Fracos
15 Capítulo 15: Despedaçando o grupo - Parte 1
Notas iniciais
Visão de Pansy Parkinson
A parte mais divertida em ser eu é que eu sou livre.
Seja onde eu estiver eu sempre chamo atenção dos caras e por mais que eu seja a vadia da Sonserina que fica com vários, eu tenho algo parecido com dignidade. Eu voo pelas mãos deles, eles nunca me tem de verdade, eu é que os tenho e quando eu volto pro meu quarto no fim do dia eu ainda consigo ser uma adorável melhor amiga.
É quase hora do almoço, então eu decido ir para o Salão principal, Astoria já deve estar lá esperando por mim, ela não tem comido muito bem graças ao nervosismo pré festa, mas não deixa de estar sempre lá no horário.
Não vou dizer nada a ela sobre o Draco, não é da minha conta, mas se eu achar que ele esta demorando demais pra fazer alguma coisa eu boto pra cima e acabo com essa palhaçada, paciência tem limites, principalmente a minha.
Eu sou muito cruel quando preciso ser.
É uma situação muito complicada, mas não vou ficar adulando por muito tempo ou vai tomar maiores proporções e a culpa vai ser minha por que eu não fiz nada pra ajudar.
Ando pelos corredores sem pressa, eu estou em volta de pensamentos sobre a possível descoberta de amor do Draco, engraçado que pode ser a rata da biblioteca minha futura cunhadinha, terei que me acostumar com a ideia de que a garota que sempre peguei no pé é muito mais que uma quadradona — pelo bem de Draco.
Isso claro, se ele realmente estiver amando.
Será que quando eu me apaixonar será por alguém inesperado assim?
Eu gosto da maneira que eu vivo minha vida, mas eu deixaria todos por um homem que eu amasse.
—Sentiu saudades minhas?
Eu grunhi ao ouvir voz odiável de Dafne Greengrass.
A loira esta impecável em um vestido cor de rosa e saltos incrivelmente altos, seus olhos azuis transmitem imponência enquanto ela caminha ao meu lado.
—Você voltou rápido, caveira loira – eu comentei.
—Você devia saber que eu voltaria, — ela sorriu – você me conhece, afinal, já fomos amigas, buldogue.
Odeio as lembranças que ela me traz com essas palavras.
Eu sempre fui à única menina do meu grupo de amigos, isso por que meninas sempre foram cruéis e irritantes. Eu tentei fazer laços, ironicamente fui uma “coleguinha” da caveira loira na infância, mas não deu certo por razões obvias. Eu era sempre a garota que sofria bullying por ter traços latinos e bochechas grandes demais, a única maneira que eu achei para escapar disso foi me tornar uma das que praticavam bullying, me unindo aos garotos, honestamente foi terapêutico, provocar a dor em outras pessoas fazia a minha menor, com o tempo se tornou divertido.
Para uma simples criança eu já tinha problemas o suficiente iniciados pelo estopim da morte do meu irmão, encarar provocadores era demais para mim.
—A pequena Pansy Parkinson era uma garotinha patética que fazia tudo para me agradar – ela sorriu maldosamente
—Isso foi em um passado distante, felizmente eu subi de nível.
—Você desaprendeu a me respeitar, mas eu posso concertar isso. Vou ti fazer a minha cachorrinha e vai latir se eu quiser.
—Gostaria de ver você tentar fazer alguma coisa comigo, eu não sou mais sua garotinha e em breve pelas minhas mãos Astoria não vai ser também. Eu sei que odeia nossa amizade por que tem medo de eu fazer da sua irmãzinha uma mulher forte que vai detonar você.
—Isso não vai acontecer, — ela retirou um envelope de dentro de uma bolsa – veja o que eu trouxe pra você.
Eu abro o envelope com descaso, porém ao ver do que se tratava meus pés paralisaram.
Um registro do hospital em que eu estive internada, contendo um relatório do médico que autorizou exames de magia avançada em mim há alguns anos atrás.
Meu coração falhou uma batida e minha respiração acelerou. Merlin, se esta me escutando, por favor, não permita que eu entre em pânico.
Eu pensei que todos os registros tivessem sido apagados pelo meu pai, más cá estou eu com um exemplar em minhas mãos.
—Parece que você sempre foi uma prostitutazinha não é? Que dó! – a loira fez uma falsa cara de tristeza movendo os lábios para baixo
Sinto o ódio subir pela minha garganta e saco minha varinha segurando-a com força.
—Vai mesmo fazer isso? – ela põe o dedo indicador na ponta da minha varinha – Alguém vai acabar se machucando, querida.
—Como conseguiu isso? – questiono com raiva
—Não conto meus segredos – ela moveu os ombros e fez feições de moça inocente. Oh Merlin como a odeio, dai-me forças para não mata-la aqui mesmo.
O registro contém o resultado final: Positivo para lesões físicas e... Estupro.
—Isso me interessa e não a você.
