Fotografias
22 Provocações
Notas iniciais
Talvez fosse impossível que o coração de Manuela batesse mais rápido que aquele momento. Encontrava-se pressionada contra a parede, com uma ruiva revoltada colada em suas costas. Sua mão, que estava entre os seios e a parede, tentava com certo sacrifício segurar a toalha que cobria seu corpo nu. Diversos raios em forma de arrepios percorriam seu corpo, como se a avisassem sobre o que estava por vir. Não precisava olhá-la, pois conseguia senti-la sorrindo maliciosamente. Era praticamente irracional o fato do seu sexo ter ficado molhado somente por causa daquela investida rude. Apesar disso, Manu se preocupava em não fazer barulho e acordar Miguel, ou, pior, sua mãe. Ainda assim não queria que ela se afastasse.
– O que você estava dizendo mesmo? – Sarah indagou com a voz rouca em seu ouvido, enquanto apertava seu corpo contra a parede com ainda mais vontade.
– Eu estava brincando, Sarah – tentou contornar a situação, se segurando para não rir. Os seios macios estavam sendo pressionados contra suas costas e ela tentou não prestar atenção nisso. – É serio. Minha mãe vai acabar ouvindo a gente.
– Pensasse nisso antes – mordeu-lhe o ombro de leve, enquanto as mãos desciam com o intuito de apertar a cintura curvilínea. Manuela era o que o mundo definiria de “o verdadeiro mau caminho”.
– Sarah... – Manu mordeu os lábios e fechou os olhos, fazendo o possível para não se perder da sanidade. Por um instante quase soltou a toalha. Apesar do rosto corado, estava realmente gostando daquilo, daquele perigo todo.
– Isso vai ser pra você aprender a nunca mais me provocar daquele jeito – sussurrou mais uma vez, começando por beijar o pescoço alvo, que estava bem diante de seus olhos. Como os cabelos lisos ainda estavam presos num coque alto, Sarah se viu livre para explorar toda aquela área.
E Manu não tentou mais impedi-la. Seu corpo estremecia a cada beijo, a cada toque ou mordida dados por ela. A toalha ainda se mantinha intacta, mas sabia que era questão de segundos para que ela fosse de encontro ao chão. Nunca tinha ficado nua na frente dela, mas por algum motivo que desconhecia não estava nervosa nem com vergonha. Apenas queria que ela a tocasse de todas as formas possíveis, que a fizesse sua mulher de uma vez por todas.
Sarah não sabia se era porque suas amigas sempre falavam de seus relacionamentos, se foi pela vez que viu Lia e Juliana se pegando depois de um strip feito pela própria japonesa, ou se realmente fosse seus sentidos de mulher. A questão era que, por incrível que pareça, sabia exatamente o que fazer e onde fazer. E por esse motivo não iria voltar atrás de jeito nenhum. Com esse pensamento, apertou-a ainda mais contra a parede, obrigando-a a tirar a mão que segurava a toalha, para que não a machucasse. Agora era só puxar, mas não o fez, não por hora. O corpo alvo ainda estava úmido em algumas partes e a pele estava fria por ter ficado exposta por tanto tempo. Ainda assim, Sarah beijou-lhe os ombros e o pescoço, sentindo o cheiro gostoso de sabonete e se demorando na nuca dela.
Nunca imaginou que seria tão gostoso se deliciar num corpo feminino.
Continuou com as carícias, decidindo por explorar cada pedaço dela. Apertou com força as coxas e a cintura, pressionando-a ainda mais. Se é que era possível. Manu arfava e tentava fazer o possível para não gemer. Sem deixar tempo para ela pensar, Sarah se afastou milimetricamente e puxou a toalha de uma só vez, revelando o corpo escultural da loira. Agora Sarah sabia realmente qual era o significado do termo deus grego.
O coração da loira parou de bater, ao mesmo tempo em que prendia a respiração. Toda aquela história de não-se-sentia-nervosa foi por água a baixo quando se deu conta que nada mais cobria seu corpo naquele momento. Como se tivesse tido tempo para pensar em qualquer coisa. Sarah já estava colada novamente contra suas costas, apertando cada pedaço do seu corpo como se, por acaso lhe escapasse dos dedos, nunca mais fosse tocá-la outra vez. Estremecia e se arrepiava com tudo aquilo, enquanto a língua dela deslizava por suas costas e os dedos apressados subiam para apertar-lhe os seios com uma vontade descomunal. Foi naquele momento que Manu fez uma nota mental: Não provocar Sarah em lugares proibidos.
