Frankenstain

15 Inverno de 1796


Notas iniciais
ALELUIA!! ELE VOLTOU!!! ALELUIA!! (manutenção) Boa leitura :)

Decidiu explorar o mundo após a morte de seu criador.

Fora doloroso dar adeus para aqueles que lhe amaram e que aprendeu a valorizar, mas sentia que precisa fazer aquela cruzada.

Foi para os mais variados cantos daquela terra chamada Europa, conhecendo pessoas, lugares e culturas de todos os tipos.

Ao passar pelo Reino Portucalense achou engraçado e curioso as pessoas terminarem de comer e jogar um pouco de vinho no prato vazio, dar uma mexida e beber.

Tinha um gosto horroroso na opinião de Milo, mas era uma tradição do lugar, então nem tentou discutir.

No reino dos herdeiros de Castela e Aragão correu de touros enfurecidos com um pano vermelho amarrado na cintura.

Quando conseguiu escapar quis matar o organizador, mas depois de respirar fundo concluiu que até que foi divertido se tirasse o risco de morte e ainda tinha o detalhe de que correu por vontade.

No reino de Jorge III quase adoeceu de tristeza e amargura.

Não fazia sol! Na Prússia ainda tinha sol, mas naquela ilha só tinha neblina! O sol saíra uma vez só em todo o tempo em que esteve por lá!

Jurou nunca mais voltar. Se fosse pra escolher entre viver sem sol e não viver, ele escolhia não viver.

Roma assustou um pouco, ainda mais pela quantidade de estatuas que ele tinha a certeza de que estavam olhando para si.

Logo sua passagem por Roma foi tão rápida que nem na Praça de São Pedro ele passou, principalmente porque lá também tinha muitas estatuas.

Veneza por outro lado lhe conquistou.

A cidade era linda e parecia viva, tinha um brilho próprio e encanto que o prendeu naquele lugar por um bom tempo.

Seu único prejuízo enquanto esteve na cidade foi ter sido roubado durante o Carnavalle, mas conseguiu recuperar o dinheiro fazendo alguns trabalhos pela cidade.

E então decidiu voltar para Paris.

Ah! Se arrependimento matasse.

Visitou a casa em que vivera por dez anos.

Mas que casa? Só restaram as estatuas do portão de entrada. E pobres estatuas, estavam tão maltratadas.

Procurou saber o que aconteceu com os corpos do Grande Medo. Sua resposta foi Catacumbas.

Jamais conseguiria enterrar Serafina de forma digna.

E muito menos dar boas noticias ao pai e irmão da moça que agora viviam no Império Austro-Húngaro.

O poder agora estava concentrado nas mãos de quem conseguisse mantê-lo e no momento o nome mais citado e admirado era Napoleão Bonaparte, um gênio militar pelo que falavam e um louco com complexo de grandeza nas horas vagas.

A única coisa que encontrou intacta era Notre-Dame.

Sinos grandes com sons trovejantes e pequenos com sons de oração. Parecem divinos os sons dos seus sinos. Os sons de Notre-Dame.

Como quis entrar naquela fortaleza para constatar que ao menos ela não tinha se alterado. Como queria se ajoelhar e orar como Kardia e Dégel lhe ensinaram.

Queria e muito.

Mas fora impedido por um pequeno grupo, que pelas roupas eram Jacobinos, os rebeldes do governo.

¬ Onde pensa que vai? – perguntou um deles. – Estávamos esperando por você.

¬ Estou indo orar. – respondeu, mas não estava gostando daquilo. – Até onde me consta, um viajante cansado pode pedir proteção quando se sentir ameaçado nas estradas. E como assim me esperavam?

¬ Notre-Dame não é para cães como você! – dissera um dos homens abrindo os braços. – E nem para cães como nós!

¬ Meus Mestres não tem nada a ver comigo agora, minhas viagens nem mesmo por eles são financiadas. – volveu pensando que tinha algo a ver com sua postura de servo. – Tudo o que quero é benção, depois estou de partida para não mais voltar se assim os agradar.

¬ E quem disse que você vai partir Nephelim? – os olhos naquele homem faiscaram em vermelho sangue. – Você vira conosco. Princips Hades esta a sua espera.

Mal teve tempo de responder, sentiu um forte empurrão e quando se deu conta estava olhando para o calçamento do outro lado da praça da catedral.

¬ O que são vocês?! – perguntou atônito ao vê-los rosnar com os dentes afiados a mostra.

Outro movimento rápido e se vira no chão novamente.

O que estava acontecendo?!

Então sentiu uma forte pressão no pescoço e logo depois a falta de ar.

