maior o mais rápido possível.

¬ Já estou de saída. – declarou já querendo descer as escadas.

¬ Não. – Milo segurou gentilmente seu braço.

Ambos se assustaram com o contato, mas não disseram ou fizeram nada para mudar. O ruivinho apenas voltou a sentar-se na cama de Milo.

¬ Tudo bem. – o maior adiantou-se. – Apenas me avise quando quiser meu livro emprestado, prefiro que leia aquecido dentro de casa do que aqui neste meu precário quarto.

¬ Oui. – respondeu o menino ainda mais corado. – Enton me empresta o livro?

¬ Claro. – pegou o objeto e entregou ao menor. – Só peço que cuide bem dele.

¬ Vou cuidar. – abraçou o encadernado com carinho. – Você vai sair? – perguntou ao notar que ele separava algumas moedas.

¬ Seu irmão não disse? – volveu.

¬ Non vejo Krest faz um tempo. – explicou. – E o que ele deveria me contar?

¬ Estou indo comprar um novo volume de “Notre-Dame de Paris” pra vocês. – contou. – Devo voltar em no máximo uma hora.

Milo nem notou que o menino sorria de orelha a orelha.

¬ Estou saindo. – anunciou indo até a escadinha. – Vá logo para casa e se cuide, ouviu?

¬ Milo. – chamou.

¬ Sim? – ergueu o rosto para mirá-lo.

Foi então que viu o menino praticamente ajoelhado a sua frente, agarrado ao livro e sorrindo.

¬ Sim? – perguntou novamente um tanto assustado com a proximidade.

Foi então que sentiu os lábios do menor contra sua testa.

Estava atônito quando este se afastou.

¬ Merci Milo. – sorriu. – Volta logo e se cuide.

Milo terminou de descer as escadas e quase saio correndo na direção da cidade. Ele só voltava com aquele livro.

Notas finais
Espero que tenham gostado :) Bjs. L ;3