Em algum momento, os cabelos dourados desprenderam do coque e caíram como cascata por cima dos ombros e costas. Antes de se mover para retirá-los dali, Sarah jogou-os para o lado, por cima de um de seus ombros. Suspirou quando uma das mãos envolveu seu seio em uma massagem rápida e torturante, apertando o mamilo entre os dedos e puxando-o vez ou outra. E só quando ela subiu a mão livre por entre suas pernas e alcançou seu sexo, que Manu mordeu o lábio com tanta força que ela temeu que começasse a sangrar.
Quando finalmente Sarah sentiu um liquido quente escorrer por seus dedos ela percebeu o quanto Manu estava excitada com suas ações. Ela estava muito molhada. E, como se algo estivesse forçando seu próprio corpo, apenas penetrou dois dedos sem avisar, sem deixar um momento sequer de massagear o seio esquerdo.
Manu arfou e arregalou os olhos, sentindo uma onda imensa de prazer invadir seu corpo. Apoiou a testa na parede e prendeu a respiração, enquanto os dedos começavam um movimento frenético logo de início. Os gemidos vinham à beira da garganta, mas a loira fazia o possível para que não saíssem. Era quase impossível. Mordeu os lábios com força, arranhou as coxas de Sarah, bateu com a testa na parede, mas não conseguiria suportar muito tempo, não com ela entrando e saindo tão rápido do seu corpo. Suas pernas já estavam bambas há muito tempo e, se não fosse pelo corpo dela, não suportaria ficar mais em pé.
– O que foi? Tá difícil respirar? – Sarah sussurrou no ouvido dela de um jeito sedutor, ainda entrando e saindo o mais rápido que conseguia.
– Sarah... – Ela conseguiu dizer, quase num gemido. Sua respiração estava ofegante e seu corpo inteiro estremecia. – Eu vou... eu vou...
– Não, você não vai – respondeu, sorrindo maliciosamente, e em seguida parou os movimentos dos dedos. – Não agora.
– Não seja ruim... – Manu conseguiu falar com dificuldade, estremecendo inteira só pelo fato de ainda sentir os dedos dentro de seu corpo.
– Vamos devagar agora.
Era a tortura mais deliciosa que Manu já sofrera na vida. Os dedos recomeçaram os movimentos, entrando e saindo o mais lentamente possível, mas de uma forma forte e intensa. A cada estocada, seu corpo estremecia e implorava por mais, mas ela continuava naquele jogo terrível, que parecia nunca ter fim. A mão livre passeou por todo seu corpo, apertando e arranhando, até parar em seu cabelo e enrolar aqueles fios longos e dourados entre os dedos.
– Sarah, por favor... – Implorou assim que ela puxou sua cabeça para trás e lambeu sua orelha. Os dedos continuavam entrando e saindo sem cessar.
– Diz o que você quer – Sarah sussurrou rouco e mordeu-lhe o lóbulo, apertando ainda mais seu corpo no dela. – Diz que eu quero ouvir.
– Eu quero... você – ela se segurou o máximo, mas acabou gemendo baixo. E outros foram vindo automaticamente, um atrás do outro.
– Eu estou aqui – disse, provocando-a. – Me diz com todas as letras. O que você quer?
– Eu... – se autointerrompeu quando ela girou devagar os dedos dentro de si. Mais uma vez não conseguiu conter o gemido e automaticamente tapou a boca com a mão.
– Ainda não ouvi.
– Eu quero que... você faça mais rápido... por favor, Sarah... não aguento mais – abafou os gemidos com a palma da mão.
– Assim? – Indagou, voltando a movimentar os dedos tão rápido quanto antes. Entrando e saindo freneticamente.
A loira pensou que não fosse realmente aguentar. Seu corpo inteiro estremecia enquanto os dedos se movimentavam numa velocidade incrível. Ainda estava com o rosto pressionado contra a parede, mas agora empinava a bunda para facilitar os movimentos da ruiva. Como se não fosse ficar pior, ela desceu a mão de seus cabelos diretamente para seu sexo, na parte da frente. Foi tão rápido que não teve tempo para raciocinar. Os dedos ágeis se moveram sobre seu clitóris, incitando-a ao clímax. Em questão de segundos seu corpo começou a entrar em espasmos. Manu fechou os olhos com força e mordeu os dedos para não gemer, enquanto suas costas arqueavam involuntariamente. O gozo veio forte e destruidor, acabando com qualquer sinal de sanidade que ainda sobrava na fotógrafa.
Assim que notou que ela iria desabar, Sarah retirou os dedos de dentro dela e segurou seu corpo com braços fortes, apesar de cansados. Manteve-se abraçada a ela por algum tempo, ouvindo a respiração arfante sair dos lábios rosados. A cabeça dela estava com o perfil encostado na parede e Sarah percebeu que suas bochechas estavam muito coradas, provavelmente pelo esforço feito para que não gemesse tão alto.