—Não é você que esta por cima, eu tomaria cuidado se fosse você ou todo mundo ia ter algo a mais para dizer sobre Pansy Parkinson. – ela sorriu e seus olhos azuis brilharam de felicidade quando eu não consegui responder – O que você precisa entender é muito simples, que fique claro, eu sou a rainha dos populares, não desafie meu poder, eu posso surpreender você, – a loira moveu o dedo indicador negativamente – a minha guerra é com a minha irmã, se meta novamente e eu vou despedaçar você sem fazer nenhum esforço.
Eu não sei o que responder, então fico em silêncio.
—Que bom que você entendeu, concordo que ninguém precisa saber que você, coitadinha, é uma vítima de estupro, — ela continuou – pode ficar com o papel, eu tenho outros.
Dafne sorriu uma última vez e seguiu confiante seu caminho para o Salão principal.
Já eu fiquei parada no mesmo lugar processando o que estava acontecendo, é um choque rever este documento, eu pensei que todos haviam sido incinerados. Como ela conseguiu uma cópia tão rapidamente? Maldita patricinha!
Visão de Hermione Granger
Draco me segura com força pela cintura unindo nossos corpos e minhas mãos passeiam tocando com firmeza seus braços, sua nuca e o cabelo. Nossos lábios nunca se separam, eles se mexem com veracidade e nossas línguas lutam uma batalha insaciável.
Imagino que os lábios de Draco devem estar vermelhos pelas três mordidas que eu lhe dei, mas ele não me largou, ao contrário, ele me colocou contra a parede e me esmagou com seu corpo, eu não reclamei.
Nós estamos em um lugar público, alguém pode vir aqui e nos pegar no ato, mas eu não consigo parar, é gostoso demais.
O loiro deixou minha cintura por um segundo, segurou minhas coxas com força e eu o ajudei a me erguer na parede e colocar minhas pernas em volta da sua cintura, suas mãos migraram das minhas coxas para a minha bunda e as segurou com força impedindo que eu caísse. Meu sensível corpo correspondeu a isso me fazendo sentir prazer em lugares que eu nem sabia que poderia sentir.
Eu sinto um volume em suas calças pressionado a minha barriga, roço nossas intimidades separadas por meros tecidos e vejo os pelos do loiro se eriçarem, isso me deixa mais excitada, eu o quero e ele também, isso é muito claro, somos selvagens, brutos, a poderosa atração que nós sentimos um pelo outro esta mais quente do que nunca, não é um beijo de amor, é um beijo desesperado.
Draco deixou meus lábios por um minuto e levou sua boca para meu pescoço e orelha, deixando uma série de mordidas e beijos, eu arranho seu pescoço quando sinto a sensação de eletricidade percorrer meu corpo e mexi suavemente minhas pernas desejando que ele fizesse uma serie de chupões mais abaixo no meu corpo.
Mas eu não posso ficar mais, eu estou atrasada.
—Draco... – eu sussurro entre gemidos – Draco...
Ele nada respondeu, apenas voltou com os lábios nos meus.
Reúno todo o vestígio de consciência que tenho para dizer:
—Eu preciso ir – minha voz esta abafada, pois seus lábios ainda estão nos meus.
Ao ouvir isso ele afastou seu rosto do meu e eu pude finalmente encará-lo, seus olhos cinza estão mais escuros e transborda luxúria, os lábios estão muito avermelhados e o cabelo completamente desalinhado, é a primeira vez que o vejo com o cabelo dessa forma, ele se torna irresistível.
Devagar ele me põe no chão, meu corpo desliza sob o dele, eu mordo os lábios quando sinto o calor e o desejo me pedirem para ficar um pouco mais.
—Por que não fica comigo? – ele perguntou com a mão atrás da minha cintura puxando-me para ele
—Eu... – não sei o que responder
Draco aproveitou meu silencio para me encostar a parede outra vez, colocou sua mão direita debaixo do tecido da minha blusa e subiu para o meu sutiã, eu gemi quando ele segurou meu seio com força e capturou meus lábios num beijo rápido antes de começar a morder minha orelha outra vez.
—Tamanho perfeito, — ele sussurrou no meu ouvido enquanto massageava meu seio e me fazia delirar – não precisa do Harry agora, eu estou aqui só pra você, delícia.
Porra Draco, você sabe como fazer uma garota ficar de quatro.
—Você não quer isso?
Não pode ser agora, eu vou me arrepender.
Reúno minha lucidez para fazer o seguinte:
Inverto nossas posições e o coloco contra a parede com força, Draco sorri maliciosamente para mim, ele é tentador.
Então me ponho de joelhos e acaricio com a boca o membro pulsante do homem simulando uma oral.
