Fracos

16 Capítulo 16: Despedaçando o grupo – Parte 2


Notas iniciais
Oiii gatinhas!! Desculpem pela demora, tô com um monte de problemas em casa, sério, problemas judiciais e eu sou de menor,então minha vida esta nos avessos. Comenem ta? Ajuda demais. Aproveitem a leitura!! PS; Lavigne minha deusaaaa ♥ Obrigado por essa recomendação, vc é maravilhosa, dedico o capítulo a vc baby Bjooos

Visão de Hermione Granger

—As comunidades mágicas indígenas da América do Norte e as da Europa e da África já sabiam da existência uma da outra muito antes da imigração dos não-majs europeus, no século XVII e já estavam cientes das várias semelhanças existentes entre suas comunidades. Algumas famílias eram obviamente “mágicas”, e a magia também aparecia inesperadamente em famílias que até então não possuíam qualquer ascendência bruxa conhecida. A proporção entre bruxos e não-bruxos parecia consistente nas populações...

—Hermione?- Letícia interrompeu minha leitura

Olho para a pequena garota e percebo que algo esta errado em seu semblante. Letícia é uma menina adorável, sorridente e gentil, acabei por descobrir durante a última semana que é também muito estudiosa e uma boa companhia na biblioteca.

Pouco a conheço, Letícia é uma criança ainda se descobrindo, posso afirmar que nós temos criado um laço, ela é muito divertida, no entanto hoje seus olhos verdes estão baixos e ela parece triste.

—Alguma coisa aconteceu? – eu baixei meu livro para dar atenção

—Não... Quer dizer sim, — ela balançou a cabeça confusa, Letícia sentou-se mais perto de mim e baixou o tom de voz para que ninguém nos ouvisse – eu estava pensando... Tenho mesmo orelhas muito grandes?

—Hum... – eu pensei pondo o seu cabelo muito escuro e liso atrás da sua orelha – Ela parece normal para mim.

—Os meninos do primeiro ano zombam do tamanho da minha orelha, eles não gostam de mim.

Por um instante percebo que desde a primeira vez que a vi — quando bateu na porta do meu quarto para avisar que Rony me esperava na sala comunal – eu nunca a vi com o cabelo amarrado, sempre solto, escondendo as orelhas e um pouco do seu rosto pálido.

Olho outra vez para sua orelha e percebo que existe sim um tamanho descomunal, mas nada que pudesse ser motivo de chacota, provavelmente o real motivo seja que ela é uma das garotas mais inteligentes do primeiro ano e não se comportasse como os populares.

De repente recordo do meu primeiro ano em Hogwarts e me vejo em Letícia Cavill, eu fui a garota inteligente de dentes salientes, isso nos torna semelhantes, isso é óbvio, exceto o fato de Letícia ser sangue puro, muito mais bonita que eu em sua idade e com onze anos eu ter sido mais madura do que muitos com dezoito.

Meu coração se encheu de amor e eu pisquei para afastar as lágrimas, ela se assustou com minha reação e eu apenas sorri, no mesmo momento decidi que eu diria a mesma coisa que eu gostaria que alguém tivesse me dito.

—Você é linda, não devia esconder seu rosto, — eu coloquei seus cabelos para trás – fique de costas para mim, nós vamos tentar algo novo, — ela obedeceu e usando os dedos como pente eu decidi fazer o único penteado que Gina conseguiu me ensinar, uma trança – acho que eu já entendi por que você se considera minha fã, nós nos parecemos muito.

—É mesmo?

—Sim. – eu respondi enquanto tranço seu cabelo — Harry e Rony também não gostavam nada de mim no início, eu era muito inteligente, por isso às vezes era uma grande sabe tudo irritante que fazia as pessoas se sentirem burras, mas não era minha intenção, eu só sempre fui muito esperta, eu passei por muitas coisas e cresci mais rápido que todo mundo, o que eu fiz para fazê-los gostarem de mim foi mostrar que eu sou mais do que uma sabe tudo, sou uma bruxa leal e merecedora da Grifnória, ou seja, só precisei ser eu mesma.

Eu termino e ela vira-se, com o sacolejar da minha varinha transfiguro um livro para tornar-se um espelho. Letícia fica admirada com seu reflexo, com seu cabelo para trás é mais fácil admirar a beleza do seu rosto de porcelana.

—Agora você esta linda por dentro e por fora, – eu sorri – sua aparência exterior é finita, sua beleza um dia, mesmo com a poção de embelezamento mais poderosa irá acabar e tudo que vai ficar é quem você é por dentro e tudo que você fez durante sua vida.

—É por isso que você estuda tanto?

—Sim, beleza exterior é importante, mas o que eu faço com a minha vida é mais, um dia eu vou ser uma grande auxiliadora, vou lutar pelos direitos da população mágica, espalharei o amor e tonarei esse mundo um pouco melhor do que é agora.

—Mas você não sente raiva? Eu sinto, eu tenho sentimento ruim pelas pessoas que me deixam triste, eu imagino coisas ruins.

—Todo mundo tem um lado negro, — eu suspirei – eu também tenho, eu tenho objetivos fortes que me acompanham desde que eu era criança, às vezes eu me sentia tentada a fazer coisas muito erradas, eu cometi erros terríveis que poderiam me tornar uma pessoa horrível, eu luto todos os dias para resistir aos impulsos que vem do meu lado negro.

—Um dia o lado negro... Para de existir?

—Eu não sei... É bom estar aqui com você, mas eu tenho que ir mais cedo hoje, eu tenho umas datas históricas para memorizar em um livro que eu deixei no meu quarto e quero fazer isso cedo por que eu tenho um encontro com o Viktor no fim da tarde.

