Frankenstain
40 Inimigos de 1857
Notas iniciais
Entrou em seu espaço particular com um suspiro irritado e cansado, já estava farto daquela palhaçada, iria alcançar seu objetivo de qualquer forma.
Iria tê-la de volta de qualquer forma.
¬ Cheguei. – anunciou em tom baixo.
O gato adormecido abaixo do leito de flores abrira os olhos dourados e correu para seu lado a fim de recebê-lo devidamente, assumindo uma forma humana e curvando-se com respeito.
¬ Meu senhor. – voltou para forma de gato e saio, pois sabia que não devia ficar ali aquele momento.
Acompanhou o felino negro se retirar e fechou a porta, sabendo que o gato não permitiria que ninguém entrasse, juntando-se ao leito de flores logo em seguida.
Pálida, à luz de velas, sobre o leito de flores reclinada, como a lua por noite embalsamada, entre as nuvens ela dormia.
Não disse nada, limitando-se a pegar a mão fria e beijar com ternura, como se tivesse medo que fosse se desmanchar a qualquer instante.
¬ Está tão linda hoje... Ou melhor, sempre foi linda. – deu mais um beijo na mão gélida.
A mulher ali deitada merecia o nome que tinha, não por seu conceito negativo, mas sim pelo seu real significado.
Aquela mulher foi um presente dos deuses, tendo tudo que havia de bom e melhor no mundo, sendo capaz de transformá-lo em algo melhor e continuar amando-o mesmo com todos os defeitos.
¬ Minha rainha... – mais um beijo nas delicadas mãos. – Minha senhora... Minha luz... Minha razão... Minha paixão... Minha vida...
Conforme fazia carinho no delicado rosto de alabastro memórias inundavam sua mente e alma castigadas.
¬ Vão encarnar entre os mortais Radamanto, Éaco e Minos. – dizia seu Princips. – Quero que encontrem a alma mais pura e quero que findem Aquarius e Scorpius.
¬ Considere feito. – responderam antes de se retirarem.
Esqueceu-se de sua sagrada missão por amor, algo que esperou nunca sentir, mas que agora o assombrava e não conseguia mais viver sem.
¬ Deixe-na em paz, Sintza! – bradou com o cigano.
¬ Não estou fazendo nada demais além de dar-lhe uma flor. – respondeu sorrindo.
¬ Para tomar-lhe os lábios?! – rebateu cerrando o punho e o acertando com toda força que tinha. – Não enquanto eu estiver aqui, Sintza!
Embrenhou–se na briga mais feia de sua vida, tirando e perdendo sangue, adquirindo várias cicatrizes que mais tarde lhe dariam orgulho.
¬ Você vai me pagar Wyvern! – ameaçou o jovem cigano.
¬ Não gosto de juros! – ameaçou correr atrás do outro.
O rapaz saio correndo e finalmente pode relaxar, caindo de joelhos cansado e segurando as costelas trincadas pelos chutes fortes do outro rapaz.
¬ Você está bem? – perguntou ofegante para a jovem.
A moça acenou assustada, ainda tentando assimilar tudo o que tinha acontecido entre os dois rapazes de dezoito anos.
Sorriu aliviado e gemeu de dor quando encheu o peito de ar. No mesmo instante a jovem correu para junto de si e o apoiou, suas mãos eram tão delicadas e gentis que seu toque não causava dor nenhuma.
¬ Por favor, não se esforce. – pediu preocupada e com o olhar úmido. – Não precisava ter feito o que fez. Agradeço e muito por ter me defendido, mas se fosse para ficar machucado assim não precisava enfrentá-lo.
¬ E deixar uma moça tão bonita nas mãos daquele tipo? – sorriu tentando confortá-la. – Jamais.
A jovem o mirou um tanto confusa e curiosa.
¬ Qual o seu nome?
¬ Radamanthys Artorius York Wyvern. – respondeu se levantando com a ajuda da jovem. – E o seu?