—Hermione... – o ouço gemer meu nome
Beijo e mordo o jeans da sua calça antes de abrir o botão, porém decido continuar meu plano e simplesmente me levanto, dou um beijo casto em seus lábios e digo:
—Eu já vou
—Só isso? – Draco me pergunta surpreso e frustrado
Sim, Draco, só isso, eu preciso deixar bem claro com quem você esta lidando. Sou concentrada em meus objetivos, não vou cometer uma besteira. Você não sabe, mas eu estou apaixonada por você, entretanto, ainda tenho prioridades que me impedem de perder meu tempo com coisas que eu sei que não vão dar certo.
—Eu preciso falar com o Harry – respondi simplesmente
Viro-me para ir, mas ele me segura pela mão.
—Tem certeza? – Draco pergunta, ele me puxa e rouba meus lábios outra vez.
Correspondo o beijo, mas não o aprofundo, separo-me dele o empurrando delicadamente no peito
—Sim – eu respondi com um meio sorriso
—Nos encontramos depois então? – ele sorri de maneira tentadora, o sorriso que faria qualquer garota em Hogwarts cair de amores – Vamos Hermione, você não reclamou quando eu ti peguei de jeito, você mesma me disse que me quer.
—Tchau Draco – eu abro um sorriso sem parar para pensar em uma resposta mais sensata.
Deixo Draco para trás na biblioteca para me encontrar com Harry no Jardim principal.
Um sorriso no meu rosto se recusa a sair, eu sei quem ele é, eu sei que ele é um cafajeste, mas não posso conter minha felicidade, a paixão é mesmo uma droga.
Eu continuo com um sorriso brilhante nos lábios por um tempo até perceber o que eu estou prestes a fazer, então eu começo a ficar tensa.
Visão de Harry Potter
Hermione esta atrasada 15 minutos.
Eu me pergunto se ela ainda virá, estou cheio até a garganta de vontade de fugir desta situação, enfrentar um dragão ou Voldemort novamente seria mais simples do que conhecer uma nova verdade.
Meu coração bate tão rápido quanto corre um cavalo de corrida, na minha cabeça milhões de teorias sobre a verdadeira história do meu nascimento e de Hermione transitam, é demais para mim, eu honestamente sinto muito medo de descobrir algo que eu não quero sobre meu pai, não seria a primeira vez que questiono se ele foi ou não um bom homem, pois ele era um maroto que zoava Snape, mesmo assim nunca pensei que ele fosse um homem infiel.
Eu sempre sonhei em ter um pai, nos meus sonhos ele era um homem forte, corajoso e leal, um verdadeiro símbolo de esperança, acreditei que assim como minha mãe me amava, ele a amava, tenho medo de ficar aqui e descobrir o pior.
Rony esta ao meu lado, firme, nem ao menos cogitou a ideia de que o atraso de Hermione significa que ela não virá mais, ele tem fé e me impedir de ir. Fácil para ele, Rony é um apaixonado.
Finalmente vejo Hermione caminhar em nossa direção com uma caixa de madeira na mão, Rony solta um suspiro de alívio, mas eu estou nervoso e incapaz de ficar quieto.
—Espero que não se importe, eu pedi para que o Rony ficasse – eu expliquei quando vi a expressão de surpresa de Hermione ao ver o ruivo comigo.
—Não, — ela pausou, respirou fundo e entregou à caixa em minhas mãos — ele merece me conhecer de verdade
Eu seguro a caixa em minhas mãos e a encaro, sinto que não tenho forças para abri-la, porém sou impulsionado pela minha curiosidade.
Ao abrir encontro coisas que a primeira vista eu não sei do que se tratam, eram alguns papéis, fotos, desenhos e um par de sapatos de bebê cor de rosa.
—É a caixa daquele dia? – Rony perguntou interessado na caixa
—Sim, — Hermione respondeu – é onde guardo meus segredos.
Ponho uma mão dentro da caixa e pego o que mais me chama atenção, é um colorido desenho infantil, a criança que desenhou parece não ter qualquer tipo de talento para a arte, não passavam de rabiscos de pessoas feitas com traços tortos e lápis multicoloridos, o retrato é de uma família de quatro integrantes.
O segundo desenho debaixo desse papel é de uma segunda família, dessa vez com três integrantes.
—São as minhas famílias, — Hermione explicou antes que eu perguntasse – a primeira em que eu estive e a segunda.
Famílias diferentes?
—Eu acho que preciso ti contar desde antes de eu nascer, — ela deu um meio sorriso – nosso pai e sua mãe já namoravam há algum tempo, Voldemort estava no seu auge de poder, muitas pessoas morriam todos os dias e a Ordem da fênix já estava em vigor, foi nesse tempo que Tiago recebeu a visita secreta de uma mulher, uma viajante do tempo, ela lhe deu uma missão, eu precisava nascer...
—Então ele traiu minha mãe – eu disse para mim mesmo e soltei um longo suspiro
—Foi necessário
—Mamãe sabia sobre você?
Hermione hesitou um tempo e negou com a cabeça
—Uma viajante no tempo? – Rony pergunta interessado na história – Ela provou isso?
