Minhas lembranças são preciosas

De tão sagradas enterro-as

No mais profundo canto, em meu coração

E quando as vejo os sentimentos fluem

Tristeza? Saudade?

Não sei o que são

Deixo meu passado oculto

Talvez as deseje comigo

Talvez as queira abandonar

Dói tanto

Que prefiro não lembrar.

A apatia me domina.

Quero sentir alguma coisa

mesmo que seja somente dor física.

O estilete percorre a superfície

Rosas florescem e deslizam à pele

Carmesim infinito

Lágrimas desabrocham e dissolvem-se sobre o vermelho

Não é solidão

Não é tristeza

Somente um vazio que se confunde

Entre o desespero e a dor

O amor

E sentimentos que não existem mais

Nada restou

A alma que nunca se fundiu a carne

Agora almeja retornar ao princípio...

Fora daqui não existo

É o fim?

Quero apenas o renascimento.

Tudo é efêmero

A vida se encaminha para a morte.

A vida se encaminha para a serenidade.

Deitarei no profuso mar

Ou banharei-me em chamas

Não importa

Serei cinzas, apenas

Fragmentos livres

Libertos ao vento...

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