Tateava os braços que o enforcavam, tentando fazer que o soltasse. Mas nem mesmo estourando as costelas daquele homem com murros estava dando certo.

Mas que merda era aquela?!

¬ Me deixe ir, Phoenix! – ouvia os protestos ao longe.

¬ Não, Cygnus! – rebatia outro. – Se ele for quem você realmente acredita, ele vai conseguir descender aquele Espectro!

Descender. Phoenix. Cygnus.

Aquelas palavras despertaram algo dentro de Milo, que agora sentia algo queimar dentro de si como se fosse fogo.

Ergueu a mão até a altura do rosto do homem e lhe apontou o indicador tremulo, estava prestes a desmaiar pela falta de ar.

¬ An... tares...

Um brilho forte e vermelho o cegou por alguns instantes.

O homem o soltara gritando de dor e os outros se afastavam assustados.

Vindo do peito de Milo, onde ele guardava o pingente que o viajante lhe entregou anos atrás, e se estendendo até seus dedos, havia se formado parte de uma armadura dourada de cota vermelha e negra.

Ombreira. Proteção de braço. Punho.

A proteção de braço se estendia de um jeito inédito, formando uma lamina afiada e resistente. Na mão a proteção do dedo indicador se estendia, parecendo um ferrão.

O ferrão era o que mais chamava a atenção, parecia ser feito de algum metal laranja muito brilhante ou ele realmente brilhava por estar em brasa.

¬ PEGUEM-NO!! – urrou um daqueles homens.

¬ ANTARES!! – urrou em resposta.

Quase foi jogado para trás com a força do ricochete.

Outro daqueles homens foi acertado e caio urrando de dor no chão.

¬ Maldito! – gritou outro vindo o atacar.

Defendeu-se com a proteção de braço, vendo uma lança escorregar até o nada. Aproveitou a chance para socar o estomago do homem, fazendo-o se curvar para frente e puxando sua cabeça de encontro a lamina.

Não houve sangue, apenas fogo e fumaça negra. Com um urro bestial aquele homem se desfez em cinzas.

¬ É ELE!! – urrou a voz ao longe.

Olhou na direção dos portais da catedral, vendo as duas estatuas de anjos criarem vida e virem voando em sua direção com estranhas armas em punho.

Sentiu um novo forte impacto contra o peito e bateu a cabeça com extrema força em algum batente de janela, caindo inconsciente logo depois.

Não passaram de segundos para si.

Quando acordou em um rompante se viu acorrentado ao chão de algum lugar com dois homens o observando.

Sua reação foi se arrastar para trás em desespero até bater as costas na parede, sem saída, estava preso ali.

Sua respiração era arfante e seus sentidos estavam aguçados ao máximo, a pupila escondendo a cor da íris.

¬ O que são vocês?! – perguntou assustado. – Não ouço seus corações!

Os dois homens, um loiro e outro moreno, se encararam assustados.

O loiro tentou se aproximar cauteloso e o moreno apenas saio.

¬ Calma. – pedia. – Meu intuito não é machucá-lo.

¬ Não é o que dizem essas correntes! – rebateu.

O moreno voltou pouco depois com mais pessoas, o que deixou Milo ainda mais aflito.

A primeira vista eram todos iguais. Roupas de tecidos leves e claros, capuzes e adornos com símbolos gravados, o mesmo símbolo do seu pingente.

¬ Não passa de uma besta selvagem, minha Senhora. – dissera um dos homens, seus cabelos pareciam verdes e em sua testa residiam estranhas pintas roxas. – Destrua, acabe de uma vez com isso.

Sua atenção se voltou para uma jovem mulher.

Ela era muito bonita. Mas as partes de armadura cobrindo seu corpo e a coruja pousada elegantemente em seu braço, diziam que aquela mulher era muito mais que um belo rosto.

Espera um pouco! Destrua?!

Mais do que imediatamente voltou a se debater, não queria ficar ali mais nenhum segundo.

Quando conseguiu estourar umas das correntes que o prendiam, sentiu algo quente contra seu pescoço, talvez algum tipo de faca.

¬ Cygnus pode não querer te machucar. – disse o homem moreno. – Mas eu não hesitarei.

¬ Abaixe a arma Phoenix! – bradou o loiro.

¬ Calado Cygnus! – rebateu irritado.

Milo apenas engoliu seco.

Porque voltou para Paris mesmo?!

¬ Criaturas atacaram você. – disse a jovem mulher. – O que elas queriam?

¬ E como vou saber?! – respondeu. – Só queria ver a catedral!

¬ Hades o quer. – falara o moreno ainda com a faca em seu pescoço.

¬ Se Hades o quer, então é mais um motivo para destruir essa coisa. – dissera o mesmo homem de cabelo verde. – Pope.

