Fotografias

28 Surpresa


Notas iniciais
Como disse, meus amores, estou trazendo o capítulo pra vocês

As duas ainda ficaram alguns minutos se olhando, totalmente em silêncio, dando tempo para seus corpos se recuperarem. Manu ainda estava trêmula e tinha certeza que, se caso levantasse, suas pernas cederiam a qualquer momento.

– Desculpa ter feito as coisas desse jeito – Sarah finalmente quebrou o silêncio, chamando a atenção da fotógrafa, que agora olhava para o teto. Os olhos azuis a fitaram curiosos um segundo depois. – Eu não estava raciocinando direito.

– Não tem o que desculpar. Não poderia ter sido melhor – a loira virou de lado para observá-la melhor e sorriu com ternura.

– Mesmo assim. Eu não queria ter sido... bruta – suspirou e desviou os olhos, porém olhou-a novamente quando a sentiu tirar os fios vermelhos grudados em seu rosto.

– Você foi perfeita. Eu não me importo com a forma que as coisas aconteçam, já que é com você que eu estou.

– Mas... – Manu a calou com um selinho.

– Mas, nada. Eu amei, foi maravilhoso – sorriu de forma travessa, fazendo-a estreitar os olhos. – Você só está me devendo uma calcinha nova.

Ao se lembrar do que fez com a calcinha dela, Sarah ficou mais vermelha que um pimentão. Franziu as sobrancelhas e fez bico quando Manu gargalhou, embora a tivesse enchido de beijos para desfazer sua cara feia.

– Precisamos comprar uma dúzia – Manu voltou a falar, agora com um sorriso malicioso nos lábios.

– Por que uma dúzia?

– Pra você fazer isso toda vez – sussurrou no ouvido dela, notando-a se arrepiar por completo.

– Você é uma pervertida, sabia?

– Apenas gosto quando você me faz sua mulher – a loira voltou a sussurrar, novamente causando um efeito catastrófico no corpo de Sarah. – Também gosto de gemer pra você.

Nem um ser sensato em toda a face da terra ficaria no parado no mesmo lugar, não com uma loira gostosa como aquela sussurrando coisas obscenas em seu ouvido.

Prendendo a respiração, Sarah a puxou para cima do seu corpo. Ela riu divertida com o efeito que sabia que causava, mas aquele sorriso não duraria muito tempo, Sarah tinha certeza disso. Começou com um beijo intenso, como uma forma de avisar que Manu estava brincando com fogo. Ela correspondeu na mesma intensidade, acariciando o corpo nu como se ainda não o conhecesse. Os movimentos se tornaram novamente urgentes e necessários, com direito a mais apertões e movimentos bruscos. Só que dessa vez Manu lutou para ficar no comando, por mais que fosse praticamente impossível. Mas no fim conseguiu vencer e provou do corpo da ruiva, deliciando com cada pedacinho dela. Beijou, mordeu, chupou, apertou, arranhou. E não demorou muito para que Sarah chegasse ao segundo orgasmo da noite, dessa vez mais intenso e longo. Só Manu sabia o quanto era excitante ouvi-la gemendo alto e chamando por seu nome, enquanto apertava seus cabelos entre os dedos trêmulos e se contorcia de tanto prazer.

Foi quando Manu pensou que finalmente tinha acabado que Sarah voltou para cima dela, mostrando definitivamente quem é que mandava naquela relação.

Por mais que tentasse se debater e se livrar das mãos dela, enquanto ria de forma divertida, não conseguia obter sucesso. Sarah era muito mais forte e parecia convicta no que pretendia e somente isso fazia com que ficasse excitada novamente. Deixou que ela fizesse novamente, dessa vez não tão urgente e desesperado como antes, mas ainda assim o ritmo era forte e intenso. Em certo momento, Manu já não conseguia mais segurar os gemidos, que subiam com facilidade por sua garganta e escapavam pelos lábios inchados por causa da sequência de beijos. Poucos minutos depois e estava chegando ao seu terceiro orgasmo. Seu corpo inteiro estremeceu e entrou em uma sequência de espasmos incontroláveis, enquanto os dedos de Sarah ainda continuavam se movendo de forma malvada em seu interior.