Ao notar que ela já estava mais relaxada, virou com calma o corpo dela e encostou suas costas na parede. Seus olhos estavam escuros, num tom nebuloso de cinza. E aquilo simplesmente encantou Sarah, como se ainda houvesse sempre uma coisa para deixá-la ainda mais apaixonada. Olhou-a nos olhos e sorriu de um jeito malicioso.
– Eu já aprendi a lição – ela disse, ainda com um pouco de dificuldade. Os lugares tocados por ela formigavam e queimavam. – Agora me deixa colocar uma roupa.
– E quem foi que disse que eu terminei? – Indagou, vendo-a arregalar os olhos como resposta.
– Você quer me matar? – Manu suspirou e se manteve apoiada no corpo dela, ainda sentindo as pernas bambas. – Eu já aprendi a lição.
– Eu sei, mas eu quero experimentar uma coisa antes – o sorriso malicioso fez o coração da loira disparar. Se é que ainda era possível. Estava a beira de sofrer um ataque cardíaco.
– O quê...?
Como resposta, Sarah soltou o corpo alvo e se ajoelhou, olhando para cima logo em seguida, para se certificar se ela tinha entendido o recado. Percebeu que sim quando notou que ela havia prendido a respiração. Sem pedir permissão ou qualquer coisa do gênero, apenas mordeu o lado interno das coxas alvas e subiu beijando com vontade. Queria sentir o gosto dela. Antes de chegar ao sexo, lembrou-se do que Nanda disse:
A primeira vez que fiz oral na Mari, não curti muito. Tem um gosto estranho.
Mesmo assim, não hesitou. Duvidava muito que o gosto da loira fosse ruim. Então, quando abocanhou o sexo que ainda latejava de prazer, Manu arfou e arqueou as costas ao mesmo tempo, levando automaticamente as mãos aos cabelos ruivos.
A língua e os lábios movimentavam-se de forma ávida, causando novos arrepios ao seu corpo. Ela lambeu, chupou e mordeu toda a extensão do seu sexo. Para tentar conter um pouco a onda de prazer que invadia todo seu corpo, apertou os dedos nos cabelos vermelhos e os puxou. O sangue parecia que estava correndo em alta velocidade em suas veias, acompanhando os batimentos de seu coração. Estava começando a suar também, apesar de ter acabado de tomar banho. Era incrível o calor que estava sentindo mesmo com o ar fresco da noite que as envolvia.
Passaram-se minutos e Sarah não parou um momento sequer de lamber e chupar, ocasionalmente penetrando a língua e sentindo o gosto dela. Simplesmente se deliciou ali, ora ou outra mordendo as laterais e puxando até que desprendesse de seus dentes. Percebeu que os gemidos de Manu vinham constantemente, por mais que ela os tentasse impedir. Sabia que estavam correndo um risco enorme, mas não pararia agora, não com ela se desfazendo em sua boca. Iria fazê-la chegar ao orgasmo mais uma vez e engoliria cada gota. Então manteve os movimentos constantes até parar e sugar o clitóris para dentro de sua boca e lambê-lo enquanto segurava-o entre os dentes.
Foi nesse momento que Manu dobrou o corpo para frente, apertando os dedos nos cabelos vermelhos e puxando-os para tentar conter a nova onda de espasmos que estava por chegar. Estremeceu por inteira e fechou os olhos com força, prendendo a respiração e se concentrando para não gemer, o que era completamente impossível. Seu corpo inteiro estava em chamas, estremecendo involuntariamente, enquanto a língua dela ainda continuava seus movimentos torturantes.
– Só pra terminar de vez – Sarah disse ao se reerguer e abraçar o corpo vulnerável.
– O quê? – A indagação veio arfante.
Como resposta, ela a beijou. Não com a mesma intensidade de antes. Foi um beijo calmo e lento, que explorou toda a boca da loira. Ao chupar o lábio inferior, Sarah sentiu alguns cortes espalhados pelo local, devido as mordidas constantes e fortes. Mas não durou muito, pois Manu logo precisou de ar.
– Será que minha mãe ouviu? – Manu perguntou, com certo receio da resposta.
– O quarto dela é lá do outro lado, meu amor – a ruiva tentou tranquilizá-la. – Ela não ouviu, tenho certeza. – Ai! – Exclamou ao receber um tapa no braço.
– Sua doida! Não faz mais isso – fez uma carinha emburrada e Sarah a encheu de selinhos.
– A próxima vez pensa bem antes de me provocar daquele jeito – piscou para ela e, antes de se virar para sair do banheiro, Manu a segurou pela roupa.
– Toma banho comigo? – O rosto dela corou ao dizer.
– Mas eu to de roupa – brincou, dando de ombros.
– Tem problema não, eu tiro.
