Frames do Destino
1 A subestimada Pamela Beesly
Notas iniciais

2005 anos depois do Grande Colapso
PAMELA BEESLY soltou um suspiro profundo, encarando o espelho embaçado que refletia seus olhos castanhos cheios de lágrimas. Seu cabelo ruivo e ondulado estava perfeitamente dividido em duas tranças laterais, enquadrando a pele clara. Ela enxugou o rosto às pressas ao ouvir o rangido da porta do camarim.
Uma menina alta surgiu na entrada, ela tinha longos cabelos castanho claro presos em um rabo de cavalo, pele muito branca, olhos cor de avelã e um sorriso brilhante. Ela vestia roupas simples: uma camisa branca alongada, calça jeans azul e uma jaqueta preta fina por cima. A maquiagem era discreta, limitada a um batom vermelho e uma sombra azulada nas pálpebras superiores.
— Bom dia!
— Bom dia — respondeu a ruiva, sentindo o amargor subir à boca.
— Sou a Karlie, eu…
— Minha nova colega de camarim e amiga da protagonista. Sim, eu sei bem quem você é. — Forçou um sorriso. — Eu sou a Pamela, mas você já deve saber disso, presumo.
A novata encolheu os ombros e apertou com força a alça da bolsa antes de entrar. Aproximou-se do clothing rack repleto de figurinos cintilantes.
— Nossa, aqui é bem maior e mais bonito do que eu imaginava.
— Não se preocupe. Logo você se acostuma.
Karlie permaneceu em silêncio, segurando o cotovelo esquerdo com a mão direita, enquanto se sentava diante da penteadeira iluminada ao lado. Todas as lâmpadas funcionavam perfeitamente, ao contrário das de Pamela, algumas queimadas havia dias. Pam observou a garota magra com atenção, analisando cada detalhe. Não conseguia entender o que havia nela de tão especial para chamar a atenção de Scott daquele jeito.
Mais cedo, naquela manhã, Pamela chegara à sede da emissora para conversar com o diretor, Scott Borchetta, e o produtor executivo, Nathan Chapman, sobre alguns ajustes que encontrara no rascunho do roteiro — falas que poderiam soar mais naturais, momentos que mereciam ser acrescentados, talvez até alguns flashbacks do passado de sua personagem nos primeiros episódios de “Rebel Max”. Contudo, todo o entusiasmo e preparo que trazia consigo desmoronaram ao perceber o pouco interesse do diretor e do produtor pelas suas ideias.
— Eu disse algo errado? — perguntou Pamela, quase num sussurro, abaixando a planilha que tinha nas mãos.
— Então, querida… por favor, respire fundo — começou Scott. — Isso não tem nada a ver com você, tá bom? Nós realmente achamos que você é uma garota talentosa, promissora, com um futuro enorme pela frente. Mas…
— …não acreditamos que a audiência receberá bem um episódio centrado na Max, nem um possível spin-off — completou Nathan. — O público quer ver a Kimby e o núcleo da Kimby. Ninguém parece interessado numa personagem antagonista e tão secundária quanto a Max. Os teasers e rumores não geraram comoção nas redes sociais, não renderam nem likes, nem views.
— Fizemos uma pesquisa para entender o que o público realmente quer… — acrescentou Scott. — E, por isso, teremos de cancelar os especiais da Max. Sinto muito.
— Mas… o senhor disse… — Pamela engoliu em seco. — Não existe nenhuma forma de mudar isso? Investir em novas campanhas, contratar influenciadores de crítica especializada ou… — As palavras começaram a tropeçar. Ela apertou a planilha contra o peito, lutando para não desabar em lágrimas ali mesmo.
— Raio de sol, escute — disse Scott, pousando a mão sobre o ombro dela. — O chefão, Braun, não quer mais gastar dinheiro com “investimentos que não darão lucro imediato”, entende? — Fez aspas no ar. — Lembra daquele ditado que te ensinei sobre como funciona o show business? “Abaixe o arpão… a menos que queira dormir com os peixes antes de perceber que está se afogando”. Não podemos nos arriscar com coisas assim.