Aquele sentimento não era mais dúvida nenhuma para Manuela. Amava Sarah com todas as forças de seu ser.

(...)

Como haviam combinado, Sarah foi passar uns dias na casa de Manu. Queria estar com ela se alguma coisa de ruim viesse a acontecer. Protegeria-a com toda coragem que tentava juntar através dos dias. Então uma semana se passou e, diferente do que pensavam, nada de anormal aconteceu. A fotógrafa saía cedo para trabalhar e Sarah ia treinar no mesmo horário. Almoçavam juntas e voltavam a se encontrar no final da noite. Agora que dormiam e acordavam juntas, elas estavam praticamente inseparáveis.

Apesar de nada ter acontecido, Sarah se recusou a voltar para sua casa, não até ter total certeza de que Júnior não voltaria a aparecer. Assim um mês se passou. Tão rápido que quando perceberam já estavam em Maio. Foi só então que elas esqueceram um pouco a tensão e puderam finalmente relaxar.

Tudo parecia estar onde devia. Em um domingo ensolarado todos combinaram de se encontrar no zoológico. Fazia algum tempo desde que todos haviam se reunido e aquela era a hora certa para contarem todas as novidades. A programação era a visitação aos animais, uma passada rápida no museu nacional e, por último, fariam um piquenique sobre o extenso gramado da Quinta da Boa Vista.

Claudia estacionou seu New Civic preto em uma das poucas vagas livres do estacionamento da Quinta. Haviam combinado de se encontrar às oito da manhã, porém só Deus sabia o quanto tinha tentado tirar Mariana da cama. Por esse motivo estavam mais de meia hora atrasada e seu WhatsApp não parava de receber mensagens carinhosas no grupo.

Quando finalmente chegaram ao ponto de encontro, Clara observou todos com um sorriso divertido nos lábios.

– Porra, pensei que não fossem mais chegar – Sarah foi a primeira a reclamar, cruzando os braços e franzindo as sobrancelhas. Ela, juntamente com Manu, estava com short jeans e camiseta.

– Tudo culpa da Mari – Claudia tratou logo de acusar, apontando para a médica.

– Desculpa, gente, ontem eu levei o Gu pra casa do pai dele – Nanda revirou os olhos ao ouvir a frase. – então aproveitei pra dar uma geral na casa toda. Estava muito cansada mesmo.

– Não tem problema, de verdade – a fotógrafa falou com ternura.

– Vamos logo, antes que percamos mais tempo à toa – foi a vez de Victor dizer, mostrando que também estava irritado com a demora de quarenta minutos das quatro.

Então eles atravessaram todo o gramado e, depois de pagarem pelas entradas, foram direto para a imensa gaiola de araras, que ficava de frente para as roletas de passagem. Em quase um ano que estava ali no Rio, Manu ainda não tinha visitado aquele lugar. Ficou admirada com as cores vibrantes das aves, seus enormes olhos azuis cintilando de alegria. Sarah não podia ficar mais encantada.

Com sua jardineira jeans, Juliana andava de mãos dadas com a japonesa, os dedos entrelaçados. Ela, juntamente com os demais, passaram pela área de répteis e passaram alguns minutos observando as cobras e lagartos. Lia ora ou outra alfinetava alguém. Como quando passaram em frente a um aquário, na área de seres marinhos. Ela apontou para um enorme e feio peixe e disse alto:

– Ele não é uma gracinha? Parece até com o David.

O rapaz, que estava impecável numa bermuda jeans e camisa polo listrada em branco e azul, deu um cascudo na cabeça dela, embora risse junto com os demais. Ela, como sempre, conseguia ser a pessoa mais irritante da face da terra. Porém, quando passaram pela parte dos macacos, não pôde deixar de dizer que o macaco prego era a cara dela. As risadas foram altas e incessantes. Era realmente muito bom fazer o feitiço virar contra o feiticeiro.

