Frames do Destino

8 Amadurecendo com Pamela Beesly


Notas iniciais
Olá, amores! ❤️ Consegui aparecer mais cedo, como prometido. Espero que gostem desse capítulo e da reaproximação do nosso OTP ❤️ Alerta de gatilho: Citação a assédio sexual sofrido por uma menor, dentro do ambiente de trabalho (série de TV). Créditos da imagem do capítulo ao r/DunderMifflin do Reddit. Link nas notas finais desse capítulo. Beijos ❤️ Boa leitura.

2008 anos depois do Grande Colapso

Estação Central de Marte

PAMELA ESTAVA EM SEU CAMARIM, passando lentamente a escova pelos cabelos enquanto retocava a maquiagem diante do espelho iluminado. Tentava manter a postura, a aparência impecável que todos esperavam dela, quando um som abafado cortou o silêncio, era um choro contido, quase sufocado.

Ela ergueu o olhar.

A porta se abriu e Karlie entrou.

Mesmo depois de três anos, ainda dividiam o mesmo camarim. Mas a garota que atravessou aquele limiar não era a mesma de sempre. Os olhos estavam vermelhos e inchados, o rosto manchado, como se tivesse chorado por horas sem parar. As tranças castanhas estavam desalinhadas, a camisa xadrez amassada. Ela caminhou até o sofá e desabou ali, levando as mãos ao rosto antes de começar a chorar de verdade — alto, desesperado, como se estivesse segurando aquilo há tempo demais.

Pamela se levantou imediatamente.

— Karlie…? — chamou com cuidado, aproximando-se. — O que foi? O que aconteceu? Por que você tá assim?

Karlie tentou responder, mas a voz não vinha inteira.

— Eu não consigo, Pam… eu n-não consigo… — As palavras saíram quebradas entre soluços, quase inaudíveis.

Pamela se agachou à frente dela e pousou a mão em suas costas.

— Calma… respira. Aconteceu alguma coisa com a sua família? Tem algo que eu possa fazer? Quer um copo d’água?

Karlie balançou a cabeça em negação, chorando ainda mais.

— Não é isso… não é nada disso… é só que… — Ela engoliu em seco, como se as palavras machucassem ao sair. — O Scott Borchetta…

Pamela franziu o cenho.

— O que tem ele? O que ele fez?

— Ele… — Karlie respirou fundo, a voz tremendo. — Ele contratou o Kanye de volta. E eu estou com tanta raiva! Meu coração nunca esteve tão partido, Pam!

O ar no camarim pareceu pesar. O silêncio que se seguiu foi denso, sufocante.

— Isso é impossível! — Pamela engoliu em seco depois de um tempo, incrédula. — Eles não… não fariam isso... Não trariam aquele lixo de volta… eles não podem!

— Mas fizeram — Karlie respondeu, os olhos marejados encarando o nada. — Aquele nojento me assediou sexualmente… abalou minha confiança, invadiu meu espaço pessoal sem o meu consentimento. E mesmo assim… — Fungou. — Mesmo assim, ele volta como se nada tivesse acontecido. Como se eu não fosse nada. Me obrigaram a pedir desculpas pra ele e pra Kim e agora… o personagem dele ainda vai ganhar mais destaque.

Pamela sentiu o estômago revirar.

— Mas… por quê? Que droga!

— Porque ele é “importante demais” pra ser dispensado. — Karlie riu sem humor. — O Scott e o Scooter disseram que não podem mandá-lo embora. A família da Kim tem dinheiro, patrocínio, poder. Eles ameaçaram tirar tudo se o Kanye fosse demitido “sem motivo”.

Pamela cerrou os punhos.

— A Kim é uma vadia! — disparou, sem pensar. — Desculpa o palavrão, mas é. Ela namora um escroto, protege ele com unhas e dentes, se acha superior a todos nós, que não viemos do mesmo berço de ouro que ela… e agora isso. É injusto. É revoltante.

Karlie voltou a chorar, o corpo tremendo.

— Não tem nada que possamos fazer — sussurrou. — Se eu discordar, vão me ameaçar. Podem acabar com a minha carreira. — A voz falhou. — E meus pais dependem de mim, mas não aguento mais. Eu me sinto suja!. Como se a culpa fosse minha. Eu não aguento mais.

