Notas iniciais
Mais um capítulo Galeris *u* vão ler vão...

As gotas de água pingavam do chuveiro caindo no chão. O som ecoava pelo banheiro por conta do vapor e meu rosto se via em pedaços refletidos pelo espelho. Nada passava pela minha cabeça naquele momento, mas a pergunta que não se calava era:

Como quebrou?

O espelho estava rachado bem no meio, e como um canal de rio, surgia outros a partir do mesmo, mas eu não ficaria surpreso por ter simplesmente quebrado, o que estava me deixando incomodado era um pedaço de papel no meio da rachadura. Poderia ter sido minha mãe, mas quando entrei no banheiro, o espelho estava intacto.

Eu tinha duas opções naquele momento. Pegar o papel, ou deixá-lo lá.

Respirei fundo, ergui meu braço e peguei o pedaço de papel. Parecia ter sido arrancado da última folha de um caderno comum, aquela parte que sempre arrancamos para anotar algo para outra pessoa. Nervoso com tudo que estava acontecendo, desdobro o pequeno pedaço de papel e me deparo com apenas uma letra grafada nele. A letra ‘H’.

Não estava entendendo o porquê daquilo, então apenas peguei o papel e o enfiei no bolso da bermuda. Desci as escadas da minha casa e fui até a cozinha estilo americana, onde minha mãe preparava meu café da manhã.

― Mãe, o espelho do banheiro quebrou. ― Digo sem cerimônia pegando uma fatia de pão.

― Ah que beleza, agora nós vamos ficar sem espelho no banheiro. ― Minha mãe larga o que estava fazendo e sobe até o segundo andar. Minutos depois ela volta com uma expressão horripilante estampada no rosto. ― Suas brincadeiras são sem graça.

Fico confuso e ergo uma sobrancelha.

― Que brincadeira mãe? ― A encaro.

― Não há espelho nenhum quebrado! ― Diz minha mãe num tom indignado. ― Não faça mais isso, você já tem vinte e dois anos... Vê se cresce.

Levanto-me correndo deixando meu pedaço de pão cair no chão, enquanto subo as escadas ouço minha mãe gritar comigo por isso, mas simplesmente continuo a subir, assim que chego ao banheiro meu coração dispara, sinto o nervosismo tomar conta do meu corpo, e sem pensar entro no mesmo. Não havia mais nenhuma rachadura, o espelho permanecia intacto. Aquilo fez com que meu coração disparasse mais ainda. Coloco então a mão no bolso da bermuda para pegar o papel, mas também não estava lá. Mexi em todos os bolsos, e nada. A questão era:

O que estava acontecendo?

Eu não podia esquecer a letra, eu sabia que eu não podia esquecer...

Corri até meu quarto. Um quarto comum com paredes brancas e uma da cor do céu à noite. Uma cama do lado da janela, uma escrivaninha e um guarda-roupa. Sentei-me na cama e peguei um caderno qualquer, anotei: ‘’ H’’ e fechei o caderno. Algo me dizia para não esquecer essa letra. Suspirei fundo e olhei para o teto, eu precisava descobrir o que estava acontecendo.

― Thomas visita para você! ― Grita minha mãe do andar debaixo. Eu não havia combinado nada com ninguém, então não sabia quem era essa visita.

Desço as escadas de cabeça baixa, olhando para os degraus enquanto pensava. Não era possível que eu tinha imaginado tudo isso, eu não era tão lúcido a esse ponto, sem contar que tudo estava muito real.

― Mãe quem é? ― Indago olhando para minha mãe ainda na cozinha, apenas a vejo apontar para o lado oposto de onde eu estava então viro meu corpo para esse lado, e vejo sentada no sofá uma silhueta pequena e frágil, logo vi que era uma menina. Tinha um corte de cabelo curto e usava uma roupa meio vitoriana. Um vestido para ser mais exato, com muitos botões, laços e babados. Volto a olhar para minha mãe, com uma expressão meio interrogativa, para ver se ela conhecia essa menina, mas ela me olhava da mesma forma. Suspiro novamente e vou até o sofá, assim que chego próximo o suficiente da menina, vejo uma criança. ― Oi... ― Digo sentando-me de frente para ela. ― Quem é você?

― Você é o Thomas Santoro certo? ― Indaga. A menina mexe no bolsinho do vestido e tira um pequeno papel rosa dele. ― Aqui...

Vejo rapidamente o papel. ‘’7’’. Com certeza tinha a ver com o ‘’H’’. A menina começa a se levantar para ir embora, a seguro.

― Espera! O que exatamente quer dizer isso? ― Pergunto num tom um pouco desesperado. A menina levanta o olhar e sua franja se afasta de seus olhos. Vejo um olhar profundo e sem vida, ao seu redor uma cor escura circulava seus olhos, dando a impressão de cansaço. ― Me diz! O que significa isso?

― Ela só quer sua ajuda. Ela te ama. ― Diz a garota deixando lágrimas escorrem de seus olhos. ― Ame ela também...

― Se eu soubesse quem é ela... Se você sabe me diz quem é ela! Por favor ― Suplico a criança.

― Eu... Eu não sei... ― Ela abaixa a cabeça novamente e sai correndo.

Sem pensar muito subo até meu quarto, pego o caderno e escrevo na mesma folha ‘’7’’.

― Tipo, eu tava vendo um negócio muito louco outro dia, sobre... Sobre... Que porra era aquela mesmo?

― Cala a boca Rafael, você fala demais.

― Thominho você lembra que parada era aquela que eu tinha te falado. Não to lembrando mano... Thominho... Thominho!

Sinto alguém me empurrar. Quando levanto a cabeça, vejo Rafael e Bruno me olhando.

― Ta tudo bem, mano? ― Pergunta Bruno.

Eu estava pensando, porem nada vinha a minha cabeça, no entanto, Bruno e Rafael eram dois caras inteligentes e poderiam me ajudar a entender tudo isso.

― Galera, preciso de uma ajudinha...

Notas finais
E é isso, comentem se gostaram.. beijinhos, até o próximo... o/