Depois de passarem pelo zoológico inteiro e posteriormente pelo museu, eles finalmente sentaram para comer. Estavam morrendo de fome e tiverem que aturar Mari, Victor e Clara reclamando a todo instante, dizendo que precisavam mesmo comer, se não surtariam. Um piquenique era o real plano, mas eles compraram comida por lá mesmo e sentaram a beira de um lago. A metade tinha escolhido cachorro-quente e o restante preferiu pizza ou churrasco.

– Nós precisamos contar uma coisa pra vocês – Ju falou depois de algum tempo em silêncio. Bem a frente, no lago, uma dúzia de pessoas se divertiam nos caiaques.

– Nós? – Victor indagou embolado. Sua boca estava cheia de cachorro quente.

– Engole antes de falar, seu porco – Sarah o empurrou e recebeu um tapa como resposta. – Bruto.

– Lia e eu – a mulata respondeu e tirou mais um pedaço de carne assada do espeto, levando a boca em seguida.

– Nós já estamos juntas há mais de um ano e decidimos que vamos morar juntas – foi Lia quem contou.

– Meu Deus, que lindas – Claudia quase gritou, abraçando a japonesa em seguida.

– Calma, não acabou – ela continuou ao empurrar a morena de olhos azuis. – E... também decidi engravidar.

Todos, numa sincronia quase perfeita, pararam de comer e ergueram os olhos para fitá-la. O silêncio se instalou, deixando as duas desconfortáveis. Então um segundo e meio depois as risadas preencheram o ambiente, chamando atenção de algumas pessoas que se divertiam em volta. Lia ficou vermelha e desviou os olhos puxados.

– Espera, você está falando sério? – Nanda perguntou, tentando conter o riso. – Não consigo imaginar você grávida.

– Estou – a japonesa deu de ombros, embora seu rosto estivesse quente de vergonha.

– Juliana de Deus, me explique como você conseguiu fazer esse feitio? – Mari indagou, a cara vermelha de tanto que tava rindo.

– Parem de gracinha – a mulata jogou uma bolinha feita com o guardanapo do churrasco nela. – Só decidimos que será assim. Eu não posso engravidar agora, não estando no auge da minha carreira. Mês que vem começam os treinos para um amistoso contra a China e logo mais as olimpíadas estarão aí.

– Pensando por esse lado, você está certa – Clara franziu as sobrancelhas, pensativa, mas riu novamente. – Desculpa, só acredito vendo o exame comprovando que a Lia ta prenha.

– Prenha sua bunda, não sou vaca – a japonesa a empurrou e todo mundo riu, inclusive Juliana.

– Não, vaca não – Victor se segurava para não ter outro ataque de riso. – Uma bela de uma égua baixinha e de olhos puxados.

– Vai se foder – Lia mostrou o dedo do meio e todos voltaram a rir.

Ambas já esperavam por aquilo, fazia parte da natureza dos amigos. Estavam muito felizes apesar de tudo.

(...)

No dia seguinte, Manu acordou mais cedo que o normal e tomou um banho demorado, livrando-se do cheiro de suor acumulado durante a noite insuportavelmente quente. Mesmo com o ar condicionado ligado, não conseguiu se manter quieta. Por pouco não imaginou se estava precocemente entrando na porcaria da menopausa, pois Sarah dormia tranquila ao seu lado sob dois quilos de cobertas. Não sabia o que estava acontecendo. Só poderia estar ficando doente.

O mês de Maio nunca tinha sido tão chato. Dali a dois dias fotografaria um evento beneficente, que comemorava o dia da mulher e ao mesmo tempo arrecadaria fundos para um projeto que buscava ajudar mulheres com câncer de mama. Então precisava correr para a empresa, fazer um cronograma legal e esperar pelo seu cliente. Hoje tinha uma sessão com um modelo internacional. Tinha pesquisado um pouco sobre ele e descobriu que era namorado de uma atriz global, embora nunca tivesse ouvido falar nele e nem nela.

Antes de sair, deixou o café da manhã pronto e beijou de leve os lábios de sua namorada. Ela estava de folga por terem vencido o quarto jogo do campeonato, contra um time fortíssimo. Não lembrava o nome, mas ao que parece ele era de São Paulo. Por isso achou melhor deixá-la dormindo, para que descansasse bem. Também deixou um bilhete, dizendo que ela era a mulher da sua vida e que mais tarde sairiam para jantar como havia prometido.

