Fragmentos
6 Uma tarde qualquer
Fazia tempo, pensava consigo mesma, que
Queria fugir
Para qualquer lugar que fosse
Onde ninguém a conhecesse
Para que assim,
Pudesse ser ela mesma.
Queria um canto
Onde pudesse refletir sozinha
Queria perder-se da família e amigos
Para que pudesse encontrar a si.
Precisava buscar sua essência
Antes que tudo desaparecesse.
Talvez
Algum dia
Abandonaria tudo
E se libertaria
De vez.
Pegou a xícara de café quente
Inspirou seu aroma, antes de sorver
Pousou sobre a mesa, ao lado de um livro.
Ajeitou o óculos, e a touca vermelha;
Folheou as últimas páginas
Vazias.
Percebeu que seu coração
também possuía páginas incompletas
E, de repente, pensou
Se ela pudesse ser como a mulher daquele livro
Estaria ela realizada?
Se ela largasse tudo,
Se ela se aventurasse pelo mundo
Se ela parasse de fazer tantas suposições
E realmente realizasse o possível
e o impossível
Encontraria sua essência?
Conseguiria preencher o branco
Que existia dentro de si?
A luz incandescente iluminava parte de seu rosto
Os lábios semi-abertos
Murmuraram palavras sem sentido.
Ela guardou seu livro na mochila,
levantou-se, deixou a mesa
E partiu.
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