—Tiago acreditava nela. A mulher deu informações curtas para ele sobre o futuro e contou para ele sobre a existência dessa mulher, — ela pegou de dentro da caixa uma fotografia e me mostrou uma mulher incrivelmente parecida com ela, porém mais velha e com cabelos muito curtos – Jane Granger, uma cientista forense de sangue trouxa, ele a persuadiu usando poções ilusórias.
Eu nasci em dezenove de setembro de 1979, Infelizmente Jane morreu algumas horas depois do meu nascimento, Isabel Zabini ajudava secretamente a Ordem na época, fornecendo auxílio médico quando era necessário, ela tinha um bebê, poderia me amamentar, por isso Tiago a designou para cuidar de mim, ele me levaria para morar com ele quando fosse seguro, você nasceu em 1980 e tudo parecia estar sobre controle até que Tiago e Lílian morreram em vinte e um de outubro de 1981.
Isabel e Joseph Zabini me criaram como filha, Blásio Zabini é um irmão para mim. Eu tinha quase dez anos quando Isabel me levou até Henrique, um bruxo dentista casado com uma trouxa, Regina, eles são de Londres e vivem uma vida sem magia, isso foi necessário para que não levantassem suspeitas sobre minha origem, afinal a família Zabini é feita de londrinos negros e eu era a única branca, haviam outras vantagens como o fato de coincidentemente Henrique ter o sobrenome Granger, igual ao de Jane.
—Mesmo sobrenome? Isso não é coincidência demais? – Rony indagou
—Isso tudo foi orquestrado pela viajante do tempo, ela deixou essas instruções, seja ela quem for.
Dentro da caixa encontro uma fotografia da família Granger.
—Eles sabem a verdade?
—Sim
—Por que não me contou? – eu pergunto amargo
—Instruções dela, isso poderia causar efeitos na linha temporal.
Fechei a caixa, me encostei a uma árvore e suspirei.
Hermione se aproximou e eu deixei que ela segurasse minha mão, eu não demonstrei reação, apenas observei a semelhança do tom de nossas peles, essa é provavelmente a única semelhança que posso encontrar em nós.
Eu me sinto um idiota, talvez se eu tivesse prestado atenção eu poderia ter percebido coisas óbvias do comportamento de Hermione, como o fato de ela ter se esforçado para ser minha amiga desde o trem, nunca ter se aborrecido pelos boatos de nós termos um romance, não ter ido com Rony – por quem ela era apaixonada durante a guerra – ao invés de ficar comigo, quase nunca falar dos seus pais e outras coisas pequenas que agora parecem alarmantes.
Eu sempre quis uma família, mas não achei que seria desse jeito.
—Tudo isso pra quê? – eu perguntei sem olhá-la nos olhos
—Minha missão era proteger você Harry, eu daria minha vida por você sem pensar duas vezes — ela segurou forte minha mão e eu levantei o olhar para encarar seus olhos castanhos – você precisava viver para derrotar Voldemort e salvar o mundo.
—Por que aquela mulher simplesmente não salvou meus pais? – sinto uma pontada de raiva no coração — Eles teriam me protegido.
—Por que Hermione não teria nascido – Rony respondeu rapidamente, então pausou dois segundos enquanto raciocinava – nada seria a mesma coisa sem a Hermione, ela nos salvou varias vezes, seus pais não estariam aqui em seus tempos de colégio, provavelmente eu e você teríamos morrido bem antes da batalha final contra Voldemort.
As palavras de Rony espetam a bolha de raiva que surgiu dentro de mim, ele tem toda razão, Hermione sempre esteve lá para salvar minha vida.
—Preferia que eu não nascesse? – Hermione perguntou tristonha
—Claro que não, — eu imediatamente a segurei e puxei para um abraço forte, qualquer variável de que eu tenha ódio de Hermione é impossível – eu amo você.
Hermione apertou seus braços ao meu redor e chorou no meu peito
—Eu... Só...
Eu abro e fecho minha boca algumas vezes dizendo palavras sem nexo em busca do que deveria ser dito nesse momento
—Eu queria poder ter tido minha família inteira, — eu pensei alto, fechei os olhos e suspirei sentindo uma lagrima solitária rolar no meu rosto – um pai, uma mãe... Uma irmã...
—Eu também – Hermione responde chorando com o rosto enterrado em meu peito
—Não quero ser mal agradecido... Eu só gostaria de ter tido uma família, eu não queria que as pessoas que eu amo se sacrificassem por mim.
Hermione se afasta de mim enxugando suas lágrimas com a costa da sua mão.
—Eu queria que ninguém precisasse morrer. Dumbledore, Sirius, Snape, meus pais... Fred, – eu olhei para Rony que abaixou sua cabeça sentindo outra vez o peso da morte do seu irmão – eu queria que você pudesse ter vivido sua vida ao invés da minha.
