Four Seasons
13 Extra - Neve
Notas iniciais

Halloween
Ajeitei as mangas de minha roupa de palhaço, encarei a mim mesmo no espelho e fiz uma careta, até que eu estava muito bem. Lavi e eu iríamos a uma festa de Halloween, um filho de um amigo de meu pai tinha nos convidado e Lavi achou que seria bom para nós socializar um pouco.
— Allen! — Lavi bateu à porta de meu quarto.
— Está aberta. — Respondi calmo, só ajeitando o laço em meu pescoço.
Ouvi ele abrir a porta e virei para encará-lo, dei de cara com um Lavi vampiro, estava até com as presas falsas e metade do cabelo para trás, deixando uma franja onde usava o tapa-olho. Ia falar algo, mas reparei que ele me olhava... Estranho? Não, estranho não. Ele parecia mais um abobado.
— Lavi? — Chamei-o, erguendo as sobrancelhas.
— Hã? — Perguntou, voltando a si.
— O que foi? — Cruzei os braços.
— Bem, — ele entrou no quarto e fechou a porta. — você acabou de me provar como um palhaço pode ser extremamente sexy. Não pode ir assim à festa, é indecente. — Falou sério, colocando a mão no queixo.
— Como?
— Boa ideia, vou pegar a fantasia de gatinho que minha mãe ainda não entregou para o cliente dela e você usa na festa. — Sorriu, já abrindo a porta.
— Eu nem falei nada! Volte aqui! — Segurei-o pelo braço.
— O que foi?
— O que foi?! Sério, Lavi? Onde essa roupa de palhaço é sexy? — Soltei-o e cruzei os braços.
Ele fechou a porta novamente e me encarou com um sorriso malicioso, acho que eu não devia ter perguntado nada.
— Onde? — Foi se aproximando de mim.
— É... — Recuei um pouco.
— Bem, — segurou-me pela cintura. — que tal essas suas coxas que ficam tão expostas com essa calça apertada? — Apertou minha coxa.
— E-ei! — Tentei afastá-lo. — Minha calça não é apertada! — Como de costume, já tinha corado.
— Então que tal essa blusa meio aberta? — Levou a mão da minha coxa para meu peito, colocando a mão dentro de minha blusa.
— La-Lavi! — Empurrei, desta vez com força, conseguindo afastá-lo um pouco.
— Que palhacinho malvado...— Fez biquinho. — O vampiro vai te ensinar uma lição. — Sorriu malicioso e pulou em cima de mim, me fazendo cair no chão.
Antes que ele pudesse começar seu ataque, minha mãe bateu à porta, no mesmo segundo o ruivo já estava do outro lado do quarto. Não teria como explicar para minha mãe porque eu estava rolando com Lavi no chão, e também não seria um modo nada bom dela descobrir que estamos juntos.
— Querido, o garoto está aqui, ele vai levar você e o Lavi. Vá logo.
— Certo, mãe. — Respondi, ajeitando-me.
— Você ainda não vai assim. — Ergueu uma sobrancelha, sério.
Antes que eu pudesse protestar ou qualquer coisa, ele saiu do quarto e, antes mesmo de eu poder chegar à porta, voltou com outra fantasia de vampiro — Onde será que ele conseguiu outra do meu tamanho? — Contra minha vontade, obrigou a me vestir como ele e assim nós fomos os dois para a festa, com a mesma fantasia. Bem, ainda era melhor que de gatinho, mas algo me dizia que, em alguém momento, ele me pediria para usar a roupa de palhaço só para ele.
Halloween – Fim
Allen Mamãe
— Mama! — Ouvi Joshua berrar de sua cadeirinha.
— Papai. — Corrigi, indo até ele e o pegando no colo.
Ele havia falado pela primeira vez há poucos dias e para minha alegria e desgosto, sua primeira palavra foi para mim: “Mama”. É nestas horas que eu sinto muita vontade de bater em Lavi, ele ficou incentivando meu bebê a me chamar de “mamãe”, quando eu já tinha o avisado para ele que ambos seríamos “papai”. Agora, me encontro com este pequeno, literalmente, pequeno problema.