—O Viktor! – ela sorriu entusiasmada de repente – Ele é tão lindo, gentil e joga tão bem, você tem sorte! As meninas da minha sala babam por ele, o Krum deve ser um ótimo namorado.

—Ele não é meu namorado, – eu respondi rindo enquanto recolho meus livros, não sei quantas vezes eu já devo ter dito isso nos últimos três dias, a Ilha inteira deve pensar que nós “voltamos” já que temos saído algumas vezes e aconteceram alguns beijos “aqui e ali” – nós só estamos saindo.

—Sério... Eu pensei... Ele não é um cara legal?

—Viktor é um bom rapaz, na verdade ele ótimo, ele se tornou mais inteligente com o tempo, — eu comecei a equilibrar todos os livros que eu vou levar comigo para o quarto — tem um bom trabalho, é um cavalheiro...

—Então por que não estão juntos?

—Tchau princesa, conversamos amanhã.

Eu saí rapidamente antes que começassem a sessão de perguntas das quais eu não sei responder.

É difícil raciocinar claramente, quase todo o tempo sou uma mulher muito sensata sobre minhas decisões, entretanto meu coração esta aflito,existem muitos sentimentos amontoados, eu estou ansiosa e isso nunca é bom.

Viktor é uma das melhores companhias que eu posso achar na Ilha, ele faz eu me sentir maravilhosa, mas meus sentimentos sobre ele, não importa quantos encontros e beijos nós trocamos não passa da mais pura amizade.

Crudelis desapareceu, mas sua presença ainda é forte, porque mesmo que o desgraçado não tenha dado notícias há oito dias ele ainda exerce poder em minha vida, ele se foi, mas ainda estou a um passo de ser acusada oficialmente pelo Ministério da magia por assassinato, a falta de provas é a única coisa que me separa da forca, basta apenas uma e a evidencia de eu estar lá quando Nott foi encontrado morto será o bastante para acabar com a minha vida, logo agora que finalmente eu sou livre.

Como se não bastasse minha prova esta muito perto e Draco Malfoy existe para me fazer me sentir louca.

Visão de Blásio Zabini

Crudelis é um assassino interessante... Ele é inteligente, pomposo, vingativo e pior, é um exibido, isso quer dizer que ele não teme ser descoberto, na verdade ele almeja essa fama de um assassino brilhante para ele um dia, isso é uma característica forte de um psicopata serial killer, Crudelis é a peça mais elaborada do tabuleiro... Ou quase, por que eu sou melhor.

Ele é definitivamente o que me instiga a continuar o caso mesmo com seu sumiço, eu não tenho dúvidas de que ele não vai desistir até ter o que quer, sua vingança e seu poder.

Não posso formar novas teorias sem fatos e finalmente encontrei um fato merecedor da minha atenção.

Pausei meus cálculos de aritmância por um tempo para me concentrar em algo que chamou minha atenção, a bola de energia que apareceu e desapareceu em segundos quando eu estava com Hermione com certeza quer dizer alguma coisa, eu não tenho material mágico para rastreá-la ou coisa do gênero, mas eu sei como conseguir dados, infelizmente não é um trabalho para um.

Ginerva e Viktor Krum estão no campo rebatendo balaços com seus bastões. A ruiva usa tanta força que pode-se ouvir o som do golpe ecoar longe nas árvores, ela repete, repete e repete novamente o mesmo movimento lateral com seu colega de treino parecendo incansável, seus olhos nebulosos, músculos enrijecidos e seus lábios em uma linha tênue comparados ao Krum denunciam que ela esta com raiva.

O rapaz musculoso encerrou sua serie de rebatidas quando eu me aproximei, Ginerva notou minha presença, mas continuou suas rebatidas.

—Nos deixe a sós, por favor – eu pedi.

O moreno olhou para sua colega que não correspondeu com uma reação, mas assentiu com a cabeça e se afastou para beber água e se sentar debaixo de uma sombra de uma árvore distante.

—Não estou. Com humor. – ela pausou as palavras enquanto rebatia o balaço e o via fazer a volta para voltar novamente no ar – Cai fora.

—É evidente, mas não temos tempo para emoções.

—Idiota! – ela berrou e uma última vez golpeou o balaço com tanta força que atingiu uma árvore e ali ficou cravado na madeira, obra de uma rebatida precisa, técnica e com uma força descomunal desenvolvida pelos anos de dedicação.

Decido ignorar seu insulto e continuar meu discurso.

—O detetive O’hanoly tem um quarto no terceiro andar perto da entrada da sala da Corvinal. O suspectana varinha de Draco é monitorado 24h, ele chega emforma de pulsos eletromagnéticos modulados de alta potência que são disparados para uma mesa receptora, energia mágica, ela suga uma transmissão de alta potência, curto período e feixe muito estreito que navega pelo ar depois de impulsionada pelo suspecta, é muito preciso, mas para isso funcionar a mesa receptora precisa mapear a Ilha inteira, ou seja, cobri-la com um uma nuvem de magia pura muito poderosa, Draco pode estar em qualquer lugar da Ilha, se ele usar sua varinha em uma atitude suspeita ele saberia em instantes onde e quando aconteceu.

—Eu odeio quando você e Hermione tentam transformar magia em ciência.

—Ciência e magia não são opostas, os trouxas apenas não tem habilidade para incorporar magia a sua ciência.