Sem dizer nada, Pamela puxou Karlie para um abraço forte, protetor, envolvendo-a por completo. Karlie afundou o rosto em seu ombro, chorando como quem finalmente se permite desmoronar.

— Escuta — Pamela murmurou, com firmeza e carinho. — Eu sei que a gente não é tão próxima assim… mas você não está sozinha. Eu tô aqui com você, Karlie. Eu tô aqui por você.

— Se eu não tivesse…

— Isso não é culpa sua, Karlie. Nunca foi.

[...]

As semanas que se seguiram foram desastrosas.

Pamela observava Karlie em silêncio, com a sensação constante de que ela estava prestes a se estilhaçar — como um prato de porcelana lançado do último andar do antigo One World Trade Center. Não seria uma quebra limpa. Seria violenta, irreversível. Em tantos pedaços que jamais poderiam ser colados de volta. Nunca mais seria como antes.

E isso doía.

Doía porque Pamela, que sempre se considerava uma boa observadora, via o brilho de Karlie se apagar pouco a pouco. Doía porque, enquanto isso, o personagem de Kanye — Kyle Granger, que sempre fora secundário — começava a aparecer cada vez mais. Mais falas. Mais cenas. E, pior: mais cenas ao lado de Karlie.

Aquilo parecia uma tortura cuidadosamente calculada.

Pamela sentia raiva sempre que via os roteiros novos. Raiva do sistema. Raiva da produção. Raiva do silêncio ensurdecedor até mesmo de Taylor, a melhor amiga de Karlie e protagonista do programa, ela poderia fazer alguma reclamação, algum protesto, mas não, apenas assistia a tudo sem mover um dedo, sem levantar a voz, sem protegê-la.

Até que veio o dia da gota d’água.

A cena se passava em uma sala de aula. Kimberly teria dificuldade de prestar atenção e pediria ajuda com alguns exercícios à amiga Sam, sentada no fundo da sala. Kyle estaria ao lado dela, conversando num clima abertamente romântico e sugestivo. O roteiro descrevia detalhes demais. Insinuava demais.

O ápice vinha no final: o diretor obrigava Sam a chupar um pirulito, enquanto Kyle a alisava.

Pamela sentiu náusea só de ler.

Aquilo era nojento. Ela sabia desde a primeira linha do roteiro.

E para Karlie, foi demais.

— Chega! — Karlie gritou, a voz ecoando pelo estúdio. — Eu me demito!

A produção estava quase pronta. Câmeras posicionadas. Atores caracterizados. O caos se instalou.

— O que foi que você disse? — perguntou Nathan, confuso.

Karlie caminhou até Scott, as mãos tremendo, mas a postura firme.

— Eu me demito. Eu me recuso a gravar essa cena. Isso é desrespeitoso. Comigo e com mulheres no geral.

Scott riu, seco.

— Com quem você pensa que está falando, mocinha? Abaixe o tom de voz. — Ele se aproximou. — Ou você grava essa cena, ou está demitida.

— Eu já disse. — Karlie sustentou o olhar. — Prefiro ser demitida a participar dessa humilhação.

— Espero que pense bem — Scott respondeu, frio. — Vai se arrepender. Depois não venha chorar.

— Eu aceito as consequências.

Scott sorriu, cruel.

— Farei de tudo para que você nunca mais apareça na televisão. Nunca precisei de você. — Ele passou o braço pelo ombro de Taylor. — Só preciso da minha Kimby.

Karlie virou o rosto lentamente e encarou Taylor. Seus olhos imploravam por qualquer coisa: uma palavra, um protesto, um gesto.

Nada veio.

E ali, algo dentro de Karlie se quebrou.

Pamela viu a cena inteira. Sentiu o sangue ferver. Levantou-se.

— Então eu também me demito.

Todos se viraram para ela.

— Até você, raio de sol? — Scott comentou, debochado. — Achei que você mais esperta.

— Não vou fazer parte de um projeto que normaliza misoginia, assédio e humilhação de meninas. Meninas menores de idade. Isso é doentio! — Pamela disse, a voz firme. — Isso não é arte. Não é entretenimento. É violência disfarçada de roteiro. E eu me recuso a legitimar isso com a minha imagem. Na verdade, faz muito tempo que quero sair desse programa, cansada dessas injustiças.

Scott deu de ombros.

— Tudo bem. Não precisamos de vocês mesmo.