— Mama! — Falou sorrindo e agitando os bracinhos, energético como meu ruivo.
— Papai, Joshua, me chame de papai. — Falei calmo, sentando numa cadeira e o deixando no colo.
— Papa...? — Perguntou confuso e olhando em volta. — Papa? — Ficou olhando para a porta da cozinha.
— “Papa.” — Falei apontando para mim mesmo, sorrindo para ele.
— Mama, — apontou para mim. — mama.
Ah, Lavi, você não sabe a vontade que cresce em mim de te espancar a cada dia que você faz nosso filho me chamar de “mama”. Não é só porque gestei que eu sou a “mãe”, eu ainda sou homem, poxa! Se bem que... Homens não deviam ficar grávidos. De todo modo, eu também devo se chamado de “papa”!
Suspirei, depois tentaria mudar como Joshua me chamava, de novo, peguei a mamadeira dele e o deixando tomar enquanto o segurava no colo. Estava concentrado, até sentir um flash bater em meu olho e dar um pequeno salto, junto de Joshua que se assustou também.
— Ah, essa cena da mãe amamentando o filho é tão linda. — Lavi falou sorrindo, com a câmera nas mãos.
Joshua deu outro salto, largando a mamadeira que caiu no chão sem dar nenhuma chance de eu agarrá-la, para melhorar, quase cheia, sujando todo o chão.
— Papa! Papa! Papa! — Berrou sacudindo os bracinhos, enquanto eu encarava o ruivo extremamente irritado.
— Meu gar— Parou de falar quando olhou para mim e se afastou um pouco. — Allen...? — Perguntou já pegando algo para se proteger.
Coloquei Joshua na cadeirinha e fiquei ao seu lado para ele não chorar. Sorri de orelha a orelha, da forma mais amedrontadora possível.
— Você vai limpar o chão, vai fazer outra mamadeira, vai dar para o Joshua, trocar todas as fraldas sujas dele hoje e se eu vê-lo incentivando nosso filho a me chamar de “mamãe” hoje, — tapei as orelhas de Joshua. — eu arranco suas bolas. — Tirei as mãos das orelhas dele e o peguei no colo. — Entendido? — Mantive o sorriso.
— S-sim... — Respondeu meio tenso. Entreguei Joshua a ele e saí da cozinha.
Naquele dia, até funcionou, mas no dia seguinte as coisas voltaram a seu normal e quando dei por mim, já estava acostumado a ser chamado de “mamãe”. Juro que se tivermos outro filho, quem vai ser chamado de “mamãe” será Lavi.
— Amor! — Lavi berrou do quarto.
— O que foi? — Perguntei de volta, enquanto decorava um bolo.
— Onde tem cueca limpa?! — Perguntou um tanto desesperado.
— … — Respirei fundo e larguei a bisnaga de chantili sobre o balcão da pia. — Na gaveta!
Como se não me bastasse ser chamado de “mamãe”, ainda por cima virei uma dona de casa. Peguei novamente a bisnaga e ia voltar ao trabalho.
— Mamãe! — Desta vez foi Joshua quem berrou.
— O que foi? — Perguntei colocando a bisnaga sobre o balcão, de novo.
Ele surgiu na porta da cozinha, estava fazendo biquinho, correu até mim antes que eu falasse algo e mostrou seu dedo indicador para mim, estava com um pequeno corte. Peguei-o no colo, aproveitando que ainda posso fazer isso.
— O que foi bebê? — Sorri para ele.
— Dodói... Beijinho mamãe. — Mostrou seu dedinho de novo.
Suspirei e dei um beijo em seu dedo, ele sorriu e me abraçou. Sabe, não é tão ruim ser “a mamãe”, nem dona de casa. Eu gosto de ter essa vida, mesmo nunca conseguindo terminar minhas encomendas quando quero.
Allen Mamãe — Fim
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