— Tem razão — ela suspirou. — Era uma ideia idiota mesmo. Se não fosse, por que eu faria tantos ajustes no roteiro? — forçou um riso baixo. — Eu devia ter notado os sinais.
— Garota esperta — elogiou Nathan. — O chefão Scooter é muito exigente. Essa foi a primeira coisa com que tive que me adaptar quando entrei para a emissora.
— Mas tudo bem. O importante é que já temos uma nova ideia para substituir “Rebel Max”. — Scott concluiu.
— Já conseguiram? — Pamela perguntou, quase em choque.
— Sim. Um spin-off da Sam Hayes, a melhor amiga da Kimby. — respondeu Nathan.
— Mas a Kimby não tem uma melhor amiga com esse nome — Ela corrigiu.
— De fato, ainda não tem. Vamos introduzi-la no episódio que vamos gravar hoje. E já encontramos a garota perfeita para ser a nova co-estrela de “Crescendo com a Kimberly”. O nome dela é Karlie Kloss. Ela tem uma presença radiante, daquelas que encantam qualquer um. E vai dividir o camarim com você, por enquanto.
— Meu camarim? Mas ele é pequeno e…
— Conversei com sua mãe, e ela disse que não teria problema nenhum. Que seria bom você fazer uma nova amizade — explicou Scott.
— Ok… não tem problema nenhum mesmo — Pamela forçou mais um sorriso.
— Seja gentil com ela. É nova e bem tímida nesse mundo.
— Tudo bem. Vou ser uma ótima amiga e posso mostrar como o set funciona.
— Perfeito! — disse Scott, satisfeito. — Sabia que podia contar com você, meu pequeno raio de sol. — Ele a abraçou. Pam se incomodou com o forte cheiro de cigarro e bebida alcoólica impregnado no sobretudo bege dele. O contato forçado durou mais do que ela esperava. Quando finalmente se soltou, sentiu o ar puro voltar a preencher seus pulmões. — Garota, sua dedicação e criatividade me surpreendem. Você me lembra uma versão mais jovem de mim. Eu realmente vejo potencial.
A garota sorri em resposta.
A porta principal do set se abriu, trazendo consigo um perfume doce de morango. Um aroma que Pamela reconheceria de longe e que sempre fazia seu estômago se revirar.
— Nossa estrela chegou! — exclamou Scott, abrindo os braços.
Taylor entrou radiante. Seus longos cabelos loiros pareciam esvoaçar sob o vento artificial dos refrigeradores do estúdio. Ela usava um vestido roxo, longo e rendado, que flutuava ao seu redor como uma massa de tecido etéreo, absorvendo por instantes a luz do ambiente quando ela cruzou a soleira.
As ondas douradas de seu cabelo caíam dramaticamente sobre um ombro nu, criando um contraste quente contra o drapeado frio do vestido. Mesmo de costas para a sala, o movimento calculado com que virou a cabeça — revelando um relance dos lábios carmesim e do olhar intenso — deixava claro que ela sabia exatamente o efeito que causava.
Todos pareciam se apaixonar pela presença dela, sempre.
Pamela sentiu o enjoo subir. Um desconforto apertando o peito. Inveja. Ódio. Uma sensação sufocante de que nunca seria suficiente; não como Taylor. Mesmo usando um saco de batatas, ela continuaria sendo a mais bela de todas, e isso corroía Pamela por dentro. Sentiu-se inútil, substituível, como se não servisse para nada.
O rosto de Taylor era tão simetricamente perfeito que parecia ter sido moldado por um útero artificial de IA, apesar do casal bilionário e influente da família Swift jurarem pra mídia que não.
— Pronta para mais um show, Kimberly? — Scott perguntou.
— Nasci pronta!
E então, Pamela recolheu a própria insignificância e se retirou para chorar em seu camarim, até que sua nova colega chegasse. E ela também era linda como Taylor. Pamela acreditava que aquelas meninas tinham nascido com uma luz interior. Forte, quase sobrenatural; que as fazia brilhar em meio ao caos do mundo. Uma luz que ela jamais teria.