Na mão daquele homem se formou um pedaço de armadura, dela saio o que parecia ser um machado. Logo ele vinha da direção de Milo com o braço erguido.

¬ Mentor. – chamou a mulher, fazendo o homem parar em seu intuito.

A jovem então se aproximou, deixando Milo estranhamente mais calmo. Ela então tirou algumas mechas do cabelo da frente de seu rosto e estudou-lhe a face por um tempo, os olhos refletindo um brilho nunca visto.

¬ “Ele”. – declarou a jovem. – E não “Isso”.

¬ Onde estou? – perguntou mais calmo depois de algum tempo. – O que são vocês? O que está acontecendo?

¬ Qual seu nome? – perguntou a jovem praticamente o ignorando. – Tem um nome?

¬ Milo. – achou prudente responder.

¬ Milo. – repetiu o nome como que para gravá-lo. – Eu tenho quatro nomes. Minerva. Athena. Miguel Arcanjo. Liberdade. – a cada nome citado ela mudava de forma e até de sexo, para o pavor de Milo. – Meus Santos me chamam de Athena. Poucos me chamam de Minerva. E sua fé me chama de Miguel Arcanjo. Prefere me chamar como?

Engoliu seco novamente.

¬ Lady Athena. – respondeu em um suspiro derrotado. – Por favor. O que está acontecendo? Eu já não sei de mais nada.

A jovem mulher apenas se levantou e se dirigiu aos homens que estavam com Milo desde o começo.

¬ Tratem-no de forma devida. – ditou em tom calmo, mas que não cedia espaço para reclamações. – Quando ele estiver sereno, bem alimentado e descansado, quero que o tragam frente o Santuário para apresentá-lo e depois para que suas duvidas sejam esclarecidos. Estão entendidos?

¬ Sim minha Senhora. – responderam os dois com a mão no peito.

A jovem mulher apenas acenou cordial para Milo e se retirou junto de todos aqueles que o moreno chamara.

¬ Graças! – o loiro comemorou se ajoelhando ao seu lado. – Estou tão feliz Mestre Scorpius! O senhor finalmente voltara, não como o imaginado, mas não poderia estar mais feliz!

¬ Desculpe... – pediu Milo enquanto o loiro o soltava. – Mas eu não faço a mínima ideia do que está falando...

¬ Eu avisei. – comentou o moreno encostado a parede.

¬ Calado Phoenix! – rebateu o loiro injuriado. – Tudo bem Mestre Scorpius. – dissera com um pequeno sorriso. – No fundo eu já sabia que o senhor não iria se lembrar. Mas espero que depois de falar com nossa Senhora as coisas se tornem mais claras.

¬ Qual seu nome? – perguntou Milo, era difícil não ficar interessado.

¬ Eu sou Cygnus. – sorriu gentil. – E aquele mal humorado, desbocado, ranzinza, egocêntrico, arrogante e mal educado encostado na parede é Phoenix, meu irmão.

¬ Cygnus. – chamou o moreno sério. – Me. Aguarde.

¬ Como se você não falasse isso todas às vezes. – provocou risonho. – Enfim. Não se preocupe Mestre Scorpius, logo estará tão ambientado como era nos tempos de outrora. – baixou os olhos. – Só espero que isso seja um sinal de que Mestre Aquarius também está por voltar.

¬ Ah... – por um tempo não soube o que dizer. – Se não se importar, gostaria que me chamasse apenas de Milo. E eu não tenho ideia mesmo do que está falando, mas prometo que farei o meu melhor para atender suas expectativas.

¬ Não prometa o que não possa cumprir. – ditou o moreno antes de sair. – Vou arrumar alguma coisa para ele deitar e dormir.

¬ Ignore-o. – disse o loiro terminando de soltá-lo. – Desde que perdemos nosso irmãozinho Andrômeda ele anda mais áspero do que sempre foi. Mas lhe agradeço por ao menos querer tentar.

Milo sorriu em resposta, aquele homem era muito bom e gentil consigo, e percebeu que o olhar que ele lhe dirigia era como o olhar de Zaphire para Kardia e Dégel.

A lembrança de seus Mestres o fez abaixar a cabeça e sorrir amarelo. Será que aquelas coisas que foram atrás dele poderiam ir atrás de seus Mestres também?

¬ Minha estrela não é boa não é? – perguntou massageando os pulsos.

¬ Não, ela é a melhor estrela. – respondeu o outro com um sorriso. – Se não fosse uma boa estrela, aqui você nem estaria.

Notas finais
Bem-vindos à introdução da mitologia =D Espero que tenham gostado :) Bjs. L :3