Frankenstain

55 Amores de 1867


Notas iniciais
Pelas minhas contas... Ihhhhh... Tenham uma boa leitura XD

Estava tão agastado que morreria se ouvisse “Capitão” mais uma vez.

Tudo o que necessitava era de descanso e começar por um bom banho era a melhor coisa do mundo. Principalmente quando o banho era de água quente.

Água quente relaxa todos os músculos possíveis, te dá sono e oportunidade de pensar.

Mas pensar era a última coisa que queria fazer naquele momento.

¬ Merde...— chiou percebendo que esqueceu a toalha no quarto.

A casa era sua, mas sempre teve vergonha de andar seminu, o que dirá nu. E agora que descobriu que a casa não era apenas sua, se sentia ainda mais envergonhado com essa condição.

¬ Para que falar mal, Capitão?— perguntou-lhe a pequenina.

Agradecia por ainda estar dentro da banheira quando a vira sentada na pia, ela estava com sua bolsinha de coletora e dois palitos que lhe serviam de armas contra ratos de parede.

Ao seu lado estava um garotinho, realmente “inho”, também tinha uma bolsinha e palitos. Além de ser dono de um sorriso divertido e uma alegria contagiante, o menino era a cara da mãe.

¬ Esqueceu a toalha não foi?— perguntou o garotinho.

¬ Ariett!— a mãe o repreendeu.

¬ Non se preocupe Lumi.— disse com um suspiro. – Ele está certo, eu realmente esqueci a toalha. E... Non me chama de Capitão, isso foi o que eu mais ouvi hoje, me chame por meu nome, por favor.

¬ Tudo bem.— respondeu gentil. – Quer que eu chame África para trazer sua toalha?

¬ Se non for pedir demais...

¬ É claro que não.— se levantou em um pulo. – Ariett, fique aqui e não saia, você ainda não aprendeu a andar por todos os cantos e recantos da casa.

O menino apenas acenou e ficou balançando suas perninhas.

Assistiram a mãe do menininho descer e se enfiar debaixo do armário, muito provavelmente ali tinha um buraco para ela entrar.

¬ Hoje o dia foi cheio?— perguntou o pequeno.

¬ Bastante.— disse gentil. – Ultimamente o quartel tem andado bastante agitado, a Prússia tem andado estranha e meus superiores non estão gostando.

¬ Adultos são estranhos.— disse o menininho rindo. – Se o Milo estivesse aqui ele diria o mesmo.

¬ Oui...— abaixou o rosto. – Ele diria algo do tipo...

¬ Hum...— o menino fez uma carinha pensativa e coçou a cabeça. – Quando será que ele vai voltar? Estou com saudades de brincar de pique com ele!

Sentiu um nó na garganta ao mesmo tempo que um sorriso triste se formava.

¬ Non sei, Ariett...— suspirou.

¬ Porque será que ele foi embora sem se despedir?

¬ Non sei...

Sabia.

Lembrava-se com clareza absurda de quando a verdade lhe foi mostrada.

Depois de passada a euforia do momento, principalmente a euforia da vitória sobre o inimigo congelado, o mundo pareceu se apoiar em seus ombros.

As coisas começaram a fazer sentido e tudo se encaixava.

¬ Como um homem estudado pode não saber?— brincou com alguma astucia.

¬ Isso foi um tanto rude, sabia?— o mirou de canto.

¬ Desculpe.— pediu um tantinho encolhido. – Mas é sério... Vocês viviam grudados como pode não saber? Como diz o papai, onde tem Milo tem Camus e onde tem Camus tem Milo.

O despertar de seu cosmo foi tão violento que todos os inimigos com cosmo ínfimo, grande maioria de Possidets e Fecit, foram congelados instantaneamente, estourando em flocos de neve logo em seguida.

Ao menos o seu final foi mais bonito que seu começo sombrio.

Os pouquíssimos inimigos restantes, um Iudice e poucos Espectros, lutaram para escapar com seu senhor em segurança.

Eram rechaçados em seu caminho de volta ao Vazio, mas eles se recuperavam muito mais rápido que os guerreiros de Notre-Dame.

¬ Ele também non se despediu de mim, se é o que quer saber.— contou ao pequeno. – Ele apenas se foi.