— E então? Faz tempo que está nesse programa? — A menina Karlie indagou.
— Sim, uns dois anos. Praticamente, desde a primeira temporada.
— Que legal. Você não parece ser daqui… digo, pelo seu sotaque e pela pele mais rosada.
— Vim de perto daqui, da Estação Arcturus Prime — respondeu ela. — É uma nave-colônia gigante, orbitando na galáxia de Andrômeda, perto do planeta Helion-4, onde o clima é sempre ameno. Nem quente demais, nem frio demais.
— Uau… — Karlie piscou, surpresa. — Eu vim de Marte. Sabe, depois do colapso do nosso planeta natal, foi o primeiro lugar habitado onde pudemos viver — completou.
— Agora faz sentido. Sua pele é mais corada… quase bege. Te dá um toque único.
— Obrigada pela gentileza! — Ambas sorriram.
— Não acredito que aqueles cretinos tiveram a audácia de fazer isso comigo! — esbravejou uma mulher loura, cigarro entre os dedos, o cabelo curto em corte chanel. Usava uma roupa vermelha amarrotada e carregava uma grande bolsa de pano caída sobre a lateral do corpo. — Minha Pamela é uma estrela! Como ousam cancelar o nosso programa?!
— Helene, por favor, mantenha a calma — pediu um homem de pele clara, barba e bigode brancos, corpulento, usando um chapéu marrom e um terno preto, com camisa amarela e gravata vermelha.
Pamela baixou o olhar, envergonhada.
— Não me peça para ter calma, William! Eu já estou por aqui! — Helene tragou fundo o cigarro e bateu o pé no chão. — E ainda tiveram a audácia de pedir para minha filha dividir o camarim com essa daí. — Karlie se encolheu ao ouvir a acusação. — Se querem humilhar nossa família desse jeito, por que não demitem logo a Pam de uma vez?
— Desculpem… ela bebeu um pouco hoje — Tentou justificar William, dirigindo-se às meninas.
— Já chega! Vamos embora, Pamela! — determinou Helene, agarrando o braço da filha e arrastando-a para fora do camarim.
O BYD Dolphin Mini branco da família Beesly cheirava a cigarro e bebida alcoólica. Pam, encolhida no banco de trás, fingia estar distraída com algum jogo no celular. Reparou em quantas tampinhas de garrafa estavam espalhadas pelo carpete. Seu pai dirigia, enquanto sua mãe, no banco ao lado, acendia um cigarro atrás do outro. O cheiro ali dentro estava insuportável, mesmo com o vidro aberto.
— Eu sabia que essa emissora era furada. Quem leva a sério a ChronoCorp? Uma cópia barata que quer chegar ao que um dia foi Disney! — resmungava Helene. — Existem tantas plataformas de streaming melhores. Eu te disse que deveríamos ter apostado na carreira dela em Hollywood, colocado ela no colo do tataraneto do Spielberg quando ainda era uma bebê fofa!
William suspirou fundo e revirou os olhos.
— Odeio quando você fica dramática desse jeito. É só uma fase ruim.
— Fase ruim? — Helene gargalhou, amarga. — Não vai demorar para aquela sanguessuga marciana tomar o camarim da Pam para ela! A minha filha não vai viver uma vida que não merece. Eu não passei por toda humilhação nesses anos para acabarmos assim.
— Eu sei disso. Nossa filha vai brilhar… no tempo dela.
— Bill, caia na real caralho! Pare de ver tudo com uma maldita lente cor-de-rosa! Estamos há dois anos nessa emissora de merda e eles só dão atenção para a Taylor e companhia. São uns fascistas, isso sim! Não é à toa que os antepassados deles fugiram da Terra numa daquelas excursões do Musk, levaram toda a água e comida que restava e deixaram bilhares de pessoas para trás, queimando naquele calor infernal!
— Helene!
