Frames do Destino

9 Gravuras da Ponte do Beijo


Notas iniciais
Olá, amores! ❤️ E olha quem voltou, o próximo já será o último ❤️ E temos mais momentos do nosso OTP. A imagem do capítulo é da Ponte do Beijo que aparecem nos filmes de 2017 e 2019, da saga IT: A Coisa. Beijos ❤️ Boa leitura!

ASSIM QUE PAMELA SE LEVANTOU e abriu a janela, deixando o ar puro invadir o quarto, soube que aquele seria um bom dia. Lá fora, Angela e Mari, com a ajuda de Dwight, colocavam os últimos enfeites na rua. Mari acenou para ela assim que a viu na janela, sorridente, e Pamela retribuiu o gesto.

Ela calçou as pantufas, vestiu um roupão por cima das roupas largas e gastas e foi cuidar da higiene matinal.

Quando desceu e abriu a porta, quase soltou um gritinho ao ver Jim, de terno e gravata, parado de frente a porta.

— Meu Deus, Jim!

— Bom dia, raio de sol! — disse ele, com um buquê nas mãos. — Desculpa se te assustei.

— Não, tudo bem… é só que eu não esperava você aparecer tão cedo. Ainda são o quê? Seis da manhã?

— Sete.

— Ok… — Ela passou a mão pela testa e então reparou nas flores. — Elas são…?

— Iguais às que te dei anonimamente quando éramos crianças? Sim — ele riu. — Só troquei as cores. Agora são violetas, sua cor favorita.

— Como você sabia?

— Estava vendo uma entrevista sua antiga, com a Oprah.

— Nossa, como você é atencioso… — ela sorriu, segurando o buquê com uma mão e puxando-o para um beijo rápido. — Te amo.

— Eu também.

— Mas você não deveria estar se vestindo de Papai Noel? O evento vai começar daqui a pouco.

— Eu sei, mas antes… quero te mostrar um lugar.

— Qual?

— É surpresa!

— Tá bom. Vou terminar de preparar o café e a gente vai. Dá tempo?

— Sim, e de sobra.

— Vai aceitar?

— Achei que nunca perguntaria.

Na mesa, estavam à disposição panquecas fofinhas com frutas vermelhas e mel, bacon bem crocante, ovos mexidos cremosos e chocolate quente com marshmallows.

— Tudo isso parece uma delícia, Pam. Foi você mesma que fez?

— Foi, sim. Segui um antigo livro de receitas da vovó Sylvia. Ela me ensinou tudo isso quando eu era pequena. Achei que não me lembraria mais, mas foi só começar a fazer que tudo voltou… as memórias boas, sabe? Como num toque de magia.

— Magia de Natal — Jim disse.

— É, talvez você tenha razão — Pam concordou. — É como se ela ainda estivesse aqui, esse tempo todo, me orientando.

— Eu acredito. — Tocou seu ombro. — Agora, vamos comer que estou morrendo de fome.

Beesly riu:

— Velhos hábitos nunca mudam!

[...]

A Ponte do Beijo ficava sobre um canal de água no centro do distrito de Derry, um pouco afastado de Scranton, mas ainda assim acessível de bicicleta. Jim costumava passar por lá com frequência quando era criança, enquanto cruzava a cidade a caminho do fliperama com os amigos.

Era uma ponte de madeira coberta, cuja estrutura antiga servira de cenário para descobertas da juventude e promessas de romance. Suas vigas, paredes e corrimãos estavam cobertos por entalhes antigos: iniciais entrelaçadas, corações tortos, datas quase apagadas pelo tempo — declarações de amor espalhadas por quase toda a sua superfície. Ele conhecia bem a lenda daquele lugar; já ouvira a avó comentar muitas vezes. O local era envolto por uma aura de esperança: jovens apaixonados seguiam a tradição de gravar suas iniciais nas vigas, acreditando que esse gesto simbólico poderia atrair sorte, eternizar laços e garantir que o destino sempre trouxesse a pessoa amada de volta aos seus braços no futuro.