¬ Pandora Depardieu Aquarion Vouivre Aragon. – respondeu com um pequeno sorriso.
Um ato de bondade na vida humana que levava, foi o que bastou para desviá-lo completamente do caminho trassado, esquecer sua origem e a razão de estar ali. Agora vivia para amá-la e nada mais.
¬ Pandora. – afastou-se um pouco da jovem, seu rosto curiosamente queimava. – Tenho algo muito importe a te dizer e precisa ser agora. — antes que eu perca a coragem.
¬ O que foi? – era curiosa como sua equivalente mítica.
¬ Pandora... – mordeu o lábio nervoso.
Fez com que ela se sentasse no banquinho da praça de Berlim em que passeavam e prostrou-se aos seus pés. Todos que ali passeavam pararam para admirar a cena, muitos já tinham passado por aquilo e sorriam em seus íntimos.
¬ Pandora. – segurou sua mão com carinho. – Me daria a honra e a alegria de ser a minha esposa? Aceita guardar meu coração com tanto carinho quando eu amaria guardar o teu?
A jovem tampou a boca surpresa quando viu o lindo anel de ouro branco e pedra ônix, de seus olhos transbordavam lágrimas de alegria e surpresa.
¬ Radamanthys... – ajoelhou-se a sua frente e segurou seu rosto com carinho. – Eu sou a mulher mais honrada e feliz do mundo por ter me escolhido. E sim, eu aceito guardar seu coração com o mesmo carinho que eu sei que irá guardar o meu.
Sorriu com o coração pulando no peito e a abraçou com força. Faria dela a mulher mais feliz daquele mundo, era uma promessa.
Amor. Nunca antes sentiu e agora era tão dependente.
¬ Parabéns meu bom homem. – anunciou o médico francês com um sorriso. – É um varão saudável e de beleza invejável.
¬ Imãozio saio da baiga da Mama? – perguntou a loirinha no colo da empregada grávida.
¬ Sim! Sim! Sim! – disse a moça de cabelos azulados de forma animada. – O que está esperando meu Lord?! Vá ver tua mulher e teu filho!
¬ E-Eu posso? – estava meio tolo e desnorteado.
¬ Claro. – o médico deu-lhe espaço.
Entrou no quarto e correu para o lado da cama em que a esposa descansava, em seus braços repousava um pequeno embrulho branco bastante agitado e isso o fez parar no meio do caminho, ainda não estava totalmente pronto.
¬ Está tremendo. – o riso da esposa o trouxe de volta a realidade. – Venha ver seu filho, mon amuor.
Aproximou-se um tanto assustado, foi assim também com sua menina, mas ali era seu menino. Aquele menino seguiria fielmente seus passos e o veria como o maior herói do mundo, o veria como o pai e exemplo.
Aquele era o seu garotinho.
¬ Olha o Papai, mon anje. – a jovem beijou a mãozinha do filho.
O bebê de profundos olhos azuis gélidos o mirou curioso, como tudo o que avistava naquele mundo novo, e soltou um risinho animado.
Sorriu como um tolo e beijou a esposa, se deixando chorar de alegria.
E quando tudo acabou sentiu o mundo desmoronar, sentiu-se perdido e vazio. Já não sabia o que era realidade e suas emoções lhe sufocavam.
Queria desesperadamente o amor de sua vida, talvez de sua existência, de volta não importando o que tivesse que sacrificar em troca, não importando o que tivesse que fazer em troca.
¬ Logo estaremos juntos outra vez meu amor. – beijou sua testa cheio de ternura. – Assim que eu cumprir a missão dada por meu Senhor anos atrás ele vai trazer sua alma de volta e enfim poderemos ficar juntos.
Uma lágrima solitária e discreta escorreu dos olhos cerrados da jovem mulher e aquela lágrima estava longe de ser uma lágrima de alegria.
Se o amado soubesse o quão triste a fazia...
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