— Eu queria que aquela vadiazinha da Taylor morresse da forma mais dolorosa possível, só para aprender a nunca mais ficar no caminho dos Beesly!
— Helene! Pelo amor de Deus, você pensa antes de falar?!
Pam suspirou fundo, mexendo desconfortavelmente as pernas uma na outra. Eles continuaram discutindo, soltando palavras feias um para o outro. A vovó os repreendia quando eles — sempre — discutiam assim.
A garota encostou a cabeça no vidro gelado da janela e observou a neve caindo devagar do céu. As calçadas já estavam completamente brancas, e o carro avançava mais lento do que o normal por causa da rua tomada pela neve.
O carro estacionou diante de uma casa grande, de dois andares, pintada em preto e branco, com uma arquitetura moderna. Não havia telhado aparente; em vez disso, linhas retas destacavam o design contemporâneo. As janelas amplas chamavam imediatamente a atenção, refletindo a neve acumulada do lado de fora.
O jardim era organizado com precisão, formado por arbustos em formato cúbico, dispostos estrategicamente desde a calçada até a porta de entrada, como um caminho guiado. A porta da frente, grande e branca, era feita de metal revestido, imponente contra o restante da fachada.
— Não acredito que serei obrigada a passar o final de semana aqui! — resmungou Helene.
— Eu já te disse: tive que hipotecar a casa para pagarmos nossas contas. — explicou William. — Você ainda tem sorte de minha mãe ter nos aceitado ficar com ela quando quisermos.
— Malditos sejam esses fascistas! Maldita seja a sua mãe! — Deu mais uma tragada no cigarro.
— Impressionante como você reclama de tudo. Nunca está satisfeita com nada — William pontuou, o motor fora desligado, junto do aquecedor. Pam se encolheu. — Não gosta da minha mãe. Não gosta do meu emprego. Não reconhece o esforço da nossa filha. Me diga: o que você quer da gente para ser feliz?
— Eu gostaria de nunca ter me casado. E de nunca ter tido filhos — declarou, tragando novamente. — Se não fosse por vocês, eu estaria formada em Medicina agora e poderia fazer parte do Conselho Interespacial de Medicina. Poderia ter todo o reconhecimento que mereço. Mas não. Você tinha que comprar camisinha barata e trocar meus anticoncepcionais por pílulas genéricas, porque as outras eram caras demais pro seu emprego de frentista de merda.
— Ah, claro. Sim. Me culpe. A culpa é toda minha mesmo. Não é como se o Scott fosse um pau no cu que ferrou com todos os nossos planos futuros e agora estamos afogados em dívidas porque contávamos com o bônus do salário da série da Pam.
Pam começou a tremer. Agarrou-se ao celular e ao ursinho de pelúcia surrado.
— Mãe, vamos entrar. Aqui tá muito gelado… tô com muita dor de cabeça.
— Cala a boca! Não vê que os adultos estão conversando?
— Mas, mãe…
— Já mandei calar a boca!
— Não fale assim com ela — William rebateu.
— Talvez, se ela fosse mais talentosa, não seria tão indispensável assim! E agora, não estaríamos com dívidas até o pescoço! — cuspiu.
O carro foi tomado por um silêncio mais cortante que o vento lá fora. Pam sentiu os olhos lacrimejarem.
— Estou farta disso. Vou ver se a coroca da sua mãe ao menos fez café, pra ver se consigo me aquecer nesse fim de mundo — declarou Helene, abrindo a porta. O vento gélido invadiu o carro e atingiu Pam, fazendo um frio percorrer-lhe a espinha até a alma. Antes de sair, Helene soltou uma longa tragada no rosto do marido. — Acredite, Bill, eu me importo com essa família. Me importo muito! Mais do que você pode imaginar. Mas eu já estou cansada de levar tanta merda na cara sem revidar.
Saiu do carro e bateu a porta com força.
William suspirou fundo, cerrando as mãos no volante.
— Está tudo bem, papai?
