Fotografias

43 Pensamentos Conflituosos


Notas iniciais
Oi, geeente sz Desculpa a demora, estou com um monte de matéria para estudar e provas onlines para fazer. Esse capítulo é curtinho mesmo, mas espero que gostem.

Por mais que quisesse passar anos sem falar com Sarah, era praticamente impossível. Todo seu corpo ansiava por um toque dela, por sentir a textura daquela pele sedosa. Aquela sensação era quase um vício, do qual Manu simplesmente não conseguia controlar. Então não demorou muito tempo para que decidisse esquecer de tudo, já que ela alegava insistentemente que havia se ausentado devido a assuntos familiares. Não a pressionou mais e pensou que essa fosse a única vez, mas acabou não sendo.

Foi um ano inteiro acontecendo praticamente a mesma coisa. Ela sumia por uma semana e tornava a aparecer como se nada tivesse acontecendo. Já estava vendo a hora de enlouquecer. Não aguentava mais fingir que estava tudo bem, que estava satisfeita com aqueles sumiços, com telefonemas em segredo para uma pessoa que nem ao menos imaginava quem era. Já era Março novamente e nada mudou. Estavam juntas há quase dois anos e, a cada dia que passava, mais afastadas.

Sempre tentava o possível para que tudo voltasse a ser como era antes. Sarah insistia em dizer que a amava mais que tudo, que não existia ninguém mais em sua vida, mas, de uns seis meses para cá, Manu já não sabia se acreditava nas palavras dela. Não suportava mais se ver tão distante da vida da pessoa que mais amava. Se aquilo era namorar alguém, Manu não queria mais. E também não desejaria a ninguém o que estava sentindo.

Pensou que seu relacionamento seria perfeito depois que Júnior foi preso e condenado a 28 anos de prisão, o que achava muito pouco. Pensou também que um dia casaria com aquela mulher, que ela fosse moldada para si, perfeita para a vida que desejavam viver juntas. Se é que viveriam mais alguma coisa. Não estava nada satisfeita com os fatos e já não aguentava mais ter que esconder isso, fingir que estava tudo bem. Era impossível olhá-la e não sentir vontade de chorar. Estava infeliz e não queria mais fazer parte daquilo.

Era quase seis da tarde quando chegou em casa, depois de um dia cansativo no trabalho. Nunca tinha ralado tanto desde o dia em que começara naquela empresa. Ainda assim, preferia desse jeito. Não queria ter que ficar pensando no rumo que sua vida acabou levando com o passar dos meses. Ao entrar no apartamento, sentiu o ar refrigerado. O ar condicionado estava ligado. Possivelmente Sarah estava ali.

Devagar, caminhou pelo piso de madeira até atravessar o corredor que levava a seu quarto. Não era de seu feitio, mas parou atrás da porta quando a ouviu conversando com alguém.

– Precisa mesmo ser amanhã? – A ruiva indagou para alguém. Manu franziu as sobrancelhas. Ela estava falando no celular? – Mas eu tinha marcado de sair com a Manu e... – Ela fez uma pausa e a loira jurou ter ouvido um suspiro. – Tudo bem. Eu me encontro com você amanhã a tarde. Eu prometo que vou fazer tudo dar certo – e tudo voltou a ser silêncio.

Ainda de sobrancelhas franzidas, Manu abriu a porta e a fitou sentada na beirada da cama. Seu movimento provocou-lhe um leve susto. Sarah estava pálida.

– Então não vamos ao cinema amanhã? – Ainda teve a coragem de perguntar, mesmo sabendo qual seria a resposta dela. Engoliu em seco, com medo do que estava por vir. Estava cansada de brigar.

– Eu não vou poder. Amanhã vou precisar ir até São Paulo para resolver uns assuntos da minha mãe e...

– Por que você mente tanto para mim? – Estava farta. Desobedecendo todas as suas ordens, as lágrimas encheram seus olhos. – Sarah, você ainda me ama? – Seu coração apertou tanto que chegou quase a sufocar. Estava com muito medo da resposta. Apesar de tudo, ela pareceu surpresa com a pergunta.

– Como assim, eu ainda te amo? – Ela levantou da cama e foi até onde a loira estava, no vão da porta do quarto. – Você é tudo que eu tenho de mais precioso. Você é minha vida – tentou tocá-la, mas teve sua mão afastada por ela.

– Você não me respondeu...

– É claro que eu te amo. Você acha que eu estou mentindo quanto a isso? – Os olhos verdes a fitaram com uma profundidade sem limites. Manu mais uma vez se sentiu no meio de um turbilhão confuso. Deveria acreditar?

– Eu não sei mais no que acreditar, Sarah... Você passou o ano inteiro se ausentando, escondendo as coisas de mim. Eu estou no meu limite, sabe? – As lágrimas escorreram, mas Manu as afastou com as costas da mão. – Mas eu te amo tanto que não sei mais o que faço. Quanto tempo você vai ficar fora dessa vez?