Pamela foi até Karlie, segurou sua mão com força e saiu do estúdio ao seu lado. Sabia que sua mãe ficaria furiosa. Sabia das consequências. Mas aceitar aquilo seria pior.

Então Selena se levantou.

— Eu também me demito.

O burburinho cresceu.

Sabrina se ergueu em seguida, batendo firme as mãos na mesa:

— Eu também.

Cara levantou-se, dizendo:

— Eu também.

Jaime não hesitou, afirmando:

— Estou fora.

E, por fim, Hailee:

— Eu também me demito.

Scott arregalou os olhos, furioso.

— Não acredito nisso! Vão embora então! — gritou. — Ingratas! Acham mesmo que esse show vai parar por causa de vocês?

— Vacas. — Kim sussurrou, abraçando Kanye.

Do lado de fora, perto dos camarins, elas cercaram Karlie em um abraço forte e corajoso.

— Você não precisava fazer isso, Pam… nenhuma de vocês — Karlie disse, com a voz embargada.

— Precisava, sim — Pamela respondeu. — Eu sei que você faria o mesmo por mim. Mulheres precisam estar unidas.

— Achei que me odiasse por roubar seu spin-off.

— A culpa disso nunca foi sua. Eles nunca tiveram a intenção de me ver brilhar, mesmo. — A ruiva sorriu, triste.

Selena sorriu de lado.

— Sabe de uma coisa, meninas? Eu conheço uns colegas repórteres que vão adorar expor esses nojentos.

— Apoio totalmente — disse Jaime.

— Para que nenhuma garota passe por isso de novo — completou Sabrina, batendo o punho fechado na palma da mão.

— Pressão psicológica e assédio sexual não são entretenimento — concluiu Hailee.

E, pela primeira vez em dias, Karlie não se sentiu sozinha. E Pamela sentiu-se como se tivesse servido para algo realmente importante.

[...]

Selena realmente não estava blefando, duas semanas depois, a história explodiu.

Os maiores portais de notícia do Marte estampavam manchetes devastadoras: Scott Borchetta e Scooter Braun eram acusados de apoiar e acobertar um esquema de chantagem e exploração psicológica envolvendo jovens atores e atrizes, em um padrão perturbador que lembrava casos antigos da indústria. O nome de Karlie Kloss apareceu no centro de tudo. Foi ela quem denunciou formalmente Kanye West por assédio sexual e revelou como a produção e a família Kardashian havia abafado as acusações, usando contratos, ameaças veladas e o peso do poder para silenciar vítimas. A emissora ChronoCorp não teve escolha: demitiu os envolvidos, cancelou o programa imediatamente e abriu uma investigação interna. Karlie venceu o processo, assim como os outros jovens que recorreram à justiça, para contar seu lado da história. Todos receberam uma indenização milionária e, mais importante, tiveram suas vozes reconhecida publicamente — ainda que o preço emocional fosse alto demais para ser medido em cifras.

Depois disso, nada voltou a ser como antes. A amizade entre Karlie e Taylor, a protagonista da série, jamais se recuperou aos olhos de Pam. Não houve brigas públicas, nem declarações explosivas — apenas um silêncio definitivo, pesado, irreversível. Para Karlie, a omissão de Taylor doera quase tanto quanto o abuso em si. Algumas ausências não gritam, mas mutilam para sempre.

Com o tempo, Karlie e Pamela se tornaram inseparáveis, unidas não apenas pelo que haviam perdido, mas pelo que escolheram defender. Sabrina também passou a fazer parte desse laço. Compartilhando apoio, noites longas de conversa e a certeza de que haviam feito a coisa certa. Cada uma seguiu seu rumo, Pamela ganhou prêmios importantes e mudou de área, Sabrina entrou no meio musical e Karlie se tornou uma supermodelo.

Karlie sempre fez questão de agradecer às amigas que ficaram ao seu lado quando tudo desmoronou. Afinal, elas haviam arriscado carreiras, contratos e futuros por ela.

Os anos passaram, a vida seguiu caminhos diferentes, e o contato entre elas acabou se tornando raro. Ainda assim, Pamela nunca deixou de admirar Karlie. Assim, como admirava a si mesma, sua coragem silenciosa, a maturidade precoce, a forma como enfrentou o perigo de frente, mesmo com o coração disparado no peito e o medo gritando para que recuasse. Não recuou. E essa era uma daquelas verdades que o tempo não apaga.

[...]

