Fragmentos De Papel.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Para começar, andei tendo alguns problemas com fics, escrevi várias, postei, mas logo apaguei. Porém decidi me dedicar a esta, talvez demore para sair capítulos, ou talvez saiam tão rápido que até mesmo eu vou me surpreender.
Mas é que escrevo conforme está meu humor e minha criatividade.
Não vou dizer a vocês os dias exatos para postar os capítulos e nem a quantidade, pois nem mesmo eu sei.
Mas chega de enrolação, desejo a vocês uma boa leitura...
“Caro Thomas,
Vou lhe contar uma história...
Estive a vagar pelas redondezas de onde vivo. Já lhe disse, é um lugar sombrio, não há nada de bonito, a não ser pela única rosa que brotara ali. Porém, comecei calorosamente a sentir a presença de alguém, como se estivesse me seguindo. Isso não é normal no lugar onde vivo, embora seja sombrio. Comecei então a ficar realmente preocupada, porque como você sabe, eu sou muito fraca, incapaz de me defender. Mas a presença que eu sentia era muito forte, me puxava para perto de si.
Eu também nunca lhe disse meu nome. Na verdade devo me desculpar por isso, mas sou sua admiradora secreta, ou seja, não devo lhe contar tantas informações sobre mim que lhe façam me encontrar, embora eu realmente queira te encontrar. Mas voltando a história.
Essa presença que eu sentia apareceu para mim de repente, ai eu percebi que no final ela não era tão má assim, ela queria me dizer algo. Queria que eu parasse de fazer algo, porque eu estava interferindo no equilíbrio do lugar onde você vive, mas eu não dei ouvido a ela. Será que fiz certo?’’
― Thomas? Está me ouvindo?
― Que? Ah, mãe, oi. ― Tirei meu fone do ouvido. ― O que foi?
― Já faz cinco minutos que estou te chamando, você está viajando... ― Ela me olhava com um olhar de reprovação. ― O que está fazendo?
― Lendo...
― Essas cartas de novo... Você devia respondê-la, assim ela vai achar que a carta nunca chega até você. ― Minha mãe puxou meu edredom de cima de mim e começou a dobrá-lo.
― Se ao menos tivesse um remetente, eu responderia. ― Dei de ombros jogando a carta sobre minha cama.
― Quem é essa moça que tanto escreve para você meu filho? ― Indagou minha mãe com uma aura preocupada emanando de si.
― Também não sei mãe...
Isso era algo que eu realmente gostaria de saber. Desde 11 de agosto do ano passado, eu comecei a receber essas misteriosas cartas de uma garota que se diz minha admiradora secreta, porém eu nunca a encontrei, e nem sei de onde ela é, ou de como me conheceu. Não recebo as cartas todos os dias, mas recebo sempre que há algo para ela me contar. Ela costuma dizer que o lugar onde vive é sombrio, mas que não é onde eu vivo; isso quer dizer, que não é neste mundo, no entanto, ela também nunca disse sua idade, então ela pode ser apenas uma criança fantasiosa. No começo essas cartas me assustavam, pois ela dizia que me observava. Passei a olhar para todos os cantos como se fosse alguém suspeito, e fiquei em claro por muitas noites, o que prejudicou muito meus estudos. E ela sabia disso. Pediu até para que eu me despreocupasse, pois ela me observava de longe e que não conseguiria me tocar tão facilmente, mesmo assim temo-a até hoje. Já faz quase um ano desde que recebo suas cartas, e isso me preocupa um pouco.
― Thomas, eu quero que me faça um favor. ― Diz minha mãe entrando no meu quarto novamente. ― Quando voltar da faculdade, passe no seu Valdo, compre cigarro para mim.
― Mãe, você sabe que fumar não está te fazendo bem. ― Digo advertindo-a. Eu realmente estava cansado de ver minha mãe tendo problemas por conta do cigarro.
― Foda-se... Faça o que eu mando. ― Diz retirando-se do meu quarto.
Eu já estava cansado de tentar ajudar minha mãe contra esse vício, mas todas as minhas tentativas foram inúteis, então, passei a dar de ombros quando esse era o assunto.