—Por que esta me dizendo isso? – Ginerva me olhou sem paciência se apoiando em seu bastão

—Hoje Hermione e eu encontramos uma coisa estranha, uma bola de energia mágica que apareceu e desapareceu em instantes, não era uma bola de plasma, um fantasma ou qualquer coisa que eu pudesse reconhecer a olho nu, mas a nuvem de magia que cobre a Ilha para a mesa receptora do suspecta com certeza detectou aquela aparição estranha.

—Entendi, — Ginerva assentiu – pelo menos um pouco...

—O que você tem que fazer é...

—Opa! – ela me interrompeu – Como assim? Eu não disse que ia fazer nada

—Você precisa

—O que isso tem haver com os assassinatos? É só uma aparição de energia.

—Você não me ouviu? – eu revirei os olhos – Tente pensar Ginerva! Eu não acho que aquilo é descartável, energia mágica pura não aparecem sem ser convocadas e mesmo se fosse, aquilo tinha o tamanho da magia de um corpo inteiro. Não seja tão obtusa.

—E o que você quer que eu faça? Eu tenho uma vida, sabia? – ela esta chateada – Isso é só uma hipótese.

—E você tem dúvida da minha genialidade? Escute, eu vou ajudar você a invadir o quarto e uma vez dentro você abre a porta para mim, nós achamos a mesa receptora e testamos a hipótese.

—Blás, escuta... – ela respirou profundamente, contendo a raiva, a garota mordeu o lábio inferior com força parecendo levemente preocupada – Uma coisa aconteceu essa manhã, eu estou realmente preocupada, nós precisamos ser mais cautelosos...

Enquanto ela falava retirei um envelope de dentro do bolso e comecei a ler em voz alta:

—O detive do grupo é um sociopata? Emoções fazem parte da magia de um bruxo, suponho que Blásio Zabini é apenas reprimido emocionalmente. Não baixe sua guarda para mim, pois quando menos eu estarei puxado o tapete debaixo de você, todos tem um ponto fraco, você não é diferente. Isso não precisa acontecer se você não quiser saber quem eu sou. Eu voltei para ti despedaçar, Zabini.

—Crudelis ti enviou isso hoje? – ela engoliu em seco

—Eu sei que você recebeu uma, seu corpo inteiro grita isso, eu estou ficando surdo.

Ginerva revirou os olhos

—Vai continuar fingindo que ainda não decidiu se irá me ajudar ou vai vir comigo? – eu disse com um sorriso torto nos lábios e ela me encarou claramente irritada – Você é transparente como cristal para mim.

—É claro que eu vou ajudar, eu não suportaria ficar aqui e não fazer nada — ela cruzou os braços — nós precisamos impedi-lo, eu só... Não o entendo.

—Eu entendo, ele é inteligente, pressuponho que Crudelis ameaçará cada um de nós, vai tentar nos despedaçar de dentro para fora, elegante.

—Elegante? – ela bufou – Você e ele são doentes. Quando pretendem se casar?

—Você esta irritada demais, — eu pensei alto – eu não tenho nada a temer, não tenho sentimentos, ele não tem o que atacar, mas você não, eu deduzo que sua carta continha uma verdadeira ameaça.

—Sim, — ela baixou a guarda e sua expressão corporal mudou para medo — Crudelis sabia algo sobre mim que apenas minha melhor amiga sabe e eu tenho certeza que ela manteve segredo, não sei como ele fez isso.

—Elegante.

—Eu te odeio, — Ginerva grunhiu, pegou-me pelo braço e me arrastou para perto de Krum – eu preciso ir, desculpe.

—Tudo bem – ele sorriu

—Eu ajudo você, somos uma dupla, – Ginerva suspirou, quando nos afastamos do Krum rumo ao castelo – quando eu vou invadir?

—Amanhã de manhã.

—Ok, — ela concordou com a cabeça – eu espero que você esteja certo sobre a bola, eu vou para o quarto descansar agora, não estou com cabeça para treino.

—Você esta bem?

—Eu estou... Calma, você perguntou se eu estou bem? – ela parou para perguntar no meio do caminho com um meio sorriso nos lábios

—Não quero que você comprometa a missão.

—Não é melhor admitir que se preocupa comigo?

Ginerva aproximou-se de mim, eu não recuei, apenas a encarei com desdém, a ruiva não esta em seu juízo perfeito, em seu estado normal ela saberia que minha preocupação esta toda depositada na missão.

—Eu preciso de você bem para invadir o quarto – eu digo com firmeza encarando à ruiva que esta há alguns centímetros de distancia de mim

Ao invés de responder ela apenas seguiu seu caminho em silencio, isso me surpreendeu, pois ela sempre gosta de dar a última palavra.

Ginerva não esta bem. Eu daria qualquer coisa para saber o que se passa em sua cabeça oca. Crudelis a atingiu em cheio, não sei como os outros reagirão às ameaças, principalmente Pansy Parkinson, ela não tem um pingo de bom senso.

—Se formos cedo, nós teremos respostas antes do meio dia.

—O que tem meio dia mesmo? – eu paro para pensar

—Reunião da equipe, Blásio, — ela revirou os olhos – nós vamos reunir os fatos que coletamos e compartilhar com o resto da equipe, até mesmo a Greengrass e a Parkinson que não tem nada haver com a história e caíram de paraquedas nisso.

—Odeio essas reuniões.

Visão de Pansy Parkinson

Nos corredores do dormitório feminino da Sonserina, eu espero pacientemente por uma brecha.

Dafne e Maggie, sua colega de quarto, estão há algumas horas fazendo coisas bobas como pintar unhas e fofocar, eu sei disso por que enfeiticei a porta para que eu pudesse ver o que acontece no interior do quarto, uma atitude sombria, mas necessária, Dafne é Crudelis, não devo desperdiçar horas, apenas agir rapidamente.

