Notas iniciais
Olá Galeris... Bom, devo ter deixado vocês bem confusos no último capítulo, heuheuheu ou até mesmo com um ponto de interrogação sobre suas cabeças, mas era minha intenção mesmo. Neste capítulo a narração é feita em terceira pessoa, o motivo vocês saberão assim que começarem a leitura. Então vão ler vão...

20 de fevereiro de 2012...

― Odeio a cidade. ― Disse Maia observando o céu noturno. ― Há tanta luz que somos incapazes de olhar as luzes que vem do espaço.

― As estrelas você quer dizer? ― Indagou Thomas olhando para o mesmo lugar. ― São bonitas...

― Bonitas são as de onde minha tia mora. O céu é tão cheio de estrelas que dá até agonia de olhar, mas é tão lindo. ― Maia olhando para o céu parecia sonhadora, enigmática e ao mesmo tempo linda.

― Sabe quem é mais bonita que essas estrelas? ― Diz Thomas virando-se para Maia.

― Quem? ― Perguntou a menina com a mais pura inocência que existia.

― Você. ― Thomas sorri a encarando. Maia cora no mesmo instante e abaixa a cabeça. ― Você não devia falar essas coisas para mim, Luana não vai gostar nem um pouco.

Thomas pegou uma mecha do cabelo castanho claro de Maia e o enrolou delicadamente em seus dedos, fazendo cachos que logo se desfaziam.

― Maia, eu sei que você gosta de mim, não precisa esconder isso só porque Luana é sua melhor amiga. ― Thomas se debruça na grade da varanda da casa de sua tia e suspira. ― Eu já não penso nela da mesma forma.

― Pare com isso Thomas... Eu jamais trairia minha melhor amiga. ― Dos olhos de Maia começaram a escorrer lágrimas que logo a menina secava. ― Eu te amo. Sim eu te amo, mas ela te ama mais ainda. Demoraria muito para eu chegar até onde ela está. Ela devota todo seu tempo a você...

― Maia... ― Thomas bufa a jogando contra a parede. O menino prende os braços da menina e a encara com seriedade. ― Luana está me traindo nesse momento. ― Diz sem cerimônia. Dando um sorriso sarcástico logo em seguida. ― Se ela me ama por que faria isso? Se ela me ama ela estaria nesse momento comigo, te afastando de mim. É tudo um jogo Maia. E nesse tabuleiro nós somos as peças... Ela te inveja. ― Thomas a solta vendo-a abaixar a cabeça. ― Te inveja em todos os quesitos.

― Mas ela é linda! ― Grita Maia em defesa da amiga.

― E apenas isso. Do que importa a beleza exterior Maia? Se quem a pessoa realmente é vem de dentro? Luana não quer ser fútil, ser apenas vista como bonita, ela quer inteligência, carisma, ela quer personalidade. E isso é o que você tem. E a melhor forma de conseguir é roubando tudo o que é seu, você acha mesmo que ela me ama? Ela só me quer porque sabe que pra você eu sou importante. ― Thomas leva a mão à testa, passando-a pelo rosto. ― Há quanto tempo estamos juntos? Há mais de cinco anos, e é só por que nós dois usamos um ao outro. Uso ela por ser bonita, e ela me usa para afetar você. Simples assim. Nunca tivemos um relacionamento real.

― Mas... Mas... ― Maia começou a chorar com soluços. ― Vocês faziam sexo e se beijavam, davam presentes um ao outro, mas você nem ao menos gostava dela...

― Isso não são coisas que devemos fazer necessariamente com alguém que amamos. Isso é para nossa própria satisfação. E, além disso, nunca fomos fieis um ao outro. ― Confessou Thomas.

― Você me enoja falando assim Thomas. ― Maia cobre o rosto com as mãos.

― Desculpe...

― Faça comigo o que você faz com ela, então. ― Diz Maia decidida. ― Quero que me trate da mesma forma.

― Jamais vou te tratar da mesma forma. Não fale besteiras...

― Não te entendo... Eu... Eu... ― Maia olha para todos os lados sem saber ao certo onde fixar seu olhar. ― Vou falar com a Luana. ― Diz Maia saindo correndo para procurar pela amiga. Thomas arregala os olhos, e corre atrás dela para impedi-la de ver algo que talvez a afete.

Maia subiu escadas, e entrou em quartos aleatórios procurando por Luana sempre atenta aos passos de Thomas, pois não queria que ele se aproximasse nesse momento. A menina resolve subir mais um lance de escadas e quando chega ao último andar da casa que para ela mais parecia um castelo, começa a ouvir sons abafados vindo de um quarto. Sem pensar Maia abre a porta do quarto e se depara com sua amiga nua na cama com um rapaz que ela conhecia bem. Seu irmão.

6 de outubro de 2012...

― Rodrigo... ― Jurema disse sem emoção na voz enquanto segurava um pano nas mãos. ― O que faz aqui?