—Isso acabou Harry, — Hermione esta segura de si – eu posso viver minha vida agora, eu vou pra faculdade e você vai construir sua própria família, nós finalmente somos livres para escolher nosso próprio destino.
—À custa do sangue do nosso pai.
Hermione baixou a cabeça sem saber o que responder.
—Eu sei, — ela concordou – no fundo da caixa tem um envelope lacrado, ele só vai abrir pra você, papai deixou uma carta especial pra mim me explicando o que eu ti contei e outra para você.
—Você não sabe o que é?
—Não
Retiro o envelope cor de creme de caixa, rompo o lacre e leio a carta com ansiedade:
Querido Harry Potter,
Filho, eu sinto muito por não ter ido aos seus jogos de Quadribol, eu sinto muito por não ter ti abraçado em noites de tempestade, eu sinto muito por não ter ti levado a Hogwarts no seu primeiro dia de aula, eu sinto muito em não ter ti ensinado a chamar uma garota para o baile, eu sinto muito em não ter ti ensinado a ser um homem, eu gostaria de ter estado com você todos esses anos, mas o destino não me permitiu, eu sei que quando você estiver lendo isso eu já terei morrido há muitos anos.
Eu quero que você saiba que eu ti amei desde antes de você nascer, quando aquela mulher surgiu e me contou quem você seria meu coração se encheu de orgulho, não tenha medo de ser quem você é ou do que você esta destinado, seus sacrifícios significarão a vida de bilhões de bruxos e trouxas.
E se você já derrotou Voldemort, ainda não acabou, se você permitir, sua vida será uma eterna aventura e seja o que for que você decidir ser, você será grande. Derrotar Voldemort não precisa ser o desfecho da saga do grande bruxo Harry Potter, nada aconteceu por acaso até aqui, são suas escolhas que ti fizeram um herói, suas escolhas ti transformarão em um vilão se você desejar, por que existem milhões de possibilidades, trace seu próprio destino, viva sua vida.
Cuide da sua irmã, vocês só tem um ao outro agora e a perdoe por tudo que ela fez e tudo que você não sabe que ela fez, pois eu fui avisado que ela viverá momentos sombrios. Lute por sua irmã, família é importante, Hermione passou e passará por momentos tão difíceis quanto você.
Filho, quando se apaixonar lute, você não teria nascido se eu não tivesse lutado, nenhuma batalha é perdida quando se luta com o coração.
Eu sei que você gostaria de ter me chamado de papai, infelizmente eu morri antes que você soubesse dizer mais que “mamãe”, mas você tem a chance de construir algo melhor e ter alguém pra ti chamar de papai.
Eu te amo
Ao terminar de ler a carta meu rosto esta ensopado de lágrimas, eu as enxugo com a manga da camisa e respiro profundamente, não sei o que dizer, não sei como reagir, mas meu coração esta cheio de saudade, mesmo que eu não tenha nenhuma lembrança.
Rony e Hermione não disseram nada.
—Não vou mentir, — eu declaro após alguns segundos em silencio olhando diretamente para Hermione — eu senti muita raiva quando descobri que você mentiu pra mim, eu não esperava isso de você e falar sobre isso ainda desperta uma magoa, mas eu entendo, não é culpa sua.
—Você me perdoa?
“Cuide da sua irmã”
—Sim – eu digo com certeza
Ela sorriu e me envolveu em um novo abraço, eu sorrio para Rony que nos observa.
—Obrigado – ela sussurrou no meu ouvido
Rony se aproxima e se une a nós em um abraço triplo
—Finalmente! – o ruivo comemorou – Hoje a noite vamos só nós três comer na cidade, o que acham?
—Eu topo – Hermione levantou a mão com um brilhante sorriso nos lábios
—Eu também
O trio de ouro voltou, mas dentro de mim sinto que depois dessa carta não sou mais o mesmo, se antes eu já estava desejoso de poder ter minha vida pós guerra, agora eu estou louco por isso, por que é o que meu pai queria para mim, chega de ficar parado, é hora de agir e eu sei exatamente por onde começar.
Visão de Gina Weasley
—Tudo bem, Gina? Você esta distraída
—Não, Henry, eu estou bem – eu sorri envergonhada, ele provavelmente me perguntou algo importante, mas estou preocupada demais para prestar atenção.
Hermione deve estar passando por um aperto ao contar para Harry detalhes sobre sua vida e Harry sofrendo com as mentiras passadas, Rony não esta aqui, ele deve estar com eles no Jardim principal.
Harry e Rony me contaram hoje sobre isso enquanto voltávamos do museu, apesar de eu querer estar lá nesse momento para apoiar minha melhor amiga acho que minha presença não seria muito apropriada, eles são um trio de ouro, não um quarteto e apesar dos meus problemas de relacionamento com Harry, eu sei que são amigos de verdade.