Então foi para o trabalho ao som de Clarice Falcão. Foi até impressionante como o tempo havia passado de pressa, enquanto fazia o cronograma e esperava o rapaz.

Levy Castelier, o modelo que iria fotografar, era bem alto e tinha os olhos dourados. Manu não conseguiu conter a surpresa quando ele veio cumprimentá-la com um sorriso arrebatador. Se pelas fotos ele era lindo, pessoalmente chegava a se tornar um pecado. Os cabelos eram lisos e totalmente negros, alto em cima, porém baixo dos lados e atrás. Parecia um príncipe. Tinha músculos moderados nos braços e, quando ele tirou a blusa para uma página dedicada a mulheres, notou que a barriga e o peitoral eram tão malhados e definidos quanto o resto do corpo.

Em meio à sessão, ele contou como havia conhecido sua namorada e também perguntou algumas coisas para a loira, que alegou sem vergonha alguma namorar uma garota. Foi engraçado ver a surpresa nos olhos âmbar, mas o sorriso perfeito que ele dera ao analisar Sarah em uma fotografia em seu celular a deixou satisfeita. Ele era britânico e o sotaque estrangeiro carregado se tornava um charme a mais no conteúdo perfeito.

Quando terminaram, ambos salvaram o contato um do outro. E como sempre tudo voltou a ser tédio. Antes de analisar todas as fotografias no computador, Manu arrumou sua melhor câmera e o restante dos materiais numa mochila que linha a logo da empresa que trabalhava. Lentes, tripé, entre outras coisas também foram junto. Assim que terminou, deu-se por vencida e foi atrás de uma xícara de café. Estava louca para terminar tudo e se encontrar com Sarah.

Estava tão concentrada em selecionar as melhores imagens que nem notou que seu horário de almoço passou voando e nem ao menos tinha saído para lanchar. Só quando seu estomago reclamou que ela saiu do prédio e comprou um pacote de Doritos e Coca-cola na banca de jornal da frente. Não havia nada melhor do que aquela combinação. Comeu em sua mesa, conversando com a galera e Sarah no WhatsApp. Alegou que voltaria para casa daqui a pouco, pois ainda faltava separar o restante das fotos e entregar o pen drive para o departamento de design.

Ao finalmente terminar tudo o que precisava no dia, levantou e jogou o pacote do salgadinho e a lata do refrigerante vazia na lixeira. Queria muito ir para casa e tomar um banho demorado. Seus pés estavam implorando para que se livrasse de uma vez por todas do AllStar branco. A calça jeans também incomodava, tudo incomodava. Os cabelos longos estavam presos num coque alto por causa do calor insuportável. Logo após se despedir dos seus colegas de trabalho, pegou a bolsa e foi direto para o carro.

O Sedan azul marinho de vidro fumê que Sarah havia lhe dado a esperava do outro lado da rua, estacionado entre dois carros, um preto e um branco. Teve que apertar os olhos por causa da luz forte do sol ao tentar encaixar a chave na porta para abri-la. Quando finalmente conseguiu, entrou e sentou no banco do motorista. Deus, nada melhor do que ir para casa todo dia de carro. Era um saco ter que pegar ônibus ou taxi, sem contar que demorava muito para chegar, devido a super lotação de carros na cidade e consequentemente do terrível engarrafamento. Encostou a cabeça no banco e fechou os olhos, respirando fundo.

– Aproveitou a viagem?

Manu saltou do banco devido ao enorme susto que tomou, automaticamente virando para trás. Se fosse possível um coração pular para fora do peito não faltava muito para o seu fazê-lo. Sentado, no banco de trás, de pernas abertas e totalmente a vontade, estava a única pessoa que temia encontrar.

Júnior Albuquerque.

Continua...

Notas finais
Não me matem por esse final u.u Uma pergunta pra vocês: Vocês preferem capítulos grandes ou pequenos? O último ficou grande demais sem querer e esse não teve como ficar maior que isso. Não se preocupem, vou responder a todos os reviews amanhã, pois é minha folga *-* Beijo gente. Quinta feita a noite eu trago o próóóóóximo.