Não sei como não pensei nisso antes. Dafne é viciada em poder, não é isso que Crudelis quer? O motivo de vingança também é óbvio, ela odeia Draco por que ele não a escolheu como sua esposa.

Ódio preenche meu coração e sinto vontade de mata-la, eu não acredito que ela tenha ido tão longe por essa mania de querer ser dona do mundo.

Maggie e Dafne brincam de salão de beleza, esbanjam sorrisos e risadas e isso só me deixa mais enraivecida, como ela pôde fazer isso? Matar? Ameaçar? Culpar inocentes? Sempre a vi como uma maníaca, mas jamais pensei que ela chegaria a esse ponto.

Enfim encontro uma chance. Maggie fica de pé e caminha até a porta, Dafne esta de costas sentada em uma cadeira com uma rodela de pepino nos olhos, eu me escondo, quando Maggie sai e tranca a porta, eu reapareço e a surpreendo com uma maldição imperdoável:

—Imperius!

Sem expressão, a moça loira apenas espera minha ordem.

—Me dê à chave, – eu ordeno e ela me entrega – agora vá à cozinha, coma alguma coisa e não volte aqui por uma hora.

Maggie assentiu com a cabeça e seguiu caminho.

Com a chave certa eu destranco a porta e vejo Dafne na mesma posição, eu penso em me revelar como Pansy, mas por fim desisto, talvez seja mais divertido assim.

—Voltou Maggie? – Dafne perguntou sorrindo –Eu estou me sentindo ótima. Você é muito boa nisso. Quando vai aparar meu cabelo?

Eu sorrio maldosamente e me aproximo da cadeira onde a loira esta sentada, em cima da mesa principal há muitos cosméticos e tesouras para cabelo, eu não pretendo deixar a chance passar, então pego a tesoura, seguro o longo cabelo da loira e de uma vez só o corto ao meio.

—Você esta louca? – ela gritou virando-se imediatamente retirando o pepino dos olhos, então me vê e seus olhos azuis se enchem de fúria – O que você faz aqui, Parkinson?

—Dando a você o que merece

Dafne se mostra ser mais rápida do que eu pensei que seria, saca sua varinha e com dois movimentos rápidos me prende os pés no chão e atinge minha varinha com um expelliarmus fazendo-a voar para longe de mim.

—Vou trucidar você.

—Você não seria tão burra – eu respondo enquanto tento sair da armadilha de Dafne

Dafne olha seu cabelo no espelho, horrorizada, seus fios estão um pouco mais que a altura dos ombros e completamente tortos, a maior parte do seu cabelo esta no chão. Uma grande perda para uma garota cheia de troféus de concurso de beleza.

—Como você conseguiu aqueles papeis do hospital?

—Eu posso conseguir o que eu quiser, — ela responde com seriedade, seus olhos azuis são um mar de ódio, sua respiração esta alterada, rápida, seus músculos enrijecidos como metal. Não a maneira melhor para descrevê-la do que assustadora. Dafne pega a tesoura de cabelo e se vira para mim – e agora eu vou fazer o que eu quiser com você, Parkinson.

—A única forma de me calar é me matando, mas isso não vai calar o resto de nós.

—Astoria sabe sobre isso? – Dafne usa um tom baixo e ameaçador pressionando a ponta da tesoura em meu lábio inferior – Draco sabe?

—Astoria sabe. – eu tento responder com segurança, apesar do meu coração bater velozmente, pois eu estou com medo, medo de morrer — Você vai perder, otária.

—Sou mais inteligente do que você pensa, Parkinson. – Dafne deu um meio sorriso maldoso, devagar soltou a tesoura em cima da mesa e voltou a me encarar – Eu estou além de todos vocês, consequentemente ninguém pode me derrubar, isso incluiu a sabe tudo e o negro esquisito.

—Você é Crudelis? – eu pergunto diretamente

Dafne riu e respondeu:

—Crudelis é apenas um nome, — ela suspirou – você pode me odiar por minhas escolhas, mas se minhas ações trarão o que eu quero, eu não vou parar até conseguir, não me importa se pessoas precisam morrer ou coitadinhas como você precisarão ter seus segredos revelados. Não me importo com você, ThedoreNott, Cho Chang... Por que no fim da equação eu vou ter tudo o que eu sempre desejei.

—Cachorra!

—Guarde essa língua, Parkinson.

—Você não pode me matar, Astoria vai contar quem você é, Draco vai matar você e eu vou assistir você gritar por misericórdia.

—Ele não sabe quem matar e nem você vai saber, de Astoria eu cuido mais tarde, Crudelis esta sempre na frente — ela ergue sua varinha e aponta para minha testa – Obliviate.

Visão de Draco Malfoy

Ao abrir a porta de madeira, o som agudo de um sino acima de minha cabeça denuncia minha chegada ao ambiente.

O balconista da loja é um homem de meia idade, seus olhos são fundos, o cabelo escuro com alguns fios grisalhos e o corpo curvado, a etiqueta em sua blusa de listras o apresenta: Sr. Doyle.

Sr. Doyle parece um homem concentrado em limpar o vidro da vitrine de anéis. Eu dou alguns passos em direção ao balcão principal, sem pressa, até que ele finalmente me da atenção, ele sorri cordialmente e me deseja:

—Boa tarde! Bem vindo a minha humilde loja!

—Boa tarde – eu tento ser simpático, porém meu humor não esta dos melhores, principalmente por que fui abandonado na biblioteca por certa Granger logo na melhor parte do meu dia.