– Uns cinco dias – de novo? Manu se perguntou por pensamento. – Eu juro que volto para a festa do Lucas. Não vou deixar você sozinha.

– Tudo bem... – era a única coisa que conseguia dizer, sempre. – Pelo menos dessa vez tenta me ligar mais vezes. Eu sinto muito a sua falta.

– Eu prometo que isso vai acabar – Sarah mordeu os lábios com força, sentindo o coração doer ao vê-la daquela forma. Não podia culpá-la. Estava cada vez mais ausente. – Espero que me perdoe por fazê-la sentir essas coisas ruins... Não foi isso que eu te prometi... Mas é a pura verdade quando eu disse que meu amor por você é imensurável.

– Eu quero muito acreditar nas suas palavras, de verdade... – Manu a olhou, os olhos azuis brilhando por causa das lágrimas. Sarah continuava sendo a mulher mais linda do universo, a única que ainda fazia seu coração palpitar só de olhá-la.

– Pois acredite. Eu te amo, Manu. Te amo demais – sem dar chances para que ela respondesse, Sarah a beijou.

Foi um beijo intenso e cheio de desejo. De início, a loira tentou afastá-la, mas foi praticamente impossível, pois Sarah era muito mais forte que ela. Então, sem opção de escolha, correspondeu-a na mesma intensidade, como se aqueles movimentos brutos fossem afastar tudo o que estava acontecendo. Era impossível negar o quanto a amava de corpo e alma, era impossível não deixar que ela a tomasse por inteiro. Mais uma vez.

(...)

Foi um ano muito corrido, com muito altos e baixos. Mas, para Lia e Juliana, aquele apenas foi um ano de provações. Só Deus e seus amigos sabiam o que realmente passaram depois que Lucas nasceu. O primeiro mês foi perfeito. Ele era, e continua sendo, o bebê mais lindo do universo. Os traços asiáticos da família de Liane estava todos nele, mostrando o quão ele era parecido com a mãe. Os olhinhos negros puxados e os cabelos lisos da mesma cor, o deixavam tão charmoso quanto ela. Tudo isso se devia ao fato de Juliana ter escolhido um doador de aparência semelhante, pois queria ver sua mulher em seu filho.

Três meses depois, quando ele já estava começando a ficar com as costas firmes, receberam a noticia do médico que, possivelmente, ele poderia não andar. Lia lembrava da expressão horrorizada de Mari ao ler o laudo médico, dizendo que aquela afirmação era impossível. De acordo com ela, não havia visto nada disso em suas pesquisas. Juntas, fizeram o possível para mudar esse futuro, mesmo que na avaliação da loira Lucas continuasse esperto e saudável.

E passaram os sete meses seguidos levando-o para uma fisioterapia, embora Mari o considerasse novo demais para isso. Só que acabou sendo bom para estimular os sentidos dele. Por mais que Lia achasse aquilo tudo desnecessário, algo sempre a incomodava, como se seu filho estivesse sendo tratado de forma a parecer não ter capacidade. E tinha certeza que isso ele tinha de sobra! E isso se provou quando, ao final dos dez meses de idade, ele começou a dar os primeiros passinhos.

Tanto Lia quanto Ju choraram nesse dia. Era horrível viver com a notícia que seu filho poderia nunca andar. Mais uma vez, agradeceram a Mari pelo carinho e dedicação, e por ter insistido tanto que havia algum erro naquilo. Era evidente que Lucas talvez nem precisasse de fisioterapia, mas há males que vem para o bem. Também agradeceu o apoio de todos os seus amigos, que sempre ficaram do seu lado, lhes dando força e dizendo que tudo iria dar certo. Todos amavam Lucas e Lia sabia que aquele sentimento só tendia a aumentar com o tempo.

Quase um ano depois do dia em que esteve deitada naquela maldita cama de hospital, dando a luz àquele pirralho de olhos puxados, Lia se via correndo de loja em loja, em busca de alguma roupa que a agradasse. Lucas estava com Juliana, que se negou a ir junto, pois preferia ficar em casa com o menino assistindo Galinha Pintadinha. No fim da tarde, acabou optando por calça jeans clara, uma bata preta e saltos da mesma cor. Como já havia passado no salão mais cedo, só precisaria deixar tudo pronto para o dia seguinte.

Quando amanheceu, tudo pareceu estar pior do que já estava. Era festa de Lucas e precisava supervisionar o trabalho do bufê caríssimo que pagou. Felizmente, Nanda teve a grande ideia de levar Gustavo, que estava com seus três anos, até o enorme salão de festa. Assim, poderiam ajudar na arrumação, ao passo que os dois se divertiam com os balões de ar. O pequeno de Mari estava lindo. Os cabelos dourados estavam cortados em aza-delta, o que o deixava parecido com um homenzinho, e os olhos muitíssimo verdes transmitiam a mesma expressão levada de quando o viu pela primeira vez.

– Você tem certeza que a Sarah vem? – Clara indagou, do outro lado do salão, enquanto amarrava uma bola azul com pintinhas brancas. Os cabelos da cor do sol estavam pranchados e caíam escorridos sobre os olhos.