Naquela manhã de quarta-feira, 24 de dezembro, Jim dirigiu seu BYD até lá, com Pamela no banco do carona, fazendo várias perguntas das quais ele desviava com maestria.

— Já te disse, é surpresa. Não vale trapacear.

— Sem graça — Pam fingiu revirar os olhos, cruzou os braços e riu. — Acho que esse caminho me é familiar.

— Acho que todo mundo desse distrito passou por essas bandas de bicicleta quando era criança.

— Tinha um fliperama a caminho daqui não? Lembro do Bill e do Richie sempre andando por essas bandas, para passar as férias. O Eddie… eles... — corrigiu-se. — me levavam junto, quando tinham oportunidade. Era um estabelecimento tão vintage.

— Uma forma criatividade de nos relembrar do nosso passado frágil e terráqueo, eu diria.

— Bom argumento.

Jim estacionou o carro alguns metros antes da entrada da ponte e desligou o motor.

Pam olhou ao redor, observando o canal, as árvores, o som baixinho da água do pequeno rio que passava ali por baixo, e, então, a estrutura de madeira coberta.

— Espera… — Ela arregalou os olhos. — Essa é a Ponte do Beijo! Passei por ela enquanto dirigia pra casa. Sempre com uma presença tão marcante.

Ele sorriu, meio sem graça.

— É.

— Por que você me trouxe até aqui?

— Achei que devia.

Eles desceram do carro e caminharam juntos até a entrada da ponte. Pam passou a mão pela madeira cheia de marcas e entalhes antigos, lendo iniciais, datas e corações tortos.

Jim respirou fundo.

— Quando eu era um garoto apaixonado e um pouco desajeitado… — Começou — Eu vim aqui com um canivete roubado do meu pai e gravei umas iniciais nessa ponte.

Pam o encarou, surpresa e curiosa.

— Suas?

— As minhas… e as suas. As nossas.

Ela levou a mão à boca.

— Jim… isso é tão…

— Estranho?

— Não, fofo!

— Eu não lembrava exatamente onde estava, já faz… bastante tempo — confessou, já procurando entre os entalhes. — Mas sei que é por aqui.

Andaram alguns passos, examinando as vigas, até que ele parou de repente.

— Achei.

Ele apontou para um coração um pouco torto, já gasto pelo tempo, mas ainda legível: J + P.

Pam sentiu o peito apertar.

— Isso é… isso é a coisa mais fofa que alguém já fez por mim. Juro.

Jim sorriu, emocionado.

— Existe uma lenda sobre esse lugar. Você cresceu aqui, deve saber. Dizem que quem grava as iniciais aqui está destinado a ficar junto. Que não importa o que aconteça, a vida sempre dá um jeito de trazer as duas pessoas de volta uma para a outra.

— E você acreditava nisso?

— Na época, não. Eu só era um garoto bobo, apaixonado por você. Mas estava me abraçando com um fio de esperança que eu poderia conquistar uma bela estrela de Hollywood algum dia.

— Bobo!

Ele a olhou nos olhos.

— Mas agora eu acredito.

Pam não respondeu com palavras. Apenas segurou o rosto dele com as duas mãos e o puxou para um beijo lento sobre seus lábios macios.

— E aliás. — Ele chamou atenção, pegando algo do bolso da camisa. — Trouxe isso. — Revelou um canivete. — Mesmo que se concretize, é bom dar uma ajeitada, tá meio apagado, coitado.

— É, acho que você tem razão. — Ela o abraçou. — Para ajudar a dar sorte!

E então, com a mão pequena de Pam pousada sobre a grande de Jim, eles remarcaram as suas iniciais e o coração torto. Ventava, e a neve logo voltaria a cair, lenta e silenciosa, mas eles não se importavam. Havia um destino a ser fixado.

[...]