E as duas tomaram banho juntas pela primeira vez. Manu não se sentiu envergonhada como pensou que se aconteceria. Também quem iria sentir vergonha depois de chegar ao orgasmo duas vezes momentos antes? Praticamente impossível. Sem contar que Sarah tinha o corpo perfeito, mal tinha como pensar em ao menos corar. Na noite anterior não a tinha visto nitidamente, pois estavam no escuro, sendo iluminadas apenas pela luz da lua. Agora não, conseguia ver cada pedacinho dela. Ela era magra e alta, uns dez centímetros a mais que Manu, que não se importava nem um pouco com isso.Tinha os seios de um tamanho moderado, mas a loira os achou lindos. A pele alva e suave como pétala de rosa tinha sardas espalhadas por diversos cantos. Ombros, busto, barriga, rosto. Manu as adorava. E aqueles olhos camaleão, que ora estavam verde água e depois escurecia para um tom de musgo a deixavam completamente hipnotizada. Os cabelos caíam como um mar de fogo pelos ombros, deixando Manu em dúvida para onde deveria olhar. Ela era toda perfeita.
Depois de quase meia hora, as duas saíram e se vestiram para finalmente dormirem. Quando pegaram no sono, o galo já cantava alto e o sol já raiava no horizonte. Apesar da festa agitada e do fim de noite inesperado, elas dormiram com um sorriso no rosto. Jamais pensaram o quão seria importante a presença que uma fazia na vida da outra.
(...)
Sarah, como sempre, foi a primeira a acordar. Às vezes parecia que era ela quem sempre morou na roça. Manu era uma preguiçosa que se recusava a levantar antes das nove. Então, sem querer perturbar seu pequeno anjo, levantou devagar e, assim que deu um selinho nos lábios rosados, foi ao banheiro para fazer suas necessidades higiênicas. Escovou os dentes e penteou os cabelos, demorando-se um pouco ao analisar seu rosto no espelho, em busca de alguma marca de maquiagem possivelmente esquecida depois que chegou da festa. Ao terminar, voltou para o quarto e dobrou as cobertas forradas no chão por dona Helena. Na primeira noite se sentiu culpada por ela ter feito uma cama que nem ao menos se deu o trabalho de deitar, então disse que forraria ela mesmo, mas a senhora bateu o pé e disse que fazia questão, pois ela era visita. Assim que terminou, empilhou as peças na beirada da cama e saiu do cômodo.
Da cozinha vinha um cheiro delicioso de café fresco e Sarah se imaginou tomando-o enquanto comia bolo de laranja. Dona Helena estava na pia, cortando tomate. Numa travessa ao lado tinha, já picados, cebola e pimentão. Ela não viu a ruiva chegando e seguia concentrada o seu trabalho. Alguns segundos depois, ela se virou para ir até o armário de parede e sorriu abertamente ao finalmente vê-la.
– Bom dia, minha filha – as mãos estavam sujas de semente de tomate ao pegar dois potinhos de tempero, um parecia pimenta do reino e o outro cominho.
– Bom dia, dona Helena. A senhora precisa de ajuda? – Sarah puxou a cadeira e se sentou.
– Não precisa. Só estou temperando a carne para logo mais colocar no fogo – explicou, logo servindo um café para a ruiva. – Tome seu café. Cadê Manuela?
– Ainda ta dormindo.
– Essa menina é uma preguiçosa mesmo. Eu deixei uma cesta de piquenique prontinha para vocês levarem, mas do jeito que ela é, bem capaz de vocês saírem só de tardezinha – Sarah observou a cesta que ela colocou sobre a mesa e conteve a curiosidade em saber que tipo de comida dona Helena colocou ali dentro.
– Ela disse que iríamos depois do almoço – deu de ombros, achando praticamente impossível, e em seguida bebeu mais um gole do café fumegante.
– Vá acordar essa menina, minha filha...
– Vocês estão incomodadas demais com meu sono – Manu apareceu na porta da cozinha. Os cabelos ainda estavam desgrenhados, mas os olhos azuis brilhavam com a claridade do dia. – Nós vamos já, já. Pode começar a se arrumar, mocinha.
– Vou terminar meu café primeiro.
– Mãinha, vou levar a Sarah lá na fazenda onde Miguel trabalha, o que a senhora acha? – A loira serviu um copo enorme de café para si, bem cheio.
– Deus, como você consegue tomar tanto café assim? – Sarah arregalou os olhos, notando-a beber um longo gole e fazer uma careta.
– Esqueci do açúcar – após colocar, finalmente a respondeu: — Café é vida, Sarah.
A ruiva achou melhor não responder, até porque tinha quase certeza de que a resposta seria óbvia. Você é vida. A minha, de preferência.
Continua...
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