Fragmentos

7 Falsa poetisa


Eu olhava as estrelas

E as palavras fluiam sobre o papel:

“Nós estamos sob o mesmo céu negro

De manto aveludado e rutilante.

Somente dessa forma

Eu posso alcançar você...”

E foi então que me dei conta

Para quem mesmo eu escrevia?

Comecei a rir,

A debochar de mim mesma

Afinal, não tenho para quem escrever

Agora que em nossa história

Já existe um ponto final.

Pergunta-me, se estou triste

Se estou sozinha

Nem ao menos sei responder

Não sei de nada

Me sinto vazia.

O que falta em mim

Não é afeto, não são pessoas

É algo profundo, dentro de minha alma

Algo que me nutriu e foi consumido.

Minha essência, ela desvanece

Pouco a pouco

Eu não mais existo.