— Tia Pam, tio Jimbo, que bom que vocês vieram! — exclamou Mari, indo abraçá-los assim que desceram e trancaram o carro na garagem da residência Halpert, que ficava no início da rua. — A competição já vai começar!

— Obrigada pela recepção, querida — Pam a abraçou de volta. — Vamos logo, então!

Mari correu na frente, puxando a ex-atriz levemente pelo braço.

— Anda logo, tio Jimbo! — Cobrou a menina de longos cabelos pretos que desciam por suas costas feito cascatas.

— Um minuto, Mari, tenho algo pra resolver lá dentro.

— Tá bom, mas não demora muito, se não você vai perder toda a diversão! — cobrou Mari, e Jim riu, entrando na casa.

— Ele já vem, querida. — consolou Pam.

Elas continuaram a andar de mãos dadas.

— A vovó teve alta e vai poder participar, na varanda, com o papai, assistindo de longe. Teve alta temporária pra passar o Natal conosco.

— Que bom, meu amor.

— Uma pena que o tio Michael ainda não teve a mesma sorte.

— Quem sabe no Ano-Novo.

— Pelo menos, acho que deu tempo de ele avisar o Papai Noel sobre a urgência natalina aqui em Scranton. Acho que minha cartinha chegou também. Eu disse pra Harleen, do correio, que era urgente, mas ela disse que seria difícil, porque não existe uma localização exata do Papai Noel. Aí eu fiquei triste...

— Ah, querida, vai dar tudo certo.

— Mas ela disse que vai passar por todos os lugares do universo até entregar a cartinha e que não vai parar até conseguir.

— Acredite, se a Harleen prometeu isso, então ela vai conseguir. Não tem nada que ela não consiga.

— Verdade. Você vai participar do meu time? Você, eu, a mamãe e o tio Jimbo?

— Mas e o Chebonshur e a Lowshebin? Por que não monta com eles?

— Porque eles são meio…

Ela apontou discretamente para os dois, que literalmente estavam a lamber as bolas de neve, com Lowshebin exclamando:

— Tem gosto de água! Eu te disse que gelo tem gosto de água!

— Mas desde quando gelo é água?! — questionou Chebonshur. — Isso nem faz sentido! Deve ser alguma magia!

— Desprovidos de inteligência — Mari completou, sussurrando para Pamela.

A ex-atriz se segurou para não rir.

— Pam, oi, sumida! — exclamou Kelly, acenando assim que a viu.

Mari e Pamela chegaram à mesa onde estavam Kelly e Angela.

— Oi, tia Kelly. — cumprimentou a garota, de braços abertos.

— Oi, querida — respondeu ela, abraçando-a de volta. — Seu pai e sua avó estão menos ranzinzas hoje.

— Só um pouquinho — sussurrou Mari.

Ambas riram. Mari foi até Angela.

Kelly se aproximou de Pam enquanto Angela ainda organizava os materiais sobre a mesa.

— Então… — disse, com aquele sorrisinho de quem já sabia de tudo. — Você e o Jim chegaram juntos.

Pam piscou, pega de surpresa.

— Ah… é… quer dizer…

Kelly cruzou os braços.

— Pam, eu sabia. Eu sabia que vocês iam acabar juntos desde o dia em que você voltou pra Scranton. Eu sabia. Quer dizer, eu não sabia oficialmente… mas eu sabia. Tipo, era impossível aquela energia toda entre vocês dois ser só… amizade.

Pam franziu a testa, surpresa.

— Desde então?

— Sim! — Kelly gesticulou, animada. — Tipo, era óbvio. Vocês têm aquela coisa de casal de comédia romântica. Destino. Universo. Essas coisas.

Pam riu, meio sem graça.

— Bom… se ajuda a reforçar a teoria do destino… — ela hesitou um pouco, então sorriu. — O Jim gravou as nossas iniciais na Ponte do Beijo.

Os olhos de Kelly se arregalaram.

— Ele o quê?!

— As iniciais. Lá na ponte.

Kelly levou a mão ao peito, dramaticamente.