¬ Porque ele faz isso?— cruzou os bracinhos bufando irritado. – Ele não percebe que isso magoa?

¬ Se o conheço bem...— afundou um pouco na água. – Tudo o que ele faz é pensando em nós, e se for para nos deixar feliz ele non se importa com o preço a se pagar...

Soluçava sem parar por não saber quem devia socorrer primeiro.

O rapaz perdia muito sangue pela parte de trás da cabeça, seus fios de ouro estavam ficando empapados e aos poucos se tornavam escarlates.

O homem mal respirava, pois a cada suspirar uma quantidade absurda de sangue saia de seu peito e ele parecia se afogar, tossindo sangue e grunhindo como um animal ferido, fazendo o sangue borbulhar.

¬ Mas isso machuca!— disse o pequeno. – Ele não percebe isso?

¬ Percebe...— sentia vontade de chorar, mas se recusava a fazê-lo. – Só que ele acha que nos magoar é um mal inevitável caso for garantir nossa segurança e felicidade...

¬ Ele é idiota?— rebateu o menino. – Como podemos ser felizes sem ele? Como podemos ser felizes sabendo que ele está correndo perigo?

Apenas com a chegada de Athena foi que pode ver uma verdadeira melhora.

O rapaz foi recebido em seus braços com choro e carinho, estava tão feliz por vê-lo bem, pensava que seria impossível soltá-lo mais tarde. Achou curioso que ele levou um susto, mas depois de algum tempo acabou correspondendo ao abraço apertado.

Acabou sendo separado do rapaz por seus preocupados irmãos, agora só lhe restava rezar pelo homem.

Demorou mais que o esperado para que ele acordasse e esboçasse alguma reação enquanto o ruivo chorava sobre seu peito, sentindo todos os sentimentos se aglomerarem em sua garganta e forçarem sua saída através de soluços e urros.

¬ Voltamos!— a pequenina estava sentada na cabeça da cadela.

¬ Merci Lumi.— tentou sorrir. – Merci África. Non sei o que seria de mim sem vocês duas.

Não gritou em momento algum, não era de gritar.

Entretanto, ainda houve uma briga e uma briga feia se vista friamente.

Foi nesse momento de discussão que tomou conhecimento dos outros seres com quem dividiam o mundo e também a casa.

Assistiu suas amadas cadelas se transformarem bem na sua frente, indo da aparência de cães para a de algo semelhante à gárgulas e ainda falando como pessoas normais. Disseram que África, a mais velha e mãe das demais cadelas, tinha sido destacada para protegê-lo a pedido de seus senhores.

Assistiu um trio de pequeninos, donos do lar, aparecer sentadinhos em sua lareira e explicarem que cuidavam daquela casa e das famílias que ali moravam há décadas.

Assistiu a armadura de Milo cobrir parte de seu corpo e viu seus olhos faiscarem como relâmpagos.

¬ Disponha sempre, Camus.— respondeu a coletora. – Agora, nos perdoe e dê licença, mas temos que voltar para nosso ninho e preparar o jantar.

¬ Tudo bem.— acenou a vendo chamar o filho. – Tenham uma boa noite e um bom jantar.

¬ Desejamos o mesmo.— acenou em resposta antes de sumir debaixo do armário.

¬ Até, Camus!— disse o garotinho antes de sumir atrás da mãe.

¬ Até...— respondeu suspirando.

¬ Mestre Camus...

¬ Estou bem, África.— fez carinho na cabeça da cadela. – Pode voltar para suas filhas se quiser.

¬ Tem certeza disso, Mestre Camus?— volveu aproveitando um pouco.

¬ Tenho.— sorriu gentil. – Pode ir.

A cadela então soltou um ganido de conformidade e se retirou, provavelmente estava voltando para o quintal já que não era de querer ficar presa dentro da casa.

Soltou mais um suspiro e saio da água, secando-se previamente e enrolando-se antes de seguir para o quarto.

Não demorou muito para estar deitado e pronto para dormir. A cama vinha lhe parecendo muito gelada ultimamente, mas não tinha o que fazer, já tentou de tudo e ela continuava fria.

Também não demorou muito para sentir o característico vazio, vendo-se obrigado a levantar e seguir até o guarda-roupa.

Esse era um caminho que fazia todas as noites.