Sr. Doyle espreme os olhos para mim quando eu respondo, suponho que ele me reconheceu de algum lugar, mas eu não o conheço, eu nunca estive neste lado da cidade da Ilha e ele não parece ser possuidor de grandes montanhas de dinheiro como sãos os amigos da minha família. O homem retira os óculos de grau do bolso e põe no rosto, ele abre seus olhos com surpresa ao me reconhecer.

—Sr. Malfoy... O senhor por aqui...

—Sim, — eu concordei enquanto abro zíper da minha bolsa e retiro o que eu trouxe – eu soube que o senhor é dono da melhor loja de objetos encantados da Europa.

—Eu? – ele riu nervoso com meu comentário — Não senhor, sou apenas um interessado em quinquilharias mágicas, mas faço bem o meu trabalho.

—Pois faça bem seu trabalho e será recompensado.

Eu mostro para ele o espelho mágico que Crudelis me presenteou.

—Eu ouvi dizer que você pode identificar o bruxo que enfeitiçou esse espelho.

—Sim, — ele concordou com a cabeça, pegou com cautela o objeto das minhas mãos e o analisou com um olhar de admiração – encantamentos são únicos, a magia esta intimamente ligada a alma e a biologia de seu bruxo, cada pessoa deixa rastros do seu código genético em seus encantamentos.

—Perfeito, quando eu posso buscá-lo?

Uma mulher de também meia idade saiu de trás da cortina dos fundos do estabelecimento com um menino no colo, provavelmente a esposa e o neto de Doyle.

—Desculpe senhor, — ele negou com um gesto de cabeça – mas não posso ajuda-lo.

—Mas você disse que sabe...

—Eu disse que sei e realmente sei, mas o senhor e a Srta. Granger são capa do Profeta diário, eu sei que foi um comensal da morte, recebeu pagamentos de Voldemort durante a guerra e por isso teve sua conta bancária bloqueada, além disso é acusado de assassinato do jovem Scoot, o menino magrinho que morava há algumas ruas daqui. Não posso lhe ajudar, a minha dignidade não permite.

—Dignidade? – eu repito com uma sobrancelha arqueada.

Dignidade? Foda-se dignidade.

—Eu posso pagar você, — eu digo um pouco alterado tentando controlar a raiva que eu estou sentindo, eu abro minha carteira e retiro o cartão de débito que o pai de Astoria me deixou para que eu pagasse minhas contas – o bastante pelos custos para sua sensível dignidade se recuperar.

—Não, não senhor – ele balançou a cabeça negativamente.

—Escuta aqui velho, — eu bato minha mão no balcão o fazendo dar um passo para trás assustado – você não sabe nada sobre mim, eu sou um Malfoy, faculdade e emprego são futilidades para mim, eu não preciso trabalhar para ter dinheiro, o cara de cobra não nos pagou nada e quanto eu ter sido comensal isso é o problema meu, a única coisa que ti interessa é que você precisa de dinheiro para manter esse localzinho minúsculo e eu sou o cara que pode ti dar. Eu não matei ninguém.

Primeiro o som do sino da loja e em seguida uma voz:

—Quanta impaciência, Malfoy. Seu pai foi absolutamente um homem de mais charme, meus pêsames.

Sou pego de surpresa pela voz familiar. Por que ele esta aqui? Já não basta ter me botado nisso?

Devagar, em um movimento lento de pés, eu cruzo os braços, me apoio ao balcão e encaro um legítimo burocrata de cabelos loiros lisinhos e profundos olhos azuis em um impecável terno cinza, um juiz de caráter questionável, mas com uma ficha tão limpa que deixaria criminosos com inveja, é o Sr. Carlisle Greengrass.

—Chocante! – eu ironizei em resposta fazendo uma cara de surpresa – Mas eu não sou meu pai e nem aceito seus pêsames.

—Percebo que tem sofrido, eu lamento.

—Eu duvido. O que ti traz a Ilha? O noivado é apenas na sexta.

—Alguns acontecimentos chamaram minha atenção, — ele respondeu com calma ignorando meu tom ácido — recentemente eu tenho sido bombardeado com notícias inconvenientes, sou um homem ocupado e precisei esperar por um momento de folga para conseguir vir a Ilha Pégaso. As notícias são sobre você, você é um menino muito levado.

—Viajou horas para vir me dizer isso? Perdeu seu tempo, outros já me chamaram de coisas piores, não que eu me importe com meus fãs frustrados.

Viro-me para o Sr. Doyle que parece atônito com o novo visitante.

—Olhe nos meus olhos, Sr. Doyle. Não sou o homem mais honrado que já pisou nessa loja, mas eu não matei Scoot e eu posso pagar você.

—Ele esta falando a verdade – Sr. Greengrass resolve interceder a meu favor.

—Ebert, — a mulher de meia idade com o menino do colo tocou o ombro de seu marido – ouça-o.

O homem hesitou alguns segundos, olhou em meus olhos uma última vez, respirou fundo e retirou o cartão de minha mão.

—É uma honra trabalhar para o senhor.

—Obrigado

Ebert Doyle puxou o livro de registros da loja de debaixo do balcão e começou a fazer anotações

—Amanhã a noite pode buscar.

Eu assenti com a cabeça, dei boa tarde outra vez e saí sem olhar para trás sabendo que serei seguido pelo idiota transparente que me preparou um noivado com sua filha.

—Espere!

—O que você quer? – eu viro para o homem sem paciência — Eu já não faço tudo o que você me pede?

—Eu me pergunto se pretende honrar nosso trato, pois suas ações não demonstram isso.