Atrasar a alimentação é prejudicial para o corpo, eu sendo atleta sou muito focada em cuidar dos meus hábitos alimentares, então atrasar o almoço não é uma opção, então decidi ir sozinha para a mesa da Grifnória, por sorte Viktor me chamou para sentar com seus amigos, jogadores profissionais de Quadribol, que eu comecei a ter certa ligação na última semana quando eu voltei minha rotina de treino.
—O que você disse mesmo? – eu perguntei para Henry, um cara moreno e muito gato de olhos claros da seleção da França.
—Quando é sua estreia?
—Ah sim, — eu sorri – o primeiro jogo da temporada é daqui três meses, eu vou conhecer meu time no mês que vem.
Eu respondo sem direcionar a ninguém exatamente, pois somos cerca de dez meninos e eu a única menina sentados todos próximos um ao outro e todos pareciam interessados na minha resposta.
—Você é durona garota
—Eu tenho seis irmãos mais velhos homens, sou a única menina, a sétima filha com um nome de sete letras, eu preciso ser durona.
—E ainda sobe em cima de salto, — Henry pensou alto – se tiver amigas como você, me apresente.
-Você não quer o diploma? – Viktor perguntou se apoiando na mesa
—Não, — eu ri – ele pode esperar, agora eu tenho uma oportunidade muito boa e não posso perder.
—É Viktor, nem todo mundo é você que consegue fazer faculdade e jogar ao mesmo tempo – um garoto diz mais distante.
—É mesmo, é impressionante – eu concordei
—É ruivinha, mas quem ele quer impressionar é a sua amiga Granger – outro disse e eles começaram a zoar Viktor, eu apenas ri.
—Vocês estão muito interessados na minha vida amorosa, — Viktor respondeu com um sorriso – eu pelo menos tenho alguém.
Eu ponho a última garfada na boca, então baixo os olhos. Não sou eu que vou dizer que Hermione mesmo tendo saído algumas vezes com Viktor nos últimos dias, esta toda apaixonada pelo príncipe da Sonserina, apesar de nunca ser clara comigo sobre isso, eu sou a única pessoa capaz de identificar uma mentira dela.
—Não só você, a Gina também – Henry diz – namorou Harry Potter e agora... Qual o nome mesmo do seu namorado?
—Blásio
—Ele não é amigo do Draco Malfoy? – Viktor perguntou interessado no assunto e eu assenti com a cabeça – Se me permite dizer, sem querer ser rude, cuidado, o Malfoy não é confiável e talvez ele não seja.
—Blásio é muito diferente
—A gente percebeu – um garoto diz por alto e recebe uma cotovelada de Henry
É melhor eu sair daqui, o papo esta começando a ficar perigoso.
—Bom, eu já acabei, – eu disse enquanto limpava minha boca com um guardanapo – eu vou descansar um pouco antes de voltar a treinar.
—Eu posso treinar com você essa tarde? Eles me abandonaram para assistir as meninas da natação
—É claro! Elas são muito gatas em biquínis!
E de repente eles começaram a falar de várias garotas de Hogwarts, sendo que alguns devem ter uns vinte e cinco anos falando de garotas de quinze, uma das desvantagens em ser a única menina aqui.
Eu levanto para seguir meu caminho.
—Hermione anda muito ocupada estudando e trabalhando no laboratório, — Viktor continua falando, ele se lentava da mesa para me acompanhar – ela parece obsessiva, eu sinto a falta dela.
Viktor não sabe o quanto Hermione esta envolvida na investigação, portanto pensa que é tudo sobre a prova de vestibular.
—Hermione é muito estudiosa, ela esta muito preocupada caso precise fazer o sétimo ano e perder um ano em que ela poderia estar na faculdade, esta cada vez mais difícil dormir no mesmo quarto que ela, até dormindo ela fala de formulas de Herbologia – eu disse rindo.
—Ei, não esquece sua correspondência – um garoto diz olhando para a carta que havia chegado para mim do lado do meu prato.
—É verdade, obrigado.
A carta não tem remetente, siglas, marca ou qualquer coisa que me dê pistas do que se trata, na verdade, parece um envelope em branco.
Eu pego a carta e ando devagar em direção à saída com Viktor ao meu lado, ele se tornou um parceiro recentemente.
—Não sei, às vezes sinto que ela esta escondendo alguma coisa, — Viktor parece tristonho – eu gosto dela e queria ter mais do que encontros casuais.
—Bobagem, — eu menti – você conhece, ela é assim mesmo.
—Você acha que ela ainda gosta do seu irmão?
—Não, — eu sorri – eles confundiram as coisas, Hermione e Rony são como irmãos.
—E o Malfoy?
—O Malfoy? – eu repito sua pergunta um pouco nervosa
—Sim, o Malfoy, eu os vi juntos algumas vezes, é estranho por que antes eles não se suportavam.
—Não, não – eu me apresso em dizer – eles estão se suportando por causa desse lance das mortes, não existe absolutamente nada entre eles, o Draco tem noiva, a Astoria Greengrass.
—Noivo? É mesmo? Então acho que não tenho com que me preocupar, mas e você?