— Meu Deus! Isso é… isso é oficialmente simbólico demais pra ser ignorado!

— É meio bobo, eu sei…

— Não! — Kelly a interrompeu. — Isso é perfeito! Porque, olha… — ela apontou solenemente, como se estivesse fazendo um discurso. — O que a Ponte do Beijo uniu, o homem não separa.

Pam caiu na risada.

— Você é impossível!

— Eu sou romântica. — corrigiu Kelly. — E vocês dois são totalmente predestinados!

— Só, por favor, guarde segredo, por enquanto. Vamos falar no momento certo.

— Minha boca, por você, será um túmulo. Mas só porque eu gosto de você. E porque isso é basicamente a melhor coisa romântica que já aconteceu nesse lugar desde… bem, desde sempre.

Pam riu.

— Obrigada, Kelly.

— De nada — ela sorriu, satisfeita. — E só pra constar: eu aprovo completamente. Já estava mais do que na hora do Sr. Jim tomar alguma atitude, já estava ficando feio.

— Pessoal, bem-vindos ao tableau anual de bonecos de neve — anunciou Angela. — A Pamela e eu estamos muito empolgadas por vocês terem vindo. Eu sei que era pra Hedda estar aqui no meu lugar, mas, devido a alguns imprevistos, eu tive que assumir. Ainda assim, ela foi uma peça essencial para que isso acontecesse. Então, todos os créditos são dela.

— Mas ela está assistindo tudo de casa e aprovando tudo, porque conseguiu alta, não é, vovó? — exclamou Mari.

A menina apontou para a varanda da casa, onde Hedda estava sentada numa cadeira, ao lado de Barbara Halpert.

Hedda acenou de volta.

— E mal podemos esperar pra ver os bonecos incríveis que vocês vão fazer — Agora foi a vez de Pamela tomar a palavra. — Então, prestem atenção: temos cenouras para os narizes, chapéus, cachecóis, roupas, botões…

— E carvão pros olhos. — completou Kelly.

— Que tipo de carvão é esse? — perguntou Dwight.

— Do tipo que vem do solo? — respondeu Kelly, sem entender, franzindo o cenho.

— Não seja infantil. Todo carvão vem do solo. É antracito ou betuminoso?

— É só pros olhos de um boneco de neve, Dwight. Isso faz diferença? — interveio Angela.

— Ora, querida, talvez não pra você — retrucou Dwight.

— Enfim, alguém tem mais alguma pergunta? — Mari interveio. Ela nunca gostava de ver qualquer indício de briga entre os pais.

Apenas Dwight ergueu a mão.

— Não… — murmuraram Pam e Kelly ao mesmo tempo. Angela usou toda a boa vontade de dentro de si para não revirar os olhos.

— Sim, Dwight? — perguntou Angela, já resignada.

— Podemos usar vergalhão para garantir a integridade estrutural?

— Vergalhão? — perguntou Kelly, confusa.

— Sim. No momento, está fazendo 41 graus Fahrenheit, ou 5 graus Celsius. Sem suporte interno adequado, meu projeto não será capaz de reter…

— Quer saber? Vai com tudo! — Angela o interrompeu, sem paciência.

— Ok, querida!

— Certo, pessoal, que comece a diversão! — declarou Pamela.

Ela, Mari e Kelly vibraram ao mesmo tempo, sendo logo acompanhadas pela vizinhança.

A neve cobria o toldo como um lençol recém-estendido, e o frio deixava tudo mais silencioso do que o normal — exceto pelo grupo animado, consistindo em cachecóis coloridos, gorros tortos e luvas incompatíveis.

Michael observava tudo sentado em um banco, na varanda, com a perna machucada apoiada em um pequeno banquinho. Ele tentava parecer animado, mas fazia careta toda vez que se mexia. Ao seu lado, sua esposa lhe entregava chocolate quente, enquanto Chebonshur e Lowshebin corriam pela neve, rindo alto e ignorando completamente o pedido do pai para “não escorregar porque isso definitivamente dói”.