― Vim ver meu filho. ― Diz o homem alto e forte adentrando a casa da senhora.

― O que? ― A mulher começa a rir entretida com a frase que seu ex-marido havia falado. ― Você quer ver seu filho? Você não vem vê-lo desde que nos separamos.

― Pois agora eu quero vê-lo e não tente me impedir, eu tenho esse direito. ― O homem parecia impaciente.

― Pois então eu irei impedir. ― A mulher se põe diante do ex-marido de cabeça erguida para enfrentá-lo se fosse preciso. Como uma mãe sempre faz para defender seu amado filho. ― Você não tem porra nenhuma de direito de ver ou saber do meu filho. Quem criou esse menino, quem deu educação, amor e carinho fui eu! Nem mesmo quando éramos casados você se importava com ele. Quando ele adoeceu você se virou contra nós. Que pai nesse mundo faz isso?

― Olha aqui Jurema. ― Rodrigo a pega nos braços, apertando-os fortemente.

― Olha aqui digo eu. ― Diz Thomas descendo as escadas. ― Tira essas suas mãos nojentas da minha mãe agora, e vaza daqui. Antes que eu te tire a força.

― Veja só. ― Diz o homem abrindo um sorriso sarcástico e soltando a ex-mulher. ― Meu filho está tão... ― Rodrigo para de sorrir fechando a cara. ― Parecido com essa mulher, quanto desgosto.

― Velho suma daqui, por favor. Aproveite que estou sendo educado. ― Thomas abaixa a cabeça suspirando.

― Que deplorável... ― Rodrigo cerra os dentes. ― É assim que criou meu filho? Vadia. ― Sem tempo para que Jurema recuasse Rodrigo a acerta com um soco no nariz, fazendo-a cair.

O coração de Thomas palpitou tão forte ao ver aquela cena que até doeu. Simplesmente cerrou os dentes e as sobrancelhas, fechando o punho para bater em seu pai, mas antes que pudesse fazer isso, só bastou um soco de Rodrigo em seu crânio para que perdesse a consciência.

8 de outubro de 2012...

― Ele está reagindo bem. ― Disse uma bela doutora de jaleco e uma franjinha bagunçada tampando um pouco seus olhos. ― Até agora ele não perguntou de ninguém, nem mesmo da senhora, isso pode ser um problema, mas é melhor que ele a veja.

― Sim, deixe-me vê-lo.

Jurema e a doutora caminharam pelo corredor branco do hospital até uma sala onde Thomas se encontrava deitado em uma maca olhando para o teto.

― Como está se sentindo Thomas? ― Pergunta a doutora abrindo espaço para que a mãe do menino entrasse.

― Quero bater no meu pai. ― Responde o garoto sem emoção alguma. ― Ele está me culpando por algo que eu não fiz...

Jurema se aproxima da maca e o olha com um olhar solidário. Na cabeça de Thomas alguns fragmentos de memória passaram como vento, fazendo-o se recordar do rosto dessa senhora, mas ele não se lembrava dos momentos em que passara com ela, nem o que ela era dele.

― Você está bem meu filho? ― Indaga Jurema quase chorando ao ver a cabeça do filho enfaixada. Logo Thomas a associou como sua mãe.

― Estou bem mãe... ― Respondeu hesitante, sem saber ao certo se ela tinha esse grau de parentesco com ele.

Jurema pôs-se a chorar de felicidade, segurando forte na mão do filho.

― Uma pessoa virá te ver. ― Disse ela fungando. ― Maia.

Thomas tentou se recordar do nome, tentou puxar em sua memória algo relacionado a esse nome, mas nada vinha. A única coisa que Thomas conseguia se lembrar era de seu pai e sua vontade incessante de batê-lo e do rosto de Jurema. Mais nada, absolutamente nada ele se lembrava.

― Quem é Maia? ― Pergunta Thomas olhando para Jurema.

― Como assim querido, você não lembra da Maia? ― Jurema olha desesperadamente para a doutora que vai correndo até a maca.

― Talvez tenha sido a pancada. ― Diz a doutora examinando Thomas. ― Foi forte e num ponto peculiar que causou concussão cerebral.

― O que seria isso? ― Jurema já estava com o coração preste a sair pela boca, como toda mãe estaria ao receber noticias como essa do filho.

― É um movimento brusco do cérebro dentro do crânio, o que causa amnésia. Pergunte a ele sobre outras coisas.

― Filho, você se lembra da Luana? Do Pedrinho? Ou do dia em que te ensinei a ler? Você nunca se esquece... ― Indagou Jurema a pedido da doutora.

― Não me lembro de nada disso. ― Respondeu o garoto mais uma vez sem emoção alguma.

Atrás da porta estava Maia ouvido tudo. A menina apreensiva com tudo isso, olhou para o teto e jogou seu corpo contra a parede.

― Ele... ― Suspirou ― Não se lembra de mim...

Notas finais
Até o próximo o/