—Ações?

—Sharon James, — o homem da pele transparente balbucia o nome com desprezo enquanto se aproxima de mim – a prostituta que você tem visitado, inclusive dormiu com ela essa noite.

—O que você tem haver com isso?

—Eu tenho haver, Sr. Malfoy, com o seu casamento com a minha filha e aliança entre o nome Malfoy e minha empresa de advocacia, entretanto você conhece minha filha Astoria intimamente, ela não parece nada com o pai e se recusaria ao casamento quando soubesse dessa traição, ela não é Dafne Greengrass.

Carlisle e Samantha Greengrass, um juiz e uma advogada renomada, são os donos de uma poderosa empresa de advocacia bruxa da Inglaterra, me ajudando, eles ganham em troca o nome Malfoy para fazer transações comerciais e estender seus negócios em serviços para clientes de países da Ásia, África e América do sul.

—Que bom que não é, — eu dei um meio sorriso – não se preocupe Sr. Greengrass, nosso acordo ainda está de pé.

-Espero que sim, eu odiaria ver a adorável Narcisa Malfoy morrer.

Eu ti odeio.

—Não ponha esse casamento em risco novamente.

—Senhor, sim senhor – com sarcasmo eu respondo batendo continência.

Odeio-o. Odeio-o.

Disparo xingamentos contra meu futuro sogro enquanto faço uma caminhada para o castelo.

Enquanto ando pelo jardim da propriedade – cortando caminho -, eu avisto de longe Hermione e Viktor Krum em um piquenique romântico, ela esta rindo de alguma coisa engraçada e ele esta animado com a conversa, ambos distraídos demais para perceberem que estão sendo vigiados.

Viktor Krum diz algo para Hermione que a faz corar e por uma mecha do cabelo ondulado para trás da orelha como ela faz quando esta envergonhada, enfim Viktor se aproxima e a beija nos lábios, ela não recua, apenas move seus lábios nos dele.

Bufo ao olhar para a cena e desvio o olhar para um canteiro de flores.

Não importa o que eu sinto, não importa se ela se sente atraída, eu nunca vou poder estar no lugar dele, em público fazendo um piquenique, Hermione não precisa de mim, eu sou complicado demais para a vida dela.

Visão de Rony Weasley

—Rony, você esta bem?

Harry senta-se ao meu lado no banco e me observa enquanto eu massageio meu ombro direito.

—Eu mudei minha serie de exercícios e estou demorando a me acostumar

A dor muscular é incomodamente, mesmo massageando ela permanece, talvez o melhor seja usar um analgésico para dor e continuar treinando.

—Você devia descansar, — Harry diz enquanto seca seu suor com uma toalha – parece que você não quer mais viver.

Com o semblante sério, olho para Harry e respondo:

—Eu estou lutando para viver.

—Faça o que quiser – ele bufou – pelo menos você esta ficando enorme, não sei como conseguiu tantos músculos.

É intervalo da aula de Artes físicas, eu estou soando, dolorido e exausto, eu tenho comido como nunca, mas isso não compensa as poucas horas de sono.

Eu comecei a treinar Artes físicas há dois meses, por três ou quatro vezes na semana, não era um compromisso para mim, até duas semanas atrás quando chegamos à Ilha e sou surpreendido por Hermione.

O termino de namoro foi o ponto de impulso para a vida que eu levo agora, a dor me trouxe até aqui e eu vou gastar todas as minhas forças para tirar nota máxima em Artes físicas e ganhar minha vaga de auror do ministério, não me importa como, eu vou vencer esse teste e calar a boca de todo mundo que pensa que eu sou um nada e de quebra conseguir que Hermione me ame outra vez.

—Gina não esta aqui – Harry comentou

—Eu a vi com o Krum, ela estava treinando suas rebatidas – eu respondi sem dar muita importância.

—Eu vou voltar com ela, — Harry diz com convicção – você vai ver.

—Como?

—Eu ainda não sei, mas marquei de conversar com ela amanhã — ele esta sério, então olhou para mim – eu sinto muito pela Hermione e o Viktor hoje.

—É uma questão de tempo também, — eu baixei a cabeça triste quando recordo a lembrança do maldito Krum beijando Hermione em pleno Salão principal – eu a amo, não vou desistir. Eu só... Estou triste que ela tenha mentido para mim, Hermione disse que não terminou comigo por causa de outra pessoa, Gina disse a mesma coisa.

Harry não respondeu, apesar de ele ter a perdoado, é evidente que ele ainda esta chateado por ela ter mentido todos esses anos.

—Desculpe, — eu suspirei – ela teve um bom motivo para mentir para nós dois antes sobre o pai de vocês.

—Isso me faz pensar que... Seja o que for que aconteceu no futuro em que a Hermione não existia aconteceu, deve ter sido muito sério para tentarem mudar toda a linha do tempo.

—Eu ainda não tinha pensado nisso, — eu admiti – quem será que era a garota que voltou?

De longe vejo Astoria Greengrass entrar na sala de atividades, ao avista-la vindo em nossa direção Harry se levanta e sai para ficar com seus outros amigos grifnórios.

—Tudo bem? – eu pergunto

—Sim... Não sei, — ela parece confusa – umas coisas aconteceram.

—O que?

—Bom... – ela parou para pensar no que diz, colocou o cabelo atrás da orelha e sorriu nervosamente – Eu fui convocada para o teste final.

—Uau... Isso é muito bom! Parabéns Asty! – eu sorri, feliz que um de nós esteja mais perto de conseguir o que quer, eu a abraço, mas nos soltamos rápido, por que senti meus músculos doerem, isso me fez soltar um gemido baixo

—Tudo bem? – ela ficou preocupada

—Nada, só tenho me esforçado demais, eu vou tomar um analgésico.