De volta a 2025, Pamela passou o restante da tarde tentando reunir coragem dentro de si para ir conversar com Jim. O pensamento voltava sempre, insistente, enquanto ela ajudava Angela e Mari a preparar as decorações da rua.

Encheu balões até os braços doerem, prendeu pipocas nas guirlandas e tentou se distrair com tarefas pequenas, quase mecânicas. Em certo momento, sem perceber, levou uma pipoca à boca.

— Ei! — Mari repreendeu, rindo. — Não pode comer nenhuma pipoca, tia Pam. Essas são pras guirlandas.

Pamela ergueu as mãos em falsa rendição, constrangida e divertida ao mesmo tempo. Mari, porém, aproveitou a própria regra recém-criada e, com um sorriso travesso, pegou uma pipoca para si.

— Exceções existem — completou, piscando.

Pamela também ajudou a configurar as Lanternas de Gelo com LED RGB, ajustando tons suaves e cores vibrantes, enquanto Dwight cuidava das projeções de mapeamento — o chamado Gelo Vivo — coordenadas com drones que cruzavam o céu em testes silenciosos. Na sinalização de acrílico neon, Mari fez questão de escolher as cores mais chamativas, misturando tons sem medo, como só quem ainda não aprendeu a ser contido sabe fazer.

Quando o relógio se aproximou das sete da noite e o céu começou a escurecer de vez, Pamela se despediu.

— Obrigada pela ajuda, Pamela — disse Angela Martin, num tom contido, mas sincero. — Nada disso teria ficado tão organizado sem você. Estou tão surpresa quanto você, de ter tido isso. Tenha uma ótima noite.

— Para você também.

— Até amanhã no desfile!

— Até!

Pamela sorriu, surpresa com o elogio, e seguiu em direção à sua casa.

No caminho, diminuiu o passo sem perceber.

Parou.

À sua frente estava a residência dos Halpert. A casa estava quase inteiramente mergulhada na escuridão. Apenas uma luz permanecia acesa — a de uma janela no segundo andar, provavelmente o quarto. Todo o resto estava apagado.

Pamela sentiu o coração acelerar.

Por um instante, pensou em desistir.

Então se lembrou das palavras de incentivo de Kelly, na ligação que tiveram antes de dormir:

“Vá com tudo, amiga. Esse homem te ama, e você também o ama. Não tenha medo de confessar e lutar por esse amor”.

“E se ele me rejeitar? Mudar de ideia? Ficar tão chateado ao ponto de não conseguir mais me perdoar e nem de aturar a minha presença? E se o meu coração se quebrar de um jeito que não tenha mais conserto?”

“Então, ele seria um tremendo babaca que nunca mereceu sequer a sua atenção. E eu prometo te ajudar a recolher cada pedacinho”.

Kelly era uma excelente amiga! Tinha sorte de tê-la por perto.

Com as palavras da amiga ecoando na mente, Pam respirou fundo. Sentiu o ar preencher os pulmões, como se estivesse reunindo, junto dele, toda a coragem que ainda restava no corpo e caminhou até a porta. Ergueu a mão e deu duas batidinhas tímidas.

Mal teve tempo de abaixá-la.

A porta se abriu quase imediatamente, revelando Jim, de moletom e expressão surpresa.

— Oi, Pam.

— Oi, Jim… uau. Que ótimo timing.

— Pois é — ele sorriu de canto.

Ficaram alguns segundos apenas se olhando, aquele silêncio confortável e estranho ao mesmo tempo.

— Quer entrar? — ele perguntou, abrindo mais a porta. — Está muito frio aí fora.

— É… sim, acho uma boa ideia.

Ela entrou, esfregando as mãos para se aquecer. Jim fechou a porta e a guiou até a cozinha.

— Eu achei alguns biscoitos com gotas de chocolate — disse ele, abrindo um pote. — Minha mãe fez um monte pro feriado… sobraram bastante.

— Obrigada. Eu adoro os biscoitos da sua mãe — Pam sorriu, pegando um.

— Então, eu vi a tragédia que aconteceu com o pobre do Michael.

— Ele se machucou feio.

— É… e agora estamos sem Papai Noel na festa.

Pam respirou fundo, como se estivesse ensaiando aquilo mentalmente.

— Por que você não pode ser o Papai Noel?

Jim engasgou quase invisivelmente com o próprio riso.

— Pam, não.

