Four Seasons
14 Extra - Fogo
Notas iniciais

Sobremesa
Fim de tarde, notei ao virar para trás, o céu alaranjado já escurecendo, os grandes prédios, carros e luzes completavam a vista. Como de costume, sempre que quero ter noção do tempo, olhei através da janela. Eu havia terminado de selecionar as melhores fotos para um álbum que constaria com as maravilhas desconhecidas de Tóquio, sete novas maravilhas. Satisfeito, levantei da cadeira e estiquei-me, estalando os dedos das mãos.
Duas batidas à porta, calmas e espaçadas. Fechei o laptop. Antes de alcançar a porta, ela abriu.
— Desculpe por fazê-lo esperar. – Aquela voz serena, sem dúvidas, era de Allen.
Entrou com um carrinho, vestido de uma forma que contar detalhes me excita. Allen estava vestido como uma perfeita empregada de elite, com um vestido rendado rosa e branco. Parei o olhar na altura de seus olhos, a boca meio aberta, abobalhado.
— Deseja mais alguma coisa, senhor? – Ele subiu uma sobrancelha, como se já soubesse o que eu pediria.
— Você.
Allen abriu um sorriso não usual, que usava justamente quando queria me provocar.
— Ah, eu sabia. – Devagar, ele se aproximou de mim.
Eu refleti seus passos, caminhando em sua direção, ele parou primeiro e eu fisguei um beijo, lentamente enrosquei minha língua na sua, deslizando para dentro de sua boca, apoiei sua nuca na mão espalmada. Ele gemeu, apartando-se de meus lábios sussurrou:
— Prato principal ou sobremesa?
Ri.
— Você.
— Não está com fome? – Seus olhos pareciam de um felino e a boca fina, sempre tentadora, fazia perguntas de duplo sentido.
— Não acha que estamos velhos demais para isso?
— Hã? Velhos demais? – Allen pareceu ofendido.
Sorri.
— Desculpa. – Coloquei seu cabelo detrás da orelha – É que eu te amo e não quero forçar a barra.
— Eu estou pagando aquela maldita dívida e é isso que me diz?
— Nossa, aquela ainda? – Ri, beijando seus lábios brevemente – Eu já havia me esquecido.
— Sete anos de serviço por perder no Fliperama.
— Ah, vá. – Abracei-o – Já passou, amor.
— Arrã. Mas, como estamos no final de Dezembro do último ano, mal vejo a hora de me livrar dessa.
— E o Josh? – Ronronei passando meu nariz pelo seu cabelo lisinho e cheiroso.
— Dormindo. Disse que amanhã quer ir na casa de uma amiga.
— Amiga ou namoradinha?
Allen desatou a rir.
— Ele acabou de fazer 13, não vai namorar agora.
— Se puxou a mim, vai começar logo que completar 15.
Allen abanou a cabeça e suspirou.
— Não duvido mesmo. – Ele mostrou uma bisnaga de KY em suas mãos.
— Quebrei o clima. – Murmurei, fazendo ele olhar para mim ao segurá-lo pelo queixo.
Ele se pôs em ponta dos pés e me deu um beijo.
— Sempre se pode recomeçar.
Corou de leve e agarrou-se a minha nuca, voltando a beijar-me fervorosamente. Atado pelo beijo, caminhei empurrando Allen para a poltrona, fiz ele sentar bem devagar e iniciei tirando seus sapatos. Beijei seus pés nus das meias sete oitavos e subi beijando até o joelho. Ele segurou meu rosto e mordeu deliciosamente meu lábio inferior, puxando-o provocante e sorrindo como uma criança que apronta. Levantei e descasei os botões da camisa, Allen devorava a cena, as mãos presas aos meus quadris desceram minha bermuda e logo aquele olhar traquino voltou com o sorriso de pierrô.
— Senhoras e senhores, isso é um serviço de quarto completo. – Zombei rindo, confisquei a bisnaga.
— Não me dê o gostinho, Bookman. – Allen levantou puxando me pela blusa me fez beijá-lo e colocar as mãos em sua cintura – Faça.
Sorri maliciosamente, despindo-o lentamente e cada pedaço de seu corpo exposto pelo vestido que caia dos quadris, ao ficar em pé, beijava-o e passava a mão para descê-lo mais rápido. Tamanha era a necessidade de deixá-lo pronto.
Allen gemeu já se apressando em deslizar as mãos para baixo para fazer a cueca descer. Eu tirei minha calça e a roupa íntima juntas, peguei-o pela mão e o conduzi para o sofá. Fiz Allen deitar, enquanto me beijava, ele tinha as mãos ocupadas em minha ereção, movimentando os dedos para me deixar rígido.
Ele virou, empinando-se para cima, numa pequena travessura, ocupado demais passei o líquido em mãos e introduzi dois dedos em sua entrada. Allen retraiu-se e gemeu baixo, se acomodando ao sofá, e eu reclinado sobre ele, estava apoiado nos joelhos e fazia os movimentos circulares.