—Onde esta?

—Na bolsa

Astoria pegou minha bolsa de cima do banco e começa a procurar o remédio, de repente me lembro de que tem algo que ela não pode ver e retiro a bolsa de suas mãos rapidamente, infelizmente é tarde demais e ela já esta com a cartela na mão.

—O que... Por que você tem isso Rony? – Astoria diz baixinho, olhando em volta rapidamente para ver se tem alguém olhando.

—Me da isso – eu tirei dela e coloquei no bolso.

Pílulas do crescimento, elas tem um efeito quase imediato, me da energia, força, aumenta minha massa muscular e me tira o sono, pode ser feita de forma caseira com folhas e uma erva mágica tóxica (quando usada em grandes quantidades) e é proibida para a venda, por que possuiu muitos efeitos colaterais como dores musculares.

—Você esta tomando isso?

—Você já sabe a resposta.

—Weasley?

SolomonCostello, o meu mestre de Artes físicas, é um homem negro, muito alto, com os braços cruzados, que me chama do outro lado da sala encostado em uma pilastra.

—Meu mestre esta me chamando

—Não acredito que você esta fazendo isso, — Astoria parece decepcionada, ela baixa a cabeça triste e cruza os braços – essas pílulas ti fazem muito mal e ainda por cima você esta trapaceando.

—É a única forma de estar à altura dos outros lutadores – eu suspiro

—Rony... – ela pausou fechando os olhos castanhos, Astoria respirou profundamente, abriu os olhos e prosseguiu – Não sou ninguém pra dizer isso, mas essa não é atitude certa.

—Eu pelo menos tomo alguma, eu não tenho medo de lutar pelo o que eu quero.

Eu me arrependo de minhas palavras assim que elas saem pela minha boca, Astoria levanta a cabeça para me olhar nos olhos assustada com minha resposta fria.

—Desculpe, eu não quis dizer isso... – eu me apressei em me desculpar

—Eu sei o que você quis dizer, – a loira esta séria– você me acha uma idiota por estar com medo da minha família.

—Não Asty, — eu ainda tento me corrigir, mas ela nem me olha mais nos olhos – eu só estou tentando vencer pelo menos uma vez.

—Weasley! – o mestre voltou a me chamar

Sei que Astoria esta chateada, então não ouso me aproximar dela para outro abraço, apenas me afasto para ir de encontro com meu mestre.

—Eu sei o que você tem no seu bolso.

Ele é direto e isso me assusta. Ele vai me expulsar?!

—Eu estou treinando lutadores e não drogados, — ele continua sério me encarando com seus olhos escuros e amedrontadores, SolomonCostello é assustador, eu encolho meus ombros e me sinto um pobre indefeso na sua frente – esteja no Jardim principal amanhã 5h.

Eu assenti com a cabeça e fiquei calado, seja o que for que ele planeja fazer comigo é melhor do que dona Molly Weasley saber o que eu ando aprontando por aqui.

A aula segue normalmente, no fim eu vou para o vestiário tirar a roupa para tomar meu banho, quando eu abro meu armário me deparo com uma carta direcionada a mim.

“Pílulas do crescimento são ilegais, estar sob o efeito da droga é motivo para expulsão permanente dos candidatos a aurores, Arthur e Molly Weasley deveriam ter lhe ensinado isso. O que aconteceria se o Ministério da magia recebesse uma denuncia anônima sobre você? Isso não precisa acontecer se você não quiser saber quem eu sou. Eu voltei para ti despedaçar, Weasley.”

A carta diz mais:

“PS: O amor ti torna fraco, especialmente quando se é feito de bobo. Veja esta foto como um presente.

—Crudelis”

De dentro do envelope retiro uma fotografia mágica...

Malfoy e Hermione beijando-se.

Ela mentiu para mim.

Visão de Hermione Granger

Hoje é nossa noite da reconciliação, nós vamos passear pela cidade, comer, tomar cerva amanteigada, jogar conversa fora, ficar a esmo sem saber para onde ir, exatamente como as coisas sempre foram entre nós, eu estou feliz e nem mesmo o atraso do Rony poderia tirar isso de mim.

—Eu estou animada, — dou um sorriso – talvez eu tenha descoberto sangue do assassino.

—É mesmo? – Harry sorriu, empurrou os óculos para mais perto dos olhos parecendo surpreso – E quando vamos saber quem é?

—É aí que mora o problema, não posso ter certeza se não tenho material genético para cruzar com o DNA, mas eu sinto que eu estou muito perto.

—Rony, Gina e eu também temos informações interessantes que conseguimos no museu. Eu acho que a reunião de amanhã vai ser bem produtiva.

—Falando em Rony, ele esta demorando – eu comentei olhando em volta.

Não demorou muito até Rony finalmente aparecer, nós o chamamos ao longe sorrindo e fazendo piada do seu atraso associado a seus novos músculos, porém foi apenas quando o ruivo se aproximou que percebemos seu semblante transtornado.

—Você mentiu para mim, — Rony praticamente cuspiu as palavras para fora e empurrou um papel no meu peito – justo o Malfoy?!

—Ei Rony, vai com calma! – Harry interviu se levantando da pedra

Seguro o papel que Rony me deu nas mãos e tomo um grande susto ao ver uma fotografia de Draco e eu nos beijando na biblioteca.

Meu coração para um segundo, eu não sei o que dizer, eu não sei nem se devo dizer alguma coisa.

