Notas iniciais
Olá Galeris... Bom, esse foi o capítulo em que mais gostei de escrever uma carta, e eu espero que vocês gostem de lê-la. Era para o capítulo ter sido postado ontem, mas a linda aqui achou que tinha postado, mas só tinha gravado pra ver como ficou e-e inteligência divina dessa pessoa que está escrevendo isso nesse momento e-e mas enfim... Vão ler vão... o/

Após passar horas com minha mãe, aproveitando cada segundo ao seu lado, me toquei de que já era sábado e que meu trabalho me esperava mais uma vez. Durante todo esse tempo, mesmo querendo dar atenção apenas a minha mãe, eu não conseguia parar de pensar no que havia na nova carta, então para amenizar minha ansiedade, peguei a carta e me sentei no sofá, ia ler para que no trabalho eu conseguisse me preocupar em fazer a coisa certa e não pensar apenas na carta e na garota, mas então...

― Filho, seu chefe está gritando ao telefone dizendo para se apressar, rápido! ― Disse minha mãe segurando o telefone nas mãos, cobrindo onde ele podia nos escutar. Fiquei desapontado, pois eu queria muito ler a carta, então subi correndo até meu quarto guardando a mesma na gaveta da minha escrivaninha, junto ao meu caderno e minha pasta com todas as outras cartas que havia recebido desde o ano passado. Eu leria mais tarde com calma e precisão...

Desci então as escadas estando pronto para ir trabalhar, com a mochila nas costas, subi em minha moto e parti para o estabelecimento onde eu trabalhava. Um pequeno mercadinho, onde eu era atendente de caixa.

Assim que cheguei, estacionei a moto na vaga dos funcionários e parti para dentro do marcadinho. A primeira pessoa que vi foi Gabriela, minha colega de trabalho. Ela era bonita. Tinha olhos castanhos claros, cabelos cacheados, e pele negra. Tinha estatura alta, quase do mesmo tamanho que eu, 1,80... E um corpo de modelo, talvez por que seu sonho era ser modelo. Ela ainda era nova, dezessete anos então tinha muito que viver ainda e correr atrás desse sonho.

― Olá Gabi... ― A cumprimento. ― Tudo bem?

― Oi Thomas, sim, tudo bem, e você? ― Disse ela enquanto arrumava caixas nas estantes.

― Estou indo... ― Digo suspirando alto. Alto até demais.

― Qual o problema? ― Indaga Gabi. Uma coisa que ela sempre sabia era quando eu não estava tão bem. ― Aconteceu alguma coisa?

― Bem... É que tem uma garota...

― UMA GAROTA? ― Grita Gabi histérica me interrompendo. ― Ta apaixonado, mas ela te deu um fora?

― Não é exatamente isso... É que... ― Olhei para a lâmpada de led sobre minha cabeça e suspirei novamente. ― Não sei o que está acontecendo. Eu sempre me pego pensando nela e nas cartas que ela me manda, mas eu... Eu não entendo porque me sinto sempre tão estranho quando penso nela... Meu peito dói e eu tenho vontade de me matar, sim, me matar, não é exagero, eu me sinto só... Eu sinto como se faltasse algo em mim...

― Ou seja, ela. ― Gabi suspira dando um rodopio. ― Você está apaixonado! Como ela é?

Sinto como se tivessem jogado em meus ombros uma âncora.

― Eu não sei como ela é... Eu não sei nem seu nome.

Olhei para Gabi. Seus olhos brilhavam.

― Você está apaixonado pelas palavras dela nas cartas, não por sua aparência... Thomas você é um homem dos sonhos! ― Diz Gabi rodopiando mais uma vez. ― Essa menina deve ser linda também...

― Eu não estou apaixonado, eu só... ― Assim que olho para o preço em um saco de bala, pulo com o susto. Estava custando trinta e oito reais, isso era um absurdo para o tamanho daquele saquinho. Então olho para alguns produtos, e todos estavam custando trinta e oito reais. ― Gabi, que preço absurdo é esse? ― Indago.

― 2,50 R$ é tão caro assim?

― Não está isso, está... ― Então paro por um instante e começo a olhar em volta. Todos os produtos estavam custando esse preço, e se só eu podia ver era porque tinha algo por trás disso. Pego uma caneta qualquer em cima do caixa e anoto no meu pulso o número trinta e oito.

As horas passaram devagar no trabalho, tão devagar que eu não parava de olhar para o relógio para a hora que eu pudesse finalmente ir para casa ler a carta chegasse. E quando chegou, nem me despedi direito de Gabi, simplesmente subi na moto e parti para casa. Quando cheguei, joguei tudo no canto da casa e subi as escadas correndo, indo até meu quarto e abrindo com agressividade a gaveta da escrivaninha. Tirei a carta apressadamente e já com o coração quase saindo pela boca, arranquei a mesma do envelope e comecei a ler.