— Eu estaria ganhando essa competição — dizia Michael, apontando para o campo —, se não fosse essa lesão heroica.

No centro do parque, Dwight estava completamente focado. Ele usava uma trena, um pequeno nível e — ninguém sabia de onde — um manual plastificado intitulado Proporções Ideais de Bonecos de Neve. Angela cruzava os braços, tentando manter a paciência.

— Dwight, é um boneco de neve. Não uma instalação agrícola! — repreendeu ela.

— Quando entro num jogo, entro com tudo. Tenho o mesmo pulso firme da mamãe.

— Sorte a dela estar lá na varanda, comendo cookies com a Barbara… — murmurou.

— O que disse?

— Nada. Deve ter sido o vento.

— Sei…

— Por isso nossa filha preferiu fazer bonecos com a Pam e a Kelly! — A loira cruzou os braços.

— Azar o dela, querida! Perdeu a oportunidade de ganhar um troféu com o papai.

Angela revirou os olhos.

Do outro lado da calçada, Pamela e Mari terminaram de construir o corpo do boneco, enquanto Kelly já escolhia a decoração, o adornando com um cachecol exageradamente — segundo o seu conceito — fashion.

— Esse boneco precisa servir looks, gente — Kelly decretou.

Holly, alguns metros atrás, deixando Michael só por alguns instantes, tentava coordenar seus filhos, que mais pareciam interessados em rolar na neve do que em construir qualquer coisa que ficasse em pé. Ainda assim, o boneco deles era torto, simpático e claramente feito com muita risada.

Depois de algum tempo, todos se reuniram para o anúncio oficial. Pamela pigarreou, segurando um papel improvisado.

— Ok, resultados! Sei que já está escurecendo, o frio está ficando mais apertado e é véspera de Natal. Também sei que não sou tão eloquente quanto o Jim ou a Sra. Halpert, então não vou me enrolar muito. Quero aproveitar para parabenizar a todos e dizer que os trabalhos ficaram incríveis, muito criativos, e agradecer a quem participou de mais um ano dessa tradição. Em terceiro lugar… Holly e seus filhos: Chebonshur e Lowshebin!

Uma sequência de aplausos se seguiu. Em seguida, Holly e as crianças foram até o palco improvisado, abraçaram Pamela e Kelly e receberam o troféu de bronze.

— Estou surpresa por eles terem conseguido construir alguma coisa — sussurrou Mari para a mãe.

— Mari, por favor… não seja tão malvada!

— Mas você pensou a mesma coisa.

— Sim, acredite. A mamãe também está chocada — respondeu, baixinho. As duas riram.

— Ok, muito obrigada, Holly. Vocês foram incríveis. — Parabenizou Pam. — Agora, o segundo lugar fica para… Kelly, Mari e eu!

Kelly vibrou e gritou alto, erguendo a taça de prata como se tivesse acabado de ganhar um prêmio olímpico, abraçando as companheiras de equipe com força. Mari sorriu, orgulhosa, e ajeitou os cabelos para as fotos.

— Isso é marmelada! — gritou Michael, da varanda. — Claramente um roubo! Exijo uma revi—

Foi interrompido quando um cookie voou da casa vizinha e o acertou em cheio na testa.

— Cale a boca e não atrapalhe, Michael, seu ranzinza! — repreendeu Hedda, já lançando outro.

Barbara ficou boquiaberta por um instante… e depois caiu na risada.

— Viva a Mari! Essa é a minha neta! — exclamou Hedda, erguendo o punho em comemoração.

— Obrigada, vovó! — exclamou a menina, mandando beijos no ar e dando joinhas.

— Ótimo, vejo muitas emoções por aqui, pessoal — Pam voltou a falar, rindo. — Mas, por favor, vamos manter a calma. Lembrem-se: a diversão sempre é a prioridade! E agora… em primeiríssimo lugar… Dwight e Angela!