Foi passando roupa por roupa até encontrar o que queria.

Aquele casaco verde era lindo e ficava ainda mais lindo em seu dono, era uma pena este o deixar para trás.

Aspirou o perfume que ficou, sentindo o vazio ser preenchido, e se permitiu dar um leve sorriso. Uma lágrima bastante discreta escorreu por seu rosto e transformou-se em milhares de gotinhas ao atingir o chão.

Levou a peça consigo, a vestiu no travesseiro de mesmo perfume e então deitou o abraçando. Esse era seu único conforto na hora em que as memórias começavam a voltar.

Era sempre a mesma parte da memória.

¬ Saia...

¬ O que?— o loiro não entendeu mesmo.

¬ Saia.— sua voz estava começando a ficar embargada. – Prefiro viver sem você do que viver sabendo que posso perdê-lo num piscar de olhos. Saia.

¬ Camus, por favor...— tentou argumentar.

¬ Eu non tenho medo de morrer.— abraçou a si mesmo, queria que não passasse de um sonho. – Eu non ligo para disputas de poder. Quero apenas viver minha vida ao seu lado. Quero apenas viver e morrer ao seu lado. Mas você non me quer ao seu lado. Você me afasta dizendo que é para o meu bem, dizendo que vai ficar tudo bem.

¬ Camus...— quis abraçá-lo.

¬ Non me toca!— se afastou. – Céu? Inferno? Pouco ligo para onde eu vá parar! Mas sem estar com você... Sem tê-lo ao meu lado...

¬ Não diga isso, por favor.— se aproximava cauteloso. – Eu sempre estarei aqui para você, quero apenas viver em um mundo em que você não se fira com as sombras.

¬ Eu luto contra sombras todos os dias.— respondeu. – Luto contra as sombras do coração dos homens que prendo ou sou obrigado a matar todos os dias. Non me venha com uma conversa sobre sombras sendo que eu vi as verdadeiras e você viu as projetadas.

¬ Sem as sombras que eu vejo, as que você vê não existem.— respondeu. – Eu quero apenas o seu bem, não percebe?

¬ Eu também quero o seu bem!— sentiu uma lágrima querer escorrer. – Você é que non percebe isso! Eu aceito qualquer dor, eu aceito qualquer desafio se for para te proteger e estar ao seu lado! Um cuida das costas do outro! Um sutura o corte do outro! Um alenta o outro!

¬ Mas...!

¬ Mas o raio que te parta Milo!— rebateu já não contendo mais as lágrimas. – Você quer aguentar tudo sozinho! Eu non quero que você aguente tudo sozinho! Eu quero dividir o peso! Eu quero te ajudar! Eu quero te proteger! Eu quero viver com você independente do perigo ou castigo! Eu te amo! Confio cegamente em você! Quero apenas que me ame e confie em mim também! É pedir demais?!

Viu o loiro desviar o olhar brevemente ao baixar o rosto e cerrar os punhos, o que sentia era pior que tudo.

¬ Eu não posso te perder...— respondeu com a voz embargada.

Soluçou com a resposta que menos queria ouvir, querendo chorar todas as dores de uma vez.

¬ Saia... Vá embora...— deu as costas, não queria chorar na frente dele. – Se for para te proteger... Non há nada a lamentar... Porque tomarei qualquer dor se for apenas para te cuidar... Isso non é uma linha de mão única... Saia... E só volte quando perceber...

Sentiu com grande dor ser abraçado por trás e um beijo cheio de amor ser depositado em seu pescoço.

Depois disso apenas sentiu o vazio.

Chorava agarrado ao travesseiro, todas as noites eram assim.

Soluços. Lágrimas. Dor. Saudade.

¬ Milo...

Notas finais
Esse é aquele momento que você pensa: Véio... Vai ter derramamento de sangue e não é o dos personagens XP Agora fazer trabalho de faculdade, afinal de contas não dá mais pra chorar meio pontinho XP E a curiosidade do dia é (choquem): ~ O Camus ia odiar o Milo à principio, tendo uma opinião bastante parecida com a de Radamanthys, e somente depois de muito tempo ele aceitaria Milo e depois de mais um tempo é que rolaria alguma coisa ~ Espero que tenham gostado :) Até a próxima. Bjs. L :3