‘’ Thomas... Como vai?

Sabe, sua vida deve ter mudado um pouco dos dias para cá não é? Sinto muito se estou tirando seu sossego, não quero ser egoísta e fazer algo que só vá me beneficiar. Eu sei o quanto é difícil tentar entender o que eu mando aos poucos, mas é que se descobrir que faço isso serei proibida de tentar me comunicar, ou pior, até mesmo punida, como todas que vagam por ai. Também não quero te forçar a correr atrás de mim, não quero te prejudicar, e não quero vê-lo sofrer. Soube do ocorrido com Luana, e eu sinto muito, muito mesmo, de verdade. Ela já fora uma pessoa muito importante para mim, e apesar de parecer que serei a culpada, não, eu não fiz nada, pelo contrário, são eles que são ao meu favor e agem por vontade própria, mas agem de uma forma que o faça ver coisas assustadoras, mas que não passa da sua própria imaginação, eles controlam você as vezes...

Só estou mandando esta carta para lhe dizer que é a última. Dizer-lhe que não quero fazer você sofrer no futuro, até porque depois de conversar com eles, descobri que não há como me tirar daqui, desse lugar sombrio onde vivo, é como eles dizem ‘’ Não há retorno para seu mundo’’ mas eu queria... Queria muito que isso fosse mentira, e que de alguma forma alguém conseguisse me tirar daqui, conseguisse me libertar, me deixar viver uma vida como todos. Uma vida cheia de emoções, sorrisos, choros, risadas. Uma vida no qual eu pudesse me orgulhar de ter vivido. Uma vida em que pudesse dizer quando estivesse preste a morrer, com meus 70, 80, 90 anos ― ‘’Só vou viver uma vez, e essa vida eu aproveitei com sabedoria’’ ― Isso me levaria ao céu com calma em minha alma, e dessa forma descansaria em paz. No entanto, revelarei minha idade, já que é a última carta e mesmo que não esteja interessado quero que saiba: dezenove... Sim, tenho dezenove anos, sou tão jovem, mas tão indefesa, eu queria poder me livrar deste lugar sozinha, mas como já devo ter comentado, sou muito fraca para isso...

Percebi que um dos maiores erros da minha vida foi tentar te esquecer, por que com isso eu acabei parando onde estou, eu passei alguns anos sem saber o que fazer, fiquei desesperada, perguntando-me por que logo comigo isso estava acontecendo, mas a gente nunca pensa que com a gente isso vai acontecer não é mesmo? Mas eu me enganei, nós não somos exceções, nós não somos ninguém, nós não somos nada. Se olhássemos ao nosso redor, veríamos que tudo é tão pequeno, pequeno de tão grande que é isso que nos cerca. Mas onde estou é tão impressionante e fora do comum que me pergunto como é possível algo como isso existir, algo de tão grande impacto.

Isso é desesperador, pois não tenho opção. Não há opções para mim, não há opções para ninguém daqui, não há opções para ninguém da ai onde está... No final acabaremos todos do mesmo jeito, e minha vez está tão próxima, mas tão próxima que sinto que preciso escapar disso, mas quando penso nessa possibilidade, lembro de que não adianta, esse é meu destino e é desse jeito que vou ter que viver. Minha alma Thomas, neste lugar, é eterna, mas meu corpo não, e ele está inconsciente preste a ser apagado de vez, e ai sim Thomas, não haverá mais espaço para mim ai, por quê? Por que eternamente estarei aqui, presa... Então, não se preocupe mais comigo, viva sua vida, seja feliz, seja a pessoa que sempre quis ser, experimente de tudo, faça de tudo, viva como se o último dia de sua vida fosse amanhã, não perca mais tempo com alguém sem esperanças como eu, simplesmente esqueça que eu existi um dia e que de alguma forma estive ao seu lado...

Adeus, com amor, sua admiradora secreta... ’’

Não. Não. Não. Ela não podia estar falando sério... Logo agora? Quando eu realmente queria ajudá-la, quando eu percebi que suas cartas estavam me tocando, fazendo-me ... Fazendo-me... Gostar dela...

Olho então para minha escrivaninha, minha pasta se abre sozinha, mostrando todas as cartas que ela já havia me mandado. Simplesmente do nada, as cartas começam a se transformar em cinzas. Desespero-me e tento salvar as que ainda estavam intactas, mas em minhas mãos elas foram se desintegrando.

Notas finais
Até o próximo.. o/