— Tá sim, querida… só… — Ele desviou o olhar, enxergando pelo retrovisor externo a mulher loira caminhando na direção de uma senhora baixinha, vestindo um longo vestido rosa com um avental por cima. Os cabelos brancos estavam presos num coque alto; a pele morena, marcada por rugas, ainda recebia um toque de pó de arroz e batom nude. A senhora sorria ao ver Helene se aproximar, Dona Ruth, estendendo um ramalhete de flores, o qual foi completamente ignorado quando a nora passou reto, sem sequer olhar para ela.
William engoliu em seco e buscou os olhos castanhos da filha no espelho retrovisor central interno.
— Me diga, Pam… qual é o seu maior sonho?
— Meu maior sonho é poder produzir desenhos animados. Mexer com animação 2D — respondeu, sorrindo e apertando mais forte o ursinho. — Que nem a tia Carol.
William revirou os olhos e soltou uma risadinha carregada de escárnio.
— Querida, eu me refiro a sonhos possíveis. Sonhos que dão lucro a longo prazo. Não… sonhos infantis.
— Ah… — Ela murchou. — Então… me tornar a atriz famosa, influente e rica da minha geração?
— Exatamente isso. E eu e sua mãe estamos fazendo de tudo para que você consiga realizar esse sonho. Acredite: aquela Taylor xexelenta não chega aos seus pés. Mas a família dela tem influência, têm dinheiro, conseguem tudo num estalar de dedos. É assim que o mundo funciona, infelizmente. Existem os que mandam e os que obedecem. E, se quisermos estar do lado dos que mandam, precisamos usar todas as cartas que temos para atravessar pro outro lado. Entendeu?
Pam assentiu. William pegou o celular e abriu o vídeo do dia em que ela chegou ao shopping e crianças e famílias fizeram fila para conseguir seu autógrafo. Ela nem conseguiu comer o combo de hambúrguer e sorvete que queria.
— Está vendo essas pessoas? Lembra desse dia? — William perguntou. — Esses chatos são os melhores amigos que você terá. Sem eles, você não é nada. Sua família nunca vai entendê-la, seus amores vão te abandonar ou tentar te moldar. Mas seus fãs… seja boa com eles, e eles serão bons com você. Você precisa dar o que eles querem. Mesmo que isso a mate. Mesmo que tenha que se esforçar até se esvaziar por completo. Não importa o quanto doa: não pare de dançar e sorrir. Dê o que eles querem! Posso te garantir que tudo vai ficar bem, e logo você não vai precisar desses engravatados desse programa de quinta para ser A Pamela Beesly.
— Ok — Pam murmurou, com os olhos arregalados, se afundando no estofado macio do carro.
— Esse é o seu maior sonho, querida. E eu quero que você o realize. E não ligue para o que a sua mãe diz. Ela teve um dia difícil. Na verdade, você devia agradecer por tudo o que ela faz por você. Ela é uma boa mãe. Está dando o próprio sangue para te ver ganhar um Oscar, ou um Emmy, menos o Tony, esse quase ninguém conhece, ninguém lembra do Tony. Olha, desculpe se estou sendo muito duro ou...
— Sim papai, entendo o que o senhor quer dizer.
— Essa é a minha garotinha! — Sorriu. — E uma coisa que você precisa entender, Pam, é que oportunidades como as suas não caem do céu. Meninas talentosas existem aos montes, mas meninas talentosas e disciplinadas… essas são raras. Você tem algo especial, algo que pode te colocar entre as maiores, mas só se não desperdiçar tempo com bobagens. Quando o mundo olhar pra você, não pode ver uma criança indecisa. Tem que ver uma verdadeira profissional. Uma estrela. E estrelas não hesitam. Elas brilham, mesmo quando dói. Se você não conseguir isso, sua vida toda terá sido um fracasso total, uma mancha pra nossa família.
William ajeitou o casaco, respirou fundo e sorriu largo.
— Então… saia desse carro e alegre-se, querida. Faltam apenas três dias para o Natal.
Pam o olhou, como se cada palavra dele tivesse ficado presa em sua pele como gelo.
— Sim, papai.
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