—Eu o que?
—É que você e o Harry antes... Não sei dizer, espero que não me ache intrometido, mas vocês eram um casal bonito.
—Eu sei – eu concordei
—E por que acabou?
—É um amarinhado de coisas, eu nem sei o que dizer... Acho que é uma história inacabada na verdade, mas não quero pensar em voltar com ele, pode só complicar mais o que já é muito estranho entre nós dois. Eu estou bem com Blásio, ele é muito bonito, inteligente... E muito estimulante para se conhecer mais, entende? Ele me surpreende.
E de novo a história Harry Potter vem me assombrar, é algo confuso, não quero pensar sobre isso, mas parece que todos que eu conheço querem que nos fiquemos juntos, nem minha mãe me deixa em paz, as pessoas tem uma péssima mania de quererem escolher quem eu devia namorar, é o que acontece quando se é a ex do eleito.
Eu pensei que isso acabaria quando as pessoas percebessem meu novo namorado, diminuiu, mas ninguém me diz que fico bonita com Blásio, afinal é o frio Blásio Zabini, a única que disse que somos bonitos juntos é a Luna, mas a Luna é maluca mesmo.
Para minha felicidade o trio de ouro adentra sorrindo pelas portas do Salão principal e eu sorrio aliviada, eu não me sinto confortável em mentir, não como Hermione, ela é nata nisso por causa dos seus segredos sendo uma Potter, apesar de usar isso só para o bem.
Hermione se aproximou de nós sorrindo com os meninos em seu encalce, quando Viktor a viu ele e cumprimentou com um beijo nos lábios, eles costumavam fazer isso quando se veem, são como “ficantes permanentes”, mas dessa vez Hermione não pareceu tão confortável como costuma parecer, talvez por que Rony estivesse lá, ele estava vermelho de ciúmes e se sentou antes de Harry para ficar de costas para o casal.
—Nós estávamos falando de você, — Viktor diz para Hermione segurando sua mão – quer sair hoje à noite?
—Hoje não dá, eu vou sair com os meninos – Hermione respondeu
Viktor ficou frustrado e não respondeu, com um olhar eu digo para minha amiga “não faz isso com ele”, ela é claro, entendeu.
—Que tal a gente se ver às 17h? – Hermione perguntou – Eu posso terminar os estudos mais cedo.
—No Jardim então, um piquenique.
—Perfeito.
Eu resolvo me afastar, mas sou parada por ninguém menos que Harry Potter.
—Oi Gina, eu queria conversar com você.
—Hum... Sério? – eu estou um pouco surpresa, Harry não faz o tipo confiante que corre atrás das mulheres, apesar de estar na cara que ele ainda gosta de mim e infelizmente eu ainda sinto algo por ele – Eu estou muito ocupada, agora sou profissional e preciso treinar.
—Eu sei, — ele concordou – mas precisamos muito conversar, acabar com essa tensão. Você vai ficar ocupada o dia todo?
—Treino a tarde e a noite eu tenho um encontro com meu namorado – mentira, ninguém consegue arrancar Blásio do maldito laboratório.
—E amanhã? – ele insistiu
Cadê o Harry nervoso com as mulheres que eu não estou vendo?!
—Ok – eu decidi ceder – até amanhã
Eu me viro para porta e dou passos largos e rápidos para não dar a ele oportunidade de falar mais.
Não quero passar mais que quinze minutos com ele, não consigo, não dá, é assustador, eu tenho medo de ceder a aqueles lindos olhos verdes.
Só paro de andar rápido quando saio do Salão principal e vejo que ele já ficou muito para trás, por fim me encosto na parede e respiro fundo, eu estou perdida com pensamentos sobre meu lindo ex e meus problemas com o atual, que nem ao menos é de verdade, quando me lembro da correspondência na minha mão.
Eu abro o envelope rapidamente e leio:
“A feminista Weasley, ex namorada de Harry Potter e primeira batedora mulher em uma liga profissional de Quadribol é muito mais do que sua imagem honrada impõe para o público. Sem dúvida seria excepcionalmente interessante se sua família conseguisse ver o lobo em pele de cordeiro que você é, Ginerva Weasley. Como o mundo irá reagir ao saber que você é uma ladra?”
A seguir três fotografias bruxa de quando eu tinha treze anos furtando de uma loja um par de sapatos altos, o ângulo é desfavorável, mas o bastante para se ter certeza de que estou pondo um par de sapatos dentro da minha mochila.
Imediatamente meu coração dispara, apoio-me a parede com a mão e concentro-me para regular minha respiração antes que eu me entregue às lágrimas.
Esta é uma marca negra na minha vida, um erro que jamais foi repetido e que pode dar um fim a minha carreira sem antes mesmo começar.
“Isso não precisa acontecer se você não quiser saber quem eu sou. Eu voltei para ti despedaçar, Weasley.