—Você esqueceu quem ele é?! – Rony passa os dedos nervosamente no cabelo, agora parecendo mais chateado do que com raiva – Eu defendi você quando Harry nem queria ti olhar, eu pensei que eu conhecia você, mas parece que eu estava errado, por que você esta dormindo com o inimigo! Ele tem noiva! Como você pôde fazer isso?

—Não é o que parece...

—Então o que é?!

Eu abro e fecho a boca algumas vezes buscando as palavras certas, mas nada me vem. O que eu poderia dizer? Ele tem razão.

Como eu fui deixar isso acontecer? Isso é loucura. Por que eu fiz isso?

Eu estou saindo com Viktor Krum, um rapaz bom e apaixonado por mim, mesmo assim hoje eu me permiti ficar aos beijos com Draco Malfoy que é noivo de uma moça de bom coração.

Isso me torna uma grande vadia.

—O que esta acontecendo? – Harry ainda esta tentando entender

—As máscaras estão caindo, Harry.

—Desculpe, – eu respondo com a voz embargada de choro – eu não percebi o que eu estava fazendo.

Eu cubro o rosto com as mãos e corro para o mais longe possível, sem olhar para trás.

***

A culpa preenche meu coração. Há um grande buraco no meu peito, obscuro, quente e cheio de dor. Eu estou envergonhada de ser Hermione Granger hoje, eu não sei como eu cheguei a este ponto, mas agora eu estou aqui, sem explicações, só um amontoado de sentimentos conflituosos que tem tornado minha vida uma exagerada novela.

Eu não escolhi me apaixonar por Draco Malfoy, mas eu escolhi ignorar todos os meus princípios quando o beijei hoje.

Eu escolhi magoar Rony Weasley e Astoria Greengrass.

—Gina? – eu chamei ao entrar no quarto

Lamento quando não a vejo em sua cama.

A ruiva deve estar em qualquer lugar agora e eu não estou em estado para procura-la.

Sem tirar qualquer peça de roupa, eu me enterro debaixo dos lençóis da minha cama e volto a chorar.

Por que eu fiz isso? Eu magoei pessoas inocentes. Magoei meu melhor amigo, Rony esta certo, eu fiz uma grande besteira, ele tem razão em estar tão chateado.

Eu movo meus pés na cama e ouço um barulho, retiro o lençol e grito de susto ao olhar para o teto, um recado:

“Você é minha, Hermione”

Ainda me recuperando do choque, ofegante, tampo os olhos e tento recuperar meus sentidos.

Crudelis deixou um recado para mim no meu teto! O maldito esteve dentro do meu quarto!

Olho para o chão, em cima do meu tapete cor de terra há uma caixa vermelha brilhante, provavelmente é o objeto que eu derrubei da minha cama, não é meu, nem de Gina, eu já teria o visto antes.

Espremo os olhos e de longe vejo meu nome em uma das extremidades, isso não me parece um bom sinal, da última vez que um de nós ganhou um presente, Draco assistiu a execução do seu pai.

Tomada pelo instinto, eu pego a caixa, tomo coragem respirando uma grande lufada de ar e por fim a abro.

Mais uma vez eu sofro uma surpresa, esta ainda pior, o bastante para fazer toda a culpa se tornar raiva em um intervalo de segundos, pois dentro encontro algo que me fez voltar ao passado, para algo que eu odeio lembrar.

Uma bolsa/carteira para documentos, unissex, tamanho médio, de couro, com o símbolo do Profeta diário centralizado, não esta velha, mas propositalmente não foi lavada, para que eu possa ver a terra avermelhada sujando o objeto que é típico dos jornalistas do Profeta diário.

Eu, infelizmente, sei exatamente a quem pertence.

Dentro da bolsa não há nada, mas uma carta a acompanha na caixa:

“Obedeça-me e não irá sofrer. Eu não quero você e Draco Malfoy juntos romanticamente, se acredita que eu compliquei sua vida quando revelei seu envolvimento repugnante ao Weasley, esta sendo ingênua. Eu tenho fatos seus na manga, mais comprometedores que seu casinho de amor. Eu sei o que você fez, ninguém mais precisa saber, você só precisa fazer tudo o que eu mandar. Nós estamos de acordo?

—Crudelis”

Recentemente este monstro me obrigou a contar sobre meu pai e agora isso. O que mais virar a seguir?

Ele quer que eu seja sua marionete e esta prendendo as cordas em mim.

Ao que parece,Crudelis esta disposto a literalmente desenterrar meus segredos mais obscuros, caso eu não o obedeça futuramente, eu não tenho dúvida que ele tem mais em sua posse do que uma simples bolsa.

Eu não sei por que a preocupação repentina com meu relacionamento com Draco, honestamente não me importo, porém ele tem algo importante em seu poder, algo que poderia me sentenciar a perpetua em Azkaban, isso sim, eu me importo profundamente.

Observo a bolsa outra vez, releio a carta e respiro fundo tentando expulsar todo o nervosismo. Eu refaço a mesma serie de ações, encaro as coisas no meu colo, mordo os lábios e concentro-me, é necessário que eu seja fria neste momento, ao contrário de tudo que eu já enfrentei, este não é um problema solucionável através da justiça, por que as leis estão contra mim.

Desculpem-me princípios, desculpe Draco, mas não posso deixar que isso chegue a público, eu finalmente tenho meu irmão e liberdade para ser o que eu quiser, ninguém vai tirar isso de mim. Minha hora irá chegar, eu vou silenciar Crudelis para sempre, mesmo que isso signifique matá-lo.

Para Azkaban eu não vou.