Para todos, a vitória parecia inegável, o boneco do casal era impecável. Simétrico. Impressionante. Um pouco assustador, talvez. Dwight fez um aceno solene.

Por um instante, Angela apenas piscou, surpresa. Endireitou a postura, apertou os lábios e sorriu, discreta.

Dwight se levantou de imediato, vitorioso, puxando Angela pela mão em direção ao troféu de ouro.

Na varanda, Hedda tentou se erguer rápido demais da cadeira de balanço, empolgada, dando pequenos pulinhos no lugar.

— Hedda, cuidado! — pediu Barbara, segurando-lhe o braço. — Lembre que você acabou de sair do hospital.

— Esse é o meu filho! Meu bebê! Meu garoto! — exclamou Hedda, vibrando mesmo assim.

Mari correu até os pais e os abraçou com força.

— Parabéns. Vocês foram incríveis! — disse, orgulhosa.

— Obrigado, querida — respondeu Dwight. — Você também foi muito bem. — Ele bagunçou o cabelo dela. — Já estou até pensando nos lugares onde poderemos colocar nossos troféus lá em casa.

— Nananinanão, senhor Dwight! — interrompeu Kelly. — Essa taça de prata fica comigo! É MINHA!

— Ah, mas não fica mesmo! Já não se contenta com a taça que “roubou” de nós na competição de cookies?

— Não roubei nada. Ganhei por merecer!

— Gente, parem, por favor — interveio Pam — É véspera de Natal! Desse jeito, Papai Noel vai os colocar na lista dos malvados deste ano!

Mari abraçou Angela. Ela respirou fundo, recompôs-se… e acabou deixando escapar uma gargalhada com a filha.

Após apartar a confusão com muito custo, encerrou-se a entrega das pequenas taças, e então alguém — ninguém admitiu quem, mas Michael era o principal suspeito — jogou a primeira bola de neve, que acertou Holly, que por sua vez, jogou de volta e acertou Angela. E, em segundos, a rua principal virou um caos de neve, risadas e gritos.

Hedda tentou se envolver mais a fundo na brincadeira, mas foi imediatamente contida por Barbara.

Eddie e Richie — tremendo de frio mesmo em suas jaquetas pretas de couro — que chegavam na Harley-Davidson de Kaspbrak, foram recebidos por uma chuva de bolas de neve.

— Não, por favor — disse Eddie, com uma falsa seriedade. — Cuidado com a lataria da Harley.

Mas Richie desceu da moto e o acertou em cheio.

— ¿Tiene miedo de que le pongan un hielito en la espalda, Dr. K? — brincou Tozier, fingindo sotaque.

— Você vai ver! — respondeu Eddie, descendo da moto e entrando na brincadeira.

As crianças corriam de um lado para o outro quando, de repente, um sino tocou:

— Ho, ho, ho!

Um Papai Noel, mais alto e magro que o esperado, apareceu no meio da confusão. Antes que qualquer adulto reagisse, Mari, Chebonshur e Lowshebin correram direto para ele e o abraçaram com força.

— PAPAI NOEL! — gritaram juntos.

Então, em meio a abraços e pedidos animados, a garota Lowshebin deixou o gorro escapar, revelando Jim, que sorriu de lado, meio sem jeito.

— O tio Jimbo é o Papai Noel! — Chebonshur ficou boquiaberto, com as mãos nas bochechas. — Olha só, Lowshebin!

— Não se preocupe, seu segredo está bem protegido conosco, tio Jimbo! — garantiu Mari, piscando para ele.

Pam levou a mão à boca, rindo.

— Seu namorido ficou ótimo nesse look, amiga! — sussurrou Kelly, dando uma piscadinha para a ruiva.

Dwight estreitou os olhos, desconfiado:

— Não duvido que esteja aprontando alguma pegadinha — sussurrou para sua esposa. — E vermelho definitivamente o deixa mais gordo!

Michael torceu o nariz:

— Eu teria dado um Noel melhor!