Tenho vinte e dois anos, e sim, ainda moro com minha mãe, mas é porque não tenho dinheiro para comprar, ou alugar algum apartamento ou casa. O salário que recebo do meu trabalho como atendente de caixa no mercadinho perto de casa é muito pouco, e só dá para pagar minha faculdade, na verdade, trinta por cento dela, já que sou bolsista. Faço faculdade de psiquiatria. Minha mãe também não é capaz de fazer isso por mim, porque é uma faxineira.
Sou bastante parecido com minha mãe. Sou louro, tenho olhos âmbar e uma boca fina, assim como minha mãe. Sou alto, e ela baixinha, mas isso já era de se esperar, pois meu pai também é alto. Meus pais são divorciados desde que minha mãe largou sua carreira de professora aos trinta e oito anos de idade para cuidar de mim, que naquela época com oito anos sofria com a pneumonia; e internado não dava para ficar sozinho no hospital. Meus pais brigaram exatamente porque minha mãe poderia apenas ter pegado uma licença, mas preferiu demitir-se, o que causou grande alvoroço. Meu pai me culpa até hoje por isso, mas eu não ligo, não é como se eu precisasse dele.
Eu estava um pouco atrasado. Precisava chegar à faculdade o mais rápido possível, para não perder a primeira aula. Subi então em minha moto, uma moto que ganhei no meu aniversário de dezoito anos da minha tia, e parti para o campus. Vinte minutos depois, cheguei e estacionei a moto no estacionamento da faculdade, tirei o capacete e corri para a sala de aula. O prédio da faculdade era retangular, e cheio de janelas redondas, o que me lembrava muito da minha antiga escola do fundamental.
Assim que entrei na sala verde, deparei-me com meu professor entregando folhas para os alunos em silêncio. Isso significava que era uma prova surpresa.
― Senhor Thomas, está atrasado. ― Diz o professor barrigudo sem tirar os olhos das folhas em sua mão.
― Desculpe. Posso entrar? ― Disse abaixando a cabeça.
― Entre e sente-se. Estou aplicando uma prova.
― Licença. ― Entrei e me sentei na terceira carteira perto da janela. O lugar que estava vago.
Logo recebi minha prova, mas ao olhar para a folha em minha mesa, tudo começou a rodar, e eu percebi que estava com tontura. Olhei para Gustavo ao meu lado e ele rabiscava algo no verso da folha da prova, como se estivesse em transe. Olhando para frente sem piscar os olhos. Isso me assustou. Assim todos começaram a olhar para Gustavo, todos assustados. O professor percebendo a inquietude da sala viu o garoto agindo estranhamente, então caminhou até ele, e observou por cinco segundos, até tentar puxar sua folha, mas Gustavo a segurava com força com a mão esquerda, deixando a caneta deslizar sobre o papel com a direita.
― Ei Gustavo! ― Gritou o professor. ― O que está fazendo? Vou anular sua prova!
Mas o menino não reagiu, continuou em transe, escrevendo sabe lá o que no verso da folha. Até o momento em que parou. Todos da sala começaram a encará-lo mais profundamente. E de repente, Gustavo vira sua cabeça, olhando-me com os olhos arregalados. Todos se assustam inclusive eu. O menino se levanta, pega a folha e a entrega para mim. Fico encarando seu braço estendido até decidir pegar o papel, e eu o pego. O professor indignado tenta arrancar a folha de minhas mãos, mas puxo meu braço para trás enfiando a folha no bolso. O movimento foi tão rápido que nem pareceu ser controlado por mim. Levanto-me meio que por impulso e saio da sala, vou até o canto da escada e pego o papel novamente.
‘’ Salve-me!
Este lugar é sombrio demais para mim, meu corpo já não aguentará por mais tempo! Eu preciso retornar, preciso sair desta escuridão. As portas estão se fechando tão rapidamente que me surpreendo, já não tenho mais forças para sair sozinha, então, por favor... Salve-me! Thomas salve-me! ‘’
Eu reconhecia aquela letra. Não era a de Gustavo mesmo sendo escrita por ele. E isso me incomodava.
Notas finais
Então, obrigada...
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