Fragmentos

4 Os desejos de Kazuma


Não ter seu amor retribuído da mesma forma como ele é oferecido, dói. E ter isso relembrado a você todos os dias faz com que essa dor se torne algo comum — dolorosamente comum.

Já se faziam séculos que ele alimentava seu coração com os mais valiosos sentimentos, por mais que no fundo soubesse da dolorosa verdade. Que por mais que a tivesse tão perto, ela não poderia realmente estar ao seu lado da forma como ele desejava.

Amar uma deusa era tão complicado.

Ainda mais complicado era sua alta classe não poder realmente amar alguém. Deuses não passavam de desejos humanos tomando forma — que sentido faria alguém que nasceu dessa forma querer amar alguém também, ainda mais uma shinki?

Ugh.

Kazuma tinha ideia de onde se metera, analisara todos os seus prós e contras naquela situação tão delicada. Porém aquela era sua realidade, que mais poderia fazer ao perceber o grau de importância que sua mestra ganhara em seu coração, mesmo que ela já houvesse deixado subitamente claro que tal relacionamento não poderia ocorrer.

Por mais que Bishamon estivesse presente para todas as suas shinkis, não era exatamente uma presença calorosa, como a de alguém dividindo momentos importantes. E isso não mudava em relação a Kazuma, por mais que ambos tivessem uma longa história juntos.

Mas fora a muito tempo, independente dessa tênue linha que os unia de forma tão cruel, que ele decidira fazer tudo por ela — se possível daria os céus a sua deusa. Até mesmo sacrificaria sua existência pela dela.

Era algo tão corrosivo e porque não, triste?

Seu sentimento maior era assegurar a segurança de sua mestra, assim como sua saúde e bem estar — aquele era seu dever como guia.

E o tanto que ele falhara com ela, o quanto ele sacrificara pelo bem dela.

Agora Kazuma estava tão distante e amargurado.

Em meio a lágrimas ele só desejava que Veena ficasse bem, que suas feridas se curassem e que ela não se culpasse pelas decisões dele.

Porque tudo o que ele fazia era e ainda é por sua mestra. Por mais que ele se negasse a perceber que ela também faria o mesmo por ele, com a mesma força de vontade.

Bishamon não poderia estar tão perto dele quanto gostaria, mas ela se recusava a perdê-lo.