– Ela prometeu que vinha... – A verdade era que ela tinha prometido chegar no dia anterior e, até agora, não havia dado notícias. Era dez da noite quando havia finalmente se decidido sobre o que fazer a seguir.

– Ela vai aparecer, não precisa se preocupar – a médica de olhos cor de mel tentou tranquilizá-la, sabendo mais a fundo de toda a situação que ela estava passando. Por mais que quisesse ajudá-la, sentia-se de mãos atadas. Tudo dependia de Sarah cair na real, antes que fosse tarde demais. Ela deveria estar fazendo algo muito sério para chegar a esse ponto.

– Eu sei que vai – sorriu forçado, tentando acreditar em suas próprias palavras.

O dia passou mais rápido do que esperavam. Então logo todos se viram obrigados a correr para casa, pois precisavam se arrumar. Lia primeiro deu banho em Lucas e o vestiu com uma minúscula calça jeans, sapatinhos da Adidas e camisa polo listrada em dois tons de azul, claro e escuro. Estava parecendo um rapazinho. Quem diria que seria uma mãe tão coruja? Simplesmente adorava arrumá-lo.

Enquanto terminava de pentear os cabelos negros do pequeno, que esperava impaciente, Lia viu sua mulher passar de toalha pelo corredor.

– Como eu queria estar sozinha agora para poder te agarrar – a japonesa disse de forma descarada, notando a mulata sorrir maliciosamente. Estava para nascer mulher mais gostosa que aquela.

– Você pode fazer isso a hora que quiser – Juliana virou as costas para sair, embora sua intenção fosse mostrar o quão a toalha branca estava curta em seu corpo mulato. Lia desceu os olhos pelas coxas torneadas e mordeu os lábios, praguejando por ter que ir tomar banho.

– Mais tarde você me paga – ela semicerrou os olhos puxados ao ouvi-la gargalhar. Ah, pagaria muito caro. Era só esperar Luquinhas dormir.

(...)

Manu já não acreditava mais na chegada da ruiva de olhos verdes, que havia prometido chegar no dia anterior. Antes de tomar banho, ligou para sua mãe e contou-lhe tudo que havia planejado nesses cinco dias sozinha. Ela perguntou se estava tudo bem e se algo a estava incomodando, mas tudo que fez foi negar. Dona Helena não sabia de seu relacionamento e talvez nem precisasse de fato saber. Então, assim que encerrou a ligação, caminhou a passos lentos pelo apartamento e se jogou na banheira por incontáveis minutos.

Era final de tarde de Sábado e nada de Sarah. Por mais que não quisesse pensar nas coisas que ela poderia estar fazendo naquele momento, não conseguia evitar. Com quem ela passara os dias? Seu coração doía só de imaginar que ela pudesse estar traindo-a. Em silêncio, chorou tudo que tinha segurado por tanto tempo. Estava cansada de ser deixada de lado por conta dessas viagens secretas, por causa de alguém que se escondia por trás dos panos. Amava Sarah mais que tudo, mas não se permitiria mais passar por aquilo.

Meia hora depois, decidiu por se vestir. Havia comprado uma saia cós alto azul-marinho e blusa branca colada, o que realçava e muito seu corpo. Nos pés colocou um par de scarpin da mesma cor da saia. Deixou os cabelos dourados soltos, agora batendo na altura da cintura. Passou maquiagem pesada e batom vermelho, realçando todo seu rosto de princesa. Antes de sair, olhou no relógio e notou que estava atrasada.

Porém, ao abrir a porta, assustou-se ao se deparar com Sarah parada no corredor, provavelmente procurando algo para dizer. Quando a viu, a ruiva ficou paralisada. Ela estava vestida num jeans costumeiro e camiseta larga, caída em um dos ombros. Mesmo tão simples, Manu não conseguiu conter o pensamento sobre o quão ela era linda. E amaldiçoou-se por isso. Engolindo em seco, procurou alguma coisa para dizer. Só que não encontrou.

– Hoje eu vou te contar tudo que anda acontecendo. Acho que você merece saber – as palavras pareciam querer arrancar a garganta de Sarah fora, de tão pesada que saíam. – Só peço que você me dê mais um tempo.

– Não se preocupe – a frieza quase a fez encolher. Manu não gostava de agir daquela forma, lhe esmagava o coração. – Eu estou indo para a festa, Victor está de carro, me esperando lá em baixo. Nos veremos lá, está bem?

E Manu passou por ela, engolindo todas as sensações ruins e boas que se misturavam como num liquidificador. Aquilo era tão ruim que sentia vontade de vomitar. Realmente, sua vida não estava nada fácil. Por mais que quisesse dar um fim àquilo, só amá-la parecia o suficiente para que retrocedesse em tudo que pensou. É, não estava nada fácil.

Continua...

Notas finais
Meus amores, logo a Sarah vai contar toda a verdade para Manu. Já me decidi como será o final dela u.u Se vocês disserem me que ama, trago até sexta o próximo husahusa sz Beijo.