Jim ajeitou o gorro de Papai Noel, ainda cercado pelas crianças e agora por alguns adultos curiosos.

— Ok, ok, atenção — disse, rindo. — Tenho um anúncio importante. A ceia de Natal começa em três horas, lá em casa. E, como presidente da associação, saibam que minha casa está de portas abertas. Quem quiser aparecer… está oficialmente convidado. Mas, por favor, tragam um prato e uma bebida, em quantidade equivalente à da família de vocês, para garantir que sobre comida para todos!

Houve um pequeno coro de comemoração. Kelly já começou a perguntar se era “ceia chique ou ceia casual chique”. Dwight quis saber se haveria proteína suficiente. Angela apenas perguntou se a casa estava devidamente limpa. Michael tentou convencer todo mundo de que a ceia deveria ser na casa dele, mas foi ignorado com eficiência coletiva.

O céu já começava a escurecer, tingido de azul profundo, e as luzes das casas acendiam uma a uma. As famílias se despediram brevemente ali mesmo, prometendo se encontrar de novo em breve, agora com roupas secas e cabelos menos cobertos de neve.

Enquanto Jim se afastava um pouco para tirar o casaco vermelho, Pam se aproximou. Ela sorriu daquele jeito calmo e íntimo que só ela tinha.

— Você ficou ótimo como bom velhinho — disse, antes de se inclinar e dar um beijo rápido e carinhoso nele.

Jim piscou, surpreso, e depois sorriu ainda mais.

— Por você, sempre vale a pena o risco.

[...]

Uma hora depois, a residência Halpert estava cheia de vozes, cheiro de comida quente e risadas espalhadas pelos cômodos. A mesa da ceia parecia ter sido montada por várias mãos ao mesmo tempo; pratos diferentes de diferentes culturas, receitas que não combinavam totalmente, mas que juntas faziam todo o sentido.

As crianças iam de cadeira em cadeira, animadas, mostrando brinquedos novos e contando versões exageradas da “grande competição de bonecos de neve”. Dwight explicava, com orgulho, os detalhes estruturais do boneco vencedor para quem quisesse — e para quem não quisesse também. Angela, sentada ao lado dele, segurava a mão de Hedda com suavidade, observando tudo com um raro ar relaxado, enquanto, em silêncio, julgava a escolha de roupas extravagantes de Kelly.

Michael brindava com chocolate quente, mesmo ainda reclamando da perna e das costas. Holly ria, apoiada na bancada, feliz demais para se importar com a bagunça.

Eddie e Richie estavam dividindo o sofá, de mãos dadas e trocando olhares apaixonados. Acho que, finalmente, tinham admitido o que sentiam um pelo outro. Morar “convenientemente” com alguém por anos, compartilhando o mesmo humor rabugento de um casal de idosos, definitivamente significava alguma coisa. E, se existe amor, por que não tentar?

Pam observava e sorria com a cena por um momento, antes de se sentar à mesa. O barulho, a confusão, as conversas cruzadas — tudo aquilo parecia… certo. Ela sentiu um calor no peito que não vinha da comida nem da lareira. Lembrou-se dos bons tempos: sem holofotes, sem comentários ácidos de pessoas online ou paparazzi por todos os lados. Apenas estar em casa, protegida, ao lado da família. Seus avós e seus pais deveriam estar felizes por ela naquele momento; então, decidiu acreditar nisso.

Ela nunca tinha se sentido tão feliz e amada quanto hoje! Nem tão pertencente a algum lugar. Deveria ser a tal magia do Natal que tanto falavam.

E enquanto Jim passava por trás dela, apoiando as mãos em seus ombros por um segundo e lhe dando um beijo doce e calmo, Beesly pensou que talvez o Natal fosse exatamente isso: pessoas imperfeitas, reunidas, escolhendo estar juntas.

Notas finais
Sim, tivemos o nosso tio Jimbo como Papai Noel 🎅❤️ Beijos, até mais! ❤️