A penetração foi fácil e a movimentação lenta, passados os minutos, acelerei e gozei dentro dele, não resistindo, caí por cima de seu corpo, aceitando seu calor.
— Hoje dormimos no sofá? – Perguntei e beijei seu cabelo.
— Sem chance, não quero que Joshua nos veja assim.
Ri. Levantamo-nos e apressamos o passo para ir ao quarto, um lugar mais reservado para terminar o que começamos.
~*~
Palhaçinho
Digo desde já que Lavi me paga por isso. Maldito dia em que achei que uma fantasia de palhaço seria boa ideia. “Você parece um palhacinho bem sexy, isso sim”. Antes que imagine as roupas de palhaço tradicionais, já informo que: Não, nada disso. Parece mais com um pierrô palhaço. O que realmente deve atrair Lavi é o fato da roupa ser mais justa, o que não é minha culpa.
Nossos pais haviam saído, curiosamente bem no dia em que Lavi já planejava vir me obrigar a se fantasiar e fazer para ele. Quase não tínhamos ido a festa a fantasia devido o desejo louco dele de me possuir.
Ajeitei a roupa e me encarei no espelho, ao menos ela não era quente. Fiquei tão concentrado em ver se tudo estava no lugar que não percebi Lavi entrando pela porta do quarto, só notei quando o reflexo dele apareceu atrás de mim, me abraçando por trás antes mesmo de eu poder ter alguma reação.
— Só de te ver assim já me animo. — Falou sussurrado ao pé do meu ouvido, me fazendo sentir sua respiração quente, em seguida desceu os lábios, beijando e sugando um pouco meu pescoço, me fazendo soltar uma pequena arfada. — Vou querer ouvir isso a noite toda.
Ele sempre fazia isso, me pegava de surpresa e me fazia derreter em seus braços. Não o respondi, já sabia que ele poderia virar qualquer coisa para malicia. Lavi tinha esse problema quando fantasia ou esperava de mais por algo. Não sairia como ele queria, mas aconteceria de todo e qualquer jeito. Acabei deixando-o me arrastar até a cama, me jogando por baixo dele e se assegurando de me travar na cama usando o próprio corpo.
Encarei aquele único olho que me devorava e o sorriso malicioso que ele tinha no rosto. Corei de leve, isso as vezes acontecia. Ele aproximou o rosto do meu, lentamente, pegando meus lábios com todo o cuidado, mas iniciando um beijo ardente assim que firmou os seus nos meus. Deixe-me entregar, retribuindo-o com afinco. Passei minhas mãos pelo pescoço dele, em seguida os braços.
Ele deixou suas mãos passeando pelo meu toráx, eu aproveitei para enfiar as mãos pela gola da camisa dele, tocando um pouco suas costas. Começamos a despir um ao outro, automaticamente, sem precisarmos trocar palavras nem parar o beijo. Uma coisa que me agrada no meu ruivo é: Ele consegue dar um beijo em que o ar não acaba. Mas só costuma fazer isso nessas situações.
Afastamos nossas bocas, deixando nossas respirações próximas e os olhares conectados. Eu já estava sem a parte de baixo da fantasia e Lavi, com a camisa aberta e a calça arriada. Primeiro ele brincou comigo, tocando meus mamilos e minha parte de baixo, para provocar-me e deixar rijo, além de me tocar ali um pouco e parar, apenas para aumentar minha vontade,
— P-para... — Pedi entre gemidos enquanto ele me tocava tanto no pênis quanto fingindo que iria me preparar.
— Mas você fica com uma expressão tão linda assim. — Deu beijos em meu rosto e depois em meu pescoço. — É um pecado vivo Allen.
— Você... Não presta... — Resmunguei entre os gemidos, ouvindo uma pequena risada.
Ele parou em seguida, pegou o lubrificante, me preparou com todo o cuidado como sempre fazia. Mesmo quando mais “senvalgem” ele nunca perdia seu cuidado e carinho comigo. Ele encaixou ali e me penetrou de uma vez só, fazendo-me arquear as costas um pouco. Em seguida parou, me observando, pareceu rapidamente preocupado mas logo começou a se mover.
Nunca agradeci tanto de estar sozinho com ele ali, meus gemidos eram altos, inundavam o quarto. Era justamente por isso que tinha sido provocado, além de ficar mais sensível eu consequentemente sentia mais prazer, o que fazia justamente isso.
Mantive meus olhos fechados, me segurando nele enquanto gemia e as vezes movendo um quadril. Era mais um movimento involuntário meu que de propósito. O ruivo começou a me estimular, me fazendo chegar antes dele ao ápice, o que me fez apertá-lo dentro de mim, causando pouco depois o ápice dele também.
Ficamos um pouco assim, cansados, interligados e ofegantes se recuperando. Logo depois ele saiu, me limpei e me troquei antes que ele ficasse com mais vontade que antes. Acabamos por dormir juntos na minha cama. Tínhamos a felicidade que nossos pais só voltariam amanhã de tarde, então nem veriam ou suspeitariam do que aconteceu aqui.
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