—Crudelis”
Visão de Astoria Greengrass
—Suas primas da Irlanda confirmaram presença e aquele coroa bonitão do Ministério amigo do seu pai também... – Pansy diz com descaso enquanto vasculha minhas correspondências – Ah! Ele também enviou seu presente de noivado, é um colar de pérolas, que brega!
Pansy puxou um requintado colar de perolas azuladas do fundo de uma sacola para mim e eu aparei no ar.
—É lindo, – eu admirei o colar e suspirei com um sorriso – é muito refinado.
—É brega, — ela fez uma careta, abriu o próximo envelope, passou rapidamente os olhos na carte e arfou – esse daqui ti deu um presente em dinheiro, que falta de criatividade.
—Como você esta mal humorada hoje – eu bufei
Eu peguei uma carta na minha pilha e anotei no meu caderno de anotações da festa de noivado, o casal de aurores de Osasco também haviam confirmado presença e me presenteado com uma tiara.
Devem ser aproximadamente catorze horas da tarde, Pansy e eu estamos no nosso quarto separando outras correspondências que haviam chegado hoje durante o almoço.
Em minha frente vejo uma enorme pilha de caixas de presentes e cartas de parentes e amigos que rodam pelos continentes da Terra, meu pai fez questão de convidar parentes que eu nem sabia da existência, a lista de convidados é enorme e os preparativos para a festa são estressantes, eu estou muito nervosa.
A última semana tem sido resumida a minha festa de noivado e isso dói até minhas entranhas, eu mal tenho tempo para dançar, pois acordo o dia pensando no cardápio da festa, ornamentação, iluminação, vestido e um monte de coisas que me deixam sem ação, Draco tem me ajudado sempre, ele tem ido para muitos lugares comigo para rever alguns toques, porém é evidente que ele não esteja nada feliz com isso e tão sem paciência quanto eu.
—Foi mal, é que eu tive um problema hoje.
—O que foi?
—Nada que precise se preocupar. Você já tem coisinhas demais nessa cabecinha loira
—Ok, — eu respirei profundamente, arrumei a postura e estalei o pescoço – eu tenho coisas demais mesmo.
—Esse não é sobre o noivado... – Pansy morde o lábio inferior enquanto passa os olhos pela carta – Veio da Londres trouxa... – ela arregalou os olhos e ficou de pé em um salto – Asty é da companhia de Balé, eles querem que você compareça a um teste final nessa sexta de manhã, você é uma das dez finalistas agora, sua bolsa vai ser integral.
—O que?! – eu estou muito surpresa para conseguir esboçar qualquer reação – Eu consegui?
—Sim! – Pansy se jogou em mim em um abraço
De repente nós começamos a gritar, pular e comemorar a minha quase vitória.
—Mas espera... Sexta é dia 3, é o dia da festa de noivado... E eu nem sei se eu devia ir
—E você ainda se pergunta? Astoria essa é a chance da sua vida! Você precisa ir! A festa é só à noite!
—Eu... Oh meu Merlin! – eu estou muito feliz, não sei se posso passar, mas chegar até aqui e era quase impossível de acontecer – Isso parece um sonho! Eu preciso ver alguém – eu corro para o meu guarda roupa para trocar minha camiseta velha para algo mais apresentável, Rony precisa ficar sabendo disso, ele vai ficar muito feliz por mim, nós nos aproximamos na última semana por termos problemas em comum – Estou tão animada, isso é...
Eu tomo um susto ao abrir meu guarda roupa, na porta havia uma enorme fotografia gravada na madeira, a retratada sou eu, nua da cintura para cima com minhas cicatrizes e seios a mostra, dentro do meu quarto na mansão dos meus pais, retirando minha roupa antes do banho. Um recado em vermelho:
“Você não fica mais bonita quando esta nua, sobretudo ainda me impressiona. Como se sentiria se essa foto estivesse no céu durante uma partida de Quadribol? Surpresa? Envergonhada? Humilhada?
Isso não precisa acontecer se você não quiser saber quem eu sou. Eu voltei para ti despedaçar, Greengrass.
—Crudelis”
De repente se torna difícil respirar, eu levo a mão no peito e dou alguns passos para trás desnorteada. O que é isso?
—Ei, fique calma. – Pansy pediu me segurando pelos braços – Eu vou resolver isso.
—Resolver como? – eu estou assustada, então começo a chorar sem saber o que fazer– Crudelis esta me ameaçando! Todos vão me ver nua...
—Não tem nada de errado nessa foto? Você não percebeu que ela foi tirada na sua casa?
—Eu... Sim... Estou vendo.
—Isso só pode significar alguma coisa... Dafne é Crudelis.
—Você não tem certeza... Isso... Não... Por que ela faria isso?
—Não sei... Talvez trazer alguém poderoso, não importa, mas você não foi a única que recebeu uma ameaça hoje, aquela vaca me ameaçou diretamente e agora você, — Pansy começou a andar em direção a porta – eu vou agora acabar com isso.
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