— Pensa bem — Ela disse, se animando. — Você é alto, todo mundo gosta de você, as crianças daqui já te adoram… e, honestamente, você é a única pessoa que realmente se encaixa nisso.

— Isso é uma armadilha — Ele disse, cruzando os braços, divertido.

— Não é! — Ela riu. — Além disso, você salvaria o Natal de Scranton, Sr. Presidente da Associação.

Ele ficou alguns segundos em silêncio, olhando para ela, depois suspirou.

— …Tá. Mas se eu passar vergonha, a culpa é sua.

Pam abriu um sorriso vitorioso.

— Combinado.

— Também… acho que a gente tem outro assunto pra conversar — Pam começou, mexendo nervosamente nos dedos.

— Pam, sério, não precisa — Jim disse rápido. — Eu fui invasivo. Eu… eu invadi o seu espaço. Não precisa explicar nada.

— Não, não é isso — ela balançou a cabeça. — Eu não me senti mal com a sua declaração. E nem… desgostei do beijo. É só que, naquela hora… eu fui uma idiota. Fiquei sem reação. E você é uma pessoa incrível, Jim. Não merecia aquilo.

— Pam, tá tudo bem. De verdade. Eu não tô bravo — ele disse, tocando de leve a mão dela. — Eu te amo. Desde… sempre, eu acho — Ele riu, meio sem graça. — Mas você não me deve nada.

Pam respirou fundo.

— Jim, eu… por favor, me deixa falar. Meu noivado com o Roy foi um desastre. E me fez desistir do amor. E de toda essa história de casamento. Parecia coisa de filme, ficção. Eu achei que nunca poderia ser amada de verdade. Afinal, nem o meu próprio noivo me amou.

Ele ficou em silêncio, ouvindo.

— Mas… quando eu voltei pra cá e vi você… você ainda era o mesmo. E eu me lembrei do passado. Da sua irmã, das nossas conversas, e… eu realmente acho que gostei de você naquela época.

— Sério? — ele perguntou, quase em um sussurro.

— Sim. Mas eu tinha meu trabalho, minha mãe controlando tudo, e tinha o Eddie. Ele foi o primeiro cara que foi realmente legal comigo, sem segundas intenções. Eu achei que era isso. Mas não era. Era só amizade. No fim, a gente entendeu que confundiu tudo.

Ela engoliu em seco.

— Jim…

— Sim?

— Eu acho que eu tô realmente gostando de você, sinto e concordo com tudo que você disse no carro aquele dia. Acho que tudo tá voltando à tona. E eu tô com medo de estragar tudo. Porque… é isso que eu faço. Eu não sou bonita ou interessante como a maioria das mulheres. Nem me sinto inteligente ou criativa. Eu me sinto… medíocre.

— Ei — ele disse, segurando o rosto dela com cuidado. — Por favor, não fala isso.

— Mas é assim que eu me sinto.

Jim respirou fundo antes de falar:

— Então deixa eu te dizer como eu te vejo. Você é a pessoa mais gentil que eu conheço. Você faz qualquer lugar ficar melhor só de estar nele. Você é inteligente, é sensível, é incrivelmente talentosa — e, sim, você é linda, mesmo quando insiste em fingir que não é. E o mais importante… você é a única pessoa que já fez eu me sentir em casa em qualquer lugar.

Pam tinha os olhos cheios d’água.

— Eu não me apaixonei por você porque foi conveniente — ele continuou. — Eu me apaixonei porque é você. E eu não preciso que isso seja perfeito. Eu só… eu só quero tentar. Do jeito certo. No seu tempo.

Ela sorriu, emocionada.

— Então… a gente pode tentar devagar? — Ela perguntou. — Com paciência. E sendo… leais um com o outro.

— Eu prometo — Ele afirmou. — Se você prometer também.

— Eu prometo.

Eles ficaram se olhando por um instante, como se finalmente estivessem no mesmo lugar, na mesma página.

Então Pam se aproximou primeiro.

O beijo foi calmo, sem pressa, como se fosse exatamente o começo que os dois estavam esperando há anos.

Notas finais
Link de onde baixei o desenho original: https://www.reddit.com/r/DunderMifflin/comments/9fw28b/jimpam_first_kiss_sketch_by_me_i_know_im_years/?tl=pt-br Então, o que acharam? ❤️